O insumo que pode lhe salvar o ano de 2016

Por em 6 de junho de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #219, de 05 a 11/junho/16)

 

Companheiros que pagaram a “dívida externa” do Brasil,

 

Nestes últimos cinco meses, estivemos expostos a uma grande quantidade de simpósios, palestras e dias de campo… Em média, pelo menos um evento por semana (ao todo foram mais de duas dezenas deles). O último foi o Confinar 2016, o qual nos brindou com várias excelentes apresentações e numa delas, o palestrante Waldez Ludwig, deu uma verdadeira aula sobre ser humano e a sua relação com o trabalho. Ele é formado em psicologia e tem, além do dom, base via formação profissional. Dos vários ensinamentos que borbulham na sua fala, ganha especial destaque a visão de que deter o conhecimento se traduz no maior poder dos tempos atuais e futuros. E este insumo pode ser a “salvação da sua lavoura” em 2016, literalmente.

Segundo o palestrante citado, são necessários dois ingredientes para termos “conhecimento”. O primeiro é: informação relevante. E é justamente isto que passaremos nesta edição do NF2R: o caldo concentrado do que vimos em mais de 150 horas de informação relevante nos últimos cinco meses. Algo como um “extrato de carne” concentrado. Sobre o segundo ingrediente? Mataremos sua curiosidade apenas no final deste. Espero você lá!

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

“Aumenta o fogo da panela de pressão”! Esta frase resume bem o mercado desta semana passada, como disse o Rogério Goulart. O “fogo” aqui é a falta de oferta de gado gordo e a “pressão” recai sob as indústrias frigoríficas. Os frigoríficos estão preocupados igual a pulga de quarto de hotel. O Indicador Esalq/BMF amanheceu a segunda passada em R$ 155,35/@ a vista (variando de R$ 153,50 a R$ 157,00) e alcançou R$ 156,73/@ a vista (variando de R$ 153,50 a R$ 160,75). Nos chama a atenção, a máxima em elevação pujante.

Quanto ao mercado físico, o encerramento da semana no nosso acompanhamento, aponta preços entre R$156 a R$158/@ a vista para o boi comum (gado com aprovação EU tem negociação frequente no R$160, já tendo aparecido pontualmente o R$161/@). Na molhada e fria “terra da Guavira”, o preço segue a toada de alta, agora sendo o R$ 143/@ a vista, a baliza mais comum.

Os compradores de boi gordo estão “mais desconfiados do que pulga de hotel”, pois o preço sobe e a fluidez dos negócios não melhora, dia após dia. Seguimos com o “DIA D” das escalas congelado na próxima terça (07), portanto, o placar mantém-se no baixíssimo número de 3 dias, na referência Haitong. O status do BEEFRADAR segue “firme no arreio” da alta:

5% queda : 30% estabilidade : 65% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O pequi também está fervendo: em GO, o preço balcão mais comum passou a ser o R$ 142/@ a prazo para o boi comum, com mais R$ 3/@ referentes ao EU e ainda com “personnalité” mais presente do que “suspiro em velório”. As escalas seguem com menos de uma semana (na média, estão para quarta, dia 08), mas as indústrias com boi de contrato, tem bois até o dia 15. Porém, mesmo quem está mais escalado, não perde negócio. A vontade de “raspar o tacho” está geral.

A tendência de arrefecimento leve do diferencial de base “GO x SP” continuou, o que fez a média semanal cair para -R$17,48/@. Nada indica que haja uma redução mais veloz, mas tem hora que a direção é mais importante que a velocidade…

Um fato importante: o deságio semanal da arroba de vaca em relação ao boi demonstra que pode ter sido iniciada a fase (já esperada) de estreitamento desta métrica pois a média semanal caiu para -4.9% em Goiás! O mês de maio é o segundo mês de maior oferta de fêmeas para abate (perde apenas para março). Pois bem, maio já faz parte do passado e ressalte-se: nem em maio, o deságio aumentou. Este fato significa firmeza no boi gordo!

3) HORA DO QUILO: você sabia que a Embrapa tem 46 unidades de pesquisa, onde trabalham 9.700 pessoas entre pesquisadores/técnicos/analistas, gerando pesquisa sobre soluções tecnológicas e novas variedades, num total de mais de 300 lançamentos anuais? Nos próximos dias, haverá um dos mais importantes simpósios para a cadeia pecuária que a Embrapa já realizou. Será em Campo Grande e é sobre o assunto: “pecuária x gases do efeito estufa”. Este assunto tem sido motivo de “pancadas” para a produção de carne e esperamos que este simpósio internacional traga a consolidação dos números que mostram ao mundo a realidade correta. Segue o link: https://www.sympla.com.br/ii-sigee—simposio-internacional-sobre-gases-de-efeito-estufa-na-agropecuaria__58871

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: se você pretende fazer pelo menos uma ação positiva para a cadeia da carne bovina nesta semana, escolha instalar o aplicativo CEPEA Boi no seu celular (lançado em 01/junho, no Confinar 2016) e comece imediatamente a informar todos os seus negócios, amigo pecuarista! Veja a palestra completa da pesquisadora do CEPEA Mariane Crespolini durante o Confinar 2016, com todo o esclarecimento sobre o tema, além da mesa redonda onde foi feito o lançamento desta importante ferramenta:

http://www.sba1.com/noticias/73663/pecuaria-br-mesa-redonda-confinar-2016#.V1HxI5ErLIU

IMPORTANTE

Sobre a instalação: o Cepea levanta informações com frigorífico, leiloeiros, escritórios de compra e venda, em 24 regiões do Brasil. Diariamente, o Cepea conversa por telefone e email com os agentes. Um dos maiores desafios da equipe do boi gordo é conversar com o pecuarista que fez negócio no dia. Muitas vezes nós, pecuaristas, não acessamos email ou não temos sinal de celular na fazenda. Por isso, o aplicativo é voltado exclusivamente para levantamento de informações com pecuaristas. Para usar o aplicativo, o produtor tem que ser cadastrado como colaborador do Cepea. Realizando o cadastrado, receberá um login e senha. A equipe está realizando uma força tarefa para criar login e senha aos colaboradores já cadastrados. Quem já é colaborador e ainda não recebeu o login e senha, ou ainda quem não é colaborador e quer ser, pode enviar email para a Mariane Crespolini, pesquisadora do Cepea (mariane@cepea.org.br) colocando o número do celular na mensagem. A equipe do Cepea entrará em contato. Por enquanto, o aplicativo está disponível apenas para Android. A licença para a Iphone (IOS) já foi requisitada pela instituição e espera-se que em algumas semanas esteja funcionando. O Cepea avisará seus colaboradores quando o aplicativo estiver disponível para iphone e o NF2R também noticiará.

20160605 - CEPEA Boi

5) BOITOGRAFIAS DA SEMANA

5.1) NF3R: ocorreu em Campo Grande – MS, entre a terça e a última quinta-feira o Confinar 2016 (do Rodrigo Spengler) e paralelamente também o Primeiro Encontro BeefRadar (Rodrigo Albuquerque e Ricardo Heise). Houve também visitas técnicas aos criadores Eduardo F. Coelho e Jerônimo Machado, à Embrapa Gado de Corte e finalmente ao Leilão Correa da Costa. Foram 3 dias de muito conhecimento e convívio intenso com pessoas de boa energia! As fotos falam por si:

20160605 - Jerônimo 3 20160605 - Jerônimo 2 20160605 - Jeronimo 1 20160605 - Embrapa 1 20160605 - Eduardo 2 20160605 - Eduardo 1 20160605 - Confinar 2016 20160605 - BeefRadar 1

 

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

 

6.1) Apagão do frango e do bovino, de novo? Sim, o tema é o mesmo. Mas com dois fatos importantes e que devemos prestar atenção: as atividades de abates de aves e de bovinos foram interrompidas, respectivamente, na unidade da BRF de Jataí e na unidade do Minerva de Campina Verde-MG. A BRF alega manutenção das máquinas e informações dão conta de que o momento econômico (baixo consumo e elevado preço do milho) foram os motivadores para as férias coletivas da turma. Os links à seguir tem informações nesta mesma direção: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKCN0YP1II

http://www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/aurora-vai-reduzir-pela-metade-abate-de-aves/20160601-084924-P441

Com relação ao Minerva, consta que a empresa dispensou funcionários “considerando o cenário econômico nacional e a queda do consumo de carnes no mercado interno”. Uma reportagem da Agência Estado reporta que “o número de abates realizados pela Minerva Foods no primeiro trimestre de 2016 totalizou 518,2 mil cabeças de gado, uma retração de 14,8% em relação a igual período do ano passado”. Só mais um detalhe importante: durante o Confinar vários técnicos da área de nutrição falaram que seus clientes não estão fechando os bois no confinamento por falta de “comida”. Os que tem milho estão aproveitando e vendendo no mercado spot. Haverá uma grande postergação de fechamento de gado esse ano no confinamento e pelo jeito estamos caminhando para um ano de um giro só. Com isso, podemos validar a quebra de animais terminados em confinamento de 20 a 30% como estão dizendo algumas pessoas (incluso este que vos escreve). Se vai ter apagão, eu não sei, mas começaram a “pipocar algumas lamparinas”. No último NF2R, perguntamos: “frigorífico vai pôr a mão e conter o movimento de valorização da arroba”? Olho atento… O “pôr a mão” que nos referíamos era justamente o fechamento de plantas.

 

6.2) Pressão na margem operacional dos frigoríficos: o movimento continuou fortemente esta semana. A margem Equivalente Scot Carcaça, a qual reflete o faturamento do frigorífico de mercado interno que não vende carne desossada (vende carcaça + couro + sebo + miúdos + derivados + subprodutos e que é o indicador com melhor correlação com o preço da arroba, dos quatro que o Scot tem), terminou a semana com o menor valor da série que acompanho: desde 2010!

 

6.3) Pressão total no “especulômetro” do milho: este imaginário aparelho estaria na sua máxima histórica. Veja duas postagens que recebemos quase ao mesmo tempo, em redes sociais:

* Mensagem baixista: “Acabei de fechar um lote de milho do MT posto no norte de GO com imposto incluso a R$ 43,00/sc. A oferta está ficando grande. Vendedores ligando. Muita atenção neste momento… Recebi a pouco uma oferta de Trading, pelo jeito estão virando a exportação para o mercado interno”

* Mensagem não baixista: “Outro lado da moeda: tem empresas pagando R$50,00 para pegar na lavoura”.

E aí, o milho cai ou não? Nossa opinião: cai um pouco em algumas semanas, mas após a plena entrada da safrinha, reaquece novamente. Além do “especulômetro” estar estourando, “a panela de pressão das commodities” também deve estourar a tampa e ir para o forro daqui a pouco, como disse o Rogério Goulart em uma postagem numa rede social. Falando nisso, também entornou o caldo da feijoada: além do milho, o feijão bate recordes e alcança em alguns locais o valor de R$ 400/saco!

 

6.4) Inflação 5 x 0 Boi gordo: nos cinco primeiros meses do ano, a arroba do boi gordo valorizou 5.77% (base Indicador CEPEA a vista, na comparação YoY). Em todos os meses encerrados de 2016, a valorização da arroba perdeu da inflação. E a bolsa sugere (comparando-se os valores dos ajustes dos meses subsequentes com o valor médio do indicador a vista de 2015) que teremos a média de 12.94% de valorização do boi gordo na comparação YoY entre os meses de junho a dezembro/2016. A bolsa está precificando o “apagão” do boi? A bolsa está dando uma baita oportunidade? Ou está ainda, no início de uma reação da arroba? Penso que seja SIM a resposta das três questões acima, mas tem espaço para “ir mais”, analisando a tendência. Isto quer dizer que estamos numa fase de vendas em conta-gotas! Por enquanto, só os meses “curtos”, ou menos distantes do mês presente, como diz o jargão do mercado estão mais inflados nesta onda de alta. O mercado financeiro está querendo ver as coisas em partes… Olho atento para não perder oportunidades de venda!

 

7) O LADO “B” DO BOI: o insumo que pode lhe salvar o ano de 2016

Como disse no primeiro parágrafo, são necessários dois ingredientes para termos “conhecimento”. O primeiro, é informação relevante, a qual está exposta poucos parágrafos abaixo, após a assinatura deste NF2R. Reserve um tempo para ler. Tem muita coisa boa logo aí em baixo. Desculpe-me o excesso de conteúdo, mas vale a pena!

O segundo ingrediente, que estava te devendo, é: VOCÊ! Sim, gente com talento é o segundo ingrediente para que se consolide conhecimento! Afinal de contas, passar informação relevante para um macaco não faz o menor efeito em nenhum mercado. Portanto, você é o catalisador que pode fazer a diferença e que pode formar realmente conhecimento. Em outras palavras: está nas suas mãos a saída para salvar o “seu 2016”!

Que a sua semana seja um tempo renovador, em que a esperança seja maior do que os desafios. Que você tenha equilíbrio em suas decisões, em sua vida, em suas atitudes! Que você possa ser exemplo para seus filhos ou um orgulho para a sua Mãe. Até a próxima semana!

Rodrigo Albuquerque (boicom20@gmail.com) &

 Ricardo Heise (r.heise@hotmail.com),

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

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INFORMAÇÕES RELEVANTES COLHIDAS EM 2016

Começamos com o “pé-direito”, um resumo da fantástica palestra do Alexandre Mendonça de Barros, no Confinar 2016, na última quarta-feira:

  • “Vivemos hoje um momento de ambiguidade: por um lado o pessimismo da nossa pior crise em 100 anos e por outro o bom desempenho das cadeias agropecuárias. Uma queda de 3.8 a 4% é compatível com o que ocorre numa guerra. Não temos precedentes no Brasil. Estamos com 11 milhões de desempregados e 11% de inflação. Não é pouca coisa”
  • “Neste momento, apesar da grave crise que vivemos, alguns indicadores econômicos começam a dar sinais de que podem estar parando de piorar, o que é uma excelente notícia. Entretanto, temos no Brasil, antes de mais nada, um problema de confiança”
  • “Os dados de consumo estão horrorosos, porém talvez em início de recuperação, talvez… Há também migração de consumo e os números de consumo de carne bovina em kg/hab regrediram cerca de 15 anos, estando pouco abaixo de 30kg/hab/ano”
  • “Entendo que devemos terminar 2016 com a inflação próximo de 7%, o que levaria o novo governo a ter condições de baixar os juros, fato extremamente positivo para recuperar a economia e para as contas públicas (redução no pagamento dos juros das dívidas). As exportações estão indo muito bem e as contas externas idem. Com isto, temos bom superávit comercial e a manutenção dos investimentos externos, pois é consenso que o ‘Brasil está barato’ aos olhos do estrangeiro. Aqui estamos ainda muito bem”
  • “Com a ‘virada econômica’ do novo governo, o dólar só não caiu para 3 a 3.20 porque o Banco Central interviu e o câmbio estabilizou entre 3.50 a 3.60. Isto foi feito porque precisamos da exportação para salvar a economia, fato importante para a soja, para a carne vermelha. Se a política econômica não retroceder, este horizonte atual é o nosso destino cambial. Mas se retroceder, 4.5 a 5, não seria um absurdo. A questão da elevação da taxa norte americana de juros a partir de agosto deverá dar mais sustentação ao câmbio”
  • “Vários analistas estão subestimando a possibilidade de uma retomada de nossa economia. Acredito em 7% de inflação no final de 2016 e número abaixo de 6% no ano que vem, quando deveremos ter um crescimento de +2% do PIB. Acredito que o consumo de carne no mercado interno esteja em uma lenta recuperação”
  • “Sobre os grãos, vamos primeiro falar sobre o cenário externo, pois o problema do milho é um ‘problema brasileiro’, não mundial. Houve um descolamento. De 2014 para cá, no mercado internacional de commodities, houve recuperação de estoques e queda de preços. Os preços de frangos e suínos caíram, pois aumentou a oferta de carnes (da vermelha, nem tanto). Mas o cenário da virada nos preços dos grãos tem tudo para acontecer em função do clima: sairemos do El Niño para a La Niña, o que deverá nos levar de um padrão de excesso de ofertas para um padrão de escassez de ofertas, fato que deverá também elevar o preço das proteínas (frango e suíno) pela consequente restrição de produção delas. Também tivemos excesso de chuvas na Argentina e antecipação da seca no Brasil, na maior parte das regiões produtoras. Se a La Niña entrar nos EUA em ago/set, não prejudicará muito. Mas se entrar em jul/ago, deixando o clima de lá quente e seco, aí sim, teremos um acentuado agravamento do problema de oferta de grãos. O clima preocupa e os fundos começaram a comprar commodities, fato que também ajuda no aquecimento dos preços internacionais. Em resumo: a tendência é de uma alta modesta dos grãos lá fora, que tende a ser mais forte se o clima complicar”
  • “Sobre os grãos no Brasil, temos que lembrar que hoje o País exporta mais volume do que os EUA. Em apenas 3 meses, exportamos 30 milhões de ton de soja e em julho não teremos mais nada para exportar! O mesmo ocorreu com o milho… Nesta outra realidade, com melhor armazenagem e exportação mais rápida, a dinâmica de compra tem que ser outra. Cadê o farelo de soja do segundo semestre do Brasil? Deveremos ter mesmo prêmio no Brasil, frente aos EUA, no segundo semestre no mercado interno da soja”
  • “Quanto ao milho, estamos vendo um ‘fenômeno brasileiro’ ocorrido pela combinação de: capacidade de exportação alta (8 milhões de ton no início de 2016); desvalorização do câmbio (boa parte da produção já vendida) e quebra da safrinha (em GO, talvez, tenha ocorrido a maior queda, e onde será um desafio hercúleo confinar boi em 2016). De fato, o cenário de excesso de oferta de milho com preço em baixa se reverteu totalmente, ao ponto de termos milho à R$ 60/sc no Paraná. A dúvida é: os 10% de aumento de área poderiam aniquilar 10% de perdas na safrinha? Analisando os números de estoque, vemos que partimos com 10.5 milhões ton. Produzimos 27 na 1ª safra, 53 na segunda e importaremos 1.5 milhões de ton. Consumiremos 58 e deveremos fechar com exportação de 28, chegando a um estoque final de cerca de 5 milhões de ton. Portanto, pode haver melhorar na entrada da safrinha, mas nada de mudança de quadro. Temos componente interno e externo. Temos que renegociar o que foi vendido…”
  • “Quanto ao boi: vemos uma arroba firme mesmo com consumo interno em queda. Qual o milagre? É a retenção de fêmeas. Ano passado, houve queda no abate, mas aumento no peso das carcaças. Este ano, vamos o mesmo peso de carcaças? Vamos ter boi confinado em volume? Eu estou pessimista quanto à oferta, porque a retenção de fêmeas continua. Em função do preço da comida, temos que explorar mais os pastos, mas, não os temos (a exceção é o MS, que está tendo um ano abençoado de chuvas). Isto é sinal de pressão para a reposição, muito complicado em GO e na BA. Deve ser um ano em que teremos safra e entressafra mais típicas. Acho que ainda teremos bois de pasto, mas após agosto-setembro, vai complicar. Fica a pergunta: se o bezerro e o boi magro ceder, será que a retenção de fêmeas retrocede? Acho que não! Há aumento de oferta de bezerros, mas nada explosivo ainda”
  • “Do lado da demanda, o preço de 2016 do atacado está em queda, em função da crise e da exportação de abril, que veio fraca. Mas os estoques estão se ajustando (caindo). Em resumo: temos oferta em queda, exportação em alta e demanda em início lento de recuperação. Do lado externo, vejo os EUA com preços de carne em alta devido ao cenário dos grãos; na Austrália não tem boi, definitivamente. A China é a nossa grande bola da vez, inclusive nosso ministro está por lá hoje. Muito otimismo em relação à demanda externa Chinesa. Do lado das carnes concorrentes, creio que saímos do fundo do poço quanto ao preço dos suínos e dos frangos. Tivemos nos 4 primeiros meses o maior alojamento da história, pois tínhamos estoques de milho e exportação boa. Vemos agora, uma tendência de queda no alojamento que será mais verdadeira quanto mais presente o problema de clima nos EUA”
  • “Acho que vocês têm que olhar mais para Chicago este ano do que recomendei no ano passado> Em 2015, era, olhe menos para Chicago e mais para o campo. Agora, invertemos”
  • “Sobre a queda da margem das indústrias, até agora, não vemos problema com geração líquida de caixa das empresas, a qual vem sendo suficiente para manter a relação com a dívida. Há alguma folga para enfrentar o desaforo das margens, mas a situação é desconfortável para os frigoríficos”
  • “Por fim, considero que as pessoas estão excessivamente pessimistas frente à enorme mudança de padrão institucional que tivemos com a mudança no governo. Quantos países do mundo põe três milhões de pessoas na rua? Não subestime a recuperação econômica, que deve ser lenta, porém, o consumo de carne volta muito mais rápido do que carro, geladeira, etc”

 

Seguem mais coletâneas de raciocínios preciosos, colhidos em 2016, caso tenha tempo (desculpe-nos a extensão):

 

“Os três “50”: em 2050 precisaremos 50% mais alimento que hoje e 50% deste incremento virá do Brasil” (Francisco Vila, Expopec Porangatu 2016)

 

“Os três “45”: em 1945, 45% da população vivia no campo e 45% da renda das pessoas era gasta com alimentos” (Francisco Vila, Expopec Porangatu 2016)

 

“Os três “15”: em 2015, 15% da população vive no campo e 15% da renda das pessoas é gasta com alimentos” (Francisco Vila, Expopec Porangatu 2016)

 

“Em 2030, 40% dos 5 milhões de nossos atuais produtores não vão mais estar na atividade. Vai ter menos terra sendo usada e mais carne sendo produzida” (Francisco Vila, Expopec Porangatu 2016)

 

“Quem faz a diferença neste mundo da produção de carne é a pessoa entre o proprietário e o boi” (Francisco Vila, Expopec Porangatu 2016)

 

“A Feed abre mão de tudo o que a zootecnia manda para colocar na frente o que o consumidor quer. Neste sentido, a única coisa que ninguém dá conta de comprar é tempo. Raça não garante qualidade de carne, só garante maciez, que é confundida com qualidade. Suculência e sabor é mais difícil de não depende de raça. Para mim, a qualidade da carne é derivada 25% da raça e 75% da criação ” (Pedro Merola, Expopec Porangatu 2016)

 

“Comer bem é um direito de todos, todos os dias. O momento em que você senta para comer é um momento de amor. Todas as pessoas que trabalham na Feed tem que ter brilho nos olhos” (Pedro Merola, Expopec Porangatu 2016)

 

“O grupo dos 15% dos produtores mais profissionais é que determina o preço do boi” (Maurício Palma Nogueira, Expopec Porangatu 2016)

 

“Se a gestão vai bem, quem manda no resultado é a receita” (Maurício Palma Nogueira, Expopec Porangatu 2016)

 

“Cuidado para que decisões focadas no curto prazo em 2016, possam comprometer o seu projeto no longo prazo. É preciso ponderar e criar indicadores para decisões rápidas” (Maurício Palma Nogueira, Expopec Porangatu 2016)

 

“Sobre o milho: se parar de chover e quebrar a safra americana, complica totalmente o cenário” (Maurício Palma Nogueira, Expopec Porangatu 2016)

 

“A recria-engorda não admite mais a baixa tecnologia. Retirar o pacote tecnológico em 2016 é um enorme erro. É mais difícil ser pecuarista em SP, MT, GO e no MS: a régua do mercado é mais alta aí” (Maurício Palma Nogueira, Expopec Porangatu 2016)

 

“A cria tem um limite teórico para a tecnologia: quanto maior a produção, a partir de um patamar, o lucro diminui. Em teoria, este limite gira próximo do intervalo de 6 a 12@/ha, mas a gestão permite ultrapassar este limite, mantando margem crescente, tal qual no ciclo completo. Com alto nível de gestão, a fazenda de cria pode dar mais lucro que o ciclo completo” (Maurício Palma Nogueira, Expopec Porangatu 2016)

 

“35% do gado do minerva vem de pasto; 65% do gado do minerva vem do trato; 35% do gado do minerva vem de termo” (Fabiano Tito Rosa, Expopec Porangatu 2016)

 

“Confinamento é uma ótima ferramenta para engordar raiz de capim” (Maurício Velloso, Encontro de Recriadores e Confinadores, da Scot Consultoria 2016)

 

” Eu não crio gado, crio capim. Gado é apenas a melhor forma de colher o capim ” (Gustavo Reis, via Maurício Velloso no Encontro de Recriadores e Confinadores, da Scot Consultoria 2016)

 

“Não tanta diferença assim entre as espécies forrageiras quando elas são manejadas adequadamente. Cerca de 95% das nossas pastagens estão em degradação no Brasil. A média de tempo de uso para reforma no nosso País é de 7 a 10 anos. Ano após ano, estamos num constante decréscimo da capacidade de lotação. Isto é degradação” (Moacyr Corsi, no Encontro de Recriadores e Confinadores, da Scot Consultoria 2016)

 

“Se você não for tratar do seu animal lá na frente, nem comece. O plano de nutrição tem que ser crescente, checando-se os resultados, sempre. Quanto mais você suplementar no presente, menos opções você terá no futuro. Exemplo: Se você tratar muito de um gado na seca, o pasto das águas pode não ser o suficiente. Quanto mais turbinado for o plano de vôo que você fizer, menos aeroportos no futuro você vai ter. Na pecuária de corte, temos que pensar de trás para frente. O amanhã determina o que você vai fazer hoje” (Flavio Dutra Resende, no Encontro de Recriadores e Confinadores, da Scot Consultoria 2016)

 

“Tenho um grande mérito – peço ajuda técnica sem qualquer dificuldade. Isso me faz vencedor!” (Alaor Ávila Filho, no Encontro de Recriadores e Confinadores, da Scot Consultoria 2016)

 

“Tem o jeito certo de fazer as coisas, tem o jeito errado de fazer as coisas e tem o jeito que eu consigo começar a fazer as coisas” (José Renato – Faz. Figueira/FEALQ, no Encontro de Recriadores e Confinadores, da Scot Consultoria 2016)

 

“O lucro da pecuária está centrado fortemente nestas 3 variáveis: produção de @/ha, custeio (R$/cab) e produção de @/cab. Se você acertar nestas métricas, há estatisticamente elevada chance de estar se obtendo boa lucratividade. Observar simplesmente os dados zootécnicos, geralmente leva a uma situação de menos desempenho financeiro. Mas o ponto ótimo entre melhore resultado produtivo e melhor resultado financeiro é particular de cada propriedade. Fazer mais com menos recursos. Esta é a métrica que será cobrada da pecuária, pela sociedade” (Mario Garcia – Exagro, no Encontro de Recriadores e Confinadores, da Scot Consultoria 2016)

 

“Sobre a relação indústria x produtor: interessa para quem esta briga, se a margem é apertada? Dentro da porteira, há a necessidade de mudança de rotina, uma economia de diferenciação. Fora da porteira, há a necessidade de acessos a mercados, com empresas líderes. A profissionalização no campo, em termos de comercialização do boi gordo, como está? Por favor, não trave o preço de sua produção na base “CEPEA + prêmios”, trave no “mercado futuro mais premiação”. A soja americana tem os ABCD e porque não há poder de compra? Porque há os fundos para equalizar. Se a gente não tiver os fundos, fica complicado. Preço é importante, mas não fundamental. Hoje em dia, 61% do abate SIF está na mão de 4 (JBS 41% do abate SIF): concentração há, mas poder de mercado, não” (Thiago Bernardino – CEPEA, no Encontro de Recriadores e Confinadores, da Scot Consultoria 2016)

 

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