Salvar florestas ou reformar o homem

Por em 25 de setembro de 2014

Mais uma reunião internacional sobre mudanças climáticas, e o desmatamento volta ao noticiário mundial. Com as críticas fáceis de sempre. Dá ibope culpar o avanço sobre as florestas, é cômodo plantar aí os culpados pelos problemas do planeta Terra.

Vista sem pressa e desapaixonadamente, a preservação do planeta é muito mais complicada do que se costuma apresentar: envolve a conscientização de todas as nações, em especial das mais abonadas, que precisariam aprender a distribuir em vez de acumular.

Quem pensa seriamente em preservar o planeta, igualmente, deve obrigar-se a repensar seus hábitos consumistas. Quando todos querem ter mais e mais, se possível com o menor custo, se está automaticamente incentivando a indústria que, na busca de maior competitividade, pouco se importará com sua atuação sustentável. Algo que se pode observar com facilidade, nos setores da moda, da decoração, da gastronomia e por onde mais se queira andar.

No âmbito pessoal e no da administração pública, em áreas as mais comezinhas, como a produção, o descarte e o tratamento do lixo, por exemplo, descuida-se até mesmo do básico: sejam nas grandes capitais, seja em minúsculos municípios do longínquo Pará, chama a atenção a enorme diversidade de compostos orgânicos, acondicionados em montanhas de sacos pretos, acumulados à entrada de condomínios, de ricos ou da classe média. E nem se fale do que se joga nos rios pelos moradores de menor renda.

É mais fácil culpar o desmatamento do que analisar criticamente o estilo de vida do homem moderno, ensimesmado em suas atitudes e ações, esquecido da generosidade e do amor ao próximo, quando ignora (ou finge não enxergar) as atrocidades que comete contra seu semelhante, no plano individual e no confronto entre nações, preferindo focar sua crítica veemente nas atrocidades que se fazem aos animais e florestas.

É possível, sim, preservar o planeta e sustar o processo de sua crescente deterioração, atuando com firmeza para conservar as diversas espécies e recursos naturais fundamentais para o meio ambiente – vale dizer, a vida saudável na Terra.  A receita para isso tem de incluir, porém, uma boa dose de generosidade humana, individual e coletiva, nacional e internacional, que resulte em verdadeira conversão do gênero humano. E banir de seu comportamento a busca egoísta de ter cada vez mais, para pôr em seu lugar mais solidariedade e convivência fraterna.

Tem a sociedade a humildade necessária para se penitenciar de seus pecados contra a Natureza e dispor-se, ela mesma, a trilhar o caminho de uma verdadeira vida, capaz de manter limpo o Planeta?

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