Será que chegamos ao teto da safra?

Por em 15 de fevereiro de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #203, de 14 a 21/fev/16)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

Contrariando o ditado popular, já dissemos aqui que o ano pecuário de 2016 começou muito antes do fim do carnaval. Mas, do outro lado do mundo, na China, o ano só começou agora… A comemoração do ano novo chinês, que é baseado no calendário lunar, ocorreu no final da semana passada. Iniciou-se o ano do macaco para a China.

Coincidentemente, o Roberto Barcellos perguntou (num grupo fechado que participamos) em quanto tempo teremos os chineses no setor frigorífico do Brasil (ele acha que não demora muito, eu também). Semana passada este informe destacou a compra de uma grande empresa do setor de insumos para a agricultura por investidores daquele País.

O que o ano do macaco teria a ver com o boi? Acho que tem tudo a ver. Vejamos!

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Pouca novidade, afinal de contas a semana foi mesmo curta para os negócios! Quanto ao indicador Esalq/BVMF, ele partiu de R$ 152,55/@ a vista (variando de R$ 150,50 a R$ 155,50) e chegou a R$ 152,60/@ a vista (variando de R$ 151,50 a R$ 153,50).

A quinta semana de alta seguida da arroba ocorreu porque o boi deu mais uma “firmadinha” em SP, movimento captado pelo nosso BeefRadar com preços no intervalo de R$ 153/@ (frigoríficos grandes) até R$ 155/@ (menores). Há ainda negócios acima disto, em função de personnalité e também de muita especulação (até R$ 158/@). Todos os valores são para SP, e a vista. Na “terra do tuiuiú”, o MS, pouca movimentação de preço: manteve-se a ocorrência do R$ 140/@ a prazo até R$ 140 a 141/@ a vista.

Folgado mesmo estão só os vendedores de repelente e daquelas “raquetinhas” de matar mosquito (as quais, diga-se de passagem, são chinesas). Nada de folga para comprador de boi porque as escalas de SP não evoluem, mesmo com “preço para cima”. No MS, a maioria das plantas situa-se com escalas entre 19 a 22/fev. Porém, nas terras bandeirantes, as escalas estão em geral entre terça (16) e sexta (19), ainda “para dentro da semana”. Assim, o “DIA D” segue na quarta (11), com o placar cravado em 3d úteis. O STATUS DO BEEFRADAR muda um pouco, aumentando o percentil da estabilidade, mas ainda com forte tendência de altas, as quais não podem ser descartadas, pois o indicador tem espaço para mais um pouco. Ele fica em:

15% queda : 50% estabilidade : 35% alta

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O boi goiano tinha um sonho: andar bem ao lado do paulista. Como “quem vive de sonho é padaria”, ele tratou logo de fazer amizade com o vizinho e como resultado os dois estão bem mais próximos em termos de preço: o balcão mais comum é o R$ 145 ou R$ 146/@ e com negócios até R$ 3/@ acima desta referência no boi EU.

O padrão de aperto segue, pois a próxima quarta seria o dia médio da necessidade para o agendamento de bois. O diferencial de base com SP parece que não vai confirmar o movimento detectado na semana passada (de abrir um pouco). Muito bom. Idem para o deságio para as vacas que, ainda deve permanecer mais um pouco de tempo entre -4 a -5%. Este monitoramento é diário pois é fundamental para antecipar tentativas de recuo.

 

3) HORA DO QUILO: para quem é neto de um homem que foi homenageado com o nome de um horto florestal dentro de uma capital, como eu tenho a honra de ser, a matéria do link a seguir é uma dádiva. O nosso amigo e pecuarista goiano Jesus José de Oliveira e seus filhos só fazem por merecer cada vez mais nossa enorme admiração. Se todos fizessem como eles, nosso País não estaria na atual situação:

http://g1.globo.com/goias/noticia/2016/02/moradores-reclamam-da-retirada-de-arvores-em-praca-de-goiania.html

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: retratar os nossos valores e a nossa cultura para a sociedade é sempre uma bela oportunidade, principalmente quando o assunto é a comida que mais se parece como uma celebração e não uma refeição: o churrasco! Ressalto que esta oportunidade é umas das melhores que vi na última década: o programa Barbecue Brasil. Programe-se para o sábado às 21h e veja no link a seguir: http://www.sbt.com.br/bbq . Parabéns ao JBS, maior patrocinador do programa, pelo que vi!

 

5) PORTA RETRATO DA SEMANA:

 

5.1) Foto de Marcio Lupatini, retratando um belo churrasco tipicamente do interior do Rio Grande do Sul, na cidade de Engenho Velho-RS

20160214 - churrasco

 

5.2) Foto de Mateus Arantes, no sistema de produção Neloreio São Matheus, Três Lagoas-MS (em breve com dia de campo na Fazenda):

20160214 - neloreio

 

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

6.1) Começando o serviços: muito companheiros relatando o início da colheita da safra de verão. Agora é “ver o que deu” e começar a safrinha. Milho e capim sendo plantado por aí. Boa parte da sorte do confinamento 2016 está sendo lançada. “Bora colher”, moçada, temos que salvar a balança comercial do nosso País!

6.2) Voltando ao tema da semana passada: a inflação foi projetada em 7.56% para 2016 e em 6% para 2017, pelo último Boletim Focus. Este cenário está fazendo voltar a cena um velho costume do brasileiro que estava menos intenso, embora ainda presente: as compras estão voltando a ficar cada vez mais centradas no início do mês. O jornal O Globo descreveu, em reportagem: “o fluxo de consumidores na primeira quinzena do mês voltou a ser muito superior ao verificado nos últimos quinze dias. No Pão de Açúcar, por exemplo, o volume de vendas no primeiro sábado de janeiro foi 70% maior do que no último”. É o chamado “efeito-calendário”, adaptação popular ao fenômeno econômico perverso chamado inflação.

6.3) Enquanto isto, do outro lado do mundo: o Japão está experimentando juros negativos, de -0,1%, taxa que dista “um planeta” da nossa, que está em 14%. Imagine você colocar o seu dinheiro no banco e depois de um mês, sua gerente falar: “olha, eu coloquei o seu dinheiro numa aplicação que lhe tira apenas x mil da sua conta, ao mês”! Já imaginou???

6.4) Enquanto isto, do lado de baixo da tabela de compra: Rondônia passou por um período de preços de arroba aquecido na sua história, há alguns anos. O que está ocorrendo com os preços do estado neste momento está deixando os pecuaristas para lá de descontentes. Sabemos que o preço é formado por oferta x demanda, numa situação normal. Mas será que as coisas estão em equilíbrio no estado? O diferencial de base de 18 a 19% será que reflete a realidade de livre concorrência? Sugiro os agentes compradores estreitarem relacionamento com as lideranças da ponta vendedora… Esta estória não caminha bem e costuma haver reviravolta no mercado depois de algum tempo… Isto não é bom para ninguém, nem para quem está “por cima” por ora!

6.5) Enquanto isto, do lado de onde nada se espera mesmo: precisamos de ajuste fiscal. Pois bem, como nosso governo não tem pulso e nem capacidade para fazê-lo, a alternativa encontrada foi de tentar mudar a lei que obrigava o Planalto a fazer o tal ajuste. Sem comentários… Seguiremos rumo a Caracas? (agora nem dá para falar na escala em Buenos Aires)

6.6) Falando em China (2): falamos de chineses na indústria frigorífica do País… Eu mesmo já “topei um” na BeefExpo de 2015, querendo “negócios no setor da carne bovina”, bisbilhotando tudo que via e ouvia. Mas, além de indústrias, os chineses estão de olho em ativos físicos, tais como terra e ouro. Sim, como nos ensinou a Empiricus esta semana e nos recomenda o Rogério Goulart a anos: enquanto o mundo está se transformando em digital, a China busca terra e ouro. Ela é o maior produtor global do metal dourado, a “relíquia bárbara”, produzindo 450t ao ano em suas minas e importa cerca de 800-850t ao ano. Estima-se que aquele País detenha 7 mil toneladas de ouro em suas reservas, bem mais que as 1,7 mil oficialmente divulgadas. Os americanos não concordam com tal empreita. Tem gente de peso em termos de conhecimento em economia mundial falando que o sistema financeiro global vai entrar em um novo colapso e que o novo sistema renascerá das cinzas e será boa parte baseado em ouro e em ativos físicos, como a terra, motivo pelo qual você deveria preparar pelo menos parte de seu patrimônio, tal como a China. Um segundo motivo para tal atitude: o mundo enfrenta hoje uma guerra silenciosa e altamente perigosa e que você não deve ter ouvido falar ainda: a guerra cibernética. Governos e grupos criminosos financiam ataques diariamente a bolsas de valores, bancos e a órgãos vitais de países (como os que controlam a energia elétrica). Imagina o poder de destruição da interrupção de energia num País vivendo em frio congelante? A magnitude de um ataque a um banco central como o Fed? Fantasia? Infelizmente não… Seja muito bem vindo ao “mundo digital”. Os bens “físicos” voltaram à moda.

 

7) CHEGAMOS AO TETO DA SAFRA?

Estamos vivendo no mercado físico do boi gordo um cenário muito próximo daquele nível de oferta que, de tão baixo, pode passar a não ser responsivo aos aumentos de preço. Em algumas regiões, como SP, o boi não aparece mesmo com “preço para cima”.

Certamente as duas últimas semanas, em função do Carnaval, acentuaram mais ainda a dificuldade de compra precedente, pois houve menos dias para aquisição de gado, piorando o cenário de montagem de escala, que, de fato, não evolui. A exportação, se não está atingindo os audaciosos números da ABIEC, pelo menos está vindo consistentemente melhor que o ano passado (no YoY). Independentemente de ter havido uma antecipação de embarques em função do Carnaval, fevereiro ainda deve vir com número bom, o que ajuda no escoamento da produção.

No mercado interno, o atacado segue com preços em elevação mesmo após o Carnaval, pois está fortemente sustentado pelos estoques enxutos (produzimos menos nos últimos dias e vendemos mais, em função das festas). Também tivemos a volta às aulas. Não estamos “vendendo de dar inveja”, mas nos últimos dias, vendemos mais do que vínhamos performando. Outro fator positivo é que o Carnaval veio no início de mês…

Nosso concorrente maior, o “canela amarela”, perdeu competitividade frente à carne bovina nos últimos dias, pois subiu forte no atacado, o que se configura como outro fator positivo, pois diminui a opção por uma proteína mais barata (exceção tem sido o suíno, que entrou num “inferno astral” de preços e tem ficado mais competitivo frente ao boi).

Todos são fatores positivos no sentido de redução de oferta (de boi e de carne) e melhora da demanda (interna e externa) e, melhor ainda: vieram concomitantemente. O resultado é um atacado e um mercado físico bem firmes.

Creio que, caso esta situação continue e, sobretudo em caso de seu aprofundamento, poderemos ver em breve o início do “abate sapinho da lagoa”, aquele que vai de pulo em pulo.

Juntando tudo isto e colocando no liquidificador: agora é uma hora propícia para o boi ir para cima, pois quem demanda a matéria prima carne, não está tendo muita saída, tal como se estivesse na UTI.

Aí vem a fatídica pergunta: “mas será que vai mais?” Será que chegamos ao teto da safra? A resposta é: não sabemos e temos “raiva de quem sabe”. Raiva, porque este cidadão faria muito dinheiro “nas nossas costas”, caso existisse. Mas, ele não existe! Ninguém sabe até onde vai o mercado, nunca.

O máximo que dá para arriscar é a tendência, jamais o “alvo” dos preços. E a tendência é que a subida de agora em diante seja cada vez de menor amplitude. A sensação é como se já tivéssemos subido a maior parte da montanha dos preços… Parece termos menos espaço para ganhar de agora em diante. Veja, são sentimentos sem conexão com compromissos, apesar de que sentimentos são importantes nas tomadas de decisões…

Portanto, sobre o teto de preços da safra: é bem possível que estejamos bem perto dele, sinceramente. Afinal de contas, se for para “ir para cima” tem que ser agora, quando temos tudo propício para tal.

Independente disto, recomendamos “venda” no físico, aos poucos, para ir aproveitando a curva ascendente e fazendo média para cima. Isto já devia ter sido iniciado. Estamos fazendo isto com a nossa produção a alguns dias, especialmente usando a bolsa que, no nosso ponto de vista, está dando oportunidade para travas.

Só para se ter ideia, mesmo no mês presente, a bolsa está precificando uma alta de quase de R$ 3/@ nas próximas duas semanas. Até o final do ano, caso os preços do ajuste da última sexta se tornem realidade, o boi terá subido em 2016 acima da inflação que hoje é projetada para o ano… Portanto, acreditamos que a BMF seja hoje uma fruta madura e talvez doce.

Digo “talvez doce”, pois este sabor vai depender de seus custos… E afirmo: temos feito inúmeras análises de rentabilidade nos últimos dias e, mesmo com o cenário acima descrito na bolsa, alardeamos: A CONTA ESTÁ APERTADA, MUITO APERTADA E NÃO RARAMENTE NEGATIVA.

Quer uma comprovação? Qual é a frase mais dita pelo confinador atualmente? Resp.: “eu não sei se vou confinar em 2016. Não consigo precisar e projetar a minha produção daqui para frente. Está tudo nebuloso”. O aeroporto que representa o destino final do “plano de vôo confinamento 2016” ainda está completamente sem teto!

Lembra-se que apelidamos 2016 como sendo o “ano da eficiência e da imprevisibilidade”? O apelido está caindo como uma luva até agora…

Finalizamos por aqui, voltando ao tema China… Que o ano novo Chinês, o ano do macaco, possa ser repleto. E se for para haver um pouso na economia chinesa (certamente haverá), que seja um “soft landing” (pouso manteiga) e não um “hard landing” (aqueles em que o comandante literalmente joga o avião no chão, o famoso “pouso bacada”). Isto será melhor para eles e para o nosso bovino…

E o tal do macaco? Que significado nos traria para 2016? São duas versões:

A versão sertaneja: “macaco que muito pula, toma chumbo”, ou seja, segue firme no arreio e segura o tranco em 2016. Na versão oficial, os chineses dizem que o ano do macaco é o ano em que as pessoas têm que “confiar no que fazem; agir com rigor e recuar com sabedoria”. Em resumo: tanto a mensagem sertaneja, quanto a chinesa vem bem a calhar no “ano da eficiência e da imprevisibilidade”. Até a próxima, se Deus quiser e nos permitir!

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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