Soja ocupa espaço do boi no Vale do Araguaia

Por em 1 de março de 2013

Produtor do Vale do Araguaia busca alternativa de renda
Soja ocupa o lugar do boi
Wandell Seixas
Os produtores da região do Vale do Araguaia passam a dispor de uma alternativa de renda com a introdução da soja. A região ao longo dos anos foi ocupada pela pecuária extensiva. Com a degradação do solo, a estabilidade nos preços da arroba do boi, elevação dos custos da atividade pecuária e a retração no mercado da carne bovina os criadores sentiram o golpe no bolso.
Ao tomar conhecimento da gravidade do problema econômico regional, a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) partiu para a sua solução. Num trabalho conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro Tecnológico de Pesquisa Agropecuária (CTPA) contribuíram para resolver a questão. Essas instituições de pesquisa concluíram por definir variedades de soja adaptadas às condições da região do Vale do Araguaia.
Em Nova Crixás, Marcelo Pereira Ribeiro, da Fazenda Tamburi, aceitou introduzir a soja em mais de mil hectares de terra de sua propriedade. Emater, Embrapa e CTPA implantaram os cultivos de sementes específicas de soja e fizeram acompanhamento de cada fase. A demonstração do resultado ocorreu, anteontem, 27, durante Dia de Campo, quando os técnicos da Emater puderam exibir aos cerca de duzentos agropecuaristas da região a condição de cada cultivar.
Job Carneiro Wanderlei, do Escritório Regional da Emater em Porangatu, relacionou as cultivares envolvidas, entre as quais as linhas de BRSGO: 7960, 8360, 7460, 8160, 8460, 8560, Emgopa 313 e Luziânia. Algumas são convencionais e outras transgênicas. Os técnicos deixaram bem claro aos participantes em sua explanação nas três estações distribuídas na fazenda a importância de cada variedade em relação ao solo, combate às doenças, aos índices de produtividade e aos objetivos econômicos, entre outros, dos produtores.
José Nunes Júnior, fitopatologista e gerente de Pesquisa e Precisão do CTPA, disse acreditar que a “soja vem com força total para Goiás”, especificando o Vale do Araguaia. Para esse “boom” da soja, justificou a melhoria do solo degradado e posterior volta do gado. Nunes ressaltou ainda os 37 anos de parceria com a Embrapa e a Emater para implantação da soja no Cerrado. Em sua opinião, os nove cultivares de soja anunciados pelos parceiros “são todos top de linha”.
A fase de transição entre a pecuária e a agricultura é apontada como “interessante” pelo produtor Marcelo Pereira Ribeiro, um dos pioneiros na implantação da soja na região do Vale do Araguaia. Ribeiro investe pesado em genética, mecanização e mão de obra nesse processo de mudança radical. Em seu conceito, “o melhor lugar da soja é onde ela se adapta bem”. Se a tecnologia encontrou variedades ajustadas para aquele tipo de solo pobre em nutrientes, clima, entre outros aspectos, “daqui por diante vamos comemorar os resultados positivos”, diz enaltecendo o trabalho conjunto.
Soja: a bola da vez
O presidente do Sindicato Rural de Nova Crixás, Sílvio Luís Busnardo, é pecuarista há 30 anos na região. Cria e recria de gado de corte é a sua “praia”. A introdução dos sojais no município é “bem vinda” por ele, ao observar que a “pecuária passa por dificuldades”. Em sua avaliação econômica, atualmente um boi ocupa o correspondente a um hectare. Antes, dois bois ocupavam o mesmo espaço. Sílvio atribui esse problema à degradação do solo, que reflete na baixa dos preços da terra.
Busnardo abre um parêntesis para atribuir também ao Friboi a situação difícil do pecuarista na região. “O monopólio do Friboi (Grupo JBS) é um dos maiores responsáveis, porque ele detém sozinho a compra de boi gordo dos fazendeiros da região e impõe preços”, acredita, um tanto desiludido “porque, além do mais, o grupo é financiado pelo governo, através do BNDES” – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
“O custo da pecuária ficou alto e o boi perdeu o poder de barganha”, observa. Há cerca de dez anos, compara, se pagava um salário mínimo com três arrobas de carne bovina, hoje são necessárias sete arrobas. Acompanhando essa onda altista, subiu também o preço do arame, do óleo diesel e o preço da arroba do boi gordo mantém-se estável, prejudicando o pecuarista.
Márcio Sena, tradicional pecuarista no Estado e que já desempenhou as funções de presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Faeg e da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (Aeago), é criador de gado nelore na região do Vale do Araguaia. Sena tem uma visão um pouco diferente em relação a Busnardo. Com a sua vivência, a crise no setor é mais abrangente, porque envolve o consumo de carne que caiu, a inflação que sobe e afeta a renda mais baixa.
Além do mais a hora apresenta um ciclo de baixa na pecuária e a rentabilidade “está ruim”. O custo da produção pecuária sofreu aumentos consideráveis e as terras estão sem suporte. “Essas áreas precisam ser recuperadas e isso também apresenta um custo”, pondera, observando que Marcelo Pereira, da Fazenda Tamburi, um dos pioneiros na introdução da soja na região do Vale do Araguaia, diversificou sua atividade agropecuária, através de elevados investimentos. A propriedade dispõe de sistema de confinamento, fábrica de ração e, para isso, precisou de financiamentos. As exportações de soja hoje “dão fôlego aos produtores e demais componentes da cadeia produtiva”, observa Márcio Sena. A soja está cotada a R$60, a saca de 60 quilos nas regiões produtoras.
A alternativa de renda para o produtor com o advento da soja é ressaltada pela prefeita Gleiva Ana Gomes, que sinaliza para a geração de novos empregos através do fortalecimento da nova cadeia produtiva. Gleiva vislumbra, também, os cursos que poderão ser proporcionados para melhoria da mão de obra local, através do Senar, Sebrae, entre outras instituições. A população de Nova Crixás é estimada em 12 mil pessoas. O município é o quinto em extensão territorial no Estado, compreendendo uma área de 7.299 quilômetros quadrados.
Ao acompanhar os produtores no Dia de Campo de Nova Crixás, ao lado dos demais diretores da instituição, Luiz Humberto de Oliveira Guimarães, presidente da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária, saudou o pioneirismo de produtores como Marcelo Ribeiro na atualidade e ao processo de desenvolvimento moderno posto em andamento na região. Beto Guimarães lembrou, ainda, dos pioneiros na década de 60, citando nominalmente Silvio Vasconcelos, que se fez presente.
Assessoria de Imprensa da SGPA.

Produtor do Vale do Araguaia busca alternativa de renda
Soja ocupa o lugar do boi
Wandell Seixas
Os produtores da região do Vale do Araguaia passam a dispor de uma alternativa de renda com a introdução da soja. A região ao longo dos anos foi ocupada pela pecuária extensiva. Com a degradação do solo, a estabilidade nos preços da arroba do boi, elevação dos custos da atividade pecuária e a retração no mercado da carne bovina os criadores sentiram o golpe no bolso.
Ao tomar conhecimento da gravidade do problema econômico regional, a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) partiu para a sua solução. Num trabalho conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro Tecnológico de Pesquisa Agropecuária (CTPA) contribuíram para resolver a questão. Essas instituições de pesquisa concluíram por definir variedades de soja adaptadas às condições da região do Vale do Araguaia.
Em Nova Crixás, Marcelo Pereira Ribeiro, da Fazenda Tamburi, aceitou introduzir a soja em mais de mil hectares de terra de sua propriedade. Emater, Embrapa e CTPA implantaram os cultivos de sementes específicas de soja e fizeram acompanhamento de cada fase. A demonstração do resultado ocorreu, anteontem, 27, durante Dia de Campo, quando os técnicos da Emater puderam exibir aos cerca de duzentos agropecuaristas da região a condição de cada cultivar.
Job Carneiro Wanderlei, do Escritório Regional da Emater em Porangatu, relacionou as cultivares envolvidas, entre as quais as linhas de BRSGO: 7960, 8360, 7460, 8160, 8460, 8560, Emgopa 313 e Luziânia. Algumas são convencionais e outras transgênicas. Os técnicos deixaram bem claro aos participantes em sua explanação nas três estações distribuídas na fazenda a importância de cada variedade em relação ao solo, combate às doenças, aos índices de produtividade e aos objetivos econômicos, entre outros, dos produtores.
José Nunes Júnior, fitopatologista e gerente de Pesquisa e Precisão do CTPA, disse acreditar que a “soja vem com força total para Goiás”, especificando o Vale do Araguaia. Para esse “boom” da soja, justificou a melhoria do solo degradado e posterior volta do gado. Nunes ressaltou ainda os 37 anos de parceria com a Embrapa e a Emater para implantação da soja no Cerrado. Em sua opinião, os nove cultivares de soja anunciados pelos parceiros “são todos top de linha”.
A fase de transição entre a pecuária e a agricultura é apontada como “interessante” pelo produtor Marcelo Pereira Ribeiro, um dos pioneiros na implantação da soja na região do Vale do Araguaia. Ribeiro investe pesado em genética, mecanização e mão de obra nesse processo de mudança radical. Em seu conceito, “o melhor lugar da soja é onde ela se adapta bem”. Se a tecnologia encontrou variedades ajustadas para aquele tipo de solo pobre em nutrientes, clima, entre outros aspectos, “daqui por diante vamos comemorar os resultados positivos”, diz enaltecendo o trabalho conjunto.
Soja: a bola da vez
O presidente do Sindicato Rural de Nova Crixás, Sílvio Luís Busnardo, é pecuarista há 30 anos na região. Cria e recria de gado de corte é a sua “praia”. A introdução dos sojais no município é “bem vinda” por ele, ao observar que a “pecuária passa por dificuldades”. Em sua avaliação econômica, atualmente um boi ocupa o correspondente a um hectare. Antes, dois bois ocupavam o mesmo espaço. Sílvio atribui esse problema à degradação do solo, que reflete na baixa dos preços da terra.
Busnardo abre um parêntesis para atribuir também ao Friboi a situação difícil do pecuarista na região. “O monopólio do Friboi (Grupo JBS) é um dos maiores responsáveis, porque ele detém sozinho a compra de boi gordo dos fazendeiros da região e impõe preços”, acredita, um tanto desiludido “porque, além do mais, o grupo é financiado pelo governo, através do BNDES” – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
“O custo da pecuária ficou alto e o boi perdeu o poder de barganha”, observa. Há cerca de dez anos, compara, se pagava um salário mínimo com três arrobas de carne bovina, hoje são necessárias sete arrobas. Acompanhando essa onda altista, subiu também o preço do arame, do óleo diesel e o preço da arroba do boi gordo mantém-se estável, prejudicando o pecuarista.
Márcio Sena, tradicional pecuarista no Estado e que já desempenhou as funções de presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Faeg e da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (Aeago), é criador de gado nelore na região do Vale do Araguaia. Sena tem uma visão um pouco diferente em relação a Busnardo. Com a sua vivência, a crise no setor é mais abrangente, porque envolve o consumo de carne que caiu, a inflação que sobe e afeta a renda mais baixa.
Além do mais a hora apresenta um ciclo de baixa na pecuária e a rentabilidade “está ruim”. O custo da produção pecuária sofreu aumentos consideráveis e as terras estão sem suporte. “Essas áreas precisam ser recuperadas e isso também apresenta um custo”, pondera, observando que Marcelo Pereira, da Fazenda Tamburi, um dos pioneiros na introdução da soja na região do Vale do Araguaia, diversificou sua atividade agropecuária, através de elevados investimentos. A propriedade dispõe de sistema de confinamento, fábrica de ração e, para isso, precisou de financiamentos. As exportações de soja hoje “dão fôlego aos produtores e demais componentes da cadeia produtiva”, observa Márcio Sena. A soja está cotada a R$60, a saca de 60 quilos nas regiões produtoras.
A alternativa de renda para o produtor com o advento da soja é ressaltada pela prefeita Gleiva Ana Gomes, que sinaliza para a geração de novos empregos através do fortalecimento da nova cadeia produtiva. Gleiva vislumbra, também, os cursos que poderão ser proporcionados para melhoria da mão de obra local, através do Senar, Sebrae, entre outras instituições. A população de Nova Crixás é estimada em 12 mil pessoas. O município é o quinto em extensão territorial no Estado, compreendendo uma área de 7.299 quilômetros quadrados.
Ao acompanhar os produtores no Dia de Campo de Nova Crixás, ao lado dos demais diretores da instituição, Luiz Humberto de Oliveira Guimarães, presidente da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária, saudou o pioneirismo de produtores como Marcelo Ribeiro na atualidade e ao processo de desenvolvimento moderno posto em andamento na região. Beto Guimarães lembrou, ainda, dos pioneiros na década de 60, citando nominalmente Silvio Vasconcelos, que se fez presente.
Assessoria de Imprensa da SGPA.

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