O boi gordo no 2º semestre: há três opções para a “conta fechar”

Por em 16 de maio de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #216, de 15 a 21/maio/16)

Aos que carregam o pó da viagem,

Seja bem-vindo aos novos tempos, tomara que sejam “novos” mesmo… De toda forma, algo mudou mesmo, pois, hoje, talvez seja mais fácil saber de cabeça o nome dos onze ministros do STF do que dos jogadores titulares do Dunga…

Voltando ao nosso mundo, a pergunta do momento é: será que o milho vai deixar o “mercado da especulação” e voltar para o seu “habitat natural”, o “mercado de commoditie”?

E para o mercado físico do boi, a pergunta que não quer calar é: a tempestade de final de safra de pasto está passando? Vejamos adiante.

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

A arroba tem apresentado uma enorme resiliência contra as quedas desde o início de 2014 e nesta onda de pressão não está sendo diferente. O mercado novamente “respeitou” o suporte de quatro/cinco semanas ininterruptas de queda no indicador Esalq/BMF (comparando o fechamento entre as sextas-feiras). Alertamos sobre esta possibilidade no último NF2R…

A frieza dos números revela a “fadiga de material” da atual onda de pressão na arroba paulista: o indicador Esalq/BMF partiu de R$ 154,02/@ a vista (variando de R$ 152,50 a R$ 158) e fechou a semana em R$ 154,56/@ a vista (variando de R$ 151,50 a R$ 156,75), interrompendo a “perna de baixa”. Por enquanto, desde o pico dos preços de 2016 (R$ 159,49/@ a vista, em 04/abril), o mercado caiu no máximo R$ 6,34/@… Isso foi o máximo que a pressão de baixa imprimiu de queda para a “baliza” do boi no Brasil, o preço paulista.

Na tela da nossa checagem diária de mercado (apelidada de BeefRadar), a semana finalizou com preços entre R$ 153 a R$ 155/@ a vista em SP, portanto, entre R$ 1 a 2/@ de alta frente a semana anterior. Na “terra da guavira” o preço mais comum foi o R$ 140 a vista / R$ 142 a prazo, com escalas fechando a presente semana.

As escalas de SP “querem dar uma engazopada”, de modo que o DIA D” recuou da segunda para a sexta-feira (dia 20), variando entre a quinta (19) e a segunda (23). Desta forma, o placar cai para 3.5 dias (na referência Haitong).

O STATUS DO BEEFRADAR altera-se consideravelmente, e para melhor. Arriscamos antecipar um novo cenário, sem medo de errar, embora, claramente o erro de previsão de curto prazo seja uma possibilidade. Mas… Esta é a proposta aqui… Portanto segue:

25% queda : 45% estabilidade : 30% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

A arroba do GO deu uma “assanhada, igual a solteirona em casório de prima”, reagindo na mesma intensidade que SP, ou seja, entre R$ 1 a 2/@ na semana. O balcão mais comum passou a ser o R$ 136 a R$ 137/@ a prazo, sem EU. No GO também “deu uma ingrizia” no escalonamento de animais para abate, pois já há indústria com a próxima semana incompleta. Porém, há ainda outras, com animais até o dia 24/maio, notadamente as que tem bois de contrato, antecipadamente comprados.

Imitando “água de poço” seguem, tanto o diferencial GO x SP, quanto o deságio de fêmeas em relação aos machos (respectivamente, no nível de -R$19/@ e -5%). Sem novidades por aqui… E dá-lhe retenção de fêmeas!

 

3) HORA DO QUILO: saíram os dados do comércio que apontam para uma redução geral de 7% no setor, na comparação YoY. Neste sentido, frente à crise econômica, os consumidores alteraram seus hábitos de compra de alimentos. Veja abaixo, as frases que mais nos chamaram a atenção numa pesquisa da APAS (Associação Paulista dos Supermercados). Quem quiser acessar o resumo completo, o link é: http://feiraapas.com.br/wp-content/uploads/2016/05/COLETIVA-Pesquisa-APAS-Nielsen-Kantar.pdf. Seguem as frases:

  • “Para 2016, a perspectiva é que o desempenho do setor como um todo seja impactado pelo cenário econômico atual, de elevação do desemprego, queda da renda e inflação elevada e persistente”;
  • “Alimentação saudável é a bola da vez: a compra de refrigerantes em geral, que apresentaram uma queda de -5% enquanto a água de coco cresceu 11%, ou a margarina, que apresentou uma queda de – 1,2% diante de um crescimento de +10% da manteiga. A maior diferença foi identificada quando o assunto é leite, com uma queda de -6% para os leites comuns, enquanto aqueles com baixa lactose subiram +78%”;
  • “A alimentação dentro do lar ocupa a maior parte dos gastos do brasileiro, seguida por despesas com transporte, habitação, serviços públicos, vestuário e saúde”;
  • “Mesmo diante da crise, consumidores – principalmente da classe C – não querem abrir mão de suas conquistas, como a compra de produtos premium, tais como cervejas, por exemplo. Como solução, procuram economizar adquirindo marcas mais acessíveis de produtos de outras categorias, como as de limpeza”;
  • “Ofertas e descontos estão no topo da lista dos consumidores: 75% deles sempre compram produtos em promoção”;
  • “Com um crescimento de 48% em 2015, os chamados mercados de vizinhança possuem maior concentração das compras de reposição, com 67%. Por este motivo, o ticket médio dos mercados de vizinhança permanece menor (R$ 38) se comparado aos supermercados (R$ 66). Assim, é possível dizer que este segmento é a extensão da dispensa do brasileiro”

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: você que é produtor, já preencheu o questionário do Rally da Pecuária? Nós já respondemos o nosso e é muito importante que você preencha o seu, colaborando para este importante levantamento… Você pode fazer isto eletronicamente, através do link:

https://docs.google.com/a/agroconsult.com.br/forms/d/1UHQkblsFRM66uVyu4mSzCvMFb6aaNQkHgqsx3PPGZ_c/viewform

 

5) BOITOGRAFIAS DA SEMANA:

 

5.1) O “dourado” da Serra: em GO existe a Serra Dourada, a qual além de dar o nome ao famoso estádio de futebol, geralmente exibe um magnífico pôr do sol que deleita a visão no final das tardes goianas, notadamente durante a seca. Algo mais ou menos igual ao que vi na terça, no Lago dos Tigres de Britânia-GO:

20160515 - Lago Tigres

5.2) O “dourado” do milho: safrinha sendo colhida, stand de plantas na cor de palha, igual a uma nota de R$ 50,00. Mesmo tom, mesmo valor: não por acaso, este é o preço do saco do milho em muitas regiões (foto circulando em grupos de whatsapp de pecuaristas):

20160515 - Milho palha20160515 - NOTA DE 50

5.3) O “dourado” do milho (2): mais um motivo que justifica o preço de R$ 50/saco de milho. A nota, tem estampado o melhor animal para defender atualmente uma “valiosíssima” roça de milho, ou seja, uma onça (foto circulando em grupos de whatsapp de pecuaristas):

20160515 - onça

6) O LADO “B” DO BOI – as três opções para a conta fechar

Enquanto nossa visão fica nebulosa em função dos raios dourados do milho, o mundo continua a girar e a falta do CAR segue retirando boi de escala. Esta semana vimos isto ocorrer duas vezes em Goiás. Mas, voltando ao tema principal, temos apenas três opções para a conta do boi do segundo semestre de 2016 voltar a fechar, raciocínio que discorremos inspirados numa palestra do Pedro Merola na Aprova, em Britânia, nesta última terça-feira. Os três caminhos citados são:

6.1) Redução do preço da “comida”:     Já falamos muito a respeito da “cerveja de navio” (milho) na semana passada. O que vimos no decorrer dos últimos dias foi a consolidação do problema de baixíssima disponibilidade que atualmente vivemos. Com isto, o mercado do milho, que estava operando no chamado “mercado de clima”, passou agora para o “mercado de especulação”, onde dificilmente alguém “dá conta” de cravar até onde o problema (preço) vai. É um mercado perigoso, porque a emoção fala mais alto que a razão. Como diria o goiano: “ah neim, moço, este tal de milho tá custoso demais da conta”. Enquanto a safrinha começa a ser colhida, os preços das diárias de confinamentos disparam, embalados ao som do “milho da oncinha”. Apesar do aumento de oferta, o indicador do milho rompeu a resistência dos R$ 50/sc, tendo fechado a semana em R$ 51,70/sc à vista na região de Campinas. Com isto, depois de muitos meses, a relação de troca milho/arroba rompeu um importante suporte, fechando a 2.99 sacos de milho/arroba nesta última sexta (base SP). A cerveja do navio está acabando e estamos no meio de uma tormenta! Existe integrações de suínos/aves que tem contrato de compra de milho a preços não imagináveis até ao menos junho… Em resumo, nossa opinião é: estamos passando por uma “febre” altíssima nos preços do milho, inédita, que com a entrada da safrinha mais pujantemente, pode até baixar um pouco, mas não me parece que “redução do preço da comida” seja a saída mais provável para as contas do boi da entressafra fecharem. Talvez haja aqui alguma melhora, de intensidade baixa e a ser definida tão logo o milho sair do “mercado da especulação” (espero que saia);

 

6.2) Explosão do preço futuro do boi: falando em preço futuro, esta semana a BMF voltou a dar boa oportunidade para a arroba. Os contratos de maio a dezembro subiram em média R$ 2,30/@ nesta semana, talvez já começando a precificar a fraqueza que a presente pressão de baixa começa a demonstrar. Este movimento da bolsa, em termos nominais, projeta uma alta de 9.68% na média anual da arroba paulista, na comparação YoY (2016/2015) e em nossa opinião, já voltou a ser uma boa oportunidade para quem deseja fazer proteção de preços. Esta tendência de aquecimento da bolsa pode nem ter começado direito, ou seja, teoricamente tem como ir mais, bem mais… Mas, lembramos que temos o contraponto da economia que complica dia após dia a venda do atacado de carne no mercado interno (vide resumo da pesquisa da APAS, na seção “HORA DO QUILO”). Com isto, as margens dos frigoríficos atingiram o menor valor do ano (pelo índice “Margem Equivalente Carcaça” da Scot Consultoria. Ela está 36% menor que a média jan-jun/15, período que levou os frigoríficos a executarem o terrível ajuste de produção visto, com fechamento de quase 50 plantas no Brasil). Em resumo, nossa opinião é: há potencial para uma puxada maior na BMF, e ela provavelmente virá, mas cuidado, para não deixar o cavalo passar arriado. Não se deve ignorar que o binômio política-economia tem total influência sobre as exportações (via dólar, limitando ou viabilizando esta via de escoamento da produção. Veja este link: http://epoca.globo.com/tempo/expresso/noticia/2016/04/investidor-bilionario-acredita-que-dolar-pode-bater-em-r-250-com-temer.html). Da mesma sorte, também não se deve ignorar que o limite imposto pela ponta final da cadeia do mercado interno impede que esta saída seja “um mar de rosas” para nos ajudar a fechar a conta dos bois de confinamento. Olho atendo às oportunidades, portanto;

 

6.3) Redução do preço da reposição: tal como o início da colheita da safrinha, as primeiras desmamas são realizadas e lançam no mercado os frutos da atual fase de retenção de fêmeas do ciclo pecuário. Por ora, a principal característica dos relatos de preços do bezerro é a “não homogeneidade”. Algumas regiões relatam preços em queda, mas outras não, com preços firmes. O que está homogêneo é o aumento da oferta. Já podemos dizer que o ágio caiu aproximadamente 10% frente a média anual de 2015 para os bezerros. Quanto às categorias mais eradas, ou seja, quanto ao boi do segundo semestre, aqui sim temos uma grande âncora para o fechamento da conta. O boi magro é o maior percentual do investimento do confinamento, sendo assim, pequenas reduções no seu preço, tem grande poder de melhoria na rentabilidade da engorda. Hoje, no mercado, há muitos negócios com preços de boi magro variando entre 3 a 7% de ágio frente ao boi gordo em Goiás, o que significa dizer que uma redução de 50 a 80% frente ao ágio médio desta categoria, na comparação YoY, é real. Em resumo: a “via asfaltada” para a o fechamento da conta do boi de confinamento do segundo giro é o preço do boi magro, o qual anda pressionado pelo início de seca (perda de sustentação dos pastos), pela pressão no físico de gado terminado e pelo encarecimento do trato de confinamento.

Terminamos a semana com uma “sexta-feira 13”, o primeiro dia depois da confirmação do afastamento da Presidente do governo anterior, o governo do “13”, que estava no poder justamente há 13 anos… Tudo indicativo de sorte. Um vento de esperança renovada flamulou nossa visão de futuro.

Coincidência ou não, a semana foi positiva para o bovino, tanto no mercado futuro, quanto no mercado físico, pois o que escrevemos em 24 abril, começa a se tornar realidade (“em nossa visão, o “olho do furacão” da oferta de gado, turbinado pelo clima seco -pelo frio que se avizinha- parece já estar passando, ao contrário da piora da demanda de carne).

Se a economia seguir com o dólar num patamar que não prejudique as exportações, tão pouco prejudique muito o mercado interno (entre 3.5 a 3.8) e aos poucos, as medidas do novo governo solidifiquem a onda de otimismo do empresariado, quem sabe podemos criar condições para remover ou pelo menos atenuar o cenário de piora da demanda de carne?

Sabemos que esta onda de otimismo tem prazo de validade curto, por isto, tomara que o vento de esperança que agora sopra, seja o vento ob portus (nome dado pelos romanos ao vento que leva o navio para os portos, segundo o Mario Sergio Cortella).

Do nome deste vento, vem a raiz etimológica da palavra oportunidade… Saibamos, portanto, identificar as oportunidades que vão surgir no horizonte, viabilizando a conta do boi do segundo semestre, fato que, ao nosso ver, deve decorrer de um misto das três opções acima, tendo como “carro chefe” a redução do preço do boi magro.

Tenha uma semana equilibrada, atendendo aos verdadeiros e reais valores da vida em sociedade e em família. Que a sua semana seja de paz para você e para quem cruzar o seu caminho.

 

Rodrigo Albuquerque (boicom20@gmail.com) &

 Ricardo Heise (r.heise@hotmail.com),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

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