MILHOnario & SOJArico

Por em 30 de maio de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #218, de 29/maio a 04/junho/16)

 

Aos que carregam o pó da viagem,

No universo sertanejo o ritmo mais comum é tocado ao som de duplas, e esta tradição vem desde muitas décadas atrás. A primeira voz dos gastos com nutrição em confinamento, o ingrediente energético (o “MILHOnario”), vinha fazendo seus “shows”, cada vez mais caros, mas estava sozinho. O ingresso para se ter no seu confinamento o “tal cantor MILHOnario” bateu a cifra dos R$ 50/saco e por isto, ele vem sendo o “hit” do momento (só se fala nele).

E justamente agora, que ele ameaçava dar um desconto (com a entrada iminente da safrinha), a segunda voz dos gastos com nutrição no confinamento, a fonte balizadora das proteínas (o farelo de “SOJArico”), começou a inflacionar o custo de seu ingresso também…

Como pagar uma “meia entrada” para o boi no cocho? Difícil, hein, mas vejamos adiante!

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

O BeefRadar não falhou, apesar de termos ousado ineditamente na magnitude do percentil de alta. Nesta última semana, iniciamos nossa jornada com o Indicador Esalq/BMF em R$ 154,29/@ a vista (variando de R$ 151,75 a R$ 157,50) e vimos nossa “baliza mestre” alcançar R$ 155,35/@ a vista (variando de R$ 153,50 a R$ 157,00) no fechamento de mercado da última sexta-feira. A mudança na mínima do intervalo de negociação captado pelo CEPEA mostra a atual direção do mercado, refutando qualquer sombra de dúvida.

A tragédia anunciada (tragédia em termos de oferta de animais terminados) vai tomando contornos de realidade, na mesma medida em que as escalas desabam. Nosso monitoramento de mercado diz que a semana encerrou com o mercado físico paulista precificado entre R$ 155 a R$ 157/@ a vista (ressaltamos que o preço de R$ 158/@ já “é negócio” em SP, bem como negociações pontuais ainda acima disto). Na mesma “batida”, no MS (a “Terra da Guavira”), os preços da arroba alcançaram o piso de R$ 142 a vista.

Quanto às escalas, o feriado deu uma ajuda, porque muitas empresas não abateram na última sexta-feira (trocaram o dia de folga). Ainda assim, em SP, o DIA D” recuou novamente, de quarta-feira para a próxima terça (dia 31). Desta forma, o placar cai vertiginosamente para 3 dias, na referência Haitong. O STATUS DO BEEFRADAR permanece “radicalizado” na direção da alta:

5% queda : 30% estabilidade : 65% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Com um bom condicionamento físico (escalas bem curtas), o boi goiano também sobe a ladeira dos preços, estando hoje o preço de R$ 140/@ a prazo no patamar de piso do mercado da “Terra do Pequi”. Como adicionais, são comumente vistos mais R$ 2/@ referentes ao boi EU e até mais R$ 2/@ de negociação “personnalité”.

As escalas seguem, em quase sua totalidade, sem completarem a semana, com o dia médio de agendamento na quarta-feira (01/junho).

Definitivamente o DF GO x SP parou de subir e ensaia uma diminuição, mas nada de concreto ainda, porque a média semanal permaneceu imóvel -R$ 18,30/@! O deságio da arroba de vaca, da mesma forma, não sofre alterações há várias quinzenas (ao redor de -5.5%), mostrando que há uma resistência forte aqui. Certamente vai fechar nos próximos meses.

3) HORA DO QUILO: a tecnologia vem crescendo assustadoramente no agronegócio. O aluguel de máquinas agrícolas é uma prática bem comum, sabemos, mas imagine você alugar as suas máquinas ociosas, através de uma ferramenta da internet, como uma espécie de UBER, numa versão específica para o setor! Sim, isto já existe! Veja os detalhes no linK a seguir: http://blog.farmfor.com/posts/americanos-criam-uber-de-tratores-pulverizadores-e-colheitadeiras

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: não poderia ser diferente. O lembrete é o mesmo da semana passada nesta seção. Na próxima terça-feira, inicia-se o Confinar 2016. Ainda dá tempo de ir e acompanhar o lançamento do app CEPEA boi, além de ter a oportunidade de conhecer produtos inteligentes, como um bebedouro feito de pneus reciclados. Veja no link:

http://confinar.net/portal/Modulos/processo/home-principal.html

 

20160529 - CEPEA Boi 20160529 - RuberTank

 

5) BOITOGRAFIAS DA SEMANA

 

5.1) Uma excelente seleção de Nelore com objetivo de produção, foto de José Abel, consultor atuante em Goiás, onde realiza um belo trabalho neste importante criatório do estado. Anote em sua agenda:

20160529 - BSB

5.2) Uma excelente excursão com objetivo de conhecimento, foto do nosso amigo consultor e pecuarista Alexandre Foroni, que saiu de Rondônia com dois irmãos numa longa e rica viagem de troca de experiências, pelos estados de MT, MS e GO. Uma bela iniciativa:

20160528 - Foroni

5.3) A nossa inspiração para o título deste NF2R: a foto do Mauricio Garcia com o famoso Beto Zillo foi denominada “MILHOnario e BETO Rico”:

20160529 - Beto Zillo

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

 

6.1) Apagão do frango? No último informativo, escrevemos sobre o que chamamos de “apagão das proteínas de origem animal” no Brasil, em função da pressão advinda do alto preço do milho para ração animal. Logo no início da semana, recebemos este link que vai nesta mesma direção: http://blogs.canalrural.com.br/kellensevero/2016/05/23/sem-milho-aves-morrem-de-fome-em-sc/. Porém, fomos corrigidos pelo mestre Osler Desouzart que honradamente, ao ler o NF2R, durante a semana, nos enviou a seguinte mensagem: “Não aposte em redução de oferta de frango e nem de suínos. A produção de ambos está para cima e firme”. Vamos acompanhar e muito obrigado ao Osler!

 

6.2) Apagão do pasto e do bovino? Sim, deste não tenho dúvidas. Viajei neste feriado, de Goiânia até Igarapava-SP, passando pelo triângulo mineiro, trajeto próximo de uns 500km. Algumas coisas me chamaram atenção:

* vi muito milho com perdas que ignorantemente estimo entre 50 a 80% (várias roças nem compensa colher); Vi algumas roças de sorgo lutando contra a falta de água, mas ainda lutando; Vi cana sofrendo com a falta de água; Vi só uma roça de sequeiro linda, um sorgo perto de Uberaba, incrivelmente exuberante.

* mas o que mais me chamou a atenção foi a absurda quantidade de pastos totalmente sem suporte. É a pior impressão de um mês de maio que já observei. Pior até mesmo do que as secas de 2007 e 2010, as piores que presenciei. Difícil precisar o cenário ao certo, mas é negro, em termos de oferta de gado gordo para abate. E igualmente penso que é ruim para os preços de reposição (aliás, começam a ecoar consistentemente valores de bezerros com quedas importantes, refletindo a força da desmama). Nesta semana, já começou a sibilar o vento que ajuda a secar a pastaria (presenciamos isto em Jussara-GO). No “calendário visual foliar” dos pastos, já estamos em julho no Brasil Central.

7) O LADO “B” DO BOI: MILHOnario & SOJArico

Durante a última semana, nada de novidade ocorreu, fora o início da materialização do aprofundamento do movimento de restrição de oferta, que chamamos de “apagão” das proteínas (pelo menos, se evidenciando quanto ao bovino). Se nada ocorrer, em pouco tempo, chegaremos àquele momento de mercado em que o preço da arroba, no ato da negociação, passa a derivar muito mais na direção do pecuarista para o frigorífico do que na via oposta, a qual é, via de regra, a mais comum. Ou seja, o agente do frigorífico deverá, ao invés de simplesmente informar o preço que pode pagar, deverá passar a perguntar: “a que preço o Sr entrega a sua boiada”?

Isto ocorre quando as escalas teimam em permanecer curtas mesmo após seguidas altas de preços. Podemos voltar a ver uma situação como a ocorrida em out/nov de 2010, onde as escalas passaram a ser “medidas em horas”, como dizíamos na época. As compras, nesta situação de extremo, são sempre feitas para “embarque imediato”.

E se depender da dupla citada no título deste NF2R, é o que vai acontecer, pois, com o término dos animais acabados oriundos de pastagens, os tais “MILHOnario & SOJArico” tem dificultado o aparecimento do boi confinado em volume.

Sobre o milho já falamos muito aqui… E, como dito no início deste, no momento em que nos aproximamos do ponto em que o “bendito cereal dourado” poderia ceder um pouco, a soja ameaça complicar o cenário, ao atingir o maior valor da história, bombada pela total internacionalização do preço desta commoditie (quebra de safra argentina, demanda global bem firme, incertezas na safra americana devido ao excesso de chuvas e principalmente embarque de soja para exterior bem acima do que foi previsto). O preço midiático de R$ 100/saco está bem próximo…

Tudo isto apenas confirma e suporta o que entendemos ser a nossa realidade próxima em termos de tendência dos preços da arroba bovina no curto e médio prazos, desde que não haja um novo movimento de ajuste por parte do setor frigorífico do Brasil, tal qual ocorrido no final do primeiro semestre de 2015.

Um novo ajuste no setor não é impossível de ocorrer, mas hoje é mais difícil, pois há menos espaço para tal. Além disto, se observarmos a quantidade de dias de escala médios na comparação do primeiro semestre YoY, vemos em 2016, uma queda de 25% na quantidade médias de dias de bois agendados para abate, o que sugere uma menor produção de carne neste ano, fator que consideramos fundamental para a reversão da atual queda e início de uma sustentação dos preços no atacado (frente a uma demanda péssima). Vamos acompanhar atentamente a estes movimentos, fundamentais, tais como férias coletivas, paralisações de abates em plantas, etc… No jargão de mercado, a pergunta é: “frigorífico vai pôr a mão e conter o movimento de valorização da arroba”? Eles já mostraram que não querem abrir mão de margem… Sinuca de bico no mercado! Talvez, a maior já vista!!!

A atual margem dos frigoríficos, já bem menor que a média do primeiro semestre de 2015, não para de fazer brilhar um baita sinal amarelo/vermelho na cadeia. O fato de estarmos em final de mês não é um fator tão importante, pois a demanda tem permanecido desaquecida independente do calendário. E não há perspectiva de melhora no curto prazo… O estoque de carne proveniente do abate mais farto do final de safra, ainda precisa ser consumido, fato que após concretizado, poderia levar a uma melhoria de margem das indústrias, em função da atual produção potencialmente menor. Mas, uma coisa tem que ocorrer de cada vez…

Esperamos que, o atacado reaja após os estoques de carne enxugarem mais um pouco, e assim possa haver maior materialização da atual escassez do boi gordo na forma de puxadas mais consistentes no Indicador de preços CEPEA (mercado físico) e na BMF (mercado futuro), em função de, nesta situação, haver melhor sustentabilidade financeira no elo dos frigoríficos.

Caso isto não ocorra, olho atento! Toda a vez que movimentos intensos e altistas de preços não encontram sustentação linear na cadeia, eles tendem a ocorrer, mas se revertem com a mesma intensidade, o que significa que as janelas de aproveitamento destas oportunidades tendem a ser menos extensas. A única saída, como diz o nosso companheiro Alaor Ávila Filho: “fique ativo no serviço”!

Que você tenha uma semana de aprendizado, de apego aos verdadeiros valores da vida e de renúncia ao caminho mais fácil, que é o da “não-evolução” espiritual.

 

Rodrigo Albuquerque (boicom20@gmail.com) &

 Ricardo Heise (r.heise@hotmail.com),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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