Medo de quê?

Por em 14 de junho de 2015

NOTÍCIAS DO FRONT

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição #169, de 14 a 21/junho/15)

 

Prezados Companheiros,

Este texto será mais curto em função de nossa semana de férias com a família, algo realmente recomendável e que dá a sensação de tempo muito bem investido, especialmente para quem tem filhos pequenos… A vida passa muito rápido!

E o mercado deu um “baita” surpresa esta semana, de quarta para sexta. Imagine que você deixou a sua sogra ou melhor, a sua “Tia mala” (a “Tia Safra”) no aeroporto às 21:30h. Você retorna para a sua casa aliviado, pois a visita de quase um mês já estava “fora de base”… De repente, ela liga, dizendo que o vôo está atrasado e que está na sala de embarque, muito lotada… (você até acha bom ela tomar um “caldinho” por lá). Mas… quando você está dormindo tranquilo e aliviado, seu telefone toca às 0:30h, e a “Tia mala” diz que o vôo foi cancelado e que ela está no taxi voltando para a sua casa… Foi mais ou menos assim esta semana… Vamos direto ao ponto.

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

O indicador ESALQ/BMF partiu de 147,59 (variando de R$ 147,50 a R$ 148) e caiu para R$ 147,47 (variando de R$ 145 a R$ 148), uma estabilidade total traduzida numa leve queda numérica.

Mas, o que chama a atenção é a perda da mínima do intervalo de negociação, numa velocidade e numa intensidade inédita para este ano (entre quarta e sexta da semana passada). Foi uma perda de quase R$3/@ que ainda não foi “pêga pelo indicador”, como dizemos no jargão de mercado. Ou seja, a nossa baliza pode cair mais (nosso feeling). Ainda existe um movimento errático, nas ofertas de frigoríficos, mas parece ser mais palpável uma posição mais recuada em termos de compra por parte das indústrias. E isto se baseia em quê?

Na semana passada falamos em chuva e em alteração da dinâmica de vendas… Pois parece que “vai baixando um santo de maio no junho” e o mês atual assumiu uma dinâmica de safra mais forte, desde a última quarta. Isto permitiu um alongamento de escalas.

Além deste alongamento de escalas e do efeito de início de seca (com real perda de sustentação dos pastos), os problemas com escoamento da produção parecem piorar. São as nuvens negras da economia, gerando uma demanda cada vez mais tímida sobre a carne. Isto tem se tornado mais sério à medida que a economia vai parando e os efeitos da recessão se alastram por todas as cadeias produtivas, como a água de uma enchente que vai subindo e levando lama para todas os setores… Isto faz as indústrias frigoríficas recuarem na estratégia de compras de maneira mais acentuada, cada vez mais acentuadamente…

Isso é mais verdade, quanto mais bem feita foi realizada a tarefa de casa da compra de bois sob contrato. Já tem indústria “refugando” boi com status EU, sinalizando um descasamento entre oferta e demanda desta categoria de bois (oferta concentrada no segundo semestre, inversamente à demanda, que é mais fraca neste período). O mercado quer assumir a posição que mais desafia o pecuarista que carregava o seu estoque de arrobas gordas… O preço em queda brusca e indústrias fora das compras… Vamos ver como se comporta a próxima semana, se foi apenas um susto de oferta, em função de vendas represadas da semana anterior (semana de feriado em que houveram dois dias a menos e venda) ou se é uma tendência que se firmará… Pode ser que o movimento tenha sido “bombado” pelo feriado com a ida de muitos “pecuaristas de 2 dinheiros” aos pastos… E após a chegada na cidade, efetivaram as vendas que viram necessárias para alívios dos mesmos… Vamos acompanhar… A pecuária tem destes coisas…

Mas, é fato que a Tia Mala da Safra está “retornando do aeroporto de taxi”. Resta-nos saber para quando é o vôo remarcado… Isto não estava no radar…

No encerramento da semana, os preços ficaram entre o R$ 145 a R$ 148/@ av, mas também com ofertas indecentes de R$ 145/@ ap. No MS, a “terra do tuiuiú”, o preço balcão recuou para R$ 140/@ ap no boi comum. As escalas, ainda apresentam heterogeneidade entre as indústrias, mas a média de dias de bois agendados subiu. A maioria está com a próxima semana pronta e algumas, as com mais bois de contrato, já caminham para o início de julho. Assim, o dia “DIA D vai para SEGUNDA (22/junho) e o PLACAR cai sobe para 6 dias úteis (entre o dia do acordo da venda e o dia do abate). Desta forma, o STATUS DO BEEFRADAR inverte a tendência novamente:

45% queda (leve) : 45% estabilidade : 10% para alta (leve)

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Por aqui, o mesmo movimento de SP, bem como nos demais estados do centro-oeste, como MT e também o nortão: recuo consistente nas ofertas balcão com algumas indústrias fora das compras, principalmente para o boi EU. Vai saber se este preço balcão “vai virar”, ou seja, se vai comprar boi ou não, mas foi sinalizado em: R$ 133av x R$ 135ap, com EU de R$ 0 a 2/@ e com o “personalitè” bem mais escasso. É isto que temos para hoje.

Vamos acompanhar a fluidez das escalas, mas em GO, as indústrias iniciam com a semana que vem pronta e a semana seguinte (de 22 a 26/jun) já bem adiantada, sendo que há reports de frigoríficos que fecharam o mês… Movimento preocupante, caso se confirme mesmo.

O diferencial de base GO x SP que vinha estacionado perto de -R$9/@, abriu bem, chegando a média de R$ 11/@ nos três últimos dias da semana passada. Isto evidencia que a tentativa de derrubada dos preços do boi está se dando de maneira generalizada, vindo dos estados do Norte/Centro-Oeste para SP…

Já para o deságio da vaca em relação ao boi, nada de alteração: segue “sentado” ao redor 5%, mas querendo cai mais um pouco.

 

3) HORA DO QUILO: “Os dois maiores presentes que podemos dar aos filhos são raízes e asas” (autor desconhecido)

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: mais um fato evidencia o ciclo pecuário em plena ação… São reportados leilões de touros no MT com preços em alta de 30 a 40% em relação às médias dos mesmos leilões do ano passado… e vendas em fazenda por 40 a 50@ de boi gordo. São os pais dos bezerros da safra-desmama de 2017… Reforça a tese: “a cura dos altos preços são os altos preços”…

 

5) O LADO “B” DO BOI:

5.1.) MEDO DE QUÊ?

Veja como a coisa é dinâmica quando pensamos no mercado da arroba do curto prazo… O movimento de oferta concentrada de quarta em diante ainda tem que ser dimensionado e ter a sua extensão determinada, mas não foi pego pelo nosso radar. Desta forma, o mercado imprimiu na cabeça do pecuarista uma fase de alerta, de sinal amarelo… Tomara que o sentimento não se transforme em uma “venda coletiva”. Calma, recomendamos nesta hora.

Não precisamos jogar fora tudo o que falamos e pensamos, ou seja, de que a hipótese mais provável era de termos um curso limitado quer seja para os movimentos de alta ou para os movimentos de baixa que poderiam vir pela frente. Porém, é fato que o ajuste de produção de carne, com a indústria se adaptando à realidade de uma economia em recessão está ficando mais forte e cada vez mais evidente. Esta semana uma nova indústria que vinha “despontando” em GO enfrentou protestos com direito à interrupção de rodovia, em função das demissões que está fazendo (unidade está com abates paralisados, até onde sabemos). Uma coisa é certa: em 2015, a indústria vai fica menor, a indústria vai encolher… E isto fará/está fazendo seus efeitos… Fiquem atentos.

É igualmente inimaginável pensar que isto não será repassado para a reposição, por mais que haja uma boa sustentação de preços em função da atual fase do ciclo pecuário.

Neste mês de junho, daqui a uns dias, faremos a nossa maior venda do ano. E nada de preocupação com relação ao preço destes bois… A comercialização destes animais se baseou no “esquema multiferramentas” com o uso das proteções de preços via BMF.

Portanto, este abrupto movimento de preços para baixo não surtirá seus efeitos deletérios para os nossos animais. E o cerne desta forma de comercialização ficou muito bem descrito no material do link a seguir. É a minha melhor contribuição para hoje. O material é muito bom, ficou bem explicativo e emprestou o título para este informe de mercado. Preços em baixa? Medo de quê?

20150614 - cachorro-com-medo

Veja a seguir… Espero que o material contribua para você e veio numa hora extraordinariamente interessante de se ler:

http://www.revistafeedfood.com.br/pub/curuca/index.jsp?edicao=9057&ipg=200930&keywords=medo

Cerca de 95% da safra de pasto deste ano nós comercializamos com os conceitos da matéria acima. Vendemos alguns animais por um valor levemente abaixo das cotações de mercado do dia. Venderemos outros (exemplo dos de junho) por um valor bem acima das cotações do dia… Mas, pouco importa isto. O que importa é que vendemos com uma margem de lucro que nos agradou. Prestamos atenção à estratégia e ao objetivo do jogo (lucro) e não ao placar (preço). Afirmo para vocês: é muito confortável estar imune as imprevisíveis variações de humor do mercado de curto prazo da arroba bovina.

E para quem ficou interessado e quiser começar a praticar, vai mais uma boa dica, de um curso sobre o assunto, dica dada pelo nosso amigo Rogério Goulart, da Carta Pecuária: http://lojavirtual.bmf.com.br/LojaIE/CursoDetalhe.aspx?pid=1826.

Até a próxima semana, quando já estarei de volta à ativa. Que todos nós tenhamos uma semana de saúde, luz, justiça e proteção. Espero que você seja feliz, esta semana… E lembre-se: “o que estraga a felicidade é o medo” (Clarice Lispector).

 

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis)

&

Ricardo Heise (@boi_invest),

 

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

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