Novas medidas: escala em horas e “mii em barde”

Por em 27 de março de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

 (Edição NF2R #209, de 27/mar a 02/abr/16)

 

Aos que carregam o pó da viagem,

 

De vez em quando em quando é bom rever nossos conceitos. E neste exato momento, as unidades de mensuração das escalas de frigorífico e do milho precisam ser revistas.

No seu recorde mínimo histórico, sugerimos que as escalas sejam agora mensuradas em “horas de abate” e não mais em “dias de abate”. Ao passo que o milho, segundo a excelente indicação do nosso amigo Tadeu Castro da BoiInvest, deveria ser cotado em “barde” e não mais em sacas ou toneladas, devido a ebulição do seu preço.

Ah… a escala da paciência com o nosso governo também precisa ser revista. Atualmente, não há unidade métrica conhecida para medir algo que deixou de existir, pois definitivamente acabou a nossa paciência com os nossos governantes do planalto! Bom… Vamos falar de algo bem melhor, o bovino brasileiro!

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Nossa baliza mestre, o indicador Esalq/BMF iniciou a última semana em R$ 154,08/@ a vista (variando de R$ 151 a R$ 158,50) e alcançou 157,25/@ a vista (variando de R$ 153,50 a R$ 159,50) no estado de SP. A véspera da sexta-feira Santa renovou o recorde máximo da @ no País, consolidando que a derrocada da tentativa de queda da arroba iniciada no início do mês.

De fato, mesmo o grande player que iniciou o movimento de baixa, voltou a ofertar preços maiores. O intervalo de negociação até que não se alterou muito da semana passada para cá, mas o físico concentrou os seus negócios na banda de cima dele. Em SP, o nosso BeefRadar detectou a maior parte das compras entre R$ 155 a 158/@ a vista e com prêmio EU de até +R$3/@. Na terra do tuiuiú, o MS, a reação do boi continuou de modo que o bovino valia, na véspera do feriado, entre R$ 143 a 145/@ a prazo (boi comum).

A compra de bois permaneceu quase estagnada, também batendo seus recordes como o preço da @, mas neste caso, o recorde foi para baixo, com indicadores de escalas atingindo menos de 2 dias no meio da semana recém-encerrada. No final da quinta, o placar da escala ficou em aproximadamente 2,4d úteis (fonte: Haitong), com o DIA D” na quarta (30).

O STATUS DO BEEFRADAR eleva a chance de alta e um dos motivadores será discutido adiante, mas adiantamos que tem a ver com a crise de arrecadação de impostos:

15% queda : 50% estabilidade : 35% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Acompanhando o MS, a morada do pequi também teve a sua referência aumentada agora para R$ 143/@ a prazo, com prêmio EU de até +R$3/@ e personnalité de até +R$3/@, já mais facilmente encontrado. As escalas seguem curtas, mas um pouco melhores que as de SP.

O diferencial de base parece querer se consolidar próximo de -R$15/@, inimaginável até poucas semanas atrás!!! Em compensação, por ora, poucas vacas seguem abastecendo as escalas, o que mantém o deságio para as fêmeas em aproximadamente 4%.

 

3) HORA DO QUILO: o ouro tem sido citado mais frequentemente pelos analistas, veja o que li esta semana: “o sistema bancário da Turquia está em desespero. Especialistas estimam que os turcos possuem mais de 5 mil toneladas em ouro privado. Para colocar em perspectiva, 5 mil toneladas é quase a mesma quantidade de ouro que o governo da China possui e mais de 60% das 8 mil toneladas que os EUA dizem ter. O problema é que os turcos deixam seu ouro em cofres residenciais ou o utilizam como joias. Eles se recusam a deixar seu ouro nos bancos. Agora os bancos estão fazendo uma campanha publicitária para convencer as pessoas a entregarem seu ouro e a utilizarem o dinheiro recebido para investir em ações, títulos e nos próprios bancos. Ainda assim, as pessoas não demonstram muita confiança. Cerca de 45 toneladas, menos de 1% do total, foi entregue até agora. Há muito tempo, cidadãos americanos foram convencidos, pelo confisco e por outras táticas, de que o ouro não tinha valor. Americanos quase não têm ouro privado. Mas a história está ao lado dos turcos”. (Jim Rickards, Empiricus)

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: Uma pena que está em inglês. O filme mostra bem o que é a pecuária: sustentabilidade e família. É a “Família Pecuária” texana. A primeira frase dita diz tudo: “sustentabilidade para nós não é algo novo”. Veja o link: https://www.youtube.com/watch?v=XDbyJg0rf90&feature=youtu.be

 

5) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

 

5.1) O clima e o pasto: lá em Jussara-GO, onde acompanhamos de perto uma operação de recria-engorda da família, desde o início desta safra de chuvas, em nov/15, não tivemos nenhum mês de normalidade pluviométrica: nov 73%; dez 21%; jan 194%; fev 47%. Obs.: quando a quantidade média de chuvas esperada para o mês foi exatamente igual a ocorrida, o índice é 100%. Valores inferiores significam chuva menor que o esperado e superiores a 100%, chuvas maiores que o esperado. Portanto, a safra-chuva está lamentável. O mês de março sinaliza chuva da ordem de 50%. Porém, para as pessoas que trabalham fertilidade e manejo de pasto, os ganhos de peso dos animais estão excelentes. De maneira geral, porém, a safra de bois de pasto, além de atualmente estar madura, está também atrasada. Parte está também retida, pois o produtor manteve o uso do telefone “somente em caso de necessidade”, como pedido aqui na semana passada. Isto nos sinaliza que, apesar de potencialmente também reduzida, a oferta de gado para abate tende a melhorar um pouco no segundo trimestre, afinal de contas, já estamos no outono. Deveremos ver também um pouco mais de vacas na escala. Mas algo é fundamental: o que será da chuva do segundo trimestre?

5.2) O clima e a safrinha de milho: o plantio da safrinha está na reta final da sua janela e,  portanto, a sorte está lançada. Uma potencial redução consistente no preço do milho passa pela desvalorização do dólar frente ao real e também por uma safrinha pujante. Estas são as esperanças de quem quer ver o cereal dourado “mais manso” (ele subiu 60% nos últimos 12 meses). A recomendação para comprar de “barde” é inteligente. Vejam o caso dos suínos: http://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/pecuaria/suinocultores-do-sul-temem-pela-falencia-da-atividade-nos-proximos-dias-cxc3dxl1jfb665p9bfl8ike87. Novamente: o que será da chuva do segundo trimestre?

5.3) O confinamento 2016: houveram muitas trocas de cadeiras no confinamento deste ano, com grandes operações “trocando de mão”, mas o cenário começa a se delinear com uma tendência clara: concentração das plantas, que estão sobretudo com menor número de donos. Cada vez mais, o número de animais confinados por player tem aumentado. E já tem prestador de serviço de engorda saindo na frente, com custo de arroba engordada abaixo de R$ 110/@ colocada, um verdadeiro milagre, considerando o “cereal (cada vez mais) dourado”, o milho. Sugestão, se você quer engordar boi no cocho em 2016: faça contas e ande. Cobra que não anda, não engole sapo!

5.4) A bolsa em 2016: a fervura voltou e a pressão de baixa foi expurgada. A bolsa encerrou a semana passada com cerca de R$ 2 a 2,50/@ de alta nos contratos futuros. Ela sinaliza que não teremos baixa em nenhum momento de agora até o final do ano e coloca o boi, no pico da entressafra, em aproximadamente R$ 167/@, conferindo uma alta projetada para 2016 acima da inflação, mas abaixo das altas de 2014 e 2015, tal como a maioria dos analistas alardeava no início deste, incluso estes que vos escrevem. Para nós, esta condição tem que ir sendo aproveitada…

5.5) A reposição em 2016: por ora, vemos estabilidade de preços, definitivamente sem fôlegos para novas rodadas de altas mas, aos poucos, parece que a sustentação dos preços sinaliza estar cada vez mais fraca. Há vários relatos de leilões Brasil a fora em que não há lances para machos de qualidade inferior, principalmente. O relato do nosso amigo Ricardo Nicolau (ricardonicolauleiloes.com.br) nos parece perfeito para descrevermos o momento: “mercado sofrendo pressão de baixa, instabilidade política, escalas curtas e boiadas sendo negociadas lote a lote, vendedores com expectativa de preços anteriores e compradores imaginando adquirir mais barato! Mercadorias extras dando briga e muito bem vendido já o gado comercial (mais fraco) poucos ou sem interessados! Em resumo, na dúvida e/ou insegurança, os terminadores optaram pelo que tem certeza do resultado”. Perfeito, Nicolau! Lembra da frase do Heise, do início de 2015: “já que vai pagar caro, compra um bão”?

5.6) A política e a economia em 2016: parece que a coisa deu uma acalmada, nos fatos, mas nos bastidores, não se engane: muitas pedras estão rolando. O governo, em fase terminal, apenas briga para deixar acesso o fio de vida que lhe resta, nada mais. E para tanto, vale tudo: ignorar as Instituições, as leis, o bom censo (o qual aliás nunca teve) e tudo mais que for preciso. Nestes momentos finais, em que já se discute o pós-governo, há radicalização e volatilidade nos mercados. Nossa recomendação: mantenha-se sereno e fiel ao que planejou, mas sempre alerta, nunca deixando a crise atingir o pior lugar possível: seu interior. É a hora da turbulência no plano de vôo pecuário de 2016, já bem alertada aqui. “Mantenha seu cinto afivelado, mesmo enquanto estiver sentado” já nos ensinou a aeromoça… Neste meio tempo, o dólar ronda os 3.60 e a inflação parece acomodar-se, mais comportada e arrefecendo um pouco. Nada mais natural com as taxas de desemprego recordes de fev/2016. Olho vivo, tudo pode mudar ao sabor do vento, tangenciado por alguma liminar voando em algum tribunal…

5.7) A política, a economia e o boi, um exemplo prático: a bagunça política impede de termos uma agenda que reconduza o País aos trilhos. Por isto, a economia não deslancha e a arrecadação de impostos para o governo, em valores absolutos, cai. Com isto, as garras do governo aumentam, visando reduzir a perda. Veja um exemplo: há um decreto em SP, válido desde de 2011, que permite que os frigoríficos aproveitem créditos de ICMS mesmo que tenham débitos inscritos na dívida ativa do Estado. Ocorre que os agentes do fisco paulista (querendo atenuar a queda de arrecadação) estão querendo que o benefício acabe no vencimento do atual decreto (31/março). Caso isto aconteça, o ICMS da compra de gado para abate proveniente de fora do estado não mais será monetizado, transformando-se em custo. A consequência: o boi em SP subirá forte e o das praças adjacentes será desvalorizado, com potencial de acentuar os diferenciais de base já bastante abertos. Além disto, será que os frigoríficos menores de SP aguentarão o impacto? O consumidor do maior centro consumidor suportará o repasse que certamente será feito para a carne? O boi magro dos estados deve também sentir o golpe… Em resumo, uma bomba atômica pode ou não estourar na próxima quinta-feira, dia 31/março. Olho vivo! Independente disto, o boi paulista está ficando meio antipático… Este se distanciando dos seus companheiros (o boi goiano, o sul mato-grossense, o mato-grossense, o rondoniense, etc).

 

6) SÓ USE EM CASO DE NECESSIDADE

Você se lembra da célebre frase que nos brindou com o título do último NF2R? Foi isto que fizemos: só usamos o telefone em caso de necessidade (caixa) e vendemos somente o necessário, eliminando a pressão de baixa. Como consequência, estamos com as menores escalas da nossa história e com o maior preço nominal de nossa arroba bovina.

As compras ficaram quase estagnadas na última semana e com isto podemos medir escalas de algumas empresas em horas, não mais em dias, como dito. O bovino parece estar pastando na sala de embarque de aeroporto, pois ele só escuta a frase: “embarque imediato”…

Mas, não nos esqueçamos: os abates estão reduzidos, diminuindo estoques de carnes, algo vital para a manutenção do preço do atacado da carne e também da arroba. Note-se: a redução dos estoques de carne é única e exclusivamente decorrente da produção menor, e somente por isto. A demanda segue sem reação, muito fraca… Vejam um belo exemplo: pela primeira vez na minha vida, vi promoção de venda de ovos de páscoa na quinta-feira Santa… Sinal dos tempos…

Ressaltamos que a produção de carne menor tem sido vital para sustentar o atacado e com isto deixa o bovino mais longe de quedas. Tomara que o pós-quaresma nos sinalize pelo menos um pouco de melhora no consumo interno e que isto nos possa trazer um pouco mais de sustentação dos preços da arroba, que até agora, escoram-se exclusivamente na oferta reduzida.

Poderemos (e deveremos) ver uma “melhorinha” nos preços do boi nos próximos dias, no pós-quaresma (fato bem frequente nos últimos anos). Mas seria melhor se a oferta de gado reduzida fosse acompanhada de alguma melhora na demanda, fato ainda bem distante.

Portanto, no atual cenário, um mínimo sinal de aumento de produção pode pressionar a arroba, devido ao mercado estar bem ajustado. Não é o que vemos na nossa tela do BeefRadar no curtíssimo prazo, mas devemos ficar bem atentos e sobretudo: aproveitar a alta provisionada pela bolsa. Até a próxima, se Deus quiser e nos permitir!

Por fim, deixamos abaixo vários ensinamentos colhidos em dois excelentes eventos que presenciamos recentemente: dia 09/mar – Encontro Coan de Confinamento e dia 12/mar – Reunião Anual da Associação do Novilho Precoce do MS. Segue:

 

“Esqueçam a era do alimento barato” (Lygia Pimentel)

 

Sobre a soja: “expectativa do USDA de queda de área plantada nos EUA, uma queda leve. É provável que tenhamos um cenário de sustentação dos preços. No final da temporada, poderemos chegar a preços com alguma elevação, no caso do farelo de soja e casquinha. Estoques finais deste ano mais baixos do que início dele, no mundo e no Brasil mais ainda. O mercado futuro precifica valores mais altos na média. Há grandes incertezas, mas há probabilidade que o mercado da soja continue com preços sustentados daqui para frente” (Lygia Pimentel)

 

“O fator mais importante para definirmos o custo de alimentação dos nossos animais é o dólar. A evolução do câmbio nos últimos 2 anos é chocante” (Lygia Pimentel)

 

“Infelizmente, sem boas notícias sobre algodão para os senhores” (Lygia Pimentel) – resumindo para o público pecuário a tendência de preços sustentados também.

 

“Menor área plantada de sorgo no Brasil, além de uma produção menor. Haverá pressão no mercado interno para o sorgo também. De modo que a cotação do sorgo vem acompanhando a menor disponibilidade interna de produto” (Lygia Pimentel)

 

“Sobre a polpa cítrica: deveremos ter um pouco mais de resíduo dentro do Brasil. É o único componente do custo de produção que não tem fator de sustentação de preços muito atuante. Todo o restante tem a sustentação do dolar (pressionando muito os custos e a inflação), além das questões produtivas globais e internas” (Lygia Pimentel)

 

“Quem tiver carga cheia em confinamento, com alta tecnologia, vai conseguir ter margem na atividade, embora menor. Quem tiver carga não cheia, poderá amargar margens negativas na atividade de confinamento” (Lygia Pimentel)

 

“Aumento dos custos em 2016 com alimentação será da ordem de 22%. O dólar será o maior fator de impacto sobre os insumos. Não é um ano de alívio, mas não é um ano de desanimar. Os que permanecem sempre aproveitam as oportunidades. Acreditamos que haja um pequeno aumento de produção de carne neste ano, que será escoado pela exportação e pelo crescimento populacional. O cenário de produção-demanda está ajustado e graças a Deus, o ciclo do bezerro está nos favorecendo. Avalie tudo, com cuidado. Um cenário que pode acontecer é travar o boi e ele pode elevar acompanhando a inflação e mais ainda se muita gente desistir de rodar na atividade neste ano. É um ano de extrema dificuldade para previsões” (Lygia Pimentel)

 

“Entre 1994 e 2015, a cada três anos o pecuarista do Brasil teve que abater o seu boi 1@ mais pesado para manter a relação de troca histórica de 1 boi gordo para 2.5 bezerros” (Gustavo Rezende)

 

“Nem sempre a melhor eficiência financeira é a eficiência zootécnica” (André Melo)

 

“A questão produtiva estamos dominando, agora do ponto de vista financeiro, temos que verificar se estamos vencendo este desafio” (André Melo)

 

“Não deixe uma decisão impulsiva de curto prazo comprometer os seus planos de longo prazo” (Mauricio Palma Nogueira)

 

“Depois de 24 anos, o governo do MS quer um novo Programa do Novilho Precoce, pois ele foi criado em 1992 e depois de 24 anos, a pecuária mudou e o programa precisa mudar. As mudanças são no sentido de processo de produção nas fazendas, com a classificação de carcaças um pouco mais apertada” (Nedson, ANP)

 

“O nosso percentual de abates de fêmeas foi de 53%, sendo que destas, 67% eram novilhas e 33% vacas. Em relação aos machos, 46% foram castrados e 54% inteiros. Vemos aqui a inversão entre inteiros e castrados pela primeira vez” (Klauss, ANP)

 

“Segundo os dados do IBGE de 2006: 77.6% da área de pastagem do Brasil tem entre 0.4 e 0.8 UA/há e apenas 4% tem mais do que 1.5 UA/há. Na média Brasil, temos 1 cab/há e 0.7 UA/há o que dá uma produção de cerca de 3.3 @/há. Dados muito baixos, para uma meta possível de 3cab/ha, 2.1UA/ha e 20@/ha/ano” (Adilson Aguiar)

 

“Os princípios são universais, as soluções são regionais” (Adilson Aguiar)

 

“A natureza nos dá janelas de trabalho, temos que pedir licença. Quem planeja as vezes erra. Quem não planeja às vezes acerta” (Adilson Aguiar)

 

“Pastagem é uma lavoura diferente” (Adilson Aguiar)

 

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

 Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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