IATF – ainda temos restrições na sua utilização

Por em 19 de agosto de 2013

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A técnica de sincronização de cio IATF é eficaz, e contribui para a redução no intervalo entre partos, ao induzir vacas para serem inseminadas em tempo pré-determinado e independente da detecção de cio.

No entanto, tal técnica levanta duas importantes questões.

Desconhece-se até o momento o efeito da IATF na fertilidade a médio e longo prazo, tanto na dos machos (habilidade do sêmen de um touro de gerar prenhezes) e na das fêmeas (habilidade das vacas em ciclar normalmente, mostrar sinais de estro e conceber após as varias crias). Vacas com problemas sérios não são propriamente um “problema”, já que a técnica não faz milagres, e elas não deixarão descendentes.

A segunda questão parece-me ainda mais significativa. A utilização da IATF camufla – por dizer de algum modo – a fertilidade real das fêmeas, ao igualar artificialmente as vacas férteis das subférteis (ou menos férteis).

Dessa forma, a IATF poderia favorecer a manutenção de vacas sub férteis, camuflando as suas deficiências. Sem dúvida, a IATF pode ser interessante para contornar dificuldades e objetivos na execução da EM, mas deve ser usada com restrições em rebanhos que se propõe a serem melhoradores.

Ainda que a herdabilidade para fertilidade de fêmeas seja de aproximadamente 4% (isto é, muito baixa, o que tem desestimulado a seleção direta para esta característica), acredito que, como produtor de genética, devemos empenhar todo nosso esforço no melhoramento da fertilidade.

O melhoramento genético animal é a ciência que estuda as ações da genética dos indivíduos e do ambiente na determinação de suas características de interesse econômico. Essa ciência baseia-se na seleção e nos sistemas de acasalamentos.

A seleção escolhe os animais que formarão a próxima geração, e o melhoramento será proporcional ao valor genético dos animais escolhidos; o problema é que não é possível conhecer com PRECISÃO o valor genético dos animais. O desempenho dos animais (fenótipo) é a soma do patrimônio genético (genótipo) com os efeitos ambientais (ambiente).

Selecionar para fertilidade não é uma tarefa fácil, mas ao mesmo tempo é muito importante, pois a reprodução é um dos principais fatores na lucratividade dos sistemas de cria. O esforço na seleção é que em condições ambientais normais o patrimônio genético se manifeste o mais explicitamente possível, permitindo a seleção, e não o contrário.

O uso da IATF, com a aplicação de substâncias e hormônios sintéticos, ajudaria no sentido de fazer com que aquelas vacas que estavam no limiar entre entrar ou não em cio entrarem em cio e se reproduzirem, deixando descendentes.

Aqui está o desafio. Aqui é onde se vê o quanto cada produtor de genética confia na seleção do seu rebanho e é capaz de enfrentar índices menores (identificando as fêmeas de menor fertilidade) abrindo mão do aumento na taxa reprodutiva provocada pela utilização da IATF e manter uma boa estratégia para selecionar fertilidade.

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