Tecnologia: remédio ou veneno?

Por em 14 de dezembro de 2015

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #195, de 13 a 19/dez/15)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

 

Já diz o ditado popular: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”. A frase de domínio público pode ser usada para uma infinidade de coisas na vida e se aplica muito bem à pecuária. No nosso caso, ela se aplica também numa gama enorme de situações e, sem dúvidas, uma delas é a tecnologia aplicada à pecuária.

Neste NF2R, vamos enfocar a tecnologia, mas a tecnologia da comunicação, notadamente as redes sociais ou mais especificamente, o whatsapp. Seria ele remédio ou veneno para a pecuária? Antes de nos aprofundarmos no tema, vamos saciar nossa “sede” a respeito dos preços, afinal de contas, eles também guardam uma relação com a questão “veneno x remédio”…

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

O indicador Esalq/BMF ficou “de lado”, como diz o jargão do mercado. No NF2R da semana passada falamos que o “o potencial da baixa era limitado” e a variação do indicador mostrou exatamente isto. Isto não quer dizer que não possa haver mais um pouco de queda, mas ela tem tudo para não ser de grande magnitude, reforçamos. Partimos de R$ 145,54/@ (variando de R$ 144,50 a R$ 149,75) e chegamos, na última sexta-feira, em R$ 145,52/@ (variando de R$ 144,50 a R$ 147).

Dando sequência ao movimento da semana passada, o mercado perdeu a sua máxima (na semana anterior, tinha perdido a mínima). No fechamento da última sexta, o intervalo de preços mais comum no mercado físico foi de R$ 145 a R$ 148/@ a vista, em SP.

A sangria continua no Mato Grosso do Sul, persistindo o diferencial de base inédito entre os estados citados, sendo os preços de R$ 132 a R$ 133/@ a prazo, os mais comuns agora lá nas bandas da “Terra do Tuiuiú” (e com a manutenção das escalas longas).

Com relação às escalas paulistas, ainda há agendamento de bois para todos os gostos, mas, pensando numa média, podemos falar em 6 dias entre o acordo da venda e o dia do abate. Desta forma, o “DIA D” segue sendo na terça, dia 22/dez.

Nota-se que o agendamento de bois chega perto do Natal, e assim, nos próximos dias, será um tanto complicado falar em agendamento de abate, pois isto vai depender do esquema de funcionamento de cada frigorífico no período de festas de final de ano… O ano de 2015 dá os últimos suspiros para a comercialização do bovino. Desta forma, não há nenhuma razão para alteração do STATUS DO BEEFRADAR:

30% queda (leve) : 50% estabilidade : 20% para alta (leve)

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Seguimos na mesma… As indústrias goianas com mais bois de contrato tentam o preço de R$ 135 à R$ 137/@ a prazo e as que tem menos esta modalidade de compra mantém o preço de R$ 140/@ a prazo. Na realidade, do valor de R$ 137/@ a prazo, para cima, é onde ocorrem a maior parte das negociações. Consequentemente, as escalas estão muito heterogêneas e começam a sofrer a interferência dos feriados de final de ano.

Desta vez, tem frigorífico anunciando que vai emendar vários dias sem abate entre o Natal e o Ano Novo, o que levará a uma grande diminuição da necessidade de compra de boiadas. Falar em escala e em preço nas próximas duas semanas, vai ser igual ao time que não tem centroavante: estaremos “sem a referência”. Ainda que a real oferta de animais terminados não esteja em um nível que sugira fortemente queda de preços, dada a enfraquecida necessidade compras por parte da indústria, retrocessos pontuais podem ocorrer.

Devido ao que está acima, está havendo grande variação do diferencial de base diário, porém na média semana, ele continua próximo da média anual para GO: perto de –R$10/@.

Quem não “arreda pé” é o diferencial da @ da vaca, seguindo com cerca de 4.5 a 5% de deságio em relação ao boi gordo. Precisa ainda de mais chuva e sobretudo tempo para esta relação abrir.

 

3) HORA DO QUILO: Por falar em tecnologia… Uma frase muito interessante e que tem tudo a calhar com 2016: “Não é fácil vender tecnologia para quem está ganhando muito dinheiro” (Maurício Palma). Em 2016, com o cenário de margens de engorda em redução, cremos, portanto, que a tecnologia será vital para os produtores.

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: no último NF2R, falamos a respeito da excelente Campanha em favor da nossa cadeia, chamada “Movimento Família Pecuária”, lançada pelo Miguel Cavalcanti. Isto nos chamou a atenção para uma outra campanha, lançada em meados de 2015, a Campanha “Orgulho de ser Pecuarista”, iniciativa da Assocon (veja link: https://www.youtube.com/watch?v=ZVEq9xoW7po&feature=youtu.be). Duas ponderações me ocorreram: a Campanha da Assocon vai ter duas fases bem distintas, conforme me explicou o Marcio Caparroz, dias atrás. A primeira, cujo link acima retrata, visa atingir o pecuarista. A segunda, ainda por vir, visa comunicar para as pessoas das cidades. Eu não tinha entendido a Campanha desta forma, e isto faz toda a diferença. Tinha entendido que o “Orgulho de ser Pecuarista” tinha o segundo alvo e não o primeiro. Se fosse o caso, considero que seria desastroso. Mas não é. A segunda ponderação: este ano vi uma série de fimes/campanhas sobre a nossa cadeia. Listei aqui, de memória, umas seis, todas interessantes. Pergunto: porque não fazer uma só e colocar em horário nobre na TV, otimizando recursos??? Mas, para tanto a cadeia precisa estar organizada e acima de tudo madura, com uma Instituição que representasse toda a classe. Aí é que está o nosso problema… Cadê a nossa MLA ou NCBA? Não ter um modelo brasileiro nos moldes das citadas entidades australiana e americana, nos faz muita falta. Tomara que a “nova Assocon” possa unir a cadeia e fazer este papel, chamando todo mundo, mas todo mundo mesmo (todas as Associações, Federações, entidades de classe, setor produtivo, lideranças, integrantes da cadeia de todos os elos, etc, etc, etc) para a mesma plataforma. A pecuária agradecerá…

 

5) FOTO DA SEMANA:

 

  • O “inverno” ainda não chegou no Pará… O atraso da estação chuvosa faz o mês de dezembro ser totalmente atípico no Nortão pecuário do Brasil (norte do MT e sul do PA, por exemplo). Realidade retratada pelo pessoal da Arysta Lifescience, em palestra que tivemos o prazer de ministrar nesta última semana, em Marabá, com incrível receptividade e interesse dos Paraenses, a quem cumprimento. A oferta de bois em 2016 será profundamente afetada pela instabilidade hídrica, assim como as lavouras do centro-norte do País… Impressionante, ver relatos de animais morrendo de sede em dezembro, no Pará:

 

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6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO:

 

* Seguimos com as escalas impulsionadas pela saída de bois de confinamento, postergadas de out/nov para dezembro. Isto traduz a antecipação de bois que morreriam a pasto e a postergação de bois que teriam morrido em outubro/novembro, em anos anteriores. Mas, a oferta de gado terminado após esta revoada consistente não será fácil;

* No curto prazo, além da questão acima, as chuvas generosas e até em excesso no MS fazem toda a diferença nesta oferta, o que faz o diferencial de base daquele estado “derreter” em níveis jamais vistos;

* Neste momento, em que pese, hajam excelentes expectativas e perspectivas para a exportação em 2016 (ABIEC fala em aumento de cerca de 25% em volume e faturamento), neste momento, é normal um arrefecimento, até mesmo em função da época do ano. Isto também ajuda a “tirar a fervura” dos preços agora;

* No mercado interno, o consumo encontra-se já abastecido para o final de ano, seja pela carne em estoque, seja pelo agendamento relativamente confortável de boiadas até quase as Festas de final de ano. Novamente, um fator de “perda de sustentação”. Vamos acompanhar as vendas do varejo;

* As indústrias paulistas fazem compras fora de SP, o que ajuda na manutenção a escala das plantas e vai na mesma direção do item anterior;

* O clima lança profundas incertezas sobre a safra de pasto e de grãos, tornando o cenário mais difícil ainda para as previsões do ano vindouro;

* Falando em grãos, a exportação de milho do Brasil em 2015 é a segunda maior da história (Fonte: Scot Consultoria). O câmbio terá profundo impacto no preço interno deste cereal, mas as projeções apontam cenário aquecido, em sua esmagadora maioria. O “trato” dos bois será mais caro em 2016…

* Estamos na pior relação de troca da série iniciada em 1.996 para o pecuarista paulista que engorda bois… (Scot Consultoria). Cenário de margens apertadas…

* Iniciam-se as conversas para os contratos de compra de bovinos para o ano de 2016, inclusive as primeiras negociações com os frigoríficos sendo efetivadas. O diferencial de base aberto neste momento prejudica o cenário de fechamento de contratos para os pecuaristas;

* A BMF põe o contrato base da safra (maio 2016) em níveis de preços com alta em relação ao preço de hoje e com alta em relação ao fechamento de maio/2015, mas abaixo da inflação que certamente se acumulará no período… Começe a fazer as suas contas…

* Tenho escutado muito a frase: “acabou meus bois para abate em 2015”… De fato, a relativa diminuição de oferta no nível dos preços mais baixos propostos, arrefeceu de alguma forma a tentativa de baixa da arroba, o que é muito bom, mas não quer dizer que uma onda de alta vais se iniciar. Muito longe disto ainda, mas de toda a forma, o mercado endossou o NF2R da semana passada.

* Com a crise, podemos ter menos famílias viajando e mais churrascos… Tomara que seja assim, mas tomara que a Associação dos Supermercados tenha errado as suas previsões… Ela nomeou este Natal como o do “frango e da cerveja”, ambos mais baratos que seus concorrentes (carne bovina e espumantes).

 

7) REMÉDIO OU VENENO?

Este ano escrevemos sobre o whatsapp e a pecuária… Matéria que saiu na revista BeefWorld, e que pode ser acessada no link a seguir (pág 102): https://www.magtab.com/leitor/810/edicao/14394

Esta via de comunicação (whatsapp) é um belo exemplo da ambiguidade que pode haver entre algo que pode ser remédio e veneno ao mesmo tempo. Se usada com parcimônia e foco, esta ferramenta tem o potencial de revolucionar as relações entre os integrantes da pecuária, como está no texto do link acima.

E 2015, tem sido o ano do Whatsapp e Telegram na pecuária. Nunca me relacionei com tantos pares como agora. Recentemente participei de duas confraternizações de final de ano entre pecuaristas que ocorreram fundamentalmente por estarem vinculadas a este tipo de mídia social e mais do que isto, conhecemos (pessoalmente) muitos conhecidos-desconhecidos… Esta frase soaria sem sentido a algum tempo atrás, mas hoje é uma verdade profícua.

Nestes encontros, trocas de experiências e expectativas são elevadas na sua potência máxima. Como está acima, isto pode mudar as relações entre os integrantes da cadeia pecuária… Vejam algumas frases coletadas num destes encontros, muito intrigantes, por sinal:

* ”Comprador de boi não pode ser o seu psicólogo. Você tem que saber o que vai falar com ele, não precisa contar a sua vida” (Zaércio Fagundes)

* “A Dilma e o Cunha não trabalham na minha empresa” (Ademar Leal)

* “O negócio bom é o negócio seguro, não necessariamente o feito no valor mais alto” (Zaércio Fagundes)

Quanta inteligência e quilometragem rodada tem nas frases acima! Poderia listar aqui inúmeras, todas escutadas por mim atentamente. A grande vantagem de escutá-las é que você economiza, pois todas elas trazem muito aprendizado, que certamente foi alicerçado em acertos e sobretudo erros… E “aprender com os erros dos outros, sai bem mais em conta”, como nos ensinou estes dias ao Arthur Flumian Braga, pecuarista de Goiás.

Finalizo respondendo à pergunta do título deste NF2R: a tecnologia tanto pode ser remédio como também veneno, como fica claro no exemplo do whastapp/Telegram. Depende de como está sendo a sua intenção no uso desta ferramenta.

Em outras palavras, depende de você, como tudo na vida! Toda vitória, assim como toda faca cravada nas suas costas, tem a sua impressão digital… Pense nisto!!!

Até a próxima semana, se assim Deus nos permitir! Abraços…

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

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