“Este ano pode lhe fazer rico com o mesmo ímpeto que pode lhe tornar pobre”

Por em 18 de janeiro de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #199, de 17 a 23/jan/16)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

Todo começo de ano a pergunta é a mesma: “como será o preço do boi”? Os analistas escutam este questionamento nas entrevistas e palestras. Mas este ano está diferente, em dois aspectos. O primeiro: as pessoas querem saber como será o cenário de preços, mas estão indo além: querem saber, sobretudo, o que este cenário pode trazer de consequência nos seus negócios. E o segundo aspecto: a “pressão” está maior, ou seja, o grau de ansiedade do questionamento está muito mais elevado. Está todo mundo “arvoroçado” igualzinho rapaz de quinze anos em festa de debutante.

Dizem que depressão é excesso de passado e ansiedade é excesso de futuro. Contra ambos, o melhor remédio seria o presente, que aliás tem nome de dádiva! E nele está a solução, sempre, ainda mais em 2016! Por isto, definitivamente, não vale a pena ficar com a cabeça no futuro, mesmo porque este futuro, no caso da pecuária, pertence ao passado (tal qual nos ensinou o Antônio Chaker: “os próximos 12 meses de sua Fazenda pertencem ao passado”). Vamos ao presente, portanto! Obs.: já que falamos tanto em passado/futuro, no último parágrafo deste, comunicamos uma importante notícia a respeito do futuro do NF2R.

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

A nossa baliza mestre, o indicador Esalq/BVMF, apontou para uma leve alta nesta semana: partiu de R$ 147,38/@ a vista (variando de R$ 146 a R$ 150/@, a vista) e alcançou R$ 148,89/@ a vista (variando de R$ 147,50 a R$ 151/@, a vista).

O BeefRadar capturou no mercado físico, negócios entre R$ 148 a R$ 152/@ a vista nas terras bandeirantes, sendo a maioria dos negócios em R$ 151/@, mas com “personalitè” mais comum que “tiririca em remanga de leiteria”. Parece que mesmo com o sobre preço acima da referência, o bovino não quer “dar a cara” neste início de ano.

Na “terra do tuiuiú”, o boi segue cabisbaixo, com preços comuns entre R$ 136 a R$ 138/@, com escalas anunciadas de uma semana. Mas, cuidado, “metade deste balde é escuma”: tem muita falha nesta escala, mesmo porque, está difícil para embarcar boi (chuva).

As escalas paulistas continuam no estilo “manga de colete” mas parece que o colete está querendo dar uma encolhida devido às chuvas. O “DIA D” segue na próxima quarta, dia 20/jan e o placar cravado em 3d úteis. Quase ninguém está com a semana fechada.

O STATUS DO BEEFRADAR, considerando o indicador, fica estável:

 

20% queda : 45% estabilidade : 35% alta

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O pequi segue encharcado e o bovino raleado. O preço balcão mais comum é o R$ 140 a 141/@ a prazo para o boi comum, com prêmio EU de + R$2/@. O “personalitè” está virando “carne de vaca”, bem comum, de até +R$3/@.

Fontes relatam ofertas em queda e a semana começa com espaço para abates à partir de terça/quarta (semana completa aqui é raridade).

Entramos no meio do primeiro mês do ano e até agora, nada de novidade: diferencial de base Go x SP em -R$10/@ e deságio de 4.5 a 5% para a arroba da vaca.

 

3) HORA DO QUILO: a interessante visão de Luiz Carlos Mendonça de Barros e a inflação no link a seguir: http://www.valor.com.br/brasil/4387266/pode-matar-todo-mundo-de-fome-que-inflacao-nao-vem-pro-centro

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: foi destaque nesta semana a criação do IMAC (Instituto mato-grossense da carne), pelo qual parabenizamos nosso Companheiro Francisco Manzi. Ganha toda a cadeia da carne, desde produtores até os consumidores, incluindo a indústria frigorífica: http://www.mt.gov.br/-/cadeia-da-bovinocultura-ganha-estimulo-com-a-criacao-do-imac

 

5) FOTO DA SEMANA: a cultura do churrasco é nosso dever propagar. Nosso companheiro Carlos Eduardo Rocha, o conhecido “Paulista”, um árduo trabalhador que atua em favor do produto brasileiro no concorrido cenário mundial, nos enviou esta foto, local onde faz o “test-drive” dos produtos que comercializa mundo afora.

 

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6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

6.1) São Pedro, o funcionário do mês: tenho como premissa nunca reclamar de chuva, independente do que possa causar. No nível que está (desde dezembro, à exemplo do MS) e agora mais generalizada, a chuva começa a causar desabastecimento (não é uma reclamação, simplesmente uma constatação) pelas dificuldades de embarque, notadamente no MS, mas também no PR, SP, GO e MG. As escalas de SP estão no menor nível dos últimos doze meses. Temos um problema de oferta, é fato, mas agora isto está potencializado pelo problema de represamento de animais terminados em função de logística complicada e também por opção dos pecuaristas (pastagem em estado de exuberância, decisão por não fazer manejo em currais com lama e preço ascendente). Bom para o boi, pois este “raleamento” restringe a disponibilidade interna de carne e sustenta os preços, no momento do mês em que é esperada queda na venda de carne, principalmente num mês ruim de venda, como janeiro. Esta escassez de oferta não é surpresa. Aqui, neste espaço, alertamos, em 13/dez: “a oferta de gado terminado após a revoada de confinamento não será fácil”;

6.2) Vendedor de milho, mais folgado que capim “mindica nas baixada moiada”: e o milho segue seu caminho, em direção ao céu. Alta bastante forte na semana, dia após dia, sem previsão de alteração deste cenário. A relação de troca com @, na base de seus indicadores da BVMF perdeu o suporte de 3.5 sacas/@. Até onde vai cair? Difícil saber. Já tem gente falando que a chuvarada pode, por interferir na soja e atrasar sua colheita, diminuir a janela para plantio da safrinha… Tudo isto é muito difícil para o boi confinado e mais ainda para o frango/suíno. Portanto: altista para o bovino…

6.3) Davi x Golias, a saga: os frigoríficos médios/pequenos vão fazendo cada vez mais “barulho” com as suas propostas de compra de gado para abate com pagamento antes da liberação dos lotes nas Fazendas, mediante combinação de rendimento de carcaça prévio. Este é o “à vista” POI. Este modelo deveria ser expandido para indústrias maiores… Quem sabe!

6.4) “Tudo indica que vai continuar sobrando petróleo no mundo”: a previsão sombria para os exportadores de petróleo veio de um grande banco e deixa países como Rússia e Venezuela na berlinda. O preço, dizem, pode sair da casa dos US$ 30 e “rumar” para os US$ 20/barril. Atenção, isso impacta nossa exportação e mexe com os alicerces da economia mundial;

6.5) Cartas na mesa: a BVMF tem já no seu ajuste diário os preços de praticamente todos os meses até o final de 2016 para a @ bovina. Em GO, considerando o diferencial de base de R$ 10/@ (média de 2015), o boi da safra, segundo a precificação atual da bolsa, deve encerrar o mês de maio à R$ 144,01/@ e a entressafra à R$ 150,29/@. Façam as suas contas.

6.6) Expopec, de Porangatu-GO: organizada pelo nosso Companheiro Maurício Velloso, dentre outras pessoas, este evento, na Capital do Bezerro de qualidade do GO, promete. Marque em sua agenda:

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7) 2016: DEIXARÁ VOCÊ RICO OU POBRE?

Os analistas da Empiricus nos emprestaram a frase que dá o título a este informe. No material em que ela estava citada, focado em ações de empresas (Bovespa), estava impregnado uma similaridade muito grande com o mercado pecuário: a altíssima imprevisibilidade que este ano nos trás!

Nas duas últimas semanas, ouvi, assisti, li e estudei a maior parte dos analistas do mercado pecuário brasileiro, todos que eu admiro e me inspiram. Também revi tudo o que produzimos em termos de números, planilhas, relatórios e gráficos. Traçamos (eu e o Ricardo Heise) cenários para todos os elos da cadeia pecuária, pois fizemos o material de “start” para as palestras do ano. Investimos tempo nisto e isto ainda será reavaliado semanalmente. Traçamos o que nós esperamos para o ano, como cenário mais provável e começamos a divulgação disto nas palestras (que já iniciaram), além da utilização nas travas dos nossos animais.

Trazemos como nossas melhores apostas, depois de “ruminar” todos os dados e perspectivas à cerca do mercado pecuário de 2016, o seguinte:

– os preços da arroba tem como cenário mais provável a variação positiva na média do ano, comparando com 2015, porém, apresentando incremento de preços abaixo dos ocorridos nos últimos anos (variando próximo da inflação);

– deveremos ter um cenário de custos em alta, com perspectiva de resiliência neste movimento de custos, principalmente devido ao dólar;

– como consequência dos itens acima, deverá imperar um cenário de encurtamento das margens operacionais dos produtores, começando pela engorda neste primeiro momento, mas aos poucos (e possivelmente não em 2016), a redução de margens deverá chegar até a cria. Obs.: as margens, ainda que menores, tem maiores chances de serem positivas no corrente ano;

– 2016 se apresenta como o ano em que devemos nos preocupar mais com margem do que com preço;

– o trinômio “clima-política-economia” nos brinda com um componente de incerteza enorme, dando irrestrito tom de imprevisibilidade ao nosso negócio;

O caminho que se apresenta como única alternativa ao que está acima é exatamente a busca pela EFICIÊNCIA, busca esta que somente será exitosa se for precedida por GESTÃO PRODUTIVA, GESTÃO FINANCEIRA E GESTÃO DE RISCO COMERCIAL. O componente GESTÃO DE RISCO, NA MAIORIA DAS VEZES IGNORADO ATÉ PELOS SISTEMAS QUE DETÉM GESTÃO PRODUTIVA E FINANCEIRA, SERÁ A ÚNICA FORMA DE SE APROVEITAR AS OPORTUNIDADES RARAS QUE APARECERÃO UNINDO-AS COM BAIXA EXPOSIÇÃO AO RISCO.

SOMENTE O TRIPÉ DAS TRÊS GESTÕES EM IGUAL INTENSIDADE NO SISTEMA DE PRODUÇÃO PODE TORNAR PALPÁVEL O OBJETIVO MAIOR: A SUA BLINDAGEM PATRIMONIAL EM 2016, ALGO AUDACIOSO, MAS PERFEITAMENTE POSSÍVEL.

E quanto à ansiedade ou “ânsia por saber do futuro” que o mercado apresenta (notadamente sobre os preços da @ nos próximos meses), o que eu tenho sugerido está resumido na magistral frase do mestre da administração Peter Druker: “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”, ao que acrescentaria: especialmente se vier temperado pelo tripé de gestão citado acima.

Falando em “criar o futuro”, temos uma grande novidade sobre o futuro do NF2R. Veja no link: http://sites.beefpoint.com.br/rodrigoalbuquerque/edicao-extraordinaria-comunicado-ao-mercado/

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

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