O “pobrema era a pecinha!” Era? Ou ainda é?

Por em 13 de abril de 2015

NOTÍCIAS DO FRONT

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

 (Edição #160, de 12/abril/15 a 18/abril/15)

 

Companheiros de lida,

De novo tivemos uma semana recheada de preços recordes do boi, com o arredondamento da nota, ou seja, o R$ 150 bem rasgado que até já virou carne de vaca em SP… Mas isto tem sido o normal para o ano. O que mais chamou a atenção não foi o recorde do boi, mas sim o recorde da carne. Carne? Sim, da carne.

De sexta-feira retrasada para cá, o equivalente físico da carne começou uma reação e já subiu cerca de R$ 12/@, enquanto o indicador ficou praticamente estável. Vamos ver o porquê a seguir… Não estava tendo problema de consumo???

Sabe quando uma pessoa está fazendo um erro operacional básico em algum programa de computador e ao perceber o erro simples, solta a frase: “o problema era a pecinha que fica atrás do teclado!” Pois bem, este final de semana, tive a comprovação cabal disto, ou seja, de que tinha (ou tem) um problema na “pecinha que fica atrás das decisões”. Veja no final do texto. Segue o jogo!

 

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Mais do mesmo… A safra da “não oferta” segue “parindo suas crias”, os recordes de preço. O indicador Esalq/BMF, à vista, partiu de R$ 148,39/@ (intervalo de preços de R$ 146,50 a R$ 150) e atingiu R$ 148,86/@ (intervalo de preços de R$ 147 a R$ 150) na sexta.

Desta forma, atingimos a 5ª semana seguida de alta, uma sequência que não víamos desde o final de out/2014. E de quebra, na última quarta, atingimos R$ 149,93/@, o novo recorde real de preços para o boi.

E o panorama segue inalterado, portanto “não descartamos novos reajustes”, mas de quinta passada para frente, a referência não se sustentou e houve uma pequena acomodação do indicador, de modo que o físico fechou a semana entre R$ 148 a R$ 151/@ à vista.

As escalas estão, em geral, entre a próxima quinta e sexta, porque deram uma “alongadinha” do meio da semana para frente, empurradas pelo reajuste de preços. Com isto, o “DIA D” foi para SEXTA (dia 17) e o PLACAR médio para 4 dias úteis (entre o dia do acordo da venda e o dia do abate).

No Mato Grosso do Sul, a “terra do tuiuiú”, o preço mais comum é R$ 143 a 144/@ ap, mas no sul do estado, o preço de R$ 145/@ av foi visto para o gado que é abatido em SP.

O STATUS DO BEEFRADAR se mantém em:

10% queda (leve) : 47,5% estabilidade : 42,5% para alta (leve)

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Nesta semana, diferentemente da anterior, os reajustes na referência nacional não atingiram o pequizeiro, mas causaram especulação. Portanto, a referência balcão segue em R$ 140av x R$ 142ap, com +R$2/@ no boi EU e +R$1/@ de negócios “personalitè”. A especulação, que abunda igual a Waleska Popozuda, aponta para preços de até R$ 145/@ ap, para o boi comum.

As escalas estão num grau de heterogeneidade muito grade. Tem indústria com quase duas semanas de abates agendadas e outras fechando a sexta, dia 17/abril.

O diferencial de base GO x SP abriu um pouco, marcando –R$ 8,44/@, porque o reajuste da semana visto em SP foi apenas pontual e especulativo em GO. Já o deságio da vaca em relação ao boi de GO reforça a retenção de fêmeas, pois ameaça começar a diminuir, de maneira um tanto precoce: reduziu-se para –R$ 6,66/@, na média semanal.

 

3)      HORA DO QUILO: sua fazenda/empresa tem os seus valores claros para os funcionários? Aliás, ela tem uma lista de valores? Vejam um belo exemplo da lista de valores e da hierarquia dos valores da lista de uma empresa bem famosa. Isto faz sentido e pode ser aplicável no seu negócio? Eu não tenho dúvidas… Escute o áudio, que aliás tem tudo a ver com o título deste texto: http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/bel-pesce/2015/04/08/DEFINA-O-SEU-PROPRIO-VALOR.htm

 

4)      TO BEEF OR NOT TO BEEF: recentemente, recebemos dois convites da mídia que volta a ter as suas atenções para o bovino. Vejam:

http://tvterraviva.band.uol.com.br/noticia.aspx?n=747363

 

http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Criacao/Boi/noticia/2015/04/cria-sera-atividade-mais-bem-remunerada-em-2015-preve-consultor.html

 

5)      O LADO “B” DO BOI:

 

5.1.) RAPIDINHAS DO BOI

 

> Autismo pecuário: só para você não perder a conta, atualizando o velocímetro dos preços…

* boi gordo, indicador Esalq/BMF, marcou R$ 149,93/@ em SP, à vista, nesta quarta, recorde real de preços da história de nossa pecuária;

* boi magro, base Goiânia, cravou R$ 2.100,00/cab, também na última sexta (CEPEA), recorde;

* bezerro, base Goiânia, atingiu R$ 1.400,00/cab na sexta (maior valor real da série);

 

> Preços recordes da carne? Até que enfim apareceu alguma justificativa para, pelo menos, amenizar o “autismo” da pecuária, que tem preços recordes e descolados da economia modelo “menos 1.0” da D.Dilma. Na última quinta, a carne vendida pelo frigorífico no atacado atingiu o valor de R$ 9,71/kg de carcaça casada de boi, o que dá um equivalente físico (carne atacado convertida em @) de aproximadamente R$  146,00/@ e estabeleceu novo recorde real de preços da série do CEPEA. Isto significa dizer que no final da semana os frigoríficos atingiram a melhor margem de comercialização do ano. Ué? Não estávamos com estoque alto e problemas de escoamento (demanda ruim)? É o seguinte: nas últimas semanas, as indústrias vem diminuindo a produção (ajustando-a à venda) e tem avançado no sentido de equilibrar os estoques, mesmo porque não faz sentido algum produzir muita carne se há receio/dificuldade em vendê-la. Além disto, houve melhora pontual da demanda com o fim da quaresma e início de mês, principalmente para dianteiro e ponta de agulha, cortes mais baratos e acessíveis, portanto. Soma-se à isto, uma leve melhora na exportação. A consequência é que estes fatos positivos, num ambiente de extrema escassez de matéria prima, resultam em melhora de preços da @ muito rapidamente. E isto foi o que houve. Vale lembrar, entretanto, que a exportação ainda não está nenhuma “brastemp”, pois fechamos o primeiro trimestre com queda de 24% em volume, frente a 2014. Outro ponto a lembrar, é que a demanda melhorou sensivelmente apenas para carne com osso resfriada. A carne congelada está com estoque “até as tampas” (principalmente de dianteiro), justamente em função da exportação capenga. Ainda há dificuldade de escoamento para cortes de traseiro no mercado interno, cortes estes com valor agregado mais alto, justamente as promoções de carne que temos visto nos supermercados. E por último, lembramos que a margem que melhorou foi a de quem vende carne com osso. A margem da desossa está no pior nível desde 2010… Portanto, sem dúvidas, ainda que haja dificuldades (e não são poucas), houve melhoras no setor que mais tem nos preocupado, a demanda, mas nada de euforia aqui, combinado?

 

> Gasolina na lenha da fogueira: nos últimos dias vi dois ou (quase) três frigoríficos comunicando com pecuaristas, via mídia de TV e via evento presencial.  Nestas ocasiões, a perspectiva de preço da arroba foi dita como sendo de “alta” por eles próprios. Espanto? Não, naturalmente eles estão fazendo a lição de casa. Se a coisa não está fácil para eles para comprar boi, imagina se eles falassem o contrário. Se você não está achando bezerro, vai falar isto para o seu fornecedor? E outra: aparecendo na mídia falando em ganhos recordes, fica mais fácil captar recursos com bancos… Simples assim.

 

> inflação: saíram os dados de março. Estamos com a inflação mais alta dos últimos 20 anos. Isto tem reflexo, e é o que preocupa em termos de demanda, como dito acima. Vejam a matéria: http://m.estadao.com.br/noticias/economia,classe-c-nao-quer-e-tambem-nao-pode-elevar-o-consumo-,1668007,0.htm

Além disto, estamos com as maiores diferenças da história em termos de deságio de preço de carne de frango/suíno em relação ao bovino. O assunto é citado na matéria abaixo: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,por-economia-produtos-saem-do-carrinho-imp-,1668173

Portanto, comemoremos a batalha, mas não a guerra.

 

5.2.) O “PÔBREMA ERA A PECINHA”… ERA? OU AINDA É?

 

Em resumo, o padrão do mercado permanece: a oferta curta manda o boi subir enquanto que a demanda interna e externa, ambas “capengas”, agem no sentido contrário. Como estamos num mercado de extremos, qualquer mudança de intensidade nos movimentos de oferta/demanda tem reflexo imediato nos preços. Foi o ocorrido nesta semana passada, favorecendo a demanda e consequentemente a melhora imediata no preço da arroba.

A provável demanda capenga pode, durante o decorrer do ano, frear um movimento de alta mais intenso ou até fazer o boi ceder um pouco. Por enquanto, a segunda opção não ocorreu e de fato, analisando friamente, a menor probabilidade de ocorrência no mercado é uma profunda correção de preços da arroba dentro do ano.

É muito provável, que os preços fiquem em níveis bem interessantes ao longo de quase o ano todo, com margens acima das médias dos últimos anos (por isto, temos recomendado “venda à conta gotas”, realizando este “bom lucro” num cenário de economia complicada). De fato, a procura por travas/termo este ano aumentou muito. Acho que tem mais gente pensando assim. Fica apenas a ressalva da velocidade da venda, para fazer média para cima, aproveitando a alta como um todo tem que se vender aos poucos. Determine a velocidade ideal para você.

Cremos que a atual “batata quente” da pecuária não seja mais o preço de 2015, (lembrando apenas da ressalva de que não é “proibido o boi cair” em algum dado momento deste ano como os otimistas acreditam, e tem gente muito otimista mesmo). A pergunta do momento é o preço de 2016/2017. Como o animal comprado este ano dará lucro? A retenção de fêmeas, cremos, só dará profundas correções de preço de reposição em 2016 ou 2017, em que pese já estarmos sentindo sensível melhora de oferta, ainda sem reflexo de preço.

Estamos chegando na hora da verdade da safra, com o início da redução das chuvas e da tendência de diminuição da temperatura… Frigorífico está ansiosamente aguardando por esta hora e as primeiras frentes frias… Vamos ver… Que vai melhorar a oferta, tem tudo para que sim, mas em qual volume? Hum… sei não…

Chega de falar de boi! Vamos falar de outra coisa muito mais importante: “da pecinha que fica atrás da mesa onde são tomadas as decisões do seu negócio”.

Vamos pensar juntos: nos últimos anos, tenho certeza de que você investiu e/ou melhorou os resultados produtivos de sua fazenda, pois focou na pastagem, na nutrição, na sanidade, na divisão de pastos, no fornecimento de água, na engorda intensiva, na compra dos seus animais, na genética, nos controles zootécnicos e etc, etc, etc.

Nos últimos anos, tenho certeza de que você investiu e/ou melhorou os resultados financeiros de sua fazenda, pois focou na gestão de sua propriedade, embora haja menos gente fazendo esforço neste segundo pilar de foco.

Entretanto, você (e a quase totalidade do mercado, inclusive este que vos escreve) se esqueceu de que quem faz a implementação destas melhorias que visam resultados produtivas e financeiros superiores, de barra mais erguida, é VOCÊ E A SUA EQUIPE!

Você “ergueu a barra” de sua pastagem, dos índices do seu confinamento, dos seus índices reprodutivos, etc, etc, etc, mas, finalmente pergunto: você ergueu a sua própria barra? Mais do que isto, você tem seus funcionários e seu negócio alinhado com o seu propósito? Mais do que isto ainda: você sabe seu propósito?

Amigos, não, eu não estou bêbado, tão pouco louco!!! Não cheirei nada!!! Ocorre que entre a última sexta e ontem, domingo, passei pela minha melhor experiência de vida profissional e pessoal vivenciada em um evento, o AgroTalento do BeefPoint…

Simplesmente decidi sair de casa, deixar minha família por quatro dias (de sexta a domingo mais deslocamento), sem saber se quer a grade de palestras para erguer minha própria barra. Detalhe: sentia isto, mas não sabia ao certo. A confiança absoluta e irrestrita no trabalho do Miguel e da equipe BeefPoint sustentaram minha decisão. E afirmo com todas as letras, foi um dos melhores investimentos que fiz para a minha vida.

Descobri/relembrei, dentre muitas outras coisas, que a vida profissional e pessoal é uma só, afinal há uma só vida! Há só um HUMANO! E ela tem que estar alinhada e conectada com uma pessoa que você pode não conhecer bem: você mesmo! Isto, este é o ponto central!

O intuito deste blog é fazê-lo pensar. Você sempre é o responsável pelas conclusões de sua estratégia comercial, mas cremos que podemos contribuir dando subsídios para que você pense. Não te damos o preço de outubro do boi. Procuramos te dar suporte para você tomar a melhor decisão comercial na hora da venda. Em última análise, procuramos te ajudar a pensar, porque te ajudando, ajudo a mim também.

E, do fundo do meu coração, jamais tive a sensação de te ajudar mais do que te recomendando dar atenção ao que está acima descrito, ou seja, dar atenção para a “pecinha que fica atrás da mesa das decisões do teu negócio”, o humano que você é, na sua melhor versão!!!  Você precisa “tornar-te o que tu és”, o lema do AgroTalento.

Nunca escrevi aqui algo que pudesse te impactar a vida com tamanha magnitude, como o que expus agora. Não há como descrever totalmente em palavras. Espero que pelo menos, o desperte para o tema. Mas, a decisão é sua. Você é quem tem que saber se “o problema era a pecinha, ou ainda é”…

Tenha uma semana abençoada.

 

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis)

&

 Ricardo Heise (@boi_invest),

 

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS EM 2015: boicom20@gmail.com

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3 Comments

  1. William Sousa

    15 de abril de 2015 at 15:32

    Dr. Rodrigo, quantas informações oportunas em uma só publicação. Obrigado por compartilhar as experiências do AgroTalento, bem como fazer com que nós olhemos mais atentamente a nossa “Zona de Conforto” e que promovamos nós mesmo a uma nova Zona de “Evolução”.

    Seguimos juntos, levando esse pó da estrada!

    • Rodrigo Albuquerque

      20 de abril de 2015 at 16:33

      William, é sempre um prazer falar com você. Seguimos juntos… Obrigado!

  2. Jackson Martins

    25 de abril de 2015 at 2:40

    Sabias palavras, foi uma grande oportunidade viver esta oportunidade.

    Jackson

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