Nos trucaram com sete de copas?

Por em 14 de março de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #207, de 13 a 19/mar/16)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

Nos últimos dias, tivemos a oportunidade de participar de três excelentes eventos de pecuária, sendo dois deles “abertos” (Intercorte em Cuiabá-MT e o 11º Encontro Coan de Confinamento em Ribeirão Preto-SP) e um deles “fechado” (reunião anual da Associação do Novilho Precoce em Bonito-MS).

A seguir, após registrarmos os últimos movimentos do mercado, vamos deixar neste NF2R os maiores ensinamentos colhidos ao longo da Intercorte.

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Os números do indicador Esalq/BMF da semana foram: partimos de R$ 156,76/@ a vista (variando de R$ 154,50 a R$ 159,50) e chegamos em R$ 156,82/@ a vista (variando de R$ 154,50 a R$ 159,75) na última sexta-feira.

Desde o início de 2013, em apenas uma única ocasião o mercado da arroba do boi gordo subiu mais do que nove semanas seguidas. Pois bem, na semana recém encerrada, chegamos à nona semana de alta ininterrupta na arroba e, de quebra, renovamos o recorde nominal da nossa história (fechamento da última sexta-feira). Chegaremos à marca, raríssimas vezes alcançada, de dez semanas em alta? É o que veremos nesta que se inicia…

Até agora, parece que a trucada que o mercado deu no início deste mês, junto ao valor da arroba, foi com “sete de copas”… Os estoques de carne seguem em alta, pois o produto apresenta demanda muito complicada, mas a arroba não cede, ao passo que a exportação também não (ainda bem). E o boi da praça paulista segue sumido… A BMF praticamente recuperou as perdas de cerca de R$ 4/@ nos contratos, como no de outubro. Mas, seguimos com a “trucada em execução” e as propostas de compra em valores mais baixos não cessam. Vamos ”pedir seis”? Ou “vamos correr”?

Com relação às ofertas de compra, o nosso BeefRadar detectou valores de R$ 150 até R$ 158/@, com a maior parte dos negócios na casa de R$ 156 a R$ 158/@ a vista em SP. Na “terra do tuiuiú”, o nosso querido MS, vimos preços de R$ 135/@ a prazo para boi comum até R$ 140/@ a vista, de frigoríficos menores, com escalas para a próxima quarta, aproximadamente. Em SP, o baixo volume de negócios continua imperando e desta forma o escalonamento de bois atingiu os menores valores dos acompanhamentos de longo prazo, cravando o placar de aproximadamente 2 a 3d úteis, com o DIA D” entre terça (15) e quarta (16). O STATUS DO BEEFRADAR foi alterado para:

15% queda : 60% estabilidade : 25% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O abismo entre as ofertas das principais empresas frigoríficas vai diminuindo em GO, pois o mercado agora apresenta valores desde R$ 135/@ a prazo até o máximo de R$ 140/@, com prêmio EU de +R$2/@ e personnalité de +R$2/@. Devagarinho, as empresas que não forçaram tão rapidamente o físico, vão “pegando algum vácuo” da estratégia de baixa mais agressiva, implementada por um grande player do mercado.

Já o padrão das escalas não se alterou em relação à semana passada, pois há empresas precisando de animais da mão para a boca, enquanto há outras com cerca de uma semana de escala.

Parece que a tal “doença do diferencial de base aberto” chegou no GO: a média semanal cravou -R$ 15,50/@ e agora representa mais uma preocupação aos pecuaristas do estado. A arroba da vaca ficou com deságio de -5.5%, aproximadamente, em relação ao macho.

 

3) ENSINAMENTOS COLHIDOS NA INTERCORTE, EM CUIABÁ, DIAS 02 E 03/MARÇO

 

“Num bom casamento, ainda temos a opção de divorciar. Mas no caso da relação pecuarista-frigorífico, não tem jeito. Vocês estão na mesma cama. Se você pecuarista, xinga o frigorífico, amanhã você vai vender seu boi para o Uruguai, por acaso??? Vocês tem que dar um jeito de conversar melhor, pois vocês estarão na mesma cama, juntos, para sempre” (Francisco Vila)

 

“Dos 5 milhões dos produtores rurais do BR os top 1% produzem 50% dos alimentos hoje; os top 10% produzem 85%. E depois falamos que frigorífico é oligopólio” (Francisco Vila)

 

“Em 2025, até o presidente do EUA vai poder saber quantos bois você tem. Tudo poderá ser monitorado. Acostumem-se. Outra coisa: agora não é mais do pasto para o prato. Agora é do prato para o pasto. O consumidor é que vai dizer o que ele vai querer comer” (Francisco Vila)

 

“A pecuária do BR de 2025 terá: menos pasto, menos bois, menos produtores (40% vão sumir), porém mais CARNE. Vocês precisam produzir de forma diferente do que foi feito nos últimos 20 anos. Só com tecnologia, você gasta dinheiro. Mas, com a gestão da tecnologia, no contexto de mercado, você ganha dinheiro. Isto se chama atividade empresarial. Os 40% não sabem disto e por isto vão sumir. E para tudo isto, quem tem que melhorar não é o boi, mas sim você. Você tem que estar mais preocupado com a capacitação das pessoas do que com a “capacitação do boi” (Francisco Vila)

 

“O modelo de negócios se desenvolve do futuro para o presente e não do presente para o futuro” (Francisco Vila)

 

“Hoje o preço está limitando, mas o consumidor ainda está optando por confiança. A confiança de que a carne estará boa para a sua festa, para os seus convidados” (Cristiane Rabaioli, da Celeiro)

 

“Qualidade da carne é mandatória. Publicidade tem efeito temporário” (Cristiane Rabaioli, da Celeiro)

 

“A novidade do momento é o dry aged (maturação a seco). É nicho. Não vai durar muito, é muito caro. Mas hoje está tendo saída. Tem que fazer para atender ao consumidor” (Cristiane Rabaioli, da Celeiro)

 

“Não acredito que haja a ‘melhor raça’ para a carne de qualidade. Nós, por ex., temos a linha EURO (angus, hereford, etc) e a linha AMÉRICA (zebu). Não há uma raça 100% ideal. O que você tem que fazer é melhorar o que você tem na mão e focar em qual consumidor você quer atender. Definitivamente, carne de qualidade não é atributo de só uma ou duas raças” (Cristiane Rabaioli, da Celeiro)

 

“Se o seu bife está bom, agradeça a um pecuarista. Quem precisa do bife não é a indústria, é o consumidor” (Cristiane Rabaioli, da Celeiro)

 

“Qualidade de carne para o consumidor é um fato novo. Antigamente a produtor fazia o boi e bastava. Hoje a carne tem que estar saudável, fresca, sabor, cor, maciez, etc. O consumidor prefere sabor ou maciez??? Tem a raça do sabor e a raça da maciez… Mas, o sabor pode ser influenciado, cuidado com a alimentação. A maciez tem a questão raça, a questão pH, o manejo ante-mortem, preparo da carne etc… Estes dois fatores (maciez e sabor) vão sinalizar o que o consumidor quer e, portanto, o caminho que o produtor vai escolher para produzir. É complexo demais fazer qualidade hoje. Quando a gente vai lançar um produto a gente ‘problematiza’ de tudo que é lado, desde o início até o final da cadeia. E antes de mais nada, vocês, como produtores tem que definir qual consumidor você quer atender. Há ‘n’ possibilidades. Só não dá para ficar em cima do muro, do médio. O médio não se estabelece. Você tem que escolher para quem você quer produzir, senão você vai sumir” (Cristiane Rabaioli, da Celeiro)

 

“EUA ainda em questões diplomáticas-burocráticas, sem nenhum conteiner embarcado. Uma boa oportunidade, de nicho, é a EU. Mas 90% de nossa exportação é commoditie. A carne commoditie em queda no mercado internacional tem muito a ver com a queda do petróleo” (José Amaral, Gerente Inteligência de Mercado Minerva Foods)

 

“No BR, não comemos mais 40kg de consumo per capita ao ano (2006). Nossas projeções indicam agora 30kg (2016). Temos uma retenção recorde de matrizes hoje em dia. Resultado: menos vaca para abate… E quem manda nos preços do boi é a vaca. Deve começar a virada da entrada em 2016, aumentando a entrada de bezerros e de bois nos sistemas de produção. Deve haver redução na força do aumento de peso de carcaça ao abate, que vinha aumentando forte em 2014 e 2015” (José Amaral, Gerente Inteligência de Mercado Minerva Foods)

 

“Nosso posicionamento é de empresa que foca na exportação de boi commoditie, gostamos de comprar boi até 3 anos, com conformação média a mediana e fornecedores mais próximos possíveis. Todos os negócios nossos são passados ao CEPEA e temos relacionamento on line com pecuaristas, com total transparência em Bolsa” (José Amaral, Gerente Inteligência de Mercado Minerva Foods)

 

“Em 2016, o cenário é desafiador: retenção de matrizes, reposição ainda alta, inflação de 2 dígitos, insumos mais caros, consumo interno caindo, volatilidade em alta. Por isto, é importante estarmos mais próximos este ano” (José Amaral, Gerente Inteligência de Mercado Minerva Foods)

 

“Aproveitamos apenas 30% do potencial de nossas pastagens, em média. É como se comprássemos um carro veloz e só andássemos de segunda marcha. Um dos motivos é a degradação das pastagens” (Moacyr Bernardino Dias-Filho – Embrapa)

 

“Em genética a pecuária andou mais que o tempo. Em manejo de pastagens, estamos parados no tempo” (Moacyr Bernardino Dias-Filho – Embrapa)

 

“No Brasil ainda se praticam vícios de manejo de pastagem da década de 70, porque a gente consegue produzir mesmo que com pouca eficiência, mas ainda se produz algo de maneira extensiva a baixo custo. Além disto, a pastagem tem maior resiliência, por exemplo a problemas climáticos. Portanto, pasto, historicamente, carreia a mentalidade de ocupar área e acabamos chegando à degradação” (Moacyr Bernardino Dias-Filho – Embrapa)

 

“Paradigmas que tem que ser quebrados DEFINITIVAMENTE: pasto não é uma cultura agrícola (Deus cuida mas eu tenho que ajudar); “o boi cria a Fazenda e a Fazenda cria o fazendeiro” (Moacyr Bernardino Dias-Filho – Embrapa)

 

“Na Amazônia do BR, há 30 milhões de ha em pastagens degradadas ou em degradação” (Moacyr Bernardino Dias-Filho – Embrapa)

 

“A AM é o local que vai concentrar a produção de carne no Brasil, junto com AC, MT, RO e PA. Aqui será o centro da produção, mas com racionalidade, observando o ambiente e principalmente recuperando pastagens. A tecnologia para isto está disponível e é viável. Mas tem que ir atrás” (Moacyr Bernardino Dias-Filho – Embrapa)

 

“A genética é a encomenda do carne que eu tenho que produzir. Baseado no que o mercado quer, a gente vai encomendar o boi e portanto, a carne que a gente vai produzir. Esta encomenda é feita pela genética” (Daniel Carvalho, da CRI)

 

“Os empreendedores pecuários tem que focar 120% do seu tempo no negócio e não na parte técnica. Para isto existem os técnicos. Se você que é dono ficar fazendo o papel de gerente, quem vai fazer o papel do dono?” (Francisco Vila)

 

“A pecuária é um negócio complexo e sistêmico” (Francisco Vila)

 

“Tivemos 26,5% de farol vermelho no abate, na média BR, em 2015. É a carne que ninguém quer comer” (Eduardo Pedroso, JBS)

 

“12% do abate do JBS já é pago por tipificação, a tipificação de carcaça é uma realidade. São 1 milhão de cabeças por ano” (Eduardo Pedroso, JBS)

 

“Na média BR, o abate de 2015 foi de apenas 15% de sinal verde; 27% de sinal vermelho e 58% de sinal amarelo. O nosso problema, sendo bem direto: o boi de pasto, que na média do BR é: erado, escorrido, de rendimento de carcaça baixo, o que dá um monte de transtorno na Fazenda de vocês e uma carne que ninguém quer comer. Cuidado. Temos que abrir mercado. A venda de carne no Brasil está emperrada neste momento. O varejo está estocado e a carne não sai. O problema não é preço, o consumidor não está querendo comprar agora” (Eduardo Pedroso, JBS)

 

“Farol vermelho R$ 3/@ a menos. Verde é R$ 2/@ a mais” (Eduardo Pedroso, JBS)

 

“De cada @, só vai 1.5kg para exportação Hilton, quando tudo dá certo. Tem época do ano, que de cada 3 animais, por problema de pH, apenas 1 vai para o Hilton. Ou seja, se tudo der certo, apenas 10% da carcaça vai para o Hilton” (Eduardo Pedroso, JBS)

 

“Caro por caro, eu pago mais caro e não passo raiva. A régua do consumidor tá subindo” (Eduardo Pedroso, JBS)

 

“Não é porque é angus que é bom. Em Campo Grande, estamos certificando angus (pela associação) em apenas 20% dos 1.500 machos abatidos semanalmente. Já as fêmeas são 60%. Estamos ainda aprendendo a fazer carne de qualidade com angus” (Eduardo Pedroso, JBS)

 

“Fizemos a linha de carne CHEF, especificamente para os restaurantes. Temos que resolver o problema do cliente. Toda vez que o Tomy Ramos aparece na TV, ele está ajudando a vender a carne do boi que você produz” (Eduardo Pedroso, JBS)

 

“Evitamos desmatamento de mais de 18 milhões de ha de pasto com a tecnologia que desenvolvemos no estado” (Vaccari)

 

“O IMAC não é um Istituto do Governo. Nele, os produtores e frigoríficos tem assento, o governo intermedia. E a relação de assentos não é estática. Quem vier para somar, será sempre bem vindo. O IMAC visa vender mais carne, vender com padronização normatizada, ajudar a produzir o que o consumidor quer comprar, vender carne com rastreabilidade, mas rastreabilidade num novo modelo e, por fim, ter um sistema de balanças de caixas pretas, de imediato. Com relação às balanças, o piloto do projeto será realidade em jun/2016 no Marfrig de Tangará e Paranatinga, com 4 balanças na linha, com controle pelo IMAC” (Vaccari)

 

“Eu não tenho boi e nem terra, e nem quero ter porque não entendo disto. Mas eu entendo da importância deste setor para a gente construir escolas, estradas, hospitais e para que tenhamos segurança. Adoro falar mal de político, mas antes de fazer isto, faça o seguinte: antes de perguntar o que o Estado pode fazer por você, pergunte-se o que vc pode fazer pelo Estado. A nós cabe combater a corrupção. Vocês são muito importantes nesta transformação. Temos o melhor rebanho do mundo e teremos a melhor carne do mundo” (Pedro Taques, Governador do MT)

 

“Eu não tenho tempo a perder. O Estado tem que ser menos atrapalhador, mais organizador. Tem que ser cerebral. Queremos auto-regulamentação. Os produtores e os frigoríficos é que vão se revolver. Os políticos do BR acham que sabem de tudo. Eu não sei de tudo. Eu tenho equipe. O estado tem que ser menos atrapalhador, mais planejador, se meter o mínimo nos assuntos do cidadão ” (Pedro Taques, Governador do MT)

 

Até a próxima, se Deus quiser e nos permitir!

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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