Inflação 1 x 0 Boi Gordo

Por em 10 de fevereiro de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #202, de 07 a 13/fev/16)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

É quarta-feira de cinzas! Para quem lida com o bovino, isto não quer dizer muita coisa, pois o nosso carnaval é diferente: não é muito longe do batente!

A rima ficou pobre e, portanto, muito bem alinhada com a marchinha que mais fez sucesso de sexta para cá: “me dá um dinheiro aí”. A novidade é que, em 2016, o “me dá um dinheiro aí” deve ter seus dias de glória também depois do carnaval, talvez até dezembro, afinal de contas, a “Banda do Planalto” está com a corda toda, capitaneada pela nossa “presidenta”.

Enquanto saboreamos nossa maior festa popular, vemos mais um produto de nossa exportação “bombar”… E não é a carne e nem o milho… É o zika! Mas, está tudo bem, pois enquanto isto, “na sala de justiça”, o Obama resolveu investir em algo bem melhor que alegorias e fantasias: quer injetar US$ 1.8 bi em pesquisas para o combate ao vírus.

Voltando ao nosso tema central, o “jogo começou” para valer. E já tomamos o primeiro gol. O nome do artilheiro adversário é INFLAÇÃO. Olho no lance!!!

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Tivemos mais uma semana dourada, a quarta de alta seguida da arroba. Ela iniciou com o indicador Esalq/BVMF em R$ 152,21/@ a vista (variando de R$ 148,25 a R$ 155,50) e terminou com R$ 152,55/@ a vista (variando de R$ 150,50 a R$ 155,50).

A banda mínima do intervalo de negociação subiu, como está acima e também confirmado pelo nosso BeefRadar que apontou em sua tela, na sexta de carnaval, preços de R$152/@ (frigoríficos grandes) a R$ 154/@ (pequenos), com negócios até R$ 1/@ acima. Já no MS, na “terra do tuiuiú”, vimos desde R$ 140/@ a prazo até R$ 140 a 141/@ a vista, dependendo do apetite do comprador.

Quanto às escalas, a coisa está tão apertada que conseguimos achar comprador de boi em plena segunda de carnaval na sala de compra, mesmo sem a indústria estar “rodando”. O matinê deles só tocou “ei, você aí, me vende um bovino aí”. Isto porque, em SP, os frigoríficos estão precisando de animais para dentro da semana (maioria nesta situação). Poucas empresas estão para o início da semana seguinte (16 ou 17/fev). No MS, a maioria das plantas está para o dia 15 ou 16/fev. Portanto, o “DIA D” permanece na quinta (11), o placar cravado em 3 a 4d úteis e o STATUS DO BEEFRADAR estacionado em:

15% queda : 45% estabilidade : 40% alta

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Os comedores de pequi (grupo no qual me incluo com orgulho) estão felizes, pois o preço mais comum agora é o R$ 144 a 145/@ a prazo (boi comum) mais prêmio EU e com notícias de sobre preço de até +R$2/@. E o motivo aqui também é oferta ruim: escalas apertadas, pois mesmo com o feriado, tem muita gente sem completar a semana ou no máximo no início da próxima. Quem está mais “longo”, está para a terça (16/fev).

O diferencial de base com SP quis abrir, pois fechou a média semanal em quase R$11/@. Tomara que seja apenas uma variação semanal sem indicação de tendência, que é a nossa opinião. Curiosamente, o deságio para as arrobas de vacas fez o mesmo movimento e fechou a média semanal em -5.3%. Olho atento aqui!

 

3) HORA DO QUILO: todo mundo acha que o negócio da China é vender para eles. Falta apenas combinar com os chineses… Para eles, o negócio da China é comprar. Veja o que aconteceu com esta renomada empresa no link em anexo. Não vai demorar para ocorrer com os frigoríficos. Segue o link a seguir: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Economia-e-Negocios/noticia/2016/02/empresa-chinesa-compra-syngenta-por-us-43-bilhoes.html

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: A frase de Maurício Palma ilustra bem a questão de uso de tecnologia pela pecuária em 2016: “a agricultura sem tecnologia morre. E a que usa tecnologia, tem ano que ganha mais dinheiro e ano que ganha menos dinheiro. A pecuária está cada vez mais próxima deste modelo”.

 

5) PORTA RETRATO DA SEMANA:

 

5.1) Foto de Rogério Peres, Agropecuária Fazenda Brasil no MT (bezerrada tricross nelore, angus e bonsmara)

20160207 - tricross AFB

 

5.2) Foto de Luis Caires, em Iaciara-GO, local das barrigudas gigantes

20160209 - barrigudas

 

5.3) Foto de Mauricio Garcia, em Chapadão do Céu-GO, Fazenda Barra Bonita (e do milho lindo)

20160209 - mii

 

5.4) Foto de Marcelo Whately, em Botucatu-SP, na Confraria da Carne, a Meca da carne de qualidade do Brasil, de Roberto Barcellos

20160207 - meca das carnes

5.5) Já que falamos em qualidade de carne, está aí a foto do Prof. Pedro de Felício em ação, em Barretos-SP. Se a Confraria da Carne é a meca da carne de qualidade do Brasil, o Prof. Pedro de Felício é o nosso Messias no assunto.

20160209 - messias

 

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

6.1) A indústria do Brasil, a “chepa” mundial: a nossa indústria amargou queda de 8.3% em 2015, a maior da história. Não é à toa que as ações das empresas brasileiras, estão a preço de banana, literalmente. Lá “einvéim o chinês raspando tudo”…

6.2) Seguindo os passos dos concorrentes: tem chamado a atenção a perda de competitividade da carne bovina frente ao suíno e ao frango, dois concorrentes. Esta relação de concorrência é avaliada pelo indicador “spread dianteiro x concorrentes”. Nada mais é que a relação de preço entre as proteínas. O dianteiro tem experimentado neste início de janeiro aumento de demanda, seja pela dificuldade que a população tem hoje para comprar cortes bovinos mais caros, seja pela exportação. Enquanto isto, as duas carnes alterativas têm sofrido com a queda na demanda interna (para se ter ideia, o suíno perdeu mais de 25% de preço em uma semana). Com isto o tal “spread” ficou no seu valor recorde para o mês de janeiro, segundo dados do CEPEA. Conclusão: vamos pôr as barbas de molho…

6.3) A folia do indicador: no ritmo de pré-carnaval, cravamos o recorde nominal da arroba da história novamente: R$ 152,97/@ em SP, à vista, na segunda, dia 01/fev. O motivo: segue atuando no mercado a “Imperadora dos preços para cima”: a oferta restrita… Como já dissemos aqui: em 2016, o padrão de oferta manterá a tendência de ser restrita, mas neste momento, tudo corrobora para o não envio de bois e vacas ao abate. E aí a “Imperadora” atua: “faltou o bovino, paga para cima messsmo”, como nos ensinou o Ricardo Heise. Ela é quem manda, mais que a carne, que por sinal, reagiu um pouco nesta última semana, pois o atacado refletiu uma leve melhora no escoamento (nada que mude o cenário de queda considerável de margens da indústria dos últimos 15 dias, mas é uma boa notícia). Também como dito aqui, o mercado está muito “justinho” e neste cenário, leves alterações na demanda/oferta costumam produzir consequências consideráveis.

6.4) Três fatos que podem mudar o humor da “Imperadora”: a tríade a seguir elencada tem tudo para determinar até onde a oferta restrita (a nossa “Imperadora”) irá ter as rédeas do mercado na mão. E o somatório destas três importantes questões vai determinar se o abate de animais aumenta este ano, como prevê o Maurício Palma. Ousamos achar que não, ao menos por ora. A tríade é:

* abate de fêmeas no segundo trimestre: aumenta ou vai prevalecer a retenção de matrizes?

* confinamento de 2016: vai prevalecer o filme de terror “milho caro” levando a diminuição de volume ou então vai valer a máxima que diz: “confinamento para intensificação não é opção, mas sim necessidade” (de novo, do nosso grande mentor Maurício Palma)?

* O El Niño vai sair de cena e prevalecer a La Niña no final da safra de chuvas, levando à entrada precoce da fase seca do ano ou vai ocorrer um atraso na entrada da La Niña, levando a uma postergação da estação chuvosa?

6.5) Os vários Países dentro do Brasil: vejamos o relato do nosso grande companheiro e amigo de Rondônia, o Alexandre Foroni, a respeito do Acre, visitado por ele recentemente: “preocupação com a segurança nas fazendas por motivo de roubo; chuva muito abaixo da média histórica e isso tem feito que se tenha muito capim. Quase todas as fazendas visitadas tinham muito capim sobrando. Pois normalmente nesta época chove tanto que costumamos falar que tem estresse hídrico por excesso de água no solo; escala curta, muito curta no acre. De 1 a 2 dias. Frigorífico ligando atrás de boi. O Acre nunca teve isso. Sempre muita oferta; muito gado saído vivo do estado para SP e PR, principalmente. Bezerros, garrotes até boi magro de 15@; muitas fazendas estão tendo muito problema com a cigarrinha”. Muito obrigado, Foroni!

 

7) INFLAÇÃO 1 x 0 BOI GORDO

Toda vez que acaba um mês, os vários setores da economia vão liberando seus números do ano vigente, comparando-os com o ano anterior, no mesmo período. Usualmente a sigla “YoY”, que é a abreviação derivada do inglês “year over year”, anuncia estes comparativos nos relatórios financeiros. Por exemplo: vendemos 39% a menos de veículos no mercado interno em jan/16 na comparação YoY, ou seja, jan/16 x jan/15. Outro exemplo: exportamos +37% de veículos produzidos no Brasil no YoY; vendemos -60% de tratores no mercado interno, base YoY… e assim por diante. Todos estes são números citados acima são reais para o jan/16 na base do YoY e nos dizem muito. E o que teria ocorrido com a nossa cadeia pecuária no YoY, base jan/16? Direto ao ponto:

* Preço de farelo de soja: alta de +14% no YoY;

* Preço do milho: alta de +57,8% no YoY;

* Relação de troca boi x milho: -35% no YoY, base jan/16 (hoje compra-se 3.6 sc/@ frente a 5.36 do ano passado. O pecuarista perdeu poder de compra frente ao milho);

* Relação boi x bezerro: em SP e no MS, a conta complicou mais um pouco para o invernista, pois no YoY, precisa-se de 3 a 5% mais arrobas de boi gordo para se comprar um bezerro. Porém, em GO, a tendência se mostrou inversa: hoje precisa-se 6% menos arrobas de boi para se comprar um bezerro (no fechamento de jan/15, precisa-se 8.93@ de boi gordo para se comprar um bezerro base CEPEA GYN e hoje precisa-se 8.37@). Portanto, depois de quase 3 anos, GO, mostra uma melhora no poder de compra do invernista frente ao preço do bezerro! Nada como uma avaliação YoY. Vamos acompanhar de perto esta questão!!!

* Suíno, preço pago ao produtor em SP: -10.84% no YoY;

* Frango, preço pago ao produtor em SP: +20.7% no YoY;

* Exportação de carne bovina: +5.4% no YoY;

* Preço do dianteiro bovino no atacado: +28.6% no YoY;

* Preço do traseiro bovino no atacado: +13% no YoY;

* Preço da carcaça casada (boi) no atacado: +18.45% no YoY;

* Indicador de margem operacional dos frigoríficos (Equivalente Scot carcaça): +32.33% no YoY;

* Preço do Bezerro, base MS: +9.51% no YoY;

* Preço do Bezerro, base GO: +4.4% no YoY;

* Preço do Boi gordo GO, base Esalq (relatório de preços regionais): +5.6% no YoY;

* Preço do Boi gordo SP, base Indicador Esalq/BVMF: +6.12% no YoY;

* inflação (entre 01/fev/15 a 31/01/2016): +10.96%;

Chamo a sua atenção para o último item elencado, pois ele muda toda a conta, principalmente no que é mais importante, a rentabilidade… Para você ter ideia, o boi gordo que encerrou o último dia útil de jan/15 valendo R$ 143,43/@ av, deveria valer R$ 159,15/@ av no último dia de jan/16 para repor a inflação. Porém, o valor alcançado no final do mês passado foi de R$ 152,21/@ av. O mesmo raciocínio para GO, sinaliza que o boi goiano deveria estar valendo R$ 148,06/@ a vista e não os R$ 140.90/@ av. Daí o título deste NF2R. A inflação está na frente do placar.

E aí? Caso o boi gordo “performe” em 2016 positivamente em termos de preço na comparação YoY, porém, abaixo um pouco da inflação, isto seria um fato a se lamentar? Resp.: se olharmos para o resto da economia, fica fácil dizer que não. Mas para quem tem o sentimento de que “sempre deveria e poderia ter ido mais um pouco”, a resposta é que está ruim!

Minha opinião: eu não acho que está ruim. Está bom demais, mesmo porquê, a gente vai ficar mais “ativo no serviço” neste ano. Não concorda? Não tem problema, isto é ótimo! O problema é você não desenvolver a sua estratégia, pois a estratégia de quem acha que está bom é uma e de quem acha que “ainda vai mais” é outra…

Fica claro entender que quem não tem estratégia faz parte da estratégia de quem tem uma! Que você, além das suas próprias conclusões e estratégias, possa ter uma semana abençoada! Até a próxima, se Deus quiser e nos permitir.

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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