Resistência contra quedas: a Dilma não tem. O boi tem?

Por em 18 de abril de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

 (Edição NF2R #212, de 17 a 23/abril/16)

 

Aos que carregam o pó da viagem,

 

O pó da viagem está aumentando porque a chuva não veio mesmo. E consequentemente, quem pode não vir é o milho da safrinha, em algumas regiões como GO e MT. E se não vir, o boi de confinamento vem???

Quem está vindo eu não sei, mas por ora ficamos muito satisfeitos em saber que a Dona Dilma está indo… Indo embora! Só que a “marvada” está levando o preço do “bovino brasileiro” junto porque a economia está “pesando” no lombo da demanda, a qual sinaliza não suportar nem ao menos um leve aumento de produção, como o que estamos vivenciando agora, fato típico do final (antecipado) de safra de pasto. Mas, antes de você ficar com a “cara amarrada igual a pacote de despacho”, analisemos os números…

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Anunciamos no último NF2R que o “fantasma da pressão de baixa” nos rondava. “Pió” (como diria o goiano) que o fantasma apareceu mesmo, assustando o indicador que partiu de R$ 158,84/@ a vista (variando de R$ 156,75 a R$ 160) e aterrissou no R$ 157,50/@ a vista (variando de R$ 155,50 a R$ 159,25).

No “crepúsculo” da semana, o mercado físico paulista girou entre R$ 155 a R$ 157/@ a vista enquanto que no MS a arroba saia por R$ 143 a prazo (ambas cotações são de boi comum).

No curto prazo impera a força do final da safra de pasto, que mesmo não apresentando uma avalanche de bois, “dá conta” de pressionar o mercado. Durante a semana passada, muitos frigoríficos ficaram “fora das compras”, o que acabou por reduzir levemente, nesta última sexta-feira, o indicador do agendamento de bois. De toda a forma, as escalas anotam os maiores valores médios dos últimos meses, com o placar em aproximadamente 4.1 dias úteis (referência Haitong) e com o DIA D” já alcançando a segunda-feira (dia 25, variando entre 22 e 26/abril). O STATUS DO BEEFRADAR aumenta o percentil da baixa da arroba, que agora assume a maior probabilidade de ocorrência para esta semana, depois de muitos meses:

50% queda : 40% estabilidade : 10% alta

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O balcão terminou a semana com mais R$ 2/@ de queda e agora aponta preços entre R$ 138 a R$ 140/@ a prazo para o boi comum, com ágio EU de R$ 2 a 3/@ e personnalité bem escasso. O agendamento de bois está “bem comprido, igual a esperança de pobre”: está entre os dias 27/04 à 02/05… Vixi… Sim senhor!

Infelizmente, a “batida” do diferencial de base (DF) anunciada no último NF2R foi certeira e este indicador já ronda a média semanal de R$ 17/@. Nesta semana, conversando com uma pessoa da indústria frigorífica, ficou aclarado mais um dos motivadores da abertura deste indicador: a maioria das plantas habilitadas para exportar para a China fica em SP. Desta feita, o diferencial se mantém aberto, muito mais em função do preço de SP estar inflacionado do que em função do preço das praças estarem depreciadas… Faz sentido… Talvez o “DF aberto” seja como um “efeito colateral” do ajuste de produção ocorrido no ano passado, afinal de contas, o estado de SP não perdeu nenhuma planta frigorífica e realmente concentra hoje as plantas com as maiores habilitações.

Ainda resta uma notícia positiva: nada de aparecer vacas em grande volume e, desta forma, o diferencial da arroba de vaca para a arroba do macho continua entre -4.5 a -5%.

 

3) HORA DO QUILO: juntos, no último domingo, militavam em Brasília: Famato, Famasul, Faeg, dentre outras tantas Federações, todas igualmente importantes. Todas as Federações muito competentemente representaram os agropecuaristas do Brasil, que também se fizeram representados por muitos companheiros que foram pessoalmente até a Esplanada dos Ministérios. Foi dado o primeiro passo na escada de 1.000 degraus que começamos a encarar neste domingo, traduzido na votação da Câmara dos Deputados, que aprovou a admissibilidade do processo de impedimento da atual Presidente da República. Subir o primeiro degrau não quer dizer que chegamos ao fim da jornada, muito pelo contrário. Sinaliza tão somente que a comitiva começou… A boiada apenas foi solta e pegou o “estradão”… Sobretudo fica a verdade: teremos que fazer muito esforço para continuar subindo a escada que, se Deus quiser, nos levará a uma política mais limpa, com menos corrupção, independentemente de qualquer bandeira partidária. Que Deus nos acompanhe nesta longa comitiva republicana e nos direcione até o nosso derradeiro pouso: uma remanga com um mundo político mais apegado aos mais nobres valores da humanidade.

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: “Não é que pagam mal o boi de qualidade… Estão pagando muito no boi ruim” (Roberto Barcellos, em discussão no BeefRadar há algumas semanas)

 

5) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

 

5.1) “O futuro será sempre opaco”: sábia frase do prêmio Nobel de Economia Paul Samuelson! Temos mesmo bastante nebulosidade neste nosso para-brisa bovino de 2016, à saber:

* O clima vai pesar “precocemente” sobre a pastagem? A estiagem mais precoce, típica de um outono com El Niño fraco, começa a afetar a “valentia” do pecuarista, que agora frequentemente precisa aliviar a ocupação das pastagens de maneira rápida… Até o consumo das misturas minerais (sais minerais ou sais proteinados) já sinalizam estar aumentando. “O pecuarista está assustado”, como me disse um comprador de boi na semana passada. O envio de animais ao abate avança, inegavelmente, fazendo as escalas evoluírem como não ocorria a meses. Vamos ver qual será a intensidade desta pressão;

* Como se comportará a reposição nos próximos meses? Até agora, salvo diferenças regionais, vemos, em geral, um mercado físico de bezerros apresentando bastante resistência contra quedas de preço, mas com liquidez extremamente baixa, tanto pela falta de oferta, quanto pela alta resistência dos compradores em pagar ágios sobre a arroba do boi gordo ainda muito aviltantes. Contra esta resistência à queda dos preços de bezerros, deverá agir a pressão vendedora da safra da desmama 15/16, mas cremos, com potencial limitado. Alguns agentes de mercado citam compradores que prefeririam comprar animais mais novos apostando na venda em 2017 e isto poderia dar também alguma sustentação adicional ao mercado de animais novos. Com relação aos animais mais erados, notadamente os bois magros, nota-se um mercado mais “frio” e profundamente mais ofertado. Com a arroba em queda, é inimaginável não haver uma pressão sobre este produto (boi magro) no sentido de atenuar profundamente o ágio vigente nesta categoria atualmente.

* E o milho? Se há algo nebuloso este é “o exemplo” maior! O milho safrinha está cada vez mais como um pesadelo em regiões produtoras, como o sudoeste de GO e no MT. A situação da semana passada se tornou mais crítica ainda, pois não vieram as chuvas… E as opiniões dos analistas são totalmente contrárias, uns falam que haverá queda, já outros acreditam em preços firmes… E aí? Este é o maior impasse que impera no mercado e para ele ainda não há resposta! Há apostas!

 

6) RESISTÊNCIA CONTRA QUEDAS

 

O meu filho me disse hoje à tarde: “Papai, o dólar caiu bem. Vai cair mais? Eu quero comprar um Ipad e estou torcendo para o dólar cair”. Eu respondi: “é possível cair mais, caso a Dilma caia, meu filho”. Em seguida ele me perguntou: “E o boi? Ouvi você falar no telefone que ele está caindo. É por causa da Dilma também”?

Bom, a resposta é: “sim”, em parte. O gatilho para iniciar a queda da arroba que estamos começando a ver é o aumento de desova da safra de bois de pasto. Como já falamos aqui, não que tenhamos uma enxurrada, mas como a produção estava ajustada à demanda, um leve aumento da oferta teve o destino previsto: pressão no mercado físico.

E o problema que mais nos preocupa não é nem a oferta maior. Nossa maior preocupação reside no fato que a maior produção de carcaça está elevando os estoques de carne dos frigoríficos, porque a demanda aparentemente está piorando, em que pese, já se encontrava num nível muito baixo. É o tal: “nada é tão ruim que não possa piorar”, de modo que já tivemos notícias de abates postergados por falta de espaço das carcaças em câmaras frias.

Deste modo, para tentar fazer fluir os estoques, as indústrias têm somente uma saída: reduzir o preço da carne no atacado. Com isto a margem operacional dos frigoríficos cai… Na última sexta-feira, medida pelo indicador Equivalente Scot Carcaça, a margem operacional atingiu nível semelhante ao momento em que foi deflagrado o ajuste de produção dos frigoríficos.

Portanto, agora é hora de calma, de vender em conta-gotas, caso você não tenha travado os bois de final de safra. A pergunta que não quer calar é: até onde vai esta pressão no físico? Nosso palpite: até o meio/final de maio.

Chegou a hora de testar o quanto o bovino tem resistência quanto a quedas, porque a Dilma nos mostrou que não tem, graças ao nosso bom Deus e todos que militaram na primeira batalha! Até a próxima, se Deus quiser e nos permitir!

Antes do final deste, porém, convido-o para uma reflexão proporcionada pelo excelente texto redigido pelo nosso grande amigo André Bartocci, escrito ainda no sábado (16/abril), antes do resultado da votação no plenário dos Deputados. Segue:

Definitivamente este não é um momento de festa.
Mesmo que o resultado de amanhã seja Pátria 7 X 1 PT, não estamos na final de uma copa do mundo!
Nosso país está a deriva e mais do que nunca precisa de Serenidade, Seriedade e Compromisso com o Futuro.
Independente do resultado de amanhã o grande perdedor ainda é o Brasil.
Um processo de demissão de um Presidente da República mesmo que necessário, mesmo que legítimo e constitucional é traumático.
Deixa sequelas em uma nação que se quer Democrática.
O impeachment meus amigos é o primeiro passo de uma grande jornada que nós sequer sabemos o real destino.
Gostaria que Cadeia da Pecuária assumisse nas ruas amanhã, e também nos dias que virão esta seriedade e o protagonismo de um setor que colaborou e continua colaborando com o país independente de seu desgoverno.
E que este seja o começo de uma grande mudança.
E que a mudança, que a faxina venha, pois se não for para realmente evoluir, para transformar, é melhor recolher nossas bandeiras, guardar nossos cartazes e economizar nossos gritos.
Se tivemos a convicção de começar uma grande mudança, que tenhamos disciplina de leva- lá ao final. Que a conveniência, os obstáculos e forças contrárias não nos faça parar.
Espero que 17 de abril de 2016 seja o início de um grande plantio. Plantio este que exigirá muito de nós mas que promete para os próximos anos a colheita do Novo Brasil.

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

 Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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