“Só use em caso de necessidade”

Por em 21 de março de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #208, de 20 a 27/mar/16)

 

Aos que carregam a “bandeira verde e amarela nas mãos”,

Esqueçamos um pouco o “pó da viagem” pois estamos vivendo um momento histórico. “Nunca antes na história deste País” tivemos tanta dificuldade em saber quem é o nosso presidente… Aliás, temos presidente??? Sinceramente eu não sei. Qual o placar das liminares? Estou escrevendo este texto mas pode ser que no momento em que o leitor for acessá-lo, ele poderá estar desatualizado, visto a “velocidade 4G” dos acontecimentos políticos dos últimos dias.

O que eu efetivamente tenho certeza, é que o cenário de imprevisibilidade atingiu o seu ápice e isto afetará todos os negócios, inclusive a pecuária. Não se iluda: política afeta a economia, pois afeta a produção e isto nos atingirá (ou pior, já está nos atingindo).

Quer uma analogia do Brasil de hoje com o nosso cotidiano? Aqui vai: imagine uma fazenda que está iniciando um semi-confinamento… A boiada está com 14 a 15@, “no jeito”. Ao invés de os donos focarem nisto, eles estão, agora, precisando apagar um fogo que começou a devorar os pastos… A prioridade deles deixou de ser “engordar o bovino”, muito embora isto devesse ser feito de imediato. A prioridade deles, agora, é ver quem sobrevive ao fogo. Se o Brasil fosse uma Fazenda, esta situação retrataria muito bem o nosso atual governo. Ele não se interessa em produzir, mas sim, em se salvar. Apenas isto.

E aí? O que podemos fazer? Qual é a receita para passarmos por este momento? Veja nossas indicações a seguir, mas “só use em caso de necessidade. O ‘Bessias’ (nosso NF2R) estará te entregando em mãos, ok”?

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Como sempre, o nosso início é o indicador Esalq/BMF da semana. Nós partimos de R$ 156,82/@ a vista (variando de R$ 154,50 a R$ 159,75) e chegamos em R$ 154,08/@ a vista (variando de R$ 151 a R$ 158,50) na última sexta-feira.

Tem algumas balizas de mercado muito marcantes, uma delas é a quantidade de semanas em alta ininterrupta. Alertamos sobre isto no último “Bessias”, ops, no último NF2R. Mais uma vez, a nossa “perna de alta” sucumbiu na nona semana. Não considero que entraremos numa sequência de derretimento da arroba, pelo contrário.

Quanto ao físico, a tela do nosso BeefRadar detectou na “terra do tuiuiú e do tereré”, negócios de até R$ 140/@ para boi comum. O boi deu uma reagida, mas não entrou e as escalas continuam curtas. Em SP, as ofertas de compra estiveram entre R$ 152 a R$ 158/@, mas com a maioria dos negócios entre R$ 155 a R$ 158/@ (teve boi EU a R$ 159/@). O que está limitando o boi de SP são os diferenciais de base das praças bem abertos, à exemplo do MS e GO.

O fato mais marcante do mercado está sendo a escala de abate, que anota valores incrivelmente baixos, os menores que já vimos. O bovino conseguiu também uma “liminar do Sr. Juiz Mercado” e definitivamente a tentativa de baixa não colou plenamente. O placar da escala fica em aproximadamente 2,2d úteis, com o DIA D” entre terça (22) e quarta (23). O feriado ajudará falsamente a completar a semana de abates, atenção! O STATUS DO BEEFRADAR segue agora em:

20% queda : 60% estabilidade : 20% alta

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O movimento visto na semana passada de alinhamento das ofertas de compra entre as indústrias teve prosseguimento. O mercado físico gira em R$ 140/@ a prazo, com prêmio EU de +R$2/@ e personnalité de até +R$2/@ não muito comum, mas presente.

Este alinhamento ocorreu porque os pecuaristas goianos seguiram retendo seus animais e o grande player que reduziu o valor das ofertas de compra, voltou a pagar preços “para cima” com a finalidade de colocar mais animais nas escalas. De outro lado, as demais empresas que não reduziram tão repentinamente suas ofertas de compra, conseguiram baixar (pouco a pouco) a arroba e assim o alinhamento ocorreu perto do R$ 140/@.

Já o padrão das escalas não se alterou em relação à semana passada, pois há empresas precisando de animais da mão para a boca, enquanto há outras com cerca de uma semana de escala, embora com abates bem reduzidos, algumas em até 50% abaixo do normal.

Está plenamente estabelecido o diferencial de base em GO em um outro patamar: a média semanal cravou -R$ 16,24/@ em relação à SP. A arroba da vaca continua bem próxima do boi, sem desgarrar, um sinal claro da retenção de fêmeas.

 

3) HORA DO QUILO: o artigo do link a seguir fala por si: “36 lições da vida que eu gostaria que meu filho aprendesse”. Imperdível: http://nomadesdigitais.com/36-licoes-sobre-a-vida-que-eu-gostaria-que-meu-filho-aprendesse/

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: imperdível o livro que a ABIEC lançou contendo a história de indústria brasileira de carne bovina, chamado “Brasil de Carne e Osso”. Mais detalhes no link: http://www.abiec.com.br/noticia.asp?id=1436#.Vu80Kebf_Ms

 

5) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

5.1) O milho não parou de subir: relatos de milho sendo comercializado a mais de R$ 50/sc no interior de SP retratam os níveis críticos do grão disponível no mercado interno. E nada de refresco à vista. Com isto, a relação de troca @/milho atingiu o menor nível dos últimos meses: 3,15sc/@ de boi gordo. Daqui a pouco, vai acabar a pipoca do cinema e também vai dar inflação na pamonha! Nestes preços, do milho vale a máxima: “use em caso de necessidade”! Apesar disto, fábricas relatam que o uso de produtos com tecnologia não caiu…

5.2) O atacado parou de cair: parou de cair do início de março para cá, quando começaram as pressões no mercado físico. Mais precisamente, o atacado ainda resgatou parte da margem que perdera. Isto deveu-se a uma produção (oferta) menor, mais ajustada à demanda baixa, que segue limitando novas altas. Além da produção menor, a exportação segue dando suporte, escoando o que não conseguimos consumir internamente (alta de mais de 25% no primeiro bimestre). Tomara que haja alguma reação após o fim da quaresma!

5.3) As carnes alternativas não param de ganhar competitividade: além da demanda interna pra a carne bovina estar ruim, o suíno e o frango seguem ficando mais baratos em relação ao boi nos últimos 10 dias, o que se configura como mais um fator limitador para o atacado bovino.

5.4) O abate de vacas diminuiu: os dados do IBGE de 2015 recém-publicados confirmaram a fase de retenção de fêmeas que sustentam a reduzida diferença entre o valor da arroba da vaca e a do macho, como por exemplo em Goiás. No ano de 2015, o abate no País em frigoríficos SIF caiu 9,6%, mas quando olhamos exclusivamente o abate de fêmeas, notamos uma queda maior ainda, de 15,8%.

 

6) SÓ USE EM CASO DE NECESSIDADE

Desde o início do mês, a tentativa de baixa repentina da arroba em praticamente todo o Brasil, deflagrada por um grande player, vem despertando fortes sentimentos.

Do lado dos pecuaristas, a fase inicial foi de “revolta” e depois de atitude, afinal de contas, os pastos estão em plena produção, enquanto que os preços da reposição seguem firmes. Soma-se a este cenário uma boa dose de incerteza em relação à economia do nosso País, que enfrenta enormes turbulências em suas Instituições democráticas e o resultado que se viu foi uma forte retração nas vendas, poucas vezes vista na história.

A demanda por negociação a termo, que vinha aquecida até então, caiu forte após a tentativa de recuo, mostrando que o pecuarista está aprendendo a lição de negociar, ou seja: não “está correndo de uma trucada com qualquer carta”. Talvez uma das maiores quedas de braço entre frigoríficos e pecuaristas esteja ocorrendo neste momento.

Nas redes sociais, há vários relatos de pecuaristas que só estão vendendo quando a “língua fica preta”, ou seja, quando há necessidade por conta de fluxo de caixa. A retenção de vendas está em pleno curso, portanto.

De outra sorte, os frigoríficos seguiram por duas semanas bem firmes no propósito de reduzir o preço do boi, pulando abates e abatendo bem abaixo da capacidade máxima, mas, até agora a maior consequência foi que as escalas, de modo geral, estão nos menores níveis já observados e há muitas empresas com apenas um dia de agendamento de abate (a média não chega a 2,5 dias para o estado de SP). Além disto sobrou um certo “ranço” comercial com os fornecedores.

No final das contas, houve alguma redução de preço da arroba, configurando relativo êxito na empreita, como no mercado de GO, atualmente cerca de R$ 5/@ abaixo do nível que era verificado no início do mês. O fato de os diferenciais de base dos estados estarem em níveis máximos e recordes ajuda na causa de conter o preço do boi, pois diminui a necessidade de negócios na banda superior do intervalo de negociações de SP.

Vamos acompanhar bem de perto o final desta novela, torcendo para que o final da quaresma ajude no escoamento de carne e as coisas possam melhorar para a demanda e consequentemente para a arroba. Até lá, nossa recomendação continua sendo o uso do telefone “só em caso de necessidade” de venda de gado para fluxo de caixa. É o famoso “seisss”, em resposta à trucada!

Por fim, deixamos aqui o valoroso texto feito pelo nosso ídolo Maurício Palma a respeito do momento político extremamente turbulento que hoje vivemos:

 

“Se o juiz Sergio Moro agiu ilegalmente em divulgar as gravações, eu não sei. Deixo essa tarefa para os juízes, e não para diplomados em direito defendendo seus interesses, seus honorários ou sua ideologia cega, quase religiosa.

 

Juízes foram treinados para isso.

 

Mas, diante de nós, temos uma presidente que liga para um ex-presidente investigado pela justiça. Oferece um cargo de forma “estranha”, antecipando um documento, caso precise usar.

 

Temos um ex presidente investigado que fala em “convocar alguns deputados para pressioná-los”. Ironicamente, esse mesmo ex presidente, e seus papagaios adestrados, fala que a justiça está sendo politizada. Politizada por quem, cara pálida?

 

Numa clara admissão de seus crimes em quadrilha, esse ex-presidente investigado fala em covardia na corte, no supremo, no congresso, nas presidências da câmara e do senado, etc. Fala em todos esperando um milagre que irá salvá-los, justificando a necessidade de agir. Salvar de que? Da justiça?

 

Nessas gravações, uma presidente em exercício telefona para o ex-presidente investigado para planejar obstrução da justiça.

 

Não sei escolher quais passagens das gravações me causaram mais náusea com a falta de dignidade dessa quadrilha. Desde o escárnio para com o povo até as claras instruções para exercer a influência dos cargos envolvidos em prol dos próprios interesses.

 

As conversas são um show de horrores que eu nunca imaginaria se me contasse, anos atrás, que viveríamos tudo isso.

 

Depois de todas essas conversas, divulgadas à imprensa, os desfechos políticos ocorrem conforme planejado, orquestrado nesse plano obscuro para rasgar a constituição, obstruir a justiça, delegar a presidência para um terceiro mandato de um homem que não foi novamente eleito pelo povo. Foi o PT justamente o partido que levou à população a dizer não ao parlamentarismo lá atrás.

 

Numa clara demonstração de “não estou me lixando para que o pensa o povo nas ruas”, os corruptos poderosos do momento tiram sarro da população classificando o chefe da quadrilha como o “ministro da esperança”.

 

Golpeiam a constituição de toda forma possível; deixam evidente que querem cobrar de autoridades favores que são devidos a eles; depois de dilapidar o patrimônio, roubar mais do que podem carregar, sucatear estatais, ainda acionam deputados e ministros com recursos pagos pela sociedade para defender seus próprios interesses.

 

Na maior cara de pau, o advogado de defesa do ex presidente investigado não culpa as canalhices de seu cliente como os motivos que estariam insuflando a população; culpa o direito da sociedade saber dessas safadezas.

 

Sim, mesmo que os juízes definam que Sérgio Moro tenha agido ilegalmente, não vai mudar o conteúdo das gravações.

 

Você ainda tem coragem de defender essa falta de caráter toda, reunida nesse grupo de assaltantes, traficantes de influência e expropriadores do patrimônio público?

 

A esquerda é tão desprovida de ideias e soluções que precisa se abraçar na corrupção ou em líderes imorais para defender suas ideologias? Tem certeza que vocês precisam disso?

 

Legal ou ilegal, depois de acessar as informações lá contidas, você vai continuar concordando com essa quadrilha?

 

Não se trata mais de ideologia, mas sim de caráter. Você sabe o que são! Graças ao Moro, a verdade está explícita. Não dá mais para fingir que não sabe.

 

Agora é questão de caráter, de honra, de moral.

 

Na minha ignorância jurídica, só posso dizer que o juiz Sergio Moro, com certeza, sabe se agiu legalmente ou ilegalmente. E se agiu ilegalmente, ele sabe que vai haver consequências para sua carreira.

 

Valores, de verdade, são aquelas características que mantemos mesmo na iminência de prejuízo dos próprios interesses.

 

Se o juiz agiu ilegalmente, ele está ciente que agiu em prejuízo próprio. Mas com isso nos possibilitou sair da ignorância.

 

Ele permitiu que a sociedade tivesse acesso à verdade sobre seu mais alto escalão, haja vista que uma manobra evidente – e comemorada por gente de caráter duvidoso – de obstrução da justiça estava em curso.

 

Ele reduziu as chances da eventualidade de um supremo possivelmente comprometido “desaparecer” com as provas. Ele deu ferramentas ao povo e ao congresso.

 

Eu não gosto de aplaudir determinados sujeitos, mas sim as atitudes dos sujeitos. E as atitudes do juiz Sérgio Moro tem sido dignas de aplausos. Um grande brasileiro prestando serviços relevantes ao país.

 

Não vamos venerá-lo, dizer que o queremos como presidente. A melhor forma de honrar a coragem de Sérgio Moro é seguindo o seu exemplo no nosso dia a dia. Chega de omissão”.

 

(Maurício Palma Nogueira)

 

Até a próxima, se Deus quiser e nos permitir!

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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