“Golias x Golias”: este duelo ditará o destino do preço do boi no segundo semestre

Por em 13 de junho de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #220, de 12 a 18/junho/16)

 

Companheiros que pagaram a “dívida externa” do Brasil,

 

Segundo os relatos da bíblia, Golias era na verdade um homem de grande estatura, mas é referenciado como um gigante na cultura popular. Além de alto, ele era um soldado “campeão”, muito temido e pertencente aos filisteus. Na ocasião de uma guerra contra Israel, Golias desafiou alguém para enfrentá-lo num duelo. Por quarenta dias, o desafio permaneceu, até que apareceu um rapaz franzino, chamado Davi, o qual decidiu enfrentá-lo e acabou, surpreendentemente, ganhando o duelo.

Na versão pecuária desta peleja, dois “Golias” se enfrentarão no segundo semestre de 2016 e daí sairá o destino do preço da arroba. O duelo será quente, bem ao contrário da temperatura dos dias atuais. Vejamos quem está na pele dos dois gigantes…

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Esta foi uma semana em que a nossa tradicional baliza, o Indicador Esalq/BMF, causou grande controvérsia no mercado, principalmente de terça-feira em diante, pois diversos agentes acusaram baixíssima aderência entre a realidade das negociações e o próprio indicador. A frieza dos números mostra que partimos na semana passada de R$ 156,73/@ a vista (variando de R$ 153,50 a R$ 160,75) e recuamos para R$ 156,14/@ a vista (variando de R$ 155 a R$ 157,75).

No nosso acompanhamento, as vozes que reclamam da baixa aderência do indicador encontram ressonância, pois, no nosso BeefRadar, a semana terminou com valores do físico paulista entre R$ 156 a 158/@ à vista para o boi comum (há preços de boi EU entre R$ 160 a 161/@). Em tempo: esperamos que o “app Cepea Boi” resolva esta pendenga, por contribuir para aumentar a amostragem de preços. Falando nisto, você já instalou o seu app? A pecuária e o mercado futuro urgem! No último NF2R há instruções para a instalação.

Na molhada e agora também fria “terra da Guavira”, pouca coisa se alterou, de modo que a semana terminou com a arroba do boi ao redor de R$ 143 a R$ 145/@.

As escalas do MS estão de modo geral bem curtas, pois quem está confortável, está para esta quinta. Em SP, nada de refresco também, pois as escalas seguem com o “DIA D” entre a próxima quarta e quinta-feira (dias 15/16). Portanto, o placar mantém-se congelado em aproximadamente 3 dias na referência Haitong. O status do BEEFRADAR, independente de qualquer coisa, mantém a direção da alta:

5% queda : 30% estabilidade : 65% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Menos alterações de preços ocorreram na última semana, quando comparamos com as havidas nas semanas anteriores. O preço balcão mais comum continua a ser o R$ 142/@ a prazo para o boi comum, com mais R$ 3/@ referentes ao EU e “personnalité” presente.

As escalas seguem heterogêneas: há plantas frigoríficas com menos de uma semana, mas as indústrias com boi de contrato, tem bois para uma semana e meia. Na média, estão para quarta, dia 15.

A média semanal do diferencial de base “GO x SP” (DF) não se moveu muito, mas em alguns dias da semana passada o DF já ficou abaixo de R$ 17/@. Aqui vale a máxima: devagar e sempre! Outro que se move devagar é o deságio “vaca x boi”, o qual já flerta com 4%. As vacas não deram a cara nas linhas de abate e certamente ficarão mais escassas de agora em diante. Vários relatos de compradores de boi gordo apontam da maneira unânime nesta direção.

 

3) HORA DO QUILO: “Dinheiro tem que dividir para multiplicar” (João Pinheiro Rosa Netto). A frase é inspiradora para a implementação de uma política de participação nos resultados, junto aos seus funcionários. Sua fazenda tem uma política desta? Repense…

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: somos bombardeados semanalmente pelo assunto meio ambiente e frequentemente, vemos este tipo de ataque irresponsável sendo baseado em números irreais e ser disparado nas escolas infantis. Esta iniciativa da Associação do Novilho Precoce do MS (na pessoa do pecuarista Alexandre Scaff Raffi) e da Embrapa Gado de Corte deve ser louvada: uma publicação com finalidade exclusiva para o público infantil, trazendo a estas crianças uma informação fidedigna com a realidade. Assim que tiver um link sobre a ação, posto aqui.

 

5) BOITOGRAFIAS DA SEMANA

 

5.1) PRESENTE DO DIA DOS NAMORADOS?  Há um novo vilão das finanças alimentares do povo, o feijão:

20160612 - Feijão

5.2) PRESENTE PARA MIM:  participar honrosamente desta programação no Mato Grosso do Sul, com o economista do agro que mais admiro:

20160612 -  Zoomix

5.3) DE OLHO NA BOA GENÉTICA:  

20160612 - BSB

5.4) DE OLHO NUM NOVO CONCEITO:  tomara que este conceito seja propagado, na mesma linha do “gibi” ou “revistinha”, como anunciado acima. Mais uma bola dentro da Embrapa Gado de Corte: o novo conceito CARNE CARBONO ZERO:

20160620 - Embrapa

 

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

 

6.1) Milho, segue a indefinição: a queda de cerca de R$ 2/saco no preço do milho, vista em muitas regiões, desagrada os vendedores, ao mesmo tempo que não satisfaz os compradores, os quais querem uma queda de pelo menos R$ 10/saco. Muita gente está esperando a safrinha reduzir os preços das diárias para fechar os bois em um preço de trato mais barato, ou pelo menos encontrar o grão para confinar o bovino. O problema é que do final de maio para cá, a soja diminuiu a chance de serem reduzidas as tabelas de trato, pois agora, a suposta baixa do milho, tem que, além de aniquilar a alta do próprio grão, ainda por cima, tem que mitigar a alta que o farelo proteico teve nas últimas 3 semanas. De toda a forma, pode ocorrer uma concentração de início de arraçoamento em meados de julho, o que poderá concentrar a saída de bois de cocho em meados de outubro… Setembro poderá ser o pico do problema de falta de oferta? Segue o jogo!

 

6.2) Reposição, segue o relaxamento de preços: os bezerros seguem ofertados, talvez não em derretimento severo (na maioria das praças, apesar de que em algumas há relatos de preços sensivelmente reduzidos), mas certamente estão mais acessíveis aos terminadores, em linhas gerais. Outra categoria que apresenta, em várias regiões, um movimento de pressão, são os bois magros, em função do pouco estímulo para o confinamento. Uma frase que escutei esta semana de um técnico resume bem o momento para a reposição: “Ah, seu eu tivesse dinheiro e capim agora”. O problema é que faltam ambos, para a maioria dos “viventes”.

 

7) O LADO “B” DO BOI: Golias x Golias

E o frio mais duro chegou, trazendo consigo a geada, desde a região sul até o sul do MS. Ruim? Sim, em confinamentos de SP, ainda mais, pois os animais já enfrentavam chuvas em excesso. Ruim também para os pastos das baixadas do sul do MS e do PR.

Mas estas geadas, além de já estarem anunciadas há várias semanas, não são novidade para o sul mato-grossense nesta época do ano (o NF2R #213 citava isto). Pode haver alguma desova de bois de pasto no MS, mas, se ocorrer, acreditamos que será como jogar um pingo d`água numa chapa quente. E, se isto ocorrer, o que mais terá que acontecer para aparecer mais bois de pasto prontos? Independente disto, o frio é a “última cartada” dos frigoríficos e eles vão “operar clima”, como já fizeram na BMF esta semana (a bolsa caiu em função disto, movimento também potencializado pela baixa liquidez).

Todo este cenário acima, se soma ao imbróglio que o alto preço do milho está causando na reduzidíssima oferta de bois de cocho de modo que nem precisamos novamente falar da questão de confinamento, também afetado pela falta de dinheiro circulante, de crédito para financiar este tipo de produção.

Em resumo, falamos aqui da oferta de gado terminado nos parágrafos desta seção, o que se configura no primeiro gigante: OFERTA REDUZIDA!

Da mesma sorte, o nosso mercado consumidor interno segue profundamente abalado pela pior crise que vivemos nos últimos 100 anos em nossa economia, com “direito” a indicadores de recessão típicos de guerra. Houve migração de consumo de carnes e, no final das contas, retrocedemos mais de uma década (estamos com consumo inferior a 30 kg/hab/ano).

Com a redução do consumo, as vendas internas de carne complicaram muito. Veja o parágrafo do último NF2R: “margem Equivalente Scot Carcaça, a qual reflete o faturamento do frigorífico de mercado interno que não vende carne desossada (vende carcaça + couro + sebo + miúdos + derivados + subprodutos e que é o indicador com melhor correlação com o preço da arroba, dos quatro que o Scot tem), terminou a semana com o menor valor da série que acompanho”. Ele pode ser totalmente repetido neste, sem retirar uma palavra sequer. A margem dos frigoríficos do mercado interno que vendem carcaça praticamente ZEROU nesta última semana. Sim, é isto mesmo! Nunca vi este indicador nesta situação! Há um ano atrás, a margem era 12.1%! Os frigoríficos vão fazer novo ajuste de produção? Eu não sei, só sei que perderam o medo de fechar plantas em 2015, isto é fato!

O frio acabou aparentemente esfriando o dólar, o que não é bom, pois a exportação era a nossa grande aposta para atenuar este problema interno. Rodamos com o câmbio próximo a 3.40 em vários dias na última semana, número que confere margem menor para as vendas externas. Outro fator complicante é a volatilidade da moeda americana em relação ao real. De fato, o que vimos até agora em 2016 foi um primeiro trimestre pujante, mas depois, o motor das nossas vendas externas de carne perdeu rotação. A verdade é esta.

Portanto, o segundo gigante é: a DEMANDA REDUZIDA! Quem vencerá esta batalha?

A frase que mais retrata a cadeia produtiva neste momento é: apertou para todos os elos, da cria até a exportação! Sofrerão menos os que tem gerenciamento produtivo, financeiro e de risco-comercial. É uma fase de aumento da pressão na “seleção natural” dos produtores e demais elos, fase muito bem-vinda, por sinal, pois é depurativa.

Que tenhamos um tempo de serenidade e luz, com a chama de evolução acesa e uma semana repleta de felicidade. Até a próxima!

 

Rodrigo Albuquerque (boicom20@gmail.com) &

 Ricardo Heise (r.heise@hotmail.com),

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

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