Empurrão é o que começa a briga, mas…

Por em 7 de março de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #206, de 06 a 12/mar/16)

Aos que carregam o “pó da viagem”,

Foram tantos acontecimentos marcantes nesta última semana, que poucos estão se lembrando que o PIB foi divulgado e escancarou uma retração de 3.80% em 2015, a maior em 25 anos. Nós, como de costume, fomos a exceção: +1.8% na agropecuária. Eu quase ia me esquecendo, afinal de contas, está se tornando uma rotina: as revistas do final de semana sempre trazem uma nova bomba nas áreas política e econômica.

Teve ex-presidente que recebeu a PF às 6h da manhã em casa para uma condução coercitiva histórica. O bovino também sofreu uma tentativa de condução coercitiva: a semana mal tinha começado e um grande player tentou baixar o boi em R$ 10/@. Mas o boi está resistindo à esta condução melhor que o ex-presidente. Obs.: fico imaginando se este frigorífico fosse a PF, qual seria o nome desta operação: “Operação bêbado na ladeira”?

“Nunca antes da história deste País” (credo), vi empresas em tendências de preços completamente diferentes, com diferença de quase R$10/@ dentro da mesma área, dentro do mesmo estado! Tentaram dar um empurrão para baixo no boi gordo, totalmente a fórceps. Falando em empurrão, geralmente é um deles que começa a briga, mas…

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

A nossa baliza, o indicador Esalq/BMF SUBIU pela oitava semana seguida, partindo de R$ 155,57/@ a vista (variando de R$ 154,50 a R$ 156) e chegando a R$ 156,76/@ a vista (variando de R$ 154,50 a R$ 159,50) na última sexta-feira.

Além de cravar mais uma semana de alta, cravamos o novo recorde nominal da arroba (R$ 156,76/@, a vista, base SP) na última sexta. Está bem difícil de entender este ano… Cravamos o recorde de preço na semana que tentaram baixar o boi por condução coercitiva? Uai???

Encerramos a semana, na tela do nosso BeefRadar com ofertas de preços entre R$ 148 a 158/@, dentro de SP. Mas, só há negócios entre R$ 155 a 158/@, notadamente feito pelas indústrias pequenas, que são as que agora pagam na “prateleira de cima” do intervalo de negociação (na semana passada, eram as grandes, que agora recuam). Na “terra do tuiuiú”, outra dispersão de preços gigante e inédita: desde R$ 130 a prazo para o boi inteiro até R$ 144/@ para o capão. Há muitos embarques de gado para abate fora do estado e variação na escala (norte do estado com semana fechada e sul quase sem escala).

Com a “operação bêbado na ladeira” deflagrada pelo grande player, o volume de negócios que já era baixo, caiu mais ainda: em SP, o padrão de escala curta permaneceu, estando a maioria dos frigoríficos com escalonamento de bois próximo à quarta-feira (09/mar). Assim, o “DIA D” segue congelado na quarta (09), com o placar de aproximadamente 3d úteis.

O STATUS DO BEEFRADAR foi alterado para:

25% queda : 60% estabilidade : 15% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Em GO, também há um abismo de distância entre as ofertas de compra detectadas no BeefRadar do final da semana: desde R$ 135/@ a prazo até R$ 142/@, com personnalité de até R$ 2/@ e prêmio EU de +R$2/@. Uma variabilidade de preços jamais vista.

O reflexo disto são as escalas, tão distantes quanto os preços, de acordo com o rumo das ofertas de compra que cada indústria tomou. Quem embarcou na idéia da “condução coercitiva” do boi está precisando de animais da mão para a boca. Ao passo que as indústrias que se mantiveram serenas, tem próximo de uma semana de escala.

E o diferencial de base segue preocupando agora o boi de GO também: abriu novamente para a maior média semanal do passado recente: -R$ 14,13/@. Certamente, um pouco disto é o “chacoalhão da semana”, mas… atenção! A arroba de fêmea retrocedeu um pouco e estreitou a diferença para o macho, ficando em -5%, aproximadamente.

3) HORA DO QUILO: olha o apelo absolutamente dentro do contexto ambiental e econômico que o produto do nosso amigo Fernando Huber Tank tem. Este informe não tem interesse comercial, mas além do Fernando ser um grande amigo e um excelente empreendedor, o produto dele (bebedouro para gado), fala por si. Esta semana estivemos juntos na Intercorte, na etapa de Cuiabá. Segue a foto. Quem quiser saber mais, veja em: http://www.rubbertank.com.br/

20160306 - RubberTank

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: a quarta-feira, foi um dia histórico para a pecuária. Foi lançado, durante a etapa de Cuiabá, o IMAC (Instituto Matogrossense da Carne), uma ação do Governo do Estado e da Acrimat, encabeçada pelo Luciano Vaccari e pelo Francisco Manzi, com participação ativa do excelente Governador Pedro Taques. O objetivo do Instituto, nas palavras de Vaccari, é: “O IMAC não é um Instituto do Governo. Nele, os produtores e frigoríficos tem assento, o governo intermedia. E a relação de assentos não é estática. Quem vier para somar, será sempre bem-vindo. O IMAC visa vender mais carne, vender com padronização normatizada, ajudar a produzir o que o consumidor quer comprar, vender carne com rastreabilidade, mas rastreabilidade num novo modelo e, por fim, ter um sistema de balanças de caixas pretas, de imediato. Com relação às balanças, o piloto do projeto será realidade em jun/2016 no Marfrig de Tangará e Paranatinga, com 4 balanças na linha, com controle pelo IMAC”. Parabéns ao Estado que manteve o pioneirismo.

5) PORTA RETRATO DA SEMANA:

 

5.1) Foto de Fernando Sampaio, da ABIEC, na Arábia, promovendo a nossa carne, num evento com clientes. Toda a nossa energia positiva para o seu êxito de sua missão, General!

20160306 - Arábia

 

5.2) Foto tirada por mim mesmo, na Intercorte, em Cuiabá. Evento grandioso, com 1.406 inscritos e um conteúdo de primeira qualidade. A próxima etapa do circuito é em SP, dias 16 e 17 de junho…

20160306 - Intercorte

 

5.3) Esta é a caixa modelo onde serão exportadas as carnes provenientes do Estado do MT. Nela está estampado o revolucionário selo que identifica o IMAC:

20160306 - Caixa exp MT

 

5.4) Açougue vazio e peixaria cheia. Quaresma? (foto de Ricardo Heise)

20160306 - Peixaria

 

5.5) Tem fotos que só existem porque as Mães estavam longe (Alexandre Scaff Raffi, no MS):

20160306 - sem a mãe

 

6) EMPURRÃO É O QUE COMEÇA A BRIGA, MAS…

A semana mal tinha começado e, mesmo com padrão de escalas idênticas ao final da semana anterior, um grande player do mercado tomou uma atitude inédita, brusca e de magnitude poucas vezes vista com o cenário de mercado presente (oferta curta): cerca de R$ 10/@ “anoiteceram e não amanheceram” na tabela de compras de muitas unidades desta grande indústria, tal como se o boi pudesse ser “baixado por decreto”, o que chamamos de “Operação bêbado na ladeira”, uma espécie de “condução coercitiva” para o bovino. Ao longo da semana, o que se viu a partir daí, foi:

* imediatamente pecuaristas e também uma parte da indústria “tateando” o mercado e procurando entender a mudança de rumo repentina e drástica;

* rumores de paralisações de abate ou de redução de abates entre 6 a 8 plantas no Brasil;

* o volume de negócios, que já era pequeno, caiu muito, pois o comportamento natural é este com qualquer pessoa que não está entendendo o rumo do mercado. A escala não evoluiu, mesmo para as empresas que em algumas situações, chegava a pagar R$ 9/@ acima dos concorrentes e terminou a semana com cerca de 3d em média na praça paulista;

* Os frigoríficos pequenos, em SP, continuaram a pagar praticamente os mesmos preços da semana anterior, entre R$ 155 a 158/@ a vista e mesmo assim, não compraram bem. Prova disto é que o indicador Esalq/BMF do físico se manteve e até subiu, cravando o novo recorde da arroba no Brasil. Fato semelhante ocorreu em outros locais, como GO;

* Obviamente, com o cenário de boi “nas alturas” e o de venda de carne deteriorando cada vez mais, inclusive com estoques em rota de “encalhe” (principalmente de traseiro), algumas empresas tentaram pegar um “vácuo” nesta queda, baixando o boi levemente (cerca de R$ 2/@), fato muito natural e até entendível;

* Quanto à demanda em queda, temos que lembrar da quaresma, que ainda tem algum efeito deletério em termos de consumo, além da situação do consumidor brasileiro, complicada pela economia em recessão e inflação em nível impactante;

* O boi na BMF, hoje infelizmente um mercado pequeno, não aguentou a pressão e cedeu fortemente, diferentemente do físico. Caiu cerca de R$ 3,50 a 4/@;

* dois fortes indicadores em rotas opostas: o preço do boi, no físico, que não cedeu e o atacado, embalado pela forte queda das vendas, materializando a menor margem operacional do ano, segundo os indicadores da Scot Consultoria, chegando nos baixos níveis de 2015, momento em que foi deflagrado o ajuste de produção pesado do ano passado. Atenção!

E para “cabá com o pequi do Goiás”, amanhecemos na sexta com a operação Aletheia da Polícia Federal, conduzindo coercitivamente o ex-presidente Lula a um depoimento. É o cenário político-econômico em pauta, na rota de colisão com o bovino. Sim, isto tem o potencial de alterar as coisas, fortemente. E, sinceramente, entre as duas operações deflagradas na semana passada (“Aletheia da PF” e “Bêbado na ladeira” do mercado da arroba), a que mais me preocupa é a Aletheia.

Digo isto, porque a sequência de fatos foi coincidentemente macabra e sinistra para o bovino: primeiro, o empurrão nas costas do mercado, que se por um lado não foi exitoso, pelo menos “balangou” a coisa. Mas, até aí, tudo normal. Estamos acostumados aos solavancos de cima do arreio e não é um simples “balangadinho” que vai nos abalar. Mas, a reação dos mercados ao saberem da Aletheia mexeu fortemente com o dólar, que caiu 6% na semana (a maior queda semanal dos últimos anos, enquanto vimos a alta semanal de 18% na Bovespa). Muitos economistas e amigos acham que isto pode passar, eu também acho, e a moeda americana voltar ao patamar dos R$ 4. Tomara! Porém, caso isto não ocorra, será uma heresia contra a sua Santidade, a exportação. E isto, combinado, ao cenário interno desastroso que atualmente temos na nossa demanda, tem o potencial de nos colocar em maus lençóis… Um amigo ligou ao Ricardo Heise e disse: “manda sortá o homi, o boi desceu R$ 4/@ e a soja R$ 8/@”!

Não se iludam que um dólar menor trará alívio nos custos, a não ser para os adubos da agricultura, que são PTAX. Os custos costumam subir no elevador chamado dolarização (os fosfato subiu mais um “gole” no início da semana passada), mas descer de escada…

Acompanhemos o desenrolar dos fatos e ruminando-os, percebo que eles nos confirmam o que já falamos aqui, reiteradamente: 2016 é o ano da imprevisibilidade e da eficiência. Lembrei muito da frase do Sergio De Zen no Encontro de Analistas da Scot Consultoria em 2015: “vocês estão aí fazendo previsões… Eu não me sinto confortável em fazer previsões para 2016”.

Mas, e daí? A situação é esta, mas fazer o quê? Nossas sugestões:

*se você não fez nada até agora, ou seja, se não aproveitou a curva de alta que a bolsa vinha precificando, vendendo a sua produção aos poucos, agora é hora de não fazer nada e deixar a poeira baixar primeiro. A visão de todo mundo está opaca;

* olho atento ao dólar, pois se este novo patamar se consolidar, mais empresas podem tentar surfar neste vácuo de preços em queda proposto por um big player do mercado;

* este movimento de baixar o físico na “marra” está mais para tosa de porco, ou seja: muito barulho e pouca lã. Aguardar para vender é uma opção bem interessante, portanto. Recomendamos vender somente o boi do boleto, aquele para pagar a conta inadiável;

E, finalmente: esta estratégia de “baixar boi por decreto”, mesmo que talvez coincidentemente embalada pelos fatos políticos com influência econômica (via apreciação do câmbio), ainda nos parece mais um enorme “tiro no pé” da indústria que encabeçou o movimento e que poderá ter como principal destino o ranço no relacionamento comercial com seus fornecedores. Pena que o contrato de boi na bolsa está sem o volume dos fundos e dos demais agentes financeiros, pois caso contrário, ela “poderia voltar na cara”, visto o deságio do mês presente para o atual indicador.

Entendemos que as margens operacionais da indústria estão novamente chegando em níveis potencialmente perigosos, o que não é bom para ninguém. Entendo, portanto, a energia e atitude das empresas frigoríficas, algo que também tinha sido alertado no NF2R da semana passada… Mas, definitivamente, tudo tem a sua hora e o seu jeito de ser feito.

Por ora, a ponta vendedora (pecuaristas) está escorada muito solidamente, por dois esticadores de aroeira, que estão na forma de:

* oferta curta (não é à toa que tem boi de RO sendo abatido com excelentes rendimentos no PR, da mesma forma que tem muito boi do MT sendo abatido em SP);

* pasto com bom suporte, seja pela baixa lotação que é comum a muitas fazendas de engorda atualmente, seja pelas chuvas, que nos brindam neste momento.

De toda a forma, o mercado é quem sabe para onde vai. E ele nos deu a melhor das lições dos últimos anos. Até mesmo parte da indústria foi pega de “calça curta” nesta semana. Exceção feita aos pecuaristas que negociaram o seu boi baseado em margem e não em preço e, desta forma, aproveitaram a curva de vendas da BMF com maestria. De fato, o mercado gritou tão alto que muita gente acabou não escutando…

Para quem insiste na impossível tarefa de “acertar o máximo preço”, só nos resta sugerir para que “esqueçam o erro, mas não a lição” que o mercado nos deu e para todos, independentemente de ter vendido na alta ou não, relembro o lema do Ano do Novo Chinês: “confiar no que fazem; agir com rigor e recuar com sabedoria”. Esta é uma boa hora para praticar o ato de se “recuar com sabedoria”.

Finalizamos, completando a frase do título deste NF2R: “empurrão é o que começa a briga, mas… quando um não quer, dois não briga”, afinal de contas, brigar na chuva pode dar resfriado, hehehe. É prudente não brigar (deixar de vender) agora. Até a próxima, se Deus quiser e nos permitir!

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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