Edição especial “Encontro de Analistas”

Por em 29 de novembro de 2015

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #192, de 29/nov a 05/dez/15)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

 

Continuamos no formato da semana passada, porém agora resumindo o evento da Scot Consultoria da última sexta-feira, que tinha como tema: “Até quando a pecuária será uma ilha de calmaria em meio a um mar revolto?” Porém, antes de aprofundarmos no evento, vamos discorrer, resumidamente, o mercado pecuário da última semana, pois houve alterações pontuais.

Na praça paulista, o indicador Esalq/BMF partiu de R$ 148,17/@ (variando de R$ 147 a R$ 152) e fechou a semana em R$ 148,75/@ (variando de R$ 147,50 a R$ 149,50). Perdemos a máxima de preços pois se iniciou uma “pressãozinha” no mercado, a qual pode ou não emplacar (veremos nesta próxima semana). No mercado físico paulista, os negócios concentram-se entre o R$ 146 ao R$ 149/@ a vista, com maior ocorrência em R$ 148/@.

Quanto às escalas, os frigoríficos paulistas estão, em média, com bois agendados até o dia 07/dez, só que há indústrias com bois de termo até meados do mês de dezembro, fato não muito raro, inclusive. Desta feita, o “DIA D” segue estabilizado entre segunda ou terça, no dia 07/dez, mantendo o placar médio em torno de 5 a 6 dias (entre o acordo da venda e o dia do abate). O STATUS DO BEEFRADAR continua na base da “tintura mãe da estabilidade plena”:

25% queda (leve) : 50% estabilidade : 25% para alta (leve)

“Lá para as bandas” do Mato Grosso do Sul, a “terra-berço” do meu DNA (juntamente com a terra do meu amigo Antonio Gomes, de Portugal), infelizmente vimos esta semana uma tentativa de redução considerável de preços por parte da indústria. O preço balcão mais comum recuou R$ 3/@ e agora aponta para R$ 135/@ a prazo. Ao meu ver, esta tentativa ocorre em função do fato das escalas de lá estarem mais longas que as de SP (em geral, para o dia 10/dez).

Algo inédito aqui, na “terra do Pequi”. Em GO, há três preços balcão no mercado físico, com diferença jamais vista entre as ofertas dos frigoríficos. Existe o preço de R$ 135/@, R$ 137/@ até o R$ 140/@, nas mesmas condições de pagamento (boi comum, a prazo, com prêmio EU de + R$2/@). Também há diferenças importantes no agendamento de bois, pois há indústrias que precisam de boi para “dentro da próxima semana” e algumas com espaço somente à partir do dia 07/dez. Por outro lado, há quem não consiga mais abater boi EU nas próximas semanas… O boi comum, por sua vez, está demandado e difícil. Mantem-se o ambiente mais firme da praça goiana, que agora, está até acima que Campo Grande-MS em termos de preços (historicamente um fato difícil de ver).

Quanto aos diferenciais, seguimos perto de R$10/@ de deságio entre o boi goiano e o da praça paulista. Também, segue inalterado os 4.5 a 5% de deságio das vacas em relação aos bois de GO.

Já que “matamos a nossa lombriga” a respeito dos preços do curto prazo, vamos agora ao “Encontro dos Analistas”. Houve dois painéis: macroeconomia e mercado do boi gordo. Começamos com o primeiro, na mesma ordem do evento…

 

Painel Macroeconomia, com os debatedores Gustavo Junqueira (SRB), Alysson Paolinelli (Abramilho), Bernhard Kiep (Agco Brasil), Decio Zulbersztajn (Pensa), Victo Nehmi (Sparta Fundos de Investimento) e Eduardo Riedel (Governo MS):

 

“Cenário econômico para 2015 (projeção para o final do ano): Pib -3,15%, Inflação +10,33%, US$ +48,7% (bancos projetando US$ para 4.5 a 5 em 2016) e selic 14.25%; Desemprego 2015: -169 mil postos em out/2015 (divulgados pelo governo no feridado, estrategicamente, sendo o pior resultado de 1992); Défcit primário: rombo para 2016 pode ser entre 50 e 120 bi, graças às pedaladas; Componente complicante e decisivo: a incerteza política; PARA 2016, A MACROECONOMIA EM UMA PALAVRA: DESAFIO!” (Dados apresentados pela Scot Consultoria no início do bloco, para levantar o foco para o tema). Em seguida, o Scot lançou a questão: “A respeito da questão câmbio, nos níveis atuais, comemoraremos a exportação ou choraremos o mercado interno. O que pesa mais?” E as considerações foram:

 

“volatilidade do câmbio deve continuar, muito provavelmente; nossos custos vão continuar subindo; falta estratégia para o governo; Estou sem dormir. A política teria que definir quem vai pagar. Vamos gastar 400 bi só para rolar a dívida de 2016. Isto é chocante. Estou assustadíssimo. O câmbio é uma consequência desta desorganização política. Assim, o dolar vai subir, o que ajuda em parte” (Paolonelli)

 

Comentário meu: integrante da mesa redonda cita que duvida que se a melhora das exportações vai chegar a melhorar o preço recebido pelas fazendas em 2016; Consenso no debate que as chances do dólar continuar subindo (US$ 4.5 a 5.50) são maiores do que o seu derretimento. Foi citado pela mesa: ocorrência de grandes dificuldades de financiamento para a produção de alimentos no Brasil. Ao invés do dinheiro ser usado para a produção, está tendo indo embora no rombo e no pagamento de juros das estratosféricas e inimagináveis dívidas governamentais.

 

“Juros e câmbio são preços e eles se formam no mercado. Sobre câmbio, minha opinião é que quanto mais se deteriorar a governabilidade, mais se melhora a chance de se fazer ajuste fiscal. Isto é um paradoxo, pois o partido do governo não quer na verdade fazer o ajuste. Não há razão para ficarmos felizes por um dolar mais alto, pois melhora-se só mais um preço da economia (câmbio), e ao mesmo tempo isto afeta a inflação de todos os preços da economia” (Décio)

 

“No nosso modo de ver, estamos no 3º ano de ciclo de alta, pelo abate de matrizes que houve, e que pode se extender a um 4º ano (2016). Dentro de uns 2 anos, com a retenção de matrizes, o bezerro vai voltar a subir e depois a produção de bois/carne também. Em 2015, a alta do dolar não está sendo repassada para o pecuarista, por ora, está melhorando a margem dos exportadores, pois houve problemas no mercado interno, em relação a consumo. O fim do ciclo de alta tem sempre um canto de cisne, um componente emocional: começa a entrar na pecuária até jogador de futebol/cantor sertanejo, pois a turma acredita que o boi nunca mais baixa. Estes entrantes compram vacas e aí o ciclo vira. Podemos ter um novo pico de preços no ano que vem. Acho que 2016, vai ser mais um ano bom de preços para o boi. Acho que o dólar pode ir a 5 antes de voltar para 3.5 e a partir de 2017, deveremos ter um ciclo de baixa na pecuária. Acho que o governo não chega até 2018” (Victor Nehmi)

 

Durante o bloco foram ditas as frases:

 

“Se parar de usar tecnologia agora, é perigoso, cuidado”

 

“Deixar de usar tecnologia não é o caso. Agora, o caso é pensar se você dá outro passo (aumento de tecnologia) ou não”

 

“Não tem como não continuar investindo em tecnologia, deve-se escolher a tecnologia melhor. Inclusive tecnologia está até mais barata recentemente. Está difícil de dormir mesmo, Ministro. No fundo, somos nós, quem trabalha, que produz, como a pecuária, é que paga a conta. É preciso mudar, mas é preciso liderança que tenha mobilização política para quebrar esta estrutura ineficiente no governo” (Riedel)

 

“Estava em hamburgo na Alemanha, pedi uma carne do Brasil. O sujeito, falou: tem aqui uma Argentina. E depois me disse: na verdade é do Brasil, mas a gente fala que é da Argentina… A Argentina ficou 10 anos dormindo… Perdemos a chance de passar eles. Agora eles vão acordar. E só para lembrar: o Paraguai fez impeachment em 3 dias e a gente está enrolando com isto a um ano” (Bernhard Kiep)

 

“A relação de proximidade da China com a Argentina é muito maior que a do Brasil com a China. O Brasil, historicamente é mais ligado ao Japão, o que o afastou da China por rivalidade. Temos que observar isto”

 

“Numa economia séria, quem é competitivo tem crédito. Mas nós não temos gerenciamento governamental na economia. Enquanto a economia for maltratada, degradada, judiada, não vai haver crédito rural” (Paolinelli)

 

“O mineiro não entrega a banana antes de amadurecer. Ou nos mobilizamos, ou vamos ser engolidos. Em democracia, quem tiver organizado faz, que não está, recebe feito e mal feito” (Paolinelli)

 

Comentário meu: neste momento, a questão “crise política” toma corpo e domina o painel do cenário macroeconômico x boi. Fica claro o problema raiz da nossa economia…

 

“Serão 10 anos para podermos voltar à riqueza que tínhamos em 2014. Este é o ambiente que teremos que administrar os nossos negócios nos próximos ano” (Gustavo da SRB)

 

“Somos 5 milhões de produtores e apenas cerca de 500 contribuem na Sociedade Rural Brasileira. De qual Associação/Sindicato você participa? Não adianta ficar na Fazenda, mandando whatsapp para motivar as pessoas a lutar. Você e seus filhos tem que estar dispostos a lutar, a “tomar os tiros” desta nossa guerra civil e precisamosnos engajar” (Gustavo da SRB)

 

“50 milhões de pessoas no Brasil, dependem de um contra-cheque do governo” (Gustavo da SRB)

 

“Tecnologia é um caminho sem volta. A questão agora é se acelera ou não o seu uso agora na pecuária. Mas parar de usar tecnologia, esquece! Perspectiva para 2016: desemprego pega forte e força um consenso político que terminará no impeachment. A pressão da sociedade é que vai desencadear o processo político. Até lá, o câmbio vai subir mais, devemos ir para o US$ 5 no ano que vem antes de cair. Quando a commodities, o cambio deixa o Agro brasileiro melhor um pouco, com o nariz um pouco acima d´água. Se não houvesse esta desvalorização, o agro iria quebrar. Cada cadeia tem o seu momento; A cana agora é para cima, até 2017. Nos grãos, eu não estaria mais vendido em soja e milho, pode dar uma reação daqui a pouco. No boi, ainda teremos mais um ano de correção de preço acima da inflação, na minha opinião. Agora, para mim, é hora de comprar ações na bolsa. As empresas BR estão baratas. Em 2018, a BMF estará com 70 a 80 mil pontos. Quem trabalha vai pagar a conta, inclusive a pecuária, mas vai pagar ganhando dinheiro. E no final, tudo vai passar” (Victor Nehmi)

 

“2016 será difícil para a economia. Pecuária volta a ser reserva de valor, com preços calmos. O US$ aumenta a margem do frigorífico e com isto ele paga bem. A engorda estará com problemas, em função do custo alto da reposição. Cuidado aí. Os grãos irão bem. Não haverá dinheiro para financiar a agricultura, o anúncio do plano safra foi uma pedalada política. Teremos inflação, desemprego e menor poder de compra, com MI sofrendo. Medir investimentos. Não é momento de fazer luxo” (Gustavo SRB)

 

“Em 2016: a inflação será maior. Todo mundo terá que recuperar preços. Tudo vai subir. Compra logo o seu trator. O que perdemos no Brasil é confiança. E sem confiança, não existe investidor” (Bernard Kiep)

 

“Queria deixar uma notícia boa… a demanda continuará crescendo, os países pobre demandarão e teremos que dobrar a oferta de alimentos. Os países temperados ou não tem espaço, ou não tem água, ou não tem clima. O Brasil detém a maior tecnologia dos trópicos. Teremos três safras: a primeira safra irrigada, a segunda (não irrigada) e a terceira (irrigada). Teremos a China comprando e a África para comer. Teremos variações pontuais, mas a tendência é continuar a subir. Acredito no País. Os erros são passageiros, podemos sofrer por 10 anos, mas a agropecuária durará mais” (Paolinelli)

 

“2016 é no mês que vem. Será mais do mesmo. Na pecuária, temos várias no Brasil. Sistemas tecnificados com maior investimento fixo padecem mais neste momento. Os menos são mais resilientes, sofrem menos agora. Mas, o agro brasileiro vai continuar a ser bom, só que precisamos consertar o ambiente constitucional” (Décio)

 

“A tormenta vai passar um dia, mas temos que contribuir com o coletivo, senão a ilha de calmaria vai ficar cada vez mais estreita” (Riedel)

 

 

Painel precificação em pecuária (microeconomia), com os debatedores Alex Lopes e Hyberville Neto (Scot), Camardelli (ABIEC), Fábio Dias (GLG Group), Leandro Bovo (Haitong), Luiz Claudio de Souza Paranhos Ferreira (ABCZ), Sergio De Zen (CEPEA/Esalq/USP):

 

“Quem vai ceder e trazer a relação boi:bezerro para média? Estamos com 3 anos de fase de alta, acima da inflação: 13, 14 e 15. As pontas do atacado e varejo estão subindo acima do boi em 2015. Isto vai continuar? Ou a demanda vai sentir mais ainda?” (Dados apresentados pela Scot Consultoria no início do bloco, para levantar o foco para o tema). Em seguida, o Scot lançou a questão: “Qual será o melhor momento para entrada na atividade pecuária? Qual o foco? O que esperar do ciclo pecuário?” E as considerações foram:

 

“Esperamos em 2016, os preços correndo próximos da inflação ainda e em 2017, virada de ciclo, com preços menores mesmo em 2018. Cuidado: você pode entrar com estoque alto e vender já na virada” (Alex Lopes)

 

“Investimento em cria, deve ser sempre considerado a partir de agora. Faz tempo que não se faz investimento em cria” (Fabio Dias)

 

“Qualquer momento é bom para entrar, mas tem que entender a Fazenda e tem que saber de gestão. Vamos entrar na pecuária!!! Gado PO é bom também” (Paranhos)

 

“Expectativa que a Russia ainda esteja com consumo interno complicado. China foi uma grande dádiva, estamos no 5º mês, com 22.000t, o que já é a metade do que a Russia foi. Para o ano que vem a china é um mercado de 1 milhão de ton para o mundo. E pela primeira vez os cortes nobres podem ter alternativa a Eu e Dubai. E HongKong vem subindo também (numa relação de 70% de carne e apenas 30% de miúdos, o que é bom). Os EUA tem que abrir, eles estão pagando a matéria prima cara. Hoje a gente vende a carne e depois vai atrás do boi. Os EUA vai ser um mercado grande, mas para matéria prima. Ele abriu estados e não plantas. O problema é político, a parte técnica foi superada. Estiveram na semana passada e deu tudo certo. Estamos na reta final. Agregaremos este mercado e os da América Central. Vem no 1º tri um volume de 59milt, mas seremos competitivos no extra-cota” (Camardelli)

 

Comentário meu: Otimismo para o cenário externo!

 

“A carne commodity melhora na média hoje no BR e o sobre preço das carnes/raças especiais diminui. Estamos vendo isto. Investir em pecuária é pelo menos para 10 anos” (De Zen)

 

“Confinamento em 2016 será mais desafiador. Em 2015 a relação de troca boi:milho, teve a sua max hist, de 5.99 sc/@, em junho. Hoje estamos com 4.45sc/@ e a média do ano foi de 5.15sc/@. Portanto, caiu, mas ainda acima da média hist. Entramos em 2016 com componente custo alto. E temos que avaliar melhor. Do mercado interno ninguém espera nada. Temos que ver o dolar” (Bovo)

 

“O problema agora da pecuária é a falta de previsibilidade. Está impossível prever o cenário para frente, pela alta volatilidade. Em 2016, o ano será de muita volatilidade”. E o Bovo completa: “e enfrentaremos este cenário com estoque mais caro da história” (De Zen)

 

Comentário meu: painel tem consenso de que a oferta será maior em 2017 e provavelmente teremos preços menos atrativos naquele ano.

 

“Quanto mais profissional, mais adaptados às fases de baixa do ciclo, os produtores ficam. A tendência é que a variação dos ciclos (alta e baixa) sejam menores” (De Zen)

 

“Este ano vamos abater 10% a menos de boi, mas o rebanho não caiu consistentemente. O primeiro semestre foi muito ruim para a indústria. Mas ficamos mais profissionais (lápis atrás da orelha). A recomposição das vendas ext em set e out foi consistente. Arábia voltando, recompõe outros países. O Brasil importa o total de 40.000 bois de carne gourmet” (Camardelli)

 

“É inegável que o ciclo ainda há. Deixar o boi apra 2017, piora mais ainda a previsão. Para mim, o confinamento 2016 é interessante” (Alex Lopes)

 

“O confinamento 2016 não está negativo, será menos rentável. Mas estou pessimista para 2016″ (Fabio Dias)

 

“Estou otimista” (Camardelli)

 

Comentário meu: Divergência de opiniões… Muito bom!

 

Paranhos, para 2016: “A pecuária vai separar quem é homem e quem é menino. A ilha vai ter umas turbulências, pois teremos custo de produção em alta, mercado interno baleado, mas quem tiver eficiência, vai passar melhor”

 

Hyberville, para 2016: “o melhor investimento da pecuária é uma calculadora”

 

Paranhos: “bezerro de R$ 1600 a 1700 são caros, mas são bons. Tem tecnologia aí”

 

Hyberville: “a reposição deu uma esfriada, depois do pico, mas não pelo aumento de oferta. Foi pelo receio do invernista”

 

Camardeli: “O Brasil é o único País do mundo que pode exportar grandes quantidades de carne hoje, para a China, p.ex.”

 

Alex, da Scot, para 2016: “Consumo de mercado interno entrará em 2016 piorando, pois não vai mais haver a renda do seguro desemprego. Devemos ter mais um ano de alta inflação, mais um ano de recessão. Perspectivas ruins para 2016 no mercado interno”

 

Hyberville, adaptado por mim: “em 2016 haverá oferta curta, gerando mercado firme, mas com a crise política e econômica colocando a demanda interna para baixo (o preço do boi será alinhado com a inflação, ou levemente acima). Exportação é positivo, mas não é único mandatório em preço no Brasil”

 

Fabio Dias: “cenário para 2016 não vai ser confortável. A entressafra de 2015 já foi mansa. Bastante Cuidado. Isto não é normal”

 

De Zen: “estou vendo vocês fazendo previsão… Eu não faço! A volatilidade está muito grande. Do lado da oferta, tudo bem, vocês estão certos. Mas o cenário de demanda está muito complexo. Eu não estou confortável em fazer previsões”.

 

E assim se encerrou o Evento…

 

Eu e o Ricardo compartilhamos com vocês a nossa previsão sobre o ano que se aproxima, no melhor estilo “pé na peia”.

Em nossa visão, o único porto seguro para você em 2016 é saber seus custos e a margem que você quer para o seu negócio. Esta receita vale sempre, mas será ainda mais importante nestes próximos meses.

Em 2016, provavelmente me preocuparei menos com preço e muito mais com a margem da engorda, pois começamos a safra com o maior preço da arroba de reposição da história e temos a perspectiva de termos custos em alta durante o ano.

O ano que vem será o ano da gestão e da eficiência. Ano de usar tecnologia da forma correta, e sempre com a base pronta (infraestrutura produtiva), com ciência e análise de custo-benefício de tudo o que você vai usar. É o ano em que o driver gerador de riqueza da pecuária será de sua responsabilidade. Será o ano em que o decisor sobre qual tecnologia deve ser usada não deve ser apenas o marketing. A palavra da boa ciência deve prevalecer, como sempre, aliás. Será um ano em que você tem que olhar diferente para o seu negócio… Cada bola de arame jogada, cada animal doente… Tudo deve ser duramente desafiado em prol da eficiência.

A crise de margem operacional reduzida que estava no colo da indústria até meados do primeiro semestre, migrou para o colo do invernista. E de 2017 em diante, caminhará mais para perto da base da cadeia (a cria). Em 2016, é mais provável termos os preços do boi gordo variando de maneira semelhante à inflação, ou levemente abaixo. Cremos em reposição estável, mas variando mais provavelmente abaixo da inflação e com tendência de aumento de oferta. Cremos que o rebanho continuará a se recompor, visto que estamos numa fase intensa de retenção de fêmeas, a qual deverá seguir no ano que vem.

Teremos um ano de comida mais cara, principalmente para suplementação à pasto e em confinamento. O modo de uso de suplementação mais intensiva dos dois últimos anos será colocado em xeque, assim como toda a “tecnologia embarcada” na nutrição.

Será o ano em que o dólar terá uma importância maior na precificação do preço do boi e sobretudo no escoamento da produção, visto que do mercado interno pouco podemos esperar, em função de estarmos num verdadeiro “mar de lama” em nossa economia.

A previsibilidade operacional (financeira) será menor que nos últimos dois anos… Dependeremos mais do dólar, que por sua vez depende de nossa economia, a qual deriva da política. Impossível saber o que teremos pela frente no campo da política e da crise institucional que vivemos no nosso País, a qual nos afunda numa crise de confiança jamais vista. Esta é a nossa principal crise: a crise de confiança.

É certo que teremos um ano com El Niño forte, portanto, mais molhado no centro-sul e mais seco no centro-norte.

Em resumo, será muito desafiador o ano de 2016. Mas uma coisa é certa: esta crise vai passar e a pecuária irá sobreviver. Independente destes desafios momentâneos, estamos na melhor cadeia agroindustrial das próximas décadas e não é 2016 que irá nos tirar desta rota de sucesso! Que venha o ano, portanto! Abraços…

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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