Menos luzinhas de Natal?

Por em 7 de dezembro de 2015

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #194, de 06 a 12/dez/15)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

 

Este final de ano está sendo mais agitado. Tem um japonês que está tirando o sono de muito político e muito empresário abastado, tem o FBI na cola da CBF, tem as oposições da Argentina e Venezuela virando o jogo após mais de uma década, tem Papai Noel roubando helicóptero em SP, há rumores sobre a volta para a cédula de papel no Brasil e, por fim, a instabilidade política no cenário interno atingindo o seu grau máximo. E para coroar, o PIB negativo de 4,5% do terceiro trimestre coloca o Brasil entre os piores do mundo…

Enquanto isto, na ilha da fantasia, ops, na ilha de calmaria que o bovino brasileiro se encontra, algo de novo… O mês de dezembro, cotado com quase unanimidade para ter um vôo de cruzeiro quanto a preços, começa a revelar outra tendência. Haveria motivo para nos preocuparmos? Vejamos.

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

A nossa locomotiva dos preços do boi deu uma freada: o indicador Esalq/BMF partiu de R$ 148,75/@ (variando de R$ 147,50 a R$ 149,50) e fechou a semana passada em R$ 145,54/@ (variando de R$ 144,50 a R$ 149,75).

No último NF2R, noticiamos o início de uma pressão no mercado que acabou tomando um pouco mais de corpo, mas nada desesperador, por ora. Pelo intervalo de negociação do indicador, exposto acima, nota-se que houve perda da mínima, mas o grande volume de negócios ainda ocorre do nível de R$ 146/@ (a vista) para cima. Existem negócios entre R$ 144 até R$148/@ a vista, no mercado físico, mas pouca liquidez na banda de baixo deste intervalo.

No Mato Grosso do Sul, a situação está um pouco pior. Houve redução do balcão para R$ 133/@ a prazo, para o boi comum, o que eleva o diferencial de base com SP para níveis praticamente inéditos (até R$ 13/@ de deságio, valor que normalmente é por volta da metade disto). Se isto se consolidar, o boi de SP corre risco de queda maior…

Está havendo uma grande saída de bois de confinamento neste momento, bois que ficaram mais dias em cocho, o que culmina com a entrega em dezembro. Ninguém tem dúvidas que estamos arraçoando por mais tempo que nos anos anteriores. E é consenso que não houve programação de antecipação de início do confinamento para tanto. Portanto, a consequência é a postergação do abate, a qual está ocorrendo agora em dezembro, com a força adicional dos bois de termo agindo neste momento.

Isto faz com que haja escalas para todos os gostos em SP. Tem frigoríficos com sete dias de escala (ou menos) e outros com o mês praticamente finalizado. Está difícil até de falar em “DIA D”. Mas, cremos que a data média seja terça, dia 15/dez, subindo a quantidade de dias com bois agendados para 7 (entre o acordo da venda e o dia do abate). Assim, o STATUS DO BEEFRADAR: diminui as chances de alta:

 

30% queda (leve) : 50% estabilidade : 20% para alta (leve)

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Nada de novidade com relação a semana passada. Se em SP existe escala para todo gosto, aqui, na “terra do pequi”, continua existindo preço para todo gosto: há balcão de R$ 135/@, R$ 137/@ até o R$ 140/@, nas mesmas condições de pagamento (boi comum, a prazo, com prêmio EU de + R$2/@). O mesmo vale para escalas, que se por um lado, há indústrias com necessidade mais urgente, há outras, que não está conseguindo abater nem os bois de contrato que compraram. Há muita força de entrega de bois de confinamento no momento, há bois de contrato em grande medida também, mas poucas perspectivas de que esta “oferta gorda” e pontual mantenha o mesmo padrão lá para as festas de final de ano, principalmente para o boi comum.

Com o arrefecimento da arroba de SP, o diferencial de base caiu bem na semana, ficando entre R$ 8 a R$ 9 de deságio. A manutenção dos 4.5 a 5% de deságio das vacas em relação aos bois de GO denuncia que a safra de animais terminados à pasto, está longe de virar realidade.

 

3) HORA DO QUILO: “O sucesso do investimento está em comprar um ativo por um valor muito mais baixo do que ele realmente vale” (Buffett). Pense na reposição do seu gado…

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: veja a Campanha em favor da Cadeia Pecuária lançada pelo Miguel Cavalcanti, do BeefPoint, “Movimento Família Pecuária”. O objetivo desta campanha é ousado… Serão 12 vídeos, um por cada mês, com o objetivo de alcançar 1 milhão de visualizações em cada um. São 6 minutos que retratam uma vida de esforços, sacrifícios, valores e dedicação. A ideia é valorizar o pecuarista brasileiro, o trabalho de quem faz a pecuária e o que produzimos. Vale a pena. Veja:

https://www.facebook.com/BeefPoint/videos/10153792707952661/?utm_source=BeefPoint+-+Pecu%C3%A1ria+do+Futuro%2C+Hoje&utm_campaign=78574a9a8b-151130_diaria_Newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_2a49ca68b6-78574a9a8b-194308181

 

5) FOTO DA SEMANA:

5.1) Foto de Manoel Vaz Theodoro, na confraternização do Grupo de whatsapp “Agropecuária Goiana”, realizado ontem, em Goiânia. Este é um belo exemplo do uso da tecnologia para o bem, para o crescimento de todos. Falamos diariamente com uma grande quantidade de colegas pecuaristas, trocando informações, sem ao menos conhecer boa parte de nós mesmos. Um evento deste mostra o poder da tecnologia e aproxima as pessoas. Parabéns aos idealizadores do grupo:

20151206 - Agrop Goiania

5.2) Foto de nossa visita na bolsa de valores de SP, recentemente. A ideia é estar mais perto para usar melhor a ferramenta. O NF2R está à disposição da Fabiana Perobelli (coordenadora BMF), para usá-lo em favor da difusão do conhecimento à cerca da ferramenta. Obrigado pela recepção, Fabiana (em nome do Alaor Ávila e do Ademar Leal).

20151206 - BMF

 

6) MENOS LUZINHAS DE NATAL:

 

A praça Tamandaré, em Goiânia, recebe todos os anos uma decoração especial para o Natal, assim como as ruas próximas, uma iniciativa da Prefeitura da cidade. No condomínio onde moro, também em Goiânia, a decoração de Natal é instalada tradicionalmente no final de novembro. Porém, este ano está diferente. A decoração da praça ainda não foi inaugurada. No meu condomínio, nada de luzinha até agora…

Seria o preço da energia afastando as “luzinhas chinesas”? Seria o dólar deixando as luzinhas mais caras? Seria a redução do dinheiro público/privado disponível? Seria a crise econômica? Cremos em todas as alternativas acima… O boi, até agora, uma ilha de calmaria, foi estremecido nos últimos dias com derrubadas dos preços de balcão. No sexta-feira da semana passada, ao conversar com um pecuarista, escutei: “agora, chegou no boi. Conseguiram derrubar. Assim não dá!”

Bom, se eu estivesse fora do mercado, ao escutar a frase, pensaria: “caramba, derrubaram o boi uns R$ 10 a R$ 15/@ em 10 dias”. Mas não foi bem isto, não na mesma medida… Em resumo: será que podemos reclamar do boi? Eu tenho perguntado isto para muita gente que encontro, ultimamente… Em especial a quem me faz o alarde em função desta barrigada recente do boi…

Calma… O boi também cai… Sim, estamos pouco acostumados a isto de 2013 para cá, mas ele também cai. Cai? Não, deu apenas uma “escorregadinha”. As escalas andaram, impulsionadas pela fluidez da saída de bois de confinamento que tiveram abate postergado para dezembro, em função de termos mais dias de cocho em geral neste ano. Além disto, tem as chuvas, que ajudam o pecuarista a decidir embarcar os bois… A consequência é um aumento da pressão de baixa, mas que ainda, “nem arranha a tinta da lataria” do preço do boi, vamos falar a verdade. Em alguns locais, como no MS, no “Nortão”, sim, há um impacto maior realmente. Mas, no geral, não podemos reclamar. Basta olhar ao lado, ou seja, olhar para os demais setores da economia.

As exportações, sazonalmente, agora “tendem a dar um tempo”, apesar que tivemos uma boa notícia nesta última semana: o Japão retirou o embargo à nossa carne. Isto não ajuda muito em volume, mas em imagem, o que é ótimo! De toda a forma, o volume exportado no último quadrimestre do ano, vai destoar (para melhor) em relação ao período precedente.

Do lado do mercado interno, as carnes que serão vendidas nos feriados de final de ano, estão em sua esmagadora maioria, já nas câmaras frias das indústrias ou nas escalas, com bois agendados, o que tira a pressão de “sede” por boi por parte dos frigoríficos.

Por outro lado, não há oferta com perspectiva da mesma abundância após esta desova de confinamento, fato que, juntamente, com a manutenção das margens de comercialização da carne, indica que o potencial desta baixa é limitado! Calma, portanto! Já começaram inclusive rumores sobre férias coletivas. Nunca vi frigorífico falar em férias coletivas com ambiente de oferta abundante e margem sustentada. Mas, já vi falar nisto, quando é previsto queda da oferta, justamente com o objetivo de sustentar margem operacional das indústrias.

Portanto, a resposta da pergunta do título deste é “sim”, haverá menos “luzinhas de natal”! Mas o nosso 2015, já está sendo muito iluminado para a pecuária do Brasil. Saibamos agradecer, portanto. Além do quê, a melhor luz que o Natal pode ter é você e a sua família se lembrarem do aniversariante…

Até a próxima semana, se assim Deus nos permitir! Abraços…

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS 2016: boicom20@gmail.com

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