Afinal, precisamos de bonequinhos para vender carne?

Por em 24 de janeiro de 2012

Indústrias de carne bovina não tem um histórico muito favorável quando se aventuram em campanhas e ações de marketing, infelizmente. Na verdade, é difícil promover um produto como a carne bovina in natura junto ao consumidor final e mais difícil ainda promover uma determinada marca de carne, os especialistas em marketing que o digam. Diante disso gostaria de comentar com vocês sobre dois assuntos relacionados ao tema, a recente campanha institucional que o  JBS está veiculando nas mídias e uma ação de marketing também do JBS chamada “Promoção Mini Astros Friboi”.

Primeiro sobre os vídeos institucionais que contam a história do grupo JBS, para nós que acompanhamos a indústria da carne há algum tempo, esta história que é um misto de realidade e folclore não é novidade, e acredito que a tentativa de explica-la ao consumidor é muito válida e vale cada centavo gasto, minha crítica é sobre o conteúdo dos filmes, não gostei muito, achei de gosto um pouco duvidoso, mas enfim, os profissionais de marketing estão ai para nos ensinar.

O segundo assunto e também minha maior crítica é para a promoção que o JBS está fazendo há algum tempo, chamada “Promoção Mini Astros Friboi”, não irei fazer propaganda, nem explicar como funciona a promoção, longe disso. Se o intuito foi criar um buzz para a marca, ótimo, parabéns para eles, aparentemente foram bem sucedidos. No entanto, se o objetivo da promoção é alavancar as vendas de carne com a marca Friboi, acredito que deveriam rever a estratégia.

Mas rever a estratégia porque? Principalmente pelo custo benefício.

Ora, notadamente a promoção é focada no consumidor final, aquele que compra a carne in natura diretamente no açougue ou supermercado. Não tenho dados para comprovar isso mas o censo comum nos diz que este público é composto majoritariamente por donas de casa e estas, como sempre, dispõe de um orçamento apertado para as compras do mês.  A carne bovina por si só já é um item caro, deve-se juntar um punhado de selos personalizados e colocar mais algum dinheiro para poder levar para casa os bonequinhos, legal, mas não convence quem dispõe de pouco dinheiro e uma enorme lista de itens para comprar.

O pessoal pode dizer, “Mas os filhos pedem e convencem os pais a comprar os bonequinhos” Pode até ser, mas quem gosta destes bonequinhos são geralmente crianças pequenas e o interesse delas são outros, bem longe de cantores sertanejos. Ainda não me convence.

Bom, excluindo-se as donas de casa e crianças, quem sobra? Adolescentes, universitários, homens e mulheres solteiros, etc. Nem preciso escrever sobre as preferências destes grupos, com certeza bonequinhos de cantores sertanejos não estão entre elas, concordam?

Para mim, a idéia toda não convence: Alavancar a venda de carne,  distribuindo com subsídios, bonecos de cantores sertanejos da moda?!? Não sei não.

Definitivamente, fazer uma campanha destas exige dinheiro, estrutura e logística adequadas, além de esforços muito grandes de diversos departamentos e profissionais. Se bem conduzida, planejada e direcionada ao público certo gera um retorno muitas vezes superior ao que foi investido. O JBS ousou nesta proposta, é fato. Promoções deste tipo se relacionam melhor com itens de consumo de massa, tipo fast food e outros. Vamos acompanhar a evolução disso, a minha opinião pessoal é de que será um desperdício de dinheiro da empresa, que poderia ser direcionado para ações mais efetivas em popularizar a marca. Mas, enfim, o dinheiro não é meu e  tratando-se do JBS, sabemos que quase tudo é possível.

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