Dez dicas para melhorar o resultado do seu confinamento

Por em 22 de maio de 2014

Estamos nos aproximando da época de confinamentos no Brasil. Neste momento, quem irá confinar já deve estar preparado há muito tempo, pois, assim, aproveitou uma das grandes vantagens desta atividade que é poder planejar antecipadamente e acertar bem as diversas variáveis envolvidas.  Entretanto, mesmo considerando quem não planejou, segue uma lista com algumas dicas que ainda podem eventualmente ajudar a ter um melhor resultado:

1)      Seleção dos animais a confinar: O confinamento é uma estratégia de alto investimento, portanto é importante que os animais selecionados tenham as melhores condições de responderem a ela. Por essa lógica, devemos escolher os animais com maior potencial de ganho. Há uma circunstância em que é possível ganhar dinheiro invertendo essa lógica, quando temos uma oferta de animais com preços muito atrativos. O baixo valor por arroba destes animais na entrada pode compensar a ineficiência deles em ganhar peso. Deve-se notar que esta é uma estratégia de risco e estar preparado para revezes. Voltando aos animais com bom potencial, um segundo critério de corte é o peso dos animais ao início do confinamento, no qual filtramos os animais da faixa dos “não precisa” e os da faixa dos “não adianta”. Ao apartarmos um lote, os do grupo “não precisa” são os cabeceiras que teriam peso suficiente para irem ao abate apenas com o ganho esperado na pastagem. Os do grupo “não adianta” seriam aqueles cujo ganho projetado no confinamento não seria suficiente para fazê-los atingirem o peso de abate.

2)      Formação dos Lotes: Na formação dos lotes, a palavra chave é homogeneidade. Animais do mesmo sexo, com pesos próximos entre si, de tamanho semelhante e com grau de terminação semelhante formam o lote ideal. A primeira vantagem do lote homogêneo é que a competição por recursos (acesso ao cocho, por exemplo) é mais equilibrada, o que garante menos problemas de comportamento relacionados às disputas por estes. Em segundo lugar, e ainda mais importante, é que eles tendem a estar prontos para o abate em datas próximas, o que permite vender o lote em menos vendas isoladas. Idealmente, a venda de todo lote é a melhor escolha, pois, a cada venda picada, os animais remanescentes brigam entre si para estabelecer uma nova hierarquia, o que, obviamente, atrapalha o desempenho de todo lote.

3)      Tratamentos Sanitários na entrada: No processo da entrada dos animais é interessante, pelo menos, vermifugar os animais. Isso é interessante mesmo que a fazenda já faça o controle estratégico, pois seria uma garantia de não ter a perda do animal contaminado com vermes desde o início.

4)      Adaptação à dieta: Esse é um ponto muito importante. Ruminantes nunca devem passar de um regime alimentar para outro de forma abrupta. Na hipótese de que alguém pule essa etapa, provavelmente isso não passará despercebido, pois deverá haver animais com problemas metabólicos evidentes, como acidose e timpanismo. Mesmo que não haja evidência desses problemas, o prejuízo no desempenho já ocorreu de forma silenciosa pela ocorrência de acidose subclínica (isto é, sem sintomas). Interessantemente, o prejuízo não se restringe aos dias com os problemas, mas por todo o período de confinamento e, tanto ganho de peso, como eficiência, podem ser piorados. Aliás, isso pode ocorrer mesmo no caso de que, apesar de feita a adaptação, ela tenha sido mal feita ou feita por período muito curto de tempo (menos de 14 dias).

5)      Manejo da alimentação: Este item envolve controle de alimentos fornecido por lote, número de refeições, quantidade de alimento oferecida por refeição e espaçamento entre dietas. Quanto ao número de refeições, na hipótese de que todos os animais tenham acesso simultâneo ao cocho, não há grandes benefícios em se fazer em mais do que três vezes. Nesta situação, uma boa sugestão de proporção em cada uma delas seria 30% no trato do início do dia, uma quantidade menor no meio do dia (20%), por ser a hora mais quente, e 50% no trato final do dia, uma vez que é o maior período de tempo que os animais ficam sem receber alimento. Para o caso, mais usual, de não haver espaço para que todos os animais do lote consumam ao mesmo tempo, é interessante dividir cada um dos tratos descritos acima em dois, de forma que no primeiro os animais mais dominantes tomem a frente, mas que no segundo trato haja chance dos mais submissos terem a sua vez. Dessa forma, os tratos ímpares seriam mais bem aproveitados pelos dominantes e os pares pelos submissos.

6)      Manejo das sobras: A melhor forma de lidar com as sobras do confinamento é calibrar a quantidade de alimento ofertada por lote de maneira a minimizá-las. Uma boa opção é fazer um sistema de notas para os cochos e associar a cada uma delas uma ação para o encarregado no fornecimento. As notas e denominações podem ser, por exemplo:

-2 = Cocho totalmente limpo, ou “lambido”;

-1 = Cocho com muito pouca sobra;

0 = Cocho com = pouca sobra;

+1  = Cocho com sobra bem visível ;

+ 2 = Cocho com muita sobra.

Neste caso, as notas seriam referentes à ação a ser tomada. Assim, para um cocho com a nota -2, com o sinal de menos representando que faltou comida, deve-se colocar 2 kg a mais por animal do lote e para um do lado com +2, significando que a oferta esta excessiva, deve reduzir 2 kg por cabeça no lote todo. Esses valores representariam uns 10-15% da oferta do confinamento e podem ser ajustados caso a caso.

7)      Água: Esse é um fator que é tão obviamente fundamental que, às vezes, recebe menor atenção do que deveria. Há três aspectos importantes. Em primeiro lugar, a qualidade, que não costuma ser um problema, exceto quando não se mantém os bebedouros limpos. Em segundo lugar, também relacionado aos bebedouros, seria o acesso dos animais à água, para o que pode influir o espaço linear ofertado e, eventualmente, a formação de lama ao redor. Por fim, em terceiro lugar, o volume que deve ser dimensionado de forma a ter reserva para pelo menos três dias considerando o consumo potencial. Um animal no confinamento pode beber valores próximos a 100 litros por dia, quando já bem pesados e sob estresse calórico.

8)      Pesagem intermediária: Esse é um ponto que, ao contrário dos demais abordados aqui, não é obrigatório. A vantagem de fazê-la é ter uma boa referência de como o confinamento está se desenvolvendo, permitindo identificar problemas e tomar ações corretivas. Além disso, ele permite identificar animais que podem sair antes e o grau de terminação de cada lote. Esse grau de terminação pode ser baseado apenas nos quilogramas faltantes para atingir  o peso de abate ou, no caso de se usar a ultrassonografia, considerar a terminação propriamente dita em termos de deposição de gordura. Ter a informação do grau de acabamento com a espessura de gordura subcutânea ajuda na decisão de tirar os animais menos eficientes antecipadamente, o que é interessante.

9)      Decisão de venda: Há uma tentação generalizada em se tentar manter o animal terminado (com peso e bom acabamento) à espera de melhores preços da arroba. Frequentemente, isso não vale à pena, pois é grande a chance de que o ganho diário desse animal seja tão baixo que, ao se converter em valor de carcaça, ele seja um valor menor do que aquele que se gasta por dia. Em outras palavras, manter esse animal significa prejuízo diário. Pior ainda se, além de manter o animal no confinamento, altera-se a dieta dele para uma dieta com energia para apenas manter o peso. O que ocorre nesta situação é que o animal se ressente da passagem de um nível superior para o inferior e isso faz com que ele perca peso, em vez de manter. Por esses dois aspectos, o mais indicado a se fazer com animais bem terminados e vender o quanto antes!

10)   Venda antecipada: Algo a ser considerado pelo confinador é a possibilidade de vender os animais no mercado futuro ou a adiantado ao frigorífico. Uma das vantagens disso seria garantir o suficiente para fechar as contas do confinamento e deixar os bois que sobrarem com uma maior margem para esperar por uma venda mais vantajosa. Importante reforçar aqui o escrito no item anterior que não vale à pena especular com animais muito terminados, ou seja, seria restrito aos animais com menor grau de terminação.

 

Desejando sucesso, ficam as dicas a todos os confinadores!

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