Tsumoney na bolsa e marolinha no físico

Por em 4 de julho de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #223, de 03 a 10/julho/16)

 

Companheiros que carregam o pó da viagem,

Uai, o que houve com o bovino? Na semana passada o boi na BMF (nomeado pela sigla BGI) “apanhou mais que vaca na horta”, igual a menino do “pé pesado”, que apanha dos coleguinhas na pré-escola… De fato, parece que o boi está com o pé pesado igual a pastel de batata.

De modo geral, foi um verdadeiro tsumoney* na bolsa, apenas uma marolinha no físico de SP e uma grande calmaria no lago pacato das praças pecuárias importantes fora de SP.

*Obs.: créditos para a consultoria Empiricus, autora do termo.

Houve um alinhamento dos astros contra o bovino… Quais foram estes “astros”? O movimento catastrófico tem sentido? Vejamos as respostas nas entranhas do NF2R abaixo.

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, ou seja: ofertas de compra são diferente de intervalo de negócios efetivados! Em SP, há ofertas de compra de R$ 152 a R$ 156/@, mas a esmagadora maioria das negociações ocorrem, balizadas pelo nosso BeefRadar, entre R$ 155 a R$ 156/@ a vista, com “personnalité” de até +R$1/@ para o boi não EU (teve negociação no boi EU de até R$ 158/@ a vista). Em resumo: uma queda de R$1 até o máximo de R$2/@ na mínima e na máxima vistas no mercado. Nada que “machuque”.

O indicador Esalq/BMF, que havia começado a semana em R$ 156,21/@ a vista (variando de R$ 155 a R$ 158), a terminou em R$ 156,16/@ a vista (variando de R$ 154,50 a R$ 157,75), aderente ao físico, razoavelmente, tal como havia previsto o status do BeefRadar.

Pelos (verdes) lados da “terra da guavira”, a arroba do boi segue ao redor de R$ 143/@, quase sem “personnalité” e alguma pressão de até R$ 2/@ a menos no sul do estado.

Quanto à “escala”, também tivemos pouca alteração, apenas a consolidação da leve melhoria de agendamento citada na semana passada, a qual acabou levando a maioria das plantas a estar com a próxima semana completa. Mas atenção: os abates foram reduzidos para um ajuste de produção, ou seja, diminuição intencional da produção de carnes. O “dia D” das escalas segue na segunda (dia 11), sendo que há indústrias mais adiantadas (até o dia 18), de modo que o placar marca 4.11 dias (referência HAITONG). O status do BeefRadar continua direcionado para estabilidade, mas inverte as probabilidades de alta e baixa:

30% de queda | 60% de estabilidade | 10% de alta

 2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Igual ao MS, ao MT e outras praças importantes, em GO o boi permaneceu surfando um lago pacato, apesar do “tsumoney” da BMF e da marolinha de SP. O balcão permanece em R$ 142/@ a prazo (com prêmio EU de R$3/@ e “personnalité” pontual). A escassez de lotes grandes para abate é muito forte neste momento. Também é muito marcante a heterogeneidade das escalas, pois há indústrias com 1.5 semana de escala (até o dia 13), enquanto que há outras sem completar a próxima (estão para o dia 07).

Nesta toada de sangue para todo lado na bolsa, o pessimismo imperou, turvando nossa visão, a ponto de quase não percebermos uma excelente notícia: queda importante do diferencial de base (DF), que atingiu a média semanal de R$ 14,62 (queda de R$2 na semana). Com relação à arroba de vaca, nada de novidade: média semanal de -5.19%.

3) HORA DO QUILO: lembrete para o VII Encontro de Confinamento de Novo Horizonte e região, dos nossos amigos da família Costa, encabeçados pelo Fernando e Eduardo Nemi Costa. Teremos o prazer de estarmos por lá, aprendendo um pouco com todos:

20160703 - Novo Horizonte

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: outra oportunidade singular de aprendizado, desta vez no Apta, em Colina, onde será exibida toda a pesquisa deste valoroso centro, porém de uma forma inédita. Imperdível:

20160703 - BeefDay

5) BOITOGRAFIAS DA SEMANA

 

5.1) O agro é verde e amarelo, como o Brasil: foto de Luis Caires, em Lucas do Rio Verde-MT. Segundo ele, “o amarelo é o niger, uma cultura da qual se extrai um óleo de muita necessidade para cosméticos, a partir de suas sementes. O verde é o feijão Caupi Azuki, feijão de corda, extremamente tolerante à seca”.

20160703 - Luis Caires

5.2) “Unir as partes de maneira justa”: este é o lema de Ricardo Nicolau fazendo um excelente trabalho nos leilões do MT, agora informando a média de peso por categoria dos animais que a sua equipe tiver a oportunidade de acompanhar a pesagem.

20160703 - Ricardo Nicolau

5.3) “Só no Pará”: foto de Bruno Ribeiro, desta semana, publicada no grupo da whatsapp “Profissionais Agropec”

20160703 - Bruno Rodrigues

 

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

6.1) “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo”: vejam o institucional que, de vez em quando, está aparecendo na Rede Globo em horário nobre, “erguendo a nossa bola”. Parabéns aos idealizadores (não consegui localizar nenhum link na internet, desconheço a autoria, portanto).

6.2) “A mãe das retenções de fêmeas”: quem disse esta frase foi o Rogério Goulart. E os dados do IBGE relativos ao abate de bovinos do primeiro trimestre de 2016, confirmam que estamos vivenciando uma “senhora” retenção de fêmeas. Houve queda de 5.7% no número de animais abatidos no total. Estratificando por sexo, tivemos 0.9% de aumento nos abates de machos e 14.2% de redução no abate de fêmeas. Como consequência, afirmamos: derrubar os preços do boi gordo em 2016, tem sido uma tarefa hercúlea para os frigoríficos. E continuará sendo!

6.3) A taxa de desemprego achou o fundo do poço? É o que também afirmam os números do IBGE. Em relação aos números de 2015, a taxa de desemprego para o trimestre março-abril-maio deste ano, está em queda. Mas em relação ao último trimestre (dezembro-janeiro-fevereiro), a taxa divulgada esta semana, apesar de permanecer péssima, parou de piorar (taxa de 11.2% de desemprego). O fato atende aos otimistas e pessimistas de plantão. Prefiro a visão otimista, que sinaliza que “pior do que está, não fica” (lembrei novamente do Tiririca).

6.4) A margem de frigorífico achou o fundo do poço? É o que também afirmam os números dos Indicadores da Scot Consultoria. Monitoro diariamente há anos estes indicadores e afirmo: eles pararam de piorar de sexta, 27/junho, para cá. Olho atento. A demanda pode estar ruim, como de fato está, mas se a margem estiver melhorando, a fome da indústria aumenta…

6.5) O milho achou o fundo do poço? Em linhas gerais, os preços caíram R$ 10 a 13/sc. Quem pagava R$ 50/sc, agora tem a chance de comprar por volta de R$ 40/sc… Ainda pode vir mais para baixo… Veja: http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/milho/175790-diante-do-aumento-na-area-cultivada-nos-eua-e-o-clima-favoravel-precos-do-milho-recuam-mais-de-6-na.html#.V3gaY7grLIW

6.6) O dólar achou o fundo do poço? Parece que ainda não, pois “basta a equipe econômica abrir a boca e ele cai mais, ao contrário do governo afastado”, como nos relatou o Leandro Bovo.  O primeiro semestre amargou queda de 19.59% do dólar e alcançou 3.18. Economistas não descartam o recuo até a os 3.00… Os links a seguir tratam deste assunto:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/06/1787385-real-sobe-20-no-semestre-maior-valorizacao-global-bolsa-ganha-19.shtml

http://www.infomoney.com.br/mercados/cambio/noticia/5240147/motivos-que-explicam-por-que-dolar-pode-cair-ate-nas

Há vários fatores para o real ter se valorizado, tais como: alta das commodities (petróleo e minério de ferro) a qual valoriza as moedas ligadas a estes produtos, como o real; bancos centrais atuando para minimizar os riscos do Brexit incluem a postergação da elevação dos juros americanos (indicadores de emprego de lá também decepcionaram recentemente); para combater a inflação não deverá haver redução imediata e rápida da selic; menor intervenção do banco central quanto aos swaps cambiais; processo de desvalorização do real em 2015, o qual foi forte e acabou deixando o “Brasil barato”, atraindo recursos do exterior. Olho atento quanto às exportações de carne. Elas se manterão?

6.7) A responsabilidade das informações! Sejamos responsáveis ao repassar notícias a respeito da Operação Lava Jato e empresas do nosso setor. Todos somos responsáveis e desejamos a apuração de tudo o que esteja errado, além da punição dos culpados após julgamento. Mas, nós mesmos, alardearmos fatos inverídicos que tornam a cadeia mais fraca, é jogar contra o patrimônio… Para pensar…

 

7) O LADO “B” DO BOI: tsumoney x marolinha x lago pacato

O fato que mais chamou a atenção dos pecuaristas na semana passada foi a queda que o boi sofreu na bolsa, ainda mais porque foi a segunda semana seguida. Em duas semanas, foram perdidos cerca de R$ 4/@ nos contratos da entressafra (o outubro saiu de R$ 167 e veio para R$ 163/@). Na semana passada este tema foi debatido aqui, mas agora, temos uma visão mais completa dos motivos deste “sangue para todo lado” na BMF:

1) uma derrubada do mercado futuro tem se mostrado um bom influenciador do mercado físico ultimamente (produtores, ao saberem das quedas das cotações futuras, ficam menos “valentes” na negociação do físico do mês presente). Em tempo de margem apertada, todas as armas para derrubar o físico são usadas pela indústria;

2) mercado futuro “sem goleiro”, ou seja, com menos liquidez e consequentemente menos lotes para “enfrentar” um movimento pesado em direção contrária. Faz falta a PJ financeira (bancos e fundos);

3) ausência de novas máximas de preços no físico, frustram expectativas de um mercado futuro que já carregava relativa taxa de ágio para os meses vindouros;

4) embora pequena, a “esmolecida” do mercado físico retroalimentou negativamente a bolsa;

5) dólar em queda forte, também derruba as expectativas de ágio para a entressafra (incertezas quanto a exportação);

6) alguns agentes relatam que milho e reposição em queda poderiam aliviar a falta de bois para a entressafra, até então tida como líquida, certa e de grande intensidade;

Em resumo, ocorreu na bolsa o mesmo que ocorre na roça, quando um porco é escolhido no chiqueiro para ser abatido: morre primeiro o porco que está com mais “manteiga no lombo”. Trazendo esta prosa para a BMF: derruba-se o preço de quem tem mais gordura, ou no caso, ágio. Portanto, um movimento natural na BMF. Calma!

E aí? E aí que nas condições citadas acima, depois que o preço “pega descendo na ladeira”, fica difícil segurar e o movimento costuma exagerar um pouco. Prova disto é que na sexta houve alguma recuperação na bolsa (além do próprio mercado físico, que sofreu, apenas em SP, cerca de R$ 1 a R$2/@). Nas praças, nem isto, fato que fez o diferencial de base se estreitar.

Importante, relatar que uma eventual retomada dos futuros deve ocorrer, mas usando a escada e não o mesmo elevador da descida, como é de praxe. Outra observação relevante feita pelo Leandro Bovo no relatório Boi e Cia da Scot Consultoria, sobre a qual elaboramos/adaptamos um raciocínio aqui, é sobre o que se deve fazer agora… Nossa opinião: quem já travou (termo, por exemplo), talvez seja hora para compra de calls (para poder participar de uma eventual alta no futuro, acima da trava feita); quem não travou e ainda tem margens, repense o nível para reiniciar as travas de venda; quem não travou e não tem margem, esqueça o erro, mas não a lição que o fato representa.

Tudo bem, temos um problema de margem dos frigoríficos, a qual pode até ter parado de cair, mas está ainda “beirando” as mínimas históricas. O cerne deste problema de margem é a demanda enfraquecida, como já sabemos. Como a venda de carne está muito ruim, os estoques estão em alta, e um novo ajuste de produção está em curso, não com o fechamento de plantas, mas sim com diminuição dos abates. Isto é necessário, pois há relatos de postergação de abates em função de não haver espaços nas câmaras frias… Picanhas em promoção abarrotam as gôndolas….

Mas, calma… A produção menor, depois de algumas semanas, irá normalizar (reduzir) os níveis dos estoques e potencialmente sustentar os preços. Podemos ficar pessimistas, tal como na questão do desemprego, mas prefiro (sem ser ingênuo) pensar positivamente: a margem está ruim, sim, mas aparentemente, parou de piorar!

Como dissemos no início deste, além de toda esta conjuntura (pesada) citada acima, o alinhamento sequencial de alguns fatos “pôs lenha neste derretimento” da BMF, reforçando a onda de pessimismo. A sequência do Brexit (trazendo instabilidade internacional), a queda do dólar e por fim, as notícias (não confirmadas) da aproximação das apurações da Operação Lava-Jato da PF junto ao nosso setor, deixou o momento pesado.

E, em nossa humilde opinião, o pessimismo está acima da conta. Afora o fato de estarmos muito provavelmente em processo de estabilidade de vários indicadores pecuários importantes (os quais sinalizam que pararam de piorar), na economia há um flerte com o início da recuperação econômica…

Veja o que escreveu uma interessante consultoria de investimento nesta semana: “sabe aquele otimismo cauteloso, quase em cima do muro, mas com chances de virar algo material? A produção da indústria brasileira ficou estável em abril e maio. Não é claramente uma notícia maravilhosa. Mas quem não sorri com um pouquinho de estabilidade neste momento? Interessante ler os jornais e comentários de analistas de hoje em dia. Todo aquele negativismo e catastrofismo parecem ter ficado nos livros de história. Pouco a pouco vemos o otimismo tomando conta dos formadores de opinião… Um presente mínimo com um futuro melhor não é tão mau assim. Afinal, a confiança é útil para coisas que ainda não aconteceram, mas podem vir a acontecer, em breve” (Empiricus).

Ai, deixo a pergunta: se somos nós o setor que menos sentimos as crises (pois a fome costuma falar mais alto) porque haveríamos de nos tornar pessimistas ainda mais num ano em que a oferta continuará restrita e a demanda dá os primeiros sinais que pode parar de piorar? O resumo de duas palestras do Alexandre Mendonça de Barros, abaixo registrado, vai exatamente de encontro a este raciocínio.

Não quero dizer aqui que a arroba “rasgará para cima”. O potencial de alta é muito limitado, devido à economia, mas, estamos muito longe do mar de sangue que a BMF impregnou na mente de muitos nos últimos pregões. Portanto, não esqueça a lição que o mês de julho está nos dando: todo mundo achava que os preços seriam firmes entre junho/julho e eles estão perdendo o ritmo de alta justo quando a unanimidade apontava nesta direção. Só que toda unanimidade é burra, como diria a MPB…

Desejamos luz, paz e sabedoria, todos em excesso, para você, seus familiares e funcionários/colegas de trabalho. Até o nosso próximo encontro, se assim Deus nos permitir!

 

Rodrigo Albuquerque (boicom20@gmail.com) &

 Ricardo Heise (r.heise@hotmail.com),

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

Abaixo segue um resumo combinado das duas palestras do Alexandre Mendonça de Barros que tivemos o prazer de acompanhar recentemente (uma no Confinar 2016 e outra no evento da Zoomix, em Campo Grande-MS):

 

  • “Vivemos hoje um momento de ambiguidade: por um lado o pessimismo da nossa pior crise em 100 anos e por outro o bom desempenho das cadeias agropecuárias. Uma queda de 3.8 a 4% é compatível com o que ocorre numa guerra. Não temos precedentes no Brasil. Uma queda por dois anos seguidos (2015 e 2016) só havia ocorrido na década de 30, quando o mundo caia também, mas agora o mundo está crescendo, o que significa que vivemos um desastre econômico. Estamos com 11 milhões de desempregados e três dígitos de inflação. Não é pouca coisa”
  • “Neste momento, apesar da grave crise que vivemos, alguns indicadores econômicos começam a dar sinais de que podem estar parando de piorar, o que é uma excelente notícia. Entretanto, temos no Brasil, antes de mais nada, um problema de confiança”
  • “Os dados de consumo estão horrorosos, porém talvez em início de recuperação, talvez… Há também migração de consumo e os números de consumo de carne bovina em kg/hab regrediram cerca de 15 anos, estando pouco abaixo de 30kg/hab/ano. O mercado interno derreteu e se não fosse a exportação e a retenção de fêmeas, o boi teria despencado de preço. Em 2015, o consumo foi do boi para o frango. Em 2016, até o consumo de frango está caindo, o que eu nunca tinha visto, em décadas de mercado”
  • “Entendo que devemos terminar 2016 com a inflação próximo de 7%, o que levaria o novo governo a ter condições de baixar os juros, fato extremamente positivo para recuperar a economia e para as contas públicas (redução no pagamento dos juros das dívidas). As exportações estão indo muito bem e as contas externas idem. Com isto, temos bom superávit comercial e a manutenção dos investimentos externos, pois é consenso que o ‘Brasil está barato’ aos olhos do estrangeiro. Neste ponto estamos ainda muito bem”
  • “Com a ‘virada econômica’ do novo governo, o dólar só não caiu para 3 a 3.20 porque o Banco Central interviu e o câmbio estabilizou acima disto (3.3 a 3.6). Isto foi feito porque precisamos da exportação para salvar a economia, fato importante para a soja, para a carne vermelha. Se a política econômica não retroceder, este horizonte atual é o nosso destino cambial. Mas se retroceder, 4.5 a 5, não seria um absurdo. A questão da elevação da taxa norte americana de juros a partir de agosto deverá dar mais sustentação ao câmbio”
  • “Vários analistas estão subestimando a possibilidade de uma retomada de nossa economia. Acredito em 7% de inflação no final de 2016 e número abaixo de 6% no ano que vem, quando deveremos ter um crescimento de +2% do PIB. Acredito que o consumo de carne no mercado interno esteja em uma lenta recuperação no segundo semestre. Em 2017, o PIB crescerá e isto ocorrerá antes da volta do emprego. Acredito que este início de recuperação econômica é o que sustentará o preço da @ em 2017”
  • “Sobre os grãos, vamos primeiro falar sobre o cenário externo, pois o problema do milho é um ‘problema brasileiro’, não mundial. Houve um descolamento. De 2014 para cá, no mercado internacional de commodities, houve recuperação de estoques e queda de preços. Os preços de frangos e suínos caíram, pois aumentou a oferta de carnes (da vermelha, nem tanto). Mas o cenário da virada nos preços dos grãos tem tudo para acontecer em função do clima: sairemos do El Niño para a La Niña, o que deverá nos levar de um padrão de excesso de ofertas para um padrão de escassez de ofertas, fato que deverá também elevar o preço das proteínas (frango e suíno) pela consequente restrição de produção delas. Também tivemos excesso de chuvas na Argentina e antecipação da seca no Brasil, na maior parte das regiões produtoras. Se a La Niña entrar nos EUA em ago/set, não prejudicará muito. Mas se entrar em jul/ago, deixando o clima de lá quente e seco, aí sim, teremos um acentuado agravamento do problema de oferta de grãos. O clima preocupa e os fundos começaram a comprar commodities, fato que também ajuda no aquecimento dos preços internacionais. Em resumo: a tendência é de uma alta modesta dos grãos lá fora, que tende a ser mais forte se o clima complicar. Até agora, tudo certo com a produção de grãos americana. Mas em julho/agosto, entraremos no “weather market”, ou mercado de clima. Vamos depender da intensidade da La Niña nos EUA. De toda a forma, não aposto em grandes quedas nos EUA. Mas ela pode afetar a primeira safra de milho no PR e no RS, aqui no Brasil”
  • “Os fundos especulativos estão comprados em milho/soja. Caso não haja quebra da safra norte-americana, pode haver quedas nas vendas destas compras”
  • “Sobre os grãos no Brasil, temos que lembrar que hoje o País exporta mais volume do que os EUA. Em apenas 3 meses, exportamos 30 milhões de ton de soja e em julho não teremos mais nada para exportar! O mesmo ocorreu com o milho… Nesta outra realidade, com melhor armazenagem e exportação mais rápida, a dinâmica de compra tem que ser outra. Cadê o farelo de soja do segundo semestre do Brasil? Deveremos ter mesmo prêmio no Brasil, frente aos EUA, no segundo semestre no mercado interno da soja. É difícil a soja cair até dezembro, pois os estoques do BR estão curtos. Quanto mais para o final do ano, pior pode ficar”
  • “Quanto ao milho, estamos vendo um ‘fenômeno brasileiro’ ocorrido pela combinação de: capacidade de exportação alta (8 milhões de ton no início de 2016); desvalorização do câmbio (boa parte da produção já vendida) e quebra da safrinha (em GO, talvez, tenha ocorrido a maior queda, e onde será um desafio hercúleo confinar boi em 2016). De fato, o cenário de excesso de oferta de milho com preço em baixa se reverteu totalmente, ao ponto de termos milho à R$ 60/sc no Paraná. A dúvida é: os 10% de aumento de área poderiam aniquilar 10% de perdas na safrinha? Analisando os números de estoque, vemos que partimos com 10.5 milhões ton. Produzimos 27 na 1ª safra, 53 na segunda e importaremos 1.5 milhões de ton. Consumiremos 58 e deveremos fechar com exportação de 28, chegando a um estoque final de cerca de 5 milhões de ton. Portanto, pode haver melhora na entrada da safrinha, mas nada de mudança de quadro. Temos componente interno e externo. Temos que renegociar o que foi vendido. Nós teremos que recomprar o nosso próprio produto. Teremos o washout do trader e do produtor, pois compensa pagar a multa, do ponto de vista dos produtores. A geada aumentou a perda da safrinha, que estimamos ser de 8% no PR. O quadro está apertado pois foi um ano totalmente atípico, que terá seus contornos finais até aproximadamente 15 a 20/julho. De toda a forma, sem muita folga para quedas. Cuidado”
  • “O milho é US$ 10 a 11 no porto. Para saber o preço em cada região, tem que somar o transbordo e o frete. Aí, se terá a paridade”
  • “Importante os compradores de grãos repensarem suas logísticas de compras de insumos. A dinâmica do mercado mudou. Todo mundo tem que ser mais ágil agora. Na virada de julho para agosto será o timing para a compra de milho. Mas, tem que ser ágil. Vocês não terão mais do que duas a três semanas. Haverá muita renegociação (washout) e a questão incerta das quebras da safrinha (seca e geada). Alguns grandes grupos que iam comprar tudo no R$ 25/sc no MT, estão elevando esta baliza. Vejo para o futuro, uma tendência de termos problema no primeiro semestre maior do que no segundo, quanto ao milho. A coisa se inverteu e agora mudou mais ainda: temos a exportação, são mais compradores do nosso milho”
  • “Quanto ao boi: vemos uma arroba firme mesmo com consumo interno em queda. Qual o milagre? É a retenção de fêmeas. Ano passado, houve queda no abate, mas aumento no peso das carcaças. Este ano, vamos o mesmo peso de carcaças? No 1º trimestre de 2016, o peso estava alto, mas apresenta-se em forte queda. De todo modo, a oferta de carne não caiu tanto quando a queda de abate. Eu estou pessimista quanto à oferta, porque a retenção de fêmeas continua. Os primeiros dados do IBGE de 2016 mostram que a retenção continua pelo segundo ano seguido. Deve vir mais bezerro por aí em 2017/2018”
  • “Vamos ter boi confinado em volume? Eu acredito em um segundo semestre com queda de oferta. O boi pode subir um pouco? Sim, mas não penso em ‘porrada’ a partir daqui. A preocupação é que a margem do atacado x preço da arroba está muito ruim”
  • “Em função do preço da comida, temos que explorar mais os pastos, mas, não os temos (a exceção é o MS, que está tendo um ano abençoado de chuvas). Isto é sinal de pressão para a reposição, muito complicado em GO e na BA. Deve ser um ano em que teremos safra e entressafra mais típicas. Acho que ainda teremos bois de pasto, mas após agosto-setembro, vai complicar”.
  • “Fica a pergunta: se o bezerro e o boi magro ceder, será que a retenção de fêmeas retrocede? Acho que não! Há aumento de oferta de bezerros, mas nada explosivo ainda. Vejo a reposição caindo em função da seca e do problema do milho complicando o confinamento”
  • “2016 é o ano da maximização do pasto”
  • “Do lado da demanda, o preço de 2016 do atacado está em queda, em função da crise e da exportação de abril, que veio fraca. Mas os estoques estão se ajustando (caindo). Em resumo: temos oferta em queda, exportação em alta (frente a 2015) e demanda em início lento de recuperação”
  • “Do lado externo, vejo os EUA com preços de carne em alta devido ao cenário dos grãos; na Austrália não tem boi, definitivamente. A China é a nossa grande bola da vez, inclusive nosso ministro está por lá recentemente. Muito otimismo em relação à demanda externa Chinesa. A China salvou o ano de 2016 até agora, quanto às exportações”
  • “Do lado das carnes concorrentes, creio que saímos do fundo do poço quanto ao preço dos suínos e dos frangos. Tivemos nos 4 primeiros meses o maior alojamento da história, pois tínhamos estoques de milho e exportação boa. Vemos agora, uma tendência de queda no alojamento que será mais verdadeira quanto mais presente o problema de clima nos EUA”
  • “Acho que vocês têm que olhar mais para Chicago este ano do que recomendei no ano passado. Em 2015, era, olhe menos para Chicago e mais para o campo. Agora, invertemos”
  • “Sobre a queda da margem das indústrias, até agora, não vemos problema com geração líquida de caixa das empresas, a qual vem sendo suficiente para manter a relação com a dívida. Há alguma folga para enfrentar o desaforo das margens, mas a situação é desconfortável para os frigoríficos”
  • “Se a carne no nosso mercado interno não subir e nada mudar no mercado externo, vejo uma barreira muito forte para a arroba acima de R$ 170 – 172”
  • “Estou otimista para a arroba em 2017: a proteína animal vai subir porque o grão já subiu”
  • “Por fim, considero que as pessoas estão excessivamente pessimistas frente à enorme mudança de padrão institucional que tivemos com a mudança no governo. Quantos países do mundo põe três milhões de pessoas na rua? Não subestime a recuperação econômica, que deve ser lenta, porém, o consumo de carne volta muito mais rápido do que carro, geladeira, etc”

 

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

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2 Comments

  1. ANTONIO GLAUTON

    4 de julho de 2016 at 21:47

    Favor cadastrar o e-mail abaixo para recebimento de novas publicações:
    aglauton@gmail.com

    • Rodrigo Albuquerque

      5 de julho de 2016 at 13:54

      OK! Obrigado pelo interesse!

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