“Jogo é jogo, treino é treino” (físico é físico, futuro é futuro)

Por em 27 de junho de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #222, de 26/junho a 02/julho/16)

 

Companheiros que carregam o pó da viagem,

A frase que dá o título deste NF2R já foi usada por nós algumas vezes. O seu autor, o Romário, foi um dos melhores jogadores de futebol atuando na grande área (talvez o melhor deles, ao lado do “rei”). O “baixinho” era imbatível naquele pedaço de chão e além desta qualidade, ele tinha outra: era franco! Certa vez, foi questionado (se não me engano na saída de um treino) de o porquê ele estar treinando “de leve”. E ele “mandou” como resposta ao repórter esta pérola que agora nos serve de inspiração. O que ela tem a ver com a variação dos preços do bovino ao longo desta semana? Uma pista? A queda na bolsa. Vejamos abaixo!

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

O nosso acompanhamento do mercado físico (BeefRadar) indica que a arroba do boi gordo no estado de SP circula entre R$ 156 a 158 à vista (com animais aprovados EU até R$ 160/@), portanto, praticamente “em linha” com o levantamento da última semana. Nossa outra baliza, o indicador de preços Esalq/BMF, começou a semana em R$ 157,88/@ a vista (variando de R$ 155,75 a R$ 160) e a terminou em R$ 156,21/@ a vista (variando de R$ 155 a R$ 158).

Apesar da queda numérica do indicador, nada de novidade ocorreu no mercado físico. Aliás, temos notado que no fechamento dos meses (últimos 5 pregões) tem havido uma tendência de menor aderência do indicador com o físico, fato que ocorre muito provavelmente em função de termos dificuldade de fornecer ao CEPEA uma grande quantidade de negócios por parte dos pecuaristas. Prevalecem as informações da indústria e aí, naturalmente, a probabilidade de o indicador “sofrer” aumenta. Isto é uma observação pessoal, nada estatística e tão pouco profunda, mas, “botem reparo”… Outra coisa: nada de criticar a indústria, pois cada elo da cadeia passa (ou não) os negócios que lhe convém, visto que não há obrigação em fazê-lo. Falaremos sobre isto mais adiante.

Enquanto isto, na “terra da guavira, da chipa, da sopa paraguaia e do tereré”, a arroba do boi segue ao redor de R$ 143/@, com “personnalité” de até R$ 2/@ (bem menos frequente).

Em certa medida, houve uma leve melhora no agendamento de escalas de abate em SP, um movimento pontual, que levou as escalas para a próxima quinta/sexta, porém há frigoríficos com bois até a segunda, 04/julho. Desta forma, o placar sobre para em 3.75d de média. O status do BeefRadar reforça a posição de estabilidade da arroba, elevando esta probabilidade:

15% de queda | 60% de estabilidade | 25% de alta

 2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

As mesmas referências de preços e de escala continuam válidas, ou seja: R$ 142 a 143/@ a prazo (com prêmio EU de R$3/@ e “personnalité” pontual) e escalas heterogêneas (algumas plantas com menos de uma semana e outras, as abastecidas com bois de contrato, com agendamento para um pouco mais de uma semana). Apareceu apenas o relato de problemas decorrentes da greve do INDEA no MT que posterga animais que deveriam ser embarcados, o que nos faz perder a referência de escalas em algumas plantas.

O diferencial de base “GO x SP” parece estar achando um piso momentâneo no nível de R$ 16,50/@. Permanece a mesma situação quanto ao deságio da arroba de vaca em relação à arroba do boi (média semanal de -4.5%). Em resumo: o mercado do boi no GO, nas duas últimas semanas, ficou igual a festa de japonês: “tudo igual”.

 

3) HORA DO QUILO: a cidade de SP já conta com um serviço especial de helicóptero compartilhado, o “UberCoptero”: http://centraluber.tk/ubercoptero-uber-lanca-viagem-de-helicoptero-com-valores-partir-de-66-reais/. Já mostramos aqui um site americano que oferece um serviço na mesma linha, com máquinas agrícolas. Há uma infinidade de possibilidades de “UberAgro”… Em pouco tempo, certamente elas aparecerão.

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: infelizmente são poucas as ações no sentido de promover o nosso produto final frente aos consumidores, principalmente no sentido de racionalizar o aproveitamento de todos os cortes do boi, inclusive os chamados de “cortes menos nobres”. Esta ação do Friboi é uma bela exceção e deve ser compartilhada: http://academiadacarnefriboi.globo.com/inicio

 

5) BOITOGRAFIAS DA SEMANA

 

5.1) SOMOS DA CARNE: quem trabalha na cadeia produtiva pecuária tem que divulgar este vídeo (ele diz mais que a foto do manifesto, preferimos o vídeo, portanto): https://www.youtube.com/watch?v=1PSunz-3mes. Excelente iniciativa, do GTPS, com apoio da Terra Viva, Verum Eventos e Beckhauser.

 

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

6.1) Milho, em “soft landing” (pouso nem tão suave): o placar do preço do milho aponta para uma queda de 21% desde o dia 02/jun (são R$ 11.27/sc de queda do indicador da BMF, hoje em R$ 42.64/sc). No mercado físico, as quedas foram principalmente no MT (Sorriso) e no PR. Em linhas gerais, o produto caiu cerca de R$ 10/sc Brasil a fora. Vai mais? Atenção à janela de compra… quem precisa de milho até mar/17 pode estar passando por uma oportunidade no momento (o operador de mercados Leandro Bovo do Haitong disse no boletim “Boi e Cia” da Scot Consultoria: “o milho devolveu três meses de alta em apenas dois dias”). Analisando os números com mais detalhes: o poder de compra do pecuarista em relação ao cereal aumentou 26.2% neste mês de junho, pois além da queda do milho, houve também leve melhora no preço da arroba. Hoje compra-se 3.66 sc com uma arroba de boi gordo (base SP). Segundo o CEPEA, na média dos últimos 5 anos, em junho, o pecuarista comprou 4.21 sc por arroba. Tomando por base o mercado futuro, a relação de troca deste milho comprado hoje, considerando a venda da arroba em setembro, dará uma relação de troca de 4.05 sc/@, mais em linha com os últimos anos. Isto recuperará oferta de gado em confinamento? Olho atento…

6.2) Mês de junho, com cara de agosto: as queimadas nas estradas já começaram denunciando que os pastos, assim como as represas/riachos estão em situação bem mais parecida com o meio/fim da seca em regiões como GO, por exemplo. Será um período bem difícil, pois até o início da próxima estação chuvosa teremos uma das piores secas dos últimos tempos (o estado de MS é uma bela exceção, ainda tendo pastos de qualidade invejável). A seca precoce e intensa produziu o pior desempenho de GPD de muitas Fazendas que temos contato entre vacina de maio e os pesos de hoje. Isto ajudará a uma mudança na intenção de confinamento, aliado à variação citada no preço do milho, na nossa opinião.

6.3) Brexit! E o boi com isto? A decisão do plebiscito britânico explodiu como uma bomba nos mercados globais na última sexta-feira. Na incerteza, os investidores “voltam para a casinha”, fugindo dos riscos dos mercados emergentes. Foi o que vimos no mercado financeiro aqui no Brasil (Bovespa para baixo e dólar em alta moderada). Com relação ao agro, o “Brexit” ascendeu um alerta para nossas vendas na EU. Os britânicos são os mais liberais do Velho Continente e, portanto, parceiros históricos do Brasil. Acordos comerciais com o restante dos países deverão ser reconsiderados e estão na berlinda de agora para frente? Ainda é cedo para falar em grandes mudanças. Veja mais em: http://www.portaldbo.com.br/Revista-DBO/Noticias/Brexit-nao-deve-afetar-as-exportacoes-a-curto-prazo/17010

6.4) A greve do INDEA: depois de quase 20 dias de greve, a dificuldade de emissões de GTA para abates começa a provocar transtornos nas escalas de abate até de estados vizinhos, como em GO. Uma preocupação: após o retorno dos serviços de emissão de GTAs, poderemos ter um impacto negativo na @, em função desta venda que ficou represada… Cuidado.

6.5) E o CEPEA Boi? Já o instalou e começou a manda informações de negócios? Pouco acima, comentamos sobre a necessidade de se aumentar a quantidade de informações de vendas de animais para serem abatidos ao CEPEA. Segue nota da pesquisadora do CEPEA, Mariane Crespolini:

“Há mais de 20 anos, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mantém relacionamento direto com agentes da cadeia do boi gordo. Atualmente, são contatados quase 2 mil agentes do mercado, entre frigoríficos, pecuaristas, escritórios de compra e venda de gado e leiloeiras e divulgados valores de boi gordo, vaca gorda, boi magro e bezerro de 24 regiões em 11 estados do Brasil. Todas as informações levantadas pela equipe são mantidas em sigilo e compõem a amostra para cálculo das médias de preços divulgadas pelo Cepea.

A maior dificuldade da equipe do Cepea hoje é conversar como pecuarista no dia que ele realizou negócio junto ao frigorífico. O levantamento junto aos pecuaristas é realizado por telefone, e-mail e, desde o início de junho, também pelo aplicativo “Cepea Boi”, por enquanto disponível apenas para celulares com o sistema operacional Android.

Em algumas semanas, também estará disponível para o sistema IOS, para aparelhos da Apple. Com essa inciativa, a equipe do Cepea dá um novo incentivo aos pecuaristas a serem seus colaboradores. A informação passada por esse colaborador auxilia o Cepea a aproximar os resultados cada vez mais da realidade, gerando ganhos para toda a cadeia. Pecuaristas que desejam ser colaboradores podem enviar e-mail para appboi@cepea.org.br ou ligar para (19) 3429 8835. Mais uma vez, o Cepea informa: todas as informações são mantidas em sigilo absoluto”

7) O LADO “B” DO BOI: “Jogo é jogo, treino é treino

Além da libra inglesa, do milho e do ganho de peso pós vacina, a bolsa também caiu nesta última semana (cerca de R$ 2 a 2.50/@, principalmente nos contratos mais longos, como outubro/16, por exemplo). No retorno das fazendas, fomos procurados por muitos pecuaristas, onde os mesmos nos solicitavam o porquê do revés nos preços futuros. Alguma coisa teria mudado substancialmente no mercado físico?

A resposta é: NÃO! Ainda está em pleno vapor o duelo de gigantes “oferta restrita x demanda pequena”, citado aqui. Ou seja: não há mercadoria a ponto de fazer os preços da arroba se reduzirem, pelo contrário. Do lado da oferta, a quantidade de matéria-prima disponível teria força para fazer os preços da arroba subirem.

Porém, a limitação dessa alta tem sido imposta pela ponta final da cadeia (a venda da carne), pois as margens das indústrias seguem completamente defasadas em relação às suas médias histórias, o que deixa os frigoríficos “tristes igual último dia de rodeio” e, portanto, sem ânimo necessário para uma nova arrancada de preços. Obs.: chama atenção o fato de não ocorrerem altas no preço da arroba, mesmo com uma greve de emissão de GTAs no estado que mais abate bois no Brasil (MT). Isto dá ideia da intensidade da fraqueza da demanda neste momento. Se a demanda fraca está ”falando alto” continuadamente, agora, que é final de mês, isto se torna mais verdade ainda (é um período típico de baixa procura pelo nosso produto final).

Se nada mudou substancialmente, o que houve então? Inspirados no Romário, concluímos que o mercado físico e a bolsa são mercados diferentes. O mercado físico vive do mais absoluto “presente”, enquanto que a BMF requer como principal insumo a “expectativa”.

Desta forma, a ausência de novos preços, acima das máximas vigentes, estando o mercado com ágio frente ao mês presente (indicador) é motivo bastante para fazer os preços devolverem este ágio. Em linhas gerais, o futuro “foi na frente” e agora resolveu aumentar a aderência com o físico em função da “ausência de novidades” (novas máximas de preços). No último NF2R, adiantamos este possível movimento: “Para o mercado futuro ir mais um pouco acima, precisamos de novidades de preços no mercado físico, as quais por sua vez, vão depender de um aumento do stress de oferta”.

O amigo André Bartocci fez uma brincadeira com o NF2R da semana passada muito peculiar, como de costume: “o fogo (geada) não fez o tatu (boi) sair do buraco. Resta saber se tem marimbondo dentro do buraco”. No caso, o marimbondo, seria o estresse de oferta curta, que ainda não veio “ferroar” os compradores de boi gordo de vez!

Os americanos dizem que “no news is good news” (ausência de notícias é uma boa notícia), mas para o mercado futuro, o ditado ianque não é correto, definitivamente!

Desejamos que até o nosso próximo encontro, você e sua família trilhem por um caminho de luz e sabedoria, com a paz característica das escolhas felizes. Lembre-se, cada escolha, trás consigo uma renúncia. Saber renunciar é uma arte, um grande desafio e uma enorme necessidade nos tempos modernos.

 

Obs.: na próxima semana, traremos aqui um resumo combinado das duas palestras do Alexandre Mendonça de Barros que tivemos o prazer de acompanhar recentemente (uma no Confinar 2016 e outra na última segunda-feira, num evento da Zoomix, em Campo Grande-MS)

 

Rodrigo Albuquerque (boicom20@gmail.com) &

 Ricardo Heise (r.heise@hotmail.com),

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

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