Tecnologia e Produção Pecuária no Brasil

Por em 7 de dezembro de 2014

No início desta semana, tive a honra de levar informações da pecuária brasileira para um evento na Bolívia. O evento (2do Encuentro Boliviano de Innovación Agropecuaria y Forestal) ocorreu na cidade de Tarija, ao sul do país, quase na divisa com a Argentina. Aprendi muito sobre esse nosso vizinho e foi bonito perceber o esforço que está sendo feito pelos pesquisadores bolivianos para garantir que não faltem alimentos aos seus conterräneos.

A mensagem que procurei passar foi que obtivemos sucesso por termos, em determinado momento, investido pesado em pesquisa (o que culminou com a criação da Embrapa, há 40 anos) e em melhorar as técnicas produtivas. A seguir, a tradução do resumo da palestra, que deverá ser publicado nos Anais do Evento. e que, originalmente era em espanhol ( link para o resumo: http://sites.beefpoint.com.br/sergioraposo/?attachment_id=383). Ao se abrir o link será visto que esse resumo tem vários autores que são colegas que me ajudaram a montar a palestra:

A produção de carne bovina no Brasil é uma importante atividade econômica. Com mais de 200 milhões de cabeças e taxa de desfrute de 20%, foram produzidos mais de 10 milhões de toneladas de equivalente-carcaça em 2013. Ainda que as exportações tenham representado apenas 19,6% dessa produção total, ela resultou em mais de US$ 6 bilhões de receita para o país. Desde 2005, o país tem sido o principal exportador do mundo, com uma fatia de mercado próxima a 30%, sendo prevista chegar a 44% até 2020, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A principal característica do desenvolvimento da cadeia da carne bovina nas últimas décadas foi o aumento da produtividade. Assim, tendo como base 1975, a produção de carne aumentou quase 4 vezes, mas a área de pastagem cresceu apenas 4%. Isso foi possível devido aos altos investimentos em pesquisa, especialmente em melhoramento de forragens, melhoramento animal e intensificação da suplementação nutricional. Ainda assim, atualmente, a média de produção de carcaça e de apenas 45 quilos por hectare. No entanto, há consenso entre os pesquisadores da área que, é possível apenas com um melhor manejo de pastagens e com o uso de baixas quantidades de fertilizantes, dobrar a taxa média atual de 1,2 cabeça / ha. De fato, com o uso de integração lavoura-pecuária já há dados mostrando que é possível produzir mais de 450 kg de carcaça/ha.

Para manter-se como um importante ator no mercado mundial de carne, o Brasil continua a investir na melhoria das condições de produção. Um dos pilares, evidentemente, é a questão da sanidade animal e doenças como febre aftosa, brucelose, tuberculose e doenças neurodegenerativas (Doença da Vaca Louca e Scrapie) têm programas nacionais específicos de controle e prevenção. Há pesquisas para encontrar novas vacinas, kits de diagnóstico e, até, tecnologias de agricultura de precisão para avaliação de risco da disseminação das doenças animais.

Pesquisas em nutrição e melhoramento animal têm sido feitas com o objetivo de se aumentar a eficiência e qualidade do produto final, reduzindo o impacto ambiental e aumentando a rentabilidade da atividade. Uma das estratégias tem sido a  busca por marcardores moleculates para eficiência e maciez. Mais recentemente, pretende-se ampliar os eforços em genômica, ou seja, para sermos capazes de identificar diretamente pela análise de DNA, como esse animal deve expressar suas características de interesse ao produtor.

Por fim, há o programa de Boas Práticas Agropecuárias (BPA) que visa auxiliar ao produtor conseguir a produção sustentável de gado de corte. Dessa forma, ao cumprir as normas do programa BPA, o proprietátio vai em direção a tornar sua produção, socialmente justa, ambientalmente correta e economicamente viável. Na lista de obrigações do BPA,  estão contidas desde a preocupação com o bem-estar animal, até aos detalhes do envio de animais para o frigorífico. Alimentos de qualidade para o mundo: esta é uma grande tarefa para a América Latina (que temos total possibilidade de conseguir cumprir).

Ao final da palestra, depois de responder aos questionamentos do público, tive a sensação de ter sido bem sucedido em mostrar aos nossos irmãos de continente o caso de sucesso que temos com a nossa pecuária e que eles, também, podem replicar esse sucesso. Sim, a Bolívia pode ser um futuro grande exportador de carne, mas não devemos temer sua concorrência. Em primeiro lugar,  pois o mercado de carne terá um aumento de demanda gigantesca nas próximas décadas , o que abrirá espaço para todos. Em segundo lugar,nesse salto que pode ser dado pelos bolivianos, há grandes oportunidades de empresas brasileiras serem fornecedoras de tecnologia e insumos, o que geraria ainda mais divisas para nosso país.

O mais importante de ter publicado sobre isso neste espaço é saber dos prezados leitores se o resumo consegue, de fato, mostrar o principal da nossa pecuária de bovinos de corte e se eles concordam que ajudar à Bolívia a melhorar sua pecuária é de interesse do Brasil também. Para todos aqueles que possam ter algo a acrescentar, agradeço antecipadamente pela eventual interação.  Hasta Luego!

 

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