Retrospectiva 2015

Por em 27 de dezembro de 2014

Esse foi o primeiro ano que, em todo ele, essa coluna bateu ponto com praticamente um artigo por semana. Neste último artigo do ano, farei uma retrospectiva destacando um de cada mês do ano, de maneira a relembrar pontos importantes abordados neste espaço e, especialmente, fazer menção a alguns comentários feitos pelos leitores. Essa interação foi sempre um dos principais objetivos de escrever neste espaço e aprendi muito com isso.

Clicando no título, o leitor é remetido ao texto completo.

JANEIRO

Em Janeiro, o destaque fica por conta de uma sugestão de um calendário nutricional (Calendário do manejo nutricional: Uma sugestão para fazendas de recria e terminação). Ele é bem simples e focado em poucos pontos, mas, ainda assim, foi bem recebido pelos leitores.  Suscitou comentários sobre problemas com diarreias nas épocas de transição, para os quais respondi que dos relatos que tenho, esse problema ocorre por um curto período de tempo e não costuma trazer grandes prejuízos, sendo difícil estabelecer intervenções nutricionais que sejam economicamente vantajosas.

FEVEREIRO

O texto mais lido da coluna foi escrito neste mês: Dez mitos no uso do sal mineral para bovinos. Os dez pontos nele citados, englobam informações que ajudam desde a compra até questões relativas à como e quando usar, passando pela polêmica do uso de palatabilizante pelas empresas. Segundo o mito corrente, ele seria colocado para fazer os animais consumirem o produto em demasia. Um dos leitores chegou a comentar que eles seriam necessários apenas em produtos de má qualidade, para o que respondi que duas formulações com os mesmos níveis de garantia, mas feitas com ingredientes diferentes podem ter consumo diferente e, portanto, que isso não está, necessariamente, ligado com a qualidade das matérias primas. O que importa é usar um bom produto (equilibrado e de boa qualidade) que, tendo ou não palatabilizante, deve ter o consumo monitorado de maneira a deixá-lo o mais próximo possível do recomendado pelo fabricante.

MARÇO

Em Março, escrevi sobre um tema que ainda devo retomar muito no futuro, pois acredito que seja a forma mais justa para se conciliar a produção de alimentos com a questão ambiental. No texto “Serviços ambientais ao se produzir carne: Quem ganha com isso?” , com o foco sobre (não por acaso) a produção de água, a resposta clara é que ganham todos. O final do texto sintetiza o espírito da coisa: “Hoje, as restrições ambientais à produção são um tormento para os produtores rurais, muitas vezes pressionando-os, via aumento de custo, para situações de piora no nível de manejo das propriedades, com agravamento do risco de degradação ambiental. O pagamento de serviços ambientais é uma esperança de reverter isso, em uma espiral virtuosa, onde o incentivo faz produzir melhor e a melhor produção ajuda à conservação do ambiente”. Com esse texto tive a satisfação de receber o comentário de um futuro colega da UFRGS, o Gustavo Zubricki, não só afirmando a crença no desenvolvimento sustentável, mas que desenvolvimento sem esse componente não seria legítimo. A satisfação aumentou a saber que ele iria compartilhar o texto, importante para amplificar o debate em cima do tema.

ABRIL

Faltando perto de três meses para a Copa, escrevi sobre “Vantagens da Carne Brasileira: Alimento seguro e produzido com respeito aos animais para o Mundo!”, que era o terceiro texto de uma série que visava chamar a atenção para a oportunidade que esse evento nos dava para promover, com orgulho, nossa carne.  Contabilizando os pontos positivos da carne produzida no Brasil levantados nos três textos, ficamos com 35 deles que ajudam a mostrar ao Mundo que comer bifes produzidos aqui é bom para o bolso, à saúde e ao ambiente.  Nos comentários, um dos leitores citou que o maior problema da nossa carne seria a maciez, o que, de fato é uma desvantagem. Sugeri a ele ler o texto “Produzir Carne De Qualidade Dá Dinheiro?”que teve uma repercussão muito boa, pois mostra que temos já um bom caminho trilhado na melhora deste quesito. Para me ajudar nesta discussão a leitora Lygia relatou  resultados do seu trabalho de mestrado que mostram a possibilidade de produzir carne macia com animais Nelore precoces.

MAIO

No mês de Maio, voltamos à série de “Dez Mais”, mas, desta vez, abordando o confinamento (Dez dicas para melhorar o resultado do seu confinamento). Abordamos os pontos-chave em ordem cronológica da atividade, começando pela seleção dos animais até a decisão de venda.  Tive a grata surpresa de receber um elogioso comentário de um colega aposentado da Embrapa, o Dr. Luiz S. Thiago, em que ele declara sua crença na pecuária de 24 meses baseada em pasto + suplemento+ confinamento. Nas palavras dele: “a integração do confinamento no sistema ‘novilho precoce’ é a ferramenta necessária para abrir espaço na pastagem para o início de um novo ciclo (bezerro desmamado). Assim, ao final do ciclo teremos cabeceira, meio e fundo e todos devem ir para o abate”. Sugerindo uma solução alternativa a dada por mim no texto, ele defende, que a “cabeceira” terminaria no pasto (com ou sem suplemento), os animais do “meio” no pasto ou confinamento (o preço do milho definindo a proporção) e o “fundo”, necessariamente em confinamento.

JUNHO

O texto do meio do ano foi Comportamento do bovino e sua relação com o manejo, um tema delicioso que costuma causar bastante interesse. Em função disso, a interação nos comentários foi intensa. Dos vários recebidos, o mais interessante foi a do leitor André que questionou sobre a validade de se colocar um animal mais erado no lote para abreviar o estabelecimento da hierarquia.  A minha resposta foi que considerava que a premissa desta proposta é que a hierarquia no grupo teria uma relação de um “ditador” que controlaria os demais “submissos”. O meu “achismo” é que as coisas são mais complicadas e, à medida que fazemos um lote homogêneo, desestimulamos a briga, pois a chance de cada indivíduo bater ou apanhar é mais perto dos 50%. Esse animal muito acima da média (mesmo sendo um só) cria desequilíbrio e deixa o ambiente mais instável. O que acredito, então, é que ele vai arrumar confusão com todos e, nesse ambiente, haverá estímulo para mais disputas, talvez fazendo mais difícil que as coisas fiquem no lugar!

JULHO

Abrimos o segundo semestre com um texto leve: Os dez mandamentos da pecuária.  Baseando-se nos pontos abordados no programa de Boas Práticas Agropecuárias da Embrapa (BPA), foi feita uma analogia com os dez mandamentos cristãos. Assim, começamos por “Capricharás na gestão sobre todas as coisas” e fomos até “Não roubarás o futuro dos teus filhos”, ou seja, de gestão até a sustentabilidade, sempre mirando propriedades economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas.  A maior satisfação nos comentários foi a posição do leitor Márcio Valadares Nader, que sugeriu disseminar maciçamente esses “mandamentos”.

AGOSTO

Agosto costuma ser um dos meses de seca mais intensa, depois dos meses menos chuvosos do ano. Um tanto por isso, um dos assuntos abordados foi exatamente o “Uso eficiente e seguro da ureia em dez dicas “. Também no estilo dos “Dez Mais”, elencamos dez pontos importantes a se considerar ao se usar a ureia, seja em pastagem, seja em confinamento, bem como para animais de crescimento ou reprodução. No caso do uso para animais em reprodução, tentamos desmistificar a ideia que a ureia compromete os índices reprodutivos, pois somente o mau uso dela pode causar problemas. O último ponto se referia a proibição do uso da ureia agrícola.  O leitor Jales Alves Barreto, então, quis saber qual a diferença entre a ureia agrícola e a pecuária. Eis a reposta, com informações da fabricante: “a ureia é a mesma, mas a pecuária tem biureto (duas moléculas de ureia ligadas), o que a torna imprópria para adubação foliar e a ureia agrícola possui aditivos para dar dureza e adequá-la ao uso na agricultura. São eles o Formol e o PVA (Polivinilacetato) ”.  Em 2015, já está previsto aprofundarmos mais sobre esse assunto.

SETEMBRO

O setembro de 2014 foi o mês mais quente já registrado e, assim, destacamos o segundo texto daquele mês que abordamos a questão da sombra na produção animal: Na sombra, mais enigmas da pecuária – Pastagem. O anterior era sobre confinamento.  O principal ponto em ambos é mostrar que um assunto aparentemente trivial, onde a intuição leva a crer que prover sombra sempre será positivo, tem vários aspectos envolvidos e os resultados nem sempre são óbvios.

Nos comentários, o Dr. Roberto Giolo, um dos colegas da Embrapa que trabalha com sistemas agrosilvipastoris, cobrou-me por não ter falado sobre o índice de eficiência da terra, pois esse seria o diferencial entre o sistema integrado (animais e árvores compartilhando o mesmo espaço no tempo) e os sistemas solteiros (fazendas que tem produção animal e silvicultura, mas feitas isoladamente).  A principal parte da reposta foi que precisamos aprofundar a questão, pois, ainda que existam vantagens na integração, a tendência tem sido o uso de sistemas solteiros. Em 2015, voltaremos para detalhar mais sobre isso.

OUTUBRO

Em Outubro, ainda estávamos sobre o impacto de um calor fora do normal, o que nos levou a escrever o texto “O calorão que nos faz pensar…em aquecimento global!”.  O objetivo foi aproveitar a sensibilidade das pessoas frente a este fenômeno, e à questão da seca do Sudeste, para tentar convencer aquelas que ainda acreditam em teorias conspiratórias que, ao contrário do aquecimento global ser uma invenção de alguns gênios do mal, é um problema real (ainda que os fenômenos citados não necessariamente estejam ligados ao aquecimento global).

Além de citar várias evidências e alertar sobre os riscos, comentamos como a pecuária pode ajudar a resolver o problema, o que passa pelo aumento da eficiência de produção, transformando crise em oportunidade! Esse foi um dos casos, felizmente mais raro, de texto sem nenhum comentário.

NOVEMBRO

Dez pontos sobre resíduos na nutrição de ruminantes : Esse foi o texto de destaque no penúltimo mês do ano. A possibilidade de uso de alimentos alternativos é uma das grandes vantagens dos ruminantes, todavia a utilização de alimentos não-convencionais, compreensivelmente, é vista com cautela pelo produtor.  Outra lista de “Dez mais” foi feita de modo a servir de guia ao produtor para conseguir fazer uso de resíduos de maneira mais técnica e segura. Seguindo as dicas, fica mais fácil fugir do “mico”, bem como usar melhor o produto. Esse texto também está a espera do primeiro comentário.

DEZEMBRO

Neste mês, por simplicidade, vamos apontar essa “Restrospectiva” como o texto de destaque, uma vez que o outro texto do mês é um simples resumo da pecuária brasileira feita para Bolivianos!

E assim fica uma amostra do que foi 2014 por aqui!

Desejo a todos que 2015 seja um ano surpreendentemente bom, especialmente porque cada um de nós assim deseja e se empenhará em fazê-lo especial. Como colunista, fico na esperança que continue a ter o prestígio de um grande número de leitores, que esse contingente continue crescendo e que, cada vez mais, haja maior interação entre nós. Afinal de contas, se esta coluna não informar um grande número de pessoas e não suscitar discussões, valeria a pena fazê-la?. Da minha parte, continuarei me esforçando para merecer a honra do tempo de cada leitor que arriscar investi-lo por aqui e agradecido por isso!

 

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