Qual é o principal negócio de sua fazenda?

Por em 12 de outubro de 2015

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

 A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #186, de 11 a 17/out/15)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

 

Dias atrás eu li algo interessante num e-mail da empresa Empiricus (que provê informações do mercado financeiro): “O principal negócio do Mc Donald´s não é hambúrguer”. E qual seria, então o negócio do Mc Donald´s, perguntei-me…

Há dois anos atrás, terminei a construção da minha segunda obra, a minha atual residência. E quando a terminei, anotei o valor do metro quadrado e o valor da arroba. De vez em quando recalculo esta relação…

O NF2R #184 também entrou nesta seara (pecuária x imobiliário) e comparou a atitude dos frigoríficos e das incorporadoras de imóveis frente a atual crise econômica brasileira. Em negócios diferentes, a decisão tomada foi a mesma…

Vejam… O mercado imobiliário e a pecuária tem mais coisas em comum que a nossa vã filosofia pode imaginar… Vamos aos fatos da semana.

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Quanto ao indicador, nada de novidade: seguimos nossa estabilidade, com pequena acentuação do viés positivo (terceira semana de alta numérica): o indicador Esalq/BMF começou a semana passada em R$ 146,18/@ (variando de R$ 143,50 a R$ 148) e a encerrou anotando R$ 147,00/@ (variando de R$ 146,50 a R$ 148), base SP, à vista.

Novamente, uma variação “para cima” na sexta-feira foi trazida à tona pelo indicador. Mas o que nos chama mesmo a atenção é que vimos preços entre R$ 143 a R$ 146/@ à vista no encerrar da semana, com o R$ 147/@ av apenas pontual. A máxima captada pelo CEPEA não conseguimos identificar.

Na “terra dos comedores de guavira”, o Mato Grosso do Sul, vimos até R$ 140/@ ap no meio da semana, mas no seu final, a tentativa era de retornar ao R$ 137/@ ap como balcão (escalas andaram e estão em 19/out, no geral).

Em termos das escalas paulistas, elas seguem com relativa folga, estando entre as próximas duas segundas (entre 19 a 26/10). O “DIA D” está entre a terça/quarta, dia 20 a 21/out, e o placar recuou para 5 dias (entre o acordo da venda e o dia do abate). O “x” da questão no outubro segue sendo a segunda quinzena, mas recuar preço em semana mais curta, com feriado, não tem sido uma atitude costumeira das indústrias (mesmo com folga na escala). Assim, o STATUS DO BEEFRADAR sofre leve alteração:

25% queda (leve) : 50% estabilidade : 25% para alta (leve)

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Em movimento parecido ao visto no MS, foram observados preços de até R$ 140/@ ap em GO no meio da semana, mas no seu final, o “personalitè” (apelido que damos ao sobrepreço praticado acima do balcão) foi reduzido e as indústrias tentam emplacar o balcão de R$ 137 a R$ 138/@ ap novamente. Não sei se conseguirão…

Quanto às escalas, elas andaram bem, estando hoje perto do dia 20/out, mas já com algumas para o início da última semana do mês, onde haverá a força de bois de contrato.

A média semanal do diferencial de base segue abaixo dos R$ 10/@, mas não descolou desta referência… Atenção! Será que volta? O deságio para a arroba de fêmeas, segue ao redor de 5%.

 

3) HORA DO QUILO: “O BOM VENDEDOR NÃO É AQUELE QUE VENDE NO MAIOR PREÇO, MAS AQUELE QUE VENDE COM LUCRATIVIDADE” (Ricardo Heise)

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: está aí um vídeo que você tem que enviar para todos os seus contatos: http://youtu.be/OqTMNEq0Yhg

 

5) FOTO DA SEMANA:

  1. Foto do nosso parceiro Ricardo Heise, em Indiara-GO, no “start” do processo de identificação eletrônica dos animais (via chip eletrônico) e da implantação de software para controle zootécnico (Taurus) na Fazenda Panorâmica do Turvo, do nosso amigo Alaor Ávila Filho. É o fim das anotações do curral no formato de papel:

20151011 - RH x Taurus

2. Foto de Alaor Ávila Filho, em Goiânia. Esta foto representa bem o que é a pecuária de engorda hoje em dia: margem de erro tem que ser necessariamente igual a “ZERO”, com o atual ágio da @ do mercado de reposição. É a mesma margem de erro que o motorista que circula nesta rua tem que ter (notem a proximidade do poste com a faixa de rolagem):

20151011 - Poste x Alaor

Em outras palavras quem compra animais de reposição vive a desvantagem de se comprar caro, ou seja: mesmo acertando, você pode errar. Vivemos atualmente, no mercado de animais de reposição, o oposto que experimentamos hoje em dia na bolsa de valores (em dólares, a nossa BMF está 20% mais barata que o patamar da crise de 2008), o que permite dizer que mesmo errando, você pode acertar.

 

6) O  LADO “B” DO BOI:

 

6.1.) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

 

* Enquanto o mundo vê o maior acordo global histórico de integração das cadeias produtivas, o acordo transpacífico, continuamos na nossa inércia irritante que vai nos levar ao isolamento no comércio internacional. Caminham as conversas para o acordo transatlântico (polos EUA e EU), que caso saia, nos asfixiará… Ah, mas teremos nossos vizinhos Venezuela e Argentina para nos socorrer, afinal de conta são prósperos e doutrinariamente sinérgicos ao nosso governo! “Bah”, como diria o gaúcho!

 

* Invernista segue com a “cabeça de alta”, enquanto o magro não “alui para baixo”… E parece ter interrompido a perna de baixa, quiçá não recupere uma “ondinha de alta” daqui para o final do ano, como já dissemos! Aliás, parece que a “ondinha” de reaquecimento da reposição já teve seu início deflagrado, com os pastos em início de recuperação, ou mesmo já verdolengos. As categorias mais novas puxaram a fila da recuperação. Veremos se será uma “mega onda” ou apenas uma “marolinha”.

 

* Atacado segue nas máximas do ano. Ué? Demanda puxando? Não, pelo contrário. Nem a aproximação com o final de ano trouxe melhora consistente das perspectivas de consumo. Mas, os abates em níveis historicamente baixos, produzindo estoques igualmente reduzidos, tem sido um suporte mais forte que a crise de demanda, com espaço em alguns momentos para valorizações, como é o caso agora (tanto para o atacado, quanto para o varejo).

 

6.2.) “O PRINCIPAL NEGÓCIO DO MC DONALD´S NÃO É HAMBURGUER”

 

Ainda em 1954, a utilização de 8 máquinas de milk-shakes num mesmo local e ao mesmo tempo chamou a atenção de Ray Kroc. Ao chegar no local, em San Bernardino na Califórnia-EUA, ele se deparou com um formato de produção de sanduiches em escala industrial e isto acabou chamando mais a atenção dele do que o propósito inicial da viagem.

O “restaurante industrial” desenhado e executado com maestria por dois irmãos (Mac e Rick) era no estilo self-service e seria o mesmo mundialmente consagrado após algumas décadas, pois a partir daquele momento, Ray Kroc imergiu num plano de replicar a ideia por todos os estados americanos, inicialmente. Nascia ali, portanto, a história da famosa rede global de lanchonetes.

Entretanto, a grande dificuldade no início da expansão era a compra dos terrenos e a construção das novas lojas. Este problema foi resolvido através da ideia de um funcionário. Ele conhecia a existência de investidores dispostos a comprar terrenos e construir imóveis para aluguel. Estes investidores não tinham habilidade, tão pouco intenção de fazer sanduíches. Mas uma coisa resolvia a outra… O capital destes investidores bancava a nova loja, diminuindo o capital necessário para o investidor de hambúrgueres…

E, por “juntar as pontas”, o Mc Donald´s cobrava um ágio sobre o preço do aluguel combinado com o investidor imobiliário, majoração esta que alcançava 40% ou 5% das receitas do restaurante (o que fosse maior). Assim surgia o melhor negócio imobiliário que se tem notícia, pois é difícil imaginar alguém receber aluguel sem investir em imóveis.

Até hoje, isto existe, mas em outros formatos. Veja a foto que eu mesmo tirei em Goiânia neste sábado:

?????????????

O balanço de 2014, indicava que a empresa global tem US$ 39 bi investidos em imóveis, gerando 70% do seu resultado operacional. Desde o início, a grande “sacada” foi a mina de ouro que representa um bom negócio imobiliário e não a venda de hambúrguer.

Uma observação importante: todas as informações acima foram extraídas de um informe de mercado da empresa Empiricus (mala direta via e-mail).

Então, está tudo certo com este pobre mortal que vos escreve… Relacionar o negócio imobiliário com o negócio pecuário sempre rondou meus pensamentos ao me embrenhar na construção civil.

Outro fato que pude comprovar é que realmente existe uma mina de ouro embutida dentro de um bom negócio imobiliário. Experimentei uma estrondosa valorização nos dois terrenos urbanos que comprei em condomínios fechados, um no início da década de 2000 e outro cerca de 10 anos depois. É o mesmo que ocorre quando você “topa numa rama de boi com preço no jeito” e depois de comprá-los, ocorre uma explosão da reposição, como a ocorrida entre 2014 e 2015. Mais uma semelhança entre os 2 ramos…

E por fim, a semelhança cabal… Imagine-se de mudança para outro País, e que você decida “levar tudo consigo”, iniciando uma vida nova, “do zero”, para nunca mais voltar pelas terras de Cabral.

Você vai provavelmente reunir tudo o que tem: vender a sua Fazenda, vender seus animais, suas máquinas, seus equipamentos que tem liquidez, quitar as suas dúvidas, “raspar” a sua conta corrente e partir rumo ao novo destino. Ao fim de cada ano pecuário, ou fiscal (conforme a sua convenção própria), faça este exercício e acompanhe a sua evolução patrimonial.

Eu faço isto mensalmente… E é muito bom. Aí, você consegue ver realmente se seu esforço mensal valeu a pena, pelo menos em termos  financeiros… Em minha opinião, esta análise tem que ser acompanhada da análise mensal e anual de fluxo de caixa, da variação do rebanho e das dívidas e, por fim, da DRE do negócio.

Voltando à evolução patrimonial, caso você tenha registros históricos do valor da sua terra, e do que produziu nela, quase com 100% de certeza, creio que você chegará à mesma conclusão em relação à sua fazenda, da mesma forma que a Empiricus teve a respeito da famosa rede de lanchonete, ou seja: o principal negócio de sua Fazenda até agora não foi vender “carne”, mas sim um pujante negócio imobiliário.

O que tem de errado nisto? O que tem de errado de estar sentado em cima de uma mina de ouro (que é o melhor apelido para a valorização imobiliária estrondosa que a sua terra sofreu nas últimas décadas)? Resp.: nada!

O que tem de errado é simplesmente ignorar isto e consequentemente não ter uma estratégia de longo prazo, nem de sucessão familiar considerando esta verdade secular. Certamente seus filhos e netos saberão fazer esta avaliação muito bem…

Salta aos olhos a semelhança entre a sua fazenda e o Mc Donald´s: ambos negócios estão “sentados” em cima de uma mina de ouro imobiliária. A lanchonete se beneficiou do ágio dos aluguéis e a sua fazenda da valorização do preço das terras, especialmente as agricultáveis… Ambos negócios parecem ser relacionados à carne, mas na verdade, tem o cerne do resultado mais no imobiliário que no produtivo.

Mas, há pelo menos duas grandes diferenças:

*o negócio imobiliário do Mc Donald´s gera receita todo mês, ao contrário do seu;

*o que está em cima do imóvel (negócio relacionado à carne) tem máxima eficiência no caso da lanchonete, já no caso das Fazendas de pecuária, isto não é verdade na maioria das vezes…

E aí vem o questionamento: porque não fazer da sua Fazenda a mesma coisa que o Mc Donald´s do ponto de vista de eficiência operacional do negócio ligado à carne? Afinal de contas, diferentemente dele, seu negócio imobiliário (sim, você é dono de um grande negócio imobiliário) não tem geração de receita mensal. Desta forma, você, muito mais que a lanchonete, precisa de máxima eficiência na parte do seu negócio que lida com carne!!!

Quem decidiu partir para a intensificação pecuária, produzindo 30 a 40@/há ao ano (ou mais), já tem um negócio bem mais parecido do da rede de lanchonetes. E bem mais equilibrado e lucrativo, portanto.

Finalizo te convidando a fazer esta reflexão: qual é o principal negócio de sua Fazenda? Mas, após refletir, independente do verdadeiro negócio de sua Fazenda, de sua empresa, do seu consultório ou escritório, lembre-se da frase: “nem todo lucro é em dinheiro”

Que o universo retribua todas as suas atitudes neste mundo físico, dando-te o que mais você precisa para que você possa caminhar no sentido da sua evolução pessoal e espiritual.

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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