Chegaram mais dois convidados para a “Festa do Telhado”

Por em 3 de novembro de 2014

NOTÍCIAS DO FRONT

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #139, de 02/nov/14 a 08/nov/14)

Companheiros de lida,

E a pecuária segue a sua festança no telhado, como brilhantemente disse o Rogério Goulart. O boi simplesmente “patrola” tudo e segue o seu movimento de “stall pecuário reverso”, nome que criamos na semana passada. Neste movimento, o relógio indicador de preços roda sem parar, para cima, igual a uma máquina de caça níqueis.

As semanas estão competindo para ver qual é a mais sensacional. O que está ocorrendo no mercado não tem referência. Na semana passada houve a tão esperada quebra do recorde real do preço da arroba, que vigorava desde nov/2010. Nesta, em todos os 5 dias de mercado, este recorde foi reescrito para cima. Nos últimos 18d, ininterruptamente o mercado segue batendo recordes.

Nesta semana chegaram mais dois convidados para a festa. Vamos descobrir no texto quem são estes dois convidados ilustres que chegaram atrasados, já com a festa fervendo. E mais ainda, quem é o convidado tão esperado que ainda não chegou…

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Na fronteira dos preços, o indicador Esalq/BMF, base SP, à vista, saiu de R$ 137,49 (de R$ 134,50 a R$ 140) e chegou em R$ 140,18 (de R$ 137,50 a R$ 144), completando a 6ª semana de alta seguida da arroba. Esta sequência, baseada no nosso passado recente, ainda pode durar mais 3 semanas… Se vai ou não? Lembram-se do Tadeu da novela Pantanal?

No final da última semana, os negócios no físico concentravam-se entre R$ 138 ao 142/@ av, enquanto que no MS, subiram para o intervalo de R$ 132 a R$ 135av. Com relação às escalas, elas estão estáveis, estando entre quarta (05/nov) e segunda (10/nov), mantendo o “DIA D” na QUINTA (06) e o PLACARde 2 a 5 dias úteis (média de 3,5d úteis entre o dia da venda e do abate). O STATUS DO BEEFRADAR segue opinado pelo Tadeu da novela Pantanal: “Sei lá”!

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Forte reação da @ aqui na terra do pequi, mas nem assim, o diferencial de base do preço da @ em GO x SP voltou a fechar, pelo contrário, abriu mais um pouco estando agora perto de –R$ 9,50/@ (indicador SP x relatório de preços regionais CEPEA, base GYN, av).

O físico aponta para preços de R$ 130av x R$ 132ap, com +R$2 para o boi EU e negócios pontuais até R$2 acima desta referência. A vaca não conseguiu acompanhar esta nova arrancada e chega perto de -6% de diferença em relação ao macho.

As escalas recuaram um pouco, de maneira geral estando entre quarta e sexta da próxima semana. Mas segue o padrão “DENTE DE CACHORRO”, heterogênea, pois já tem indústria com bastante agendamento de bois EU para o mês de novembro, mesmo porque muita venda de outubro ficou represada para este mês…

3)      HORA DO QUILO: “Se você quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá acompanhado” (Provérbio africano). Um bom motivo para estarmos aqui no Front.

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. O MILHO CONTINUA O SEU DESPERTAR…

Cada vez mais consistente. O atraso no plantio da safra de verão começa trazer preocupações sobre a safrinha de milho, turbinado com notícias sobre o encurtamento do vazio sanitário do MT, viabilizando safrinha de soja… Resultado: vários dias com reajustes consistentes na BMF.

4.2. A ESPERANÇA (OU O DESÂNIMO) INICIOU O SEU DESPERTAR?

No domingo, dia 26/out, perto das 20h, em poucos segundos, o anúncio da apuração na TV fez como se metade do País tivesse feito o desafio do balde de gelo na cabeça ao mesmo tempo. Lógico que o desânimo tomou conta de quem ficou bem perto de ver a tão desejada alternância de poder virar realidade. Uma onde de pessimismo/desânimo invadiu o País, consequentemente.

Em que pese, temos profundas e consistentes preocupações com o destino econômico do País e também com a aproximação cada vez mais real de uma ditadura bolivariana (fatos que devem ser combatidos com veemência por nós), o 2015 será tão péssimo assim?

Por mais que estejamos de “cabeça inchada”, temos que reconhecer que toda unanimidade é burra. Já mencionamos aqui algumas notícias econômicas que indicam que se por um lado não estamos de vento em popa, podemos não estar mais afundando tanto assim… Sim, é muito pouco, eu sei. Queríamos mais… Mas será que o “mundo vai mesmo acabar”? No chat do BeefRadar dessa semana, o Rogério Goulart nos brindou com um texto da mídia internacional (não sei a fonte exata) que dizia mais ou menos assim: “Assim, como fala a indústria do cinema, ‘ninguém sabe nada’. Ninguém realmente sabe o que está ocorrendo com os mercados e as economias. E certamente ninguém pode predizer o futuro. E isto inclui as pessoas que acham que sabem o que vai ocorrer no Brasil”. Afinal de contas, “no Brasil, até o passado é incerto”, como disse um ocasião o Pedro Malan…

Será que tudo está perdido? O Jornalista Reynaldo Rocha escreveu um post muito interessante: “todos precisam entender que ganhamos perdendo”: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/opiniao-2/reynaldo-bh-todos-precisam-entender-que-ganhamos-perdendo/

Do ponto de vista da cadeia da carne bovina em si, a reeleição preocupa-nos no médio-longo prazo, sob a ótica da demanda, uma vez que a economia do governo ainda está em baixo do “cheque branco” que foi dado à Dilma (ela foi eleita sem sequer apresentar o comando da pasta da Fazenda). Para o curto prazo, pouca coisa muda, pois o dólar já se encontrava esticado… nem a incerteza que em outros tempos incentivava a procura pelo gado como reserva de valor deve alterar muito o panorama, pois a reposição também se encontra esticada… Em resumo, chegamos até aqui sem ajuda de governo e não pararemos de produzir porque não teremos muita ajuda do próximo…

4.3. A TERCEIRA SAFRA…

A agricultura luta para ter a terceira safra anual com a irrigação. Pois bem, está nascendo da mesma forma a terceira safra de confinamento dentro do ano, ou melhor, o terceiro giro. A estratégia inicial era de se confinar para oferecer bois na entressafra. Depois apareceu o primeiro giro, que produz bois para julho/agosto. E agora, está se solidificando no mercado o terceiro giro anual do confinamento, que é a entrega de bois gordos em jan/fev, justamente aproveitando o momento que tem sido o melhor em termos de preços: a transição de bois de confinamento para boi de pasto… Virou padrão: boitéis vão funcionar o ano todo… Isto pode novamente alterar a dinâmica de preços do mercado ao longo de 2015? Cedo para afirmar, mas vamos fincar de olho…

4.4. A FESTA VAI ENCHENDO MAIS

Estamos ficando ”mal acostumados”. Já nem nos chama mais atenção a quantidade de dias seguidos de recordes da arroba. Os produtores estão quase querendo aumentos de R$ 5 em R$ 5 pela @ de boi.

Na última sexta, todo mundo animado na festa do telhado… O boi gordo, o bezerro do MS e seu irmão de GO, o boi magro e o mercado futuro, todos já estavam na festança a algum tempo. Primeiro chegou o bezerro, depois veio o garrote e o boi magro. Logo depois, o boi e a vaca gorda, vieram para a festa, junto com o mercado futuro. E finalmente, chegou mais um convidado, a carne.

Ela já estava na porta da festa a algum tempo, incomodando com a sua amiga inflação, mas agora resolveu entrar, pois na sexta marcou o seu novo recorde nominal, R$ 8,60/kg de carcaça casada (níveis muito próximos do recorde real de preços).

Isto fez com que a margem dos frigoríficos tivesse forte recuperação nos últimos 10d, amenizando o problema da indústria e colocando mais fogueira nos preços. Vale  lembrar que em função das margens menores, não estamos entendendo o comportamento agressivo da indústria, pois no passado recente, por muito menos, medidas drásticas já haviam sido tomadas… Cremos que as indústrias menores e de menos acesso a crédito devam estar em dificuldades ainda piores.

Além de um certo alívio para a indústria, a carne em alta (quase recorde) provoca a atenção dos jornalistas. Veja uma nova matéria do “Jornal Hoje” com o nosso amigo Maurício Palma: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/10/preco-da-carne-dispara-no-pais.html

O enfoque da matéria é de que a carne disparou por conta de seca e porque não está conseguindo atender a demanda para o mercado interno e externo, o que não é totalmente verdade. E isto é perigoso, pois pode ser criado o sentimento de que para resolver o problema, basta dificultar as exportações. Após edição da contribuição do Maurício, enfocou-se a Rússia, que de fato já não representa grande alento para os exportadores, por conta de problemas internos de escoamento do produto. Inclusive, é possível que haja uma revisão para baixo dos números da exportação do ano (EU e Hong Kong também pode estar pouco abaixo). Há um disque-disque que a carne do Brasil está cara para os compradores estrangeiros. Vamos aguardar o mês de out consolidado.

O fato é que a carne no atacado entrou na nossa festa de preços recordes, a festa do telhado. E ela trouxe a sua amiga inflação, e também duas primas, a carne de frango e suína, todas em recuperação de preços no momento… Portanto, neste início de novembro, está chegando a hora da verdade no consumo (varejo). Vamos ver o que ocorre.

Esta melhoria é muito mais creditada a enxugamento de estoques oferecidos ao atacado do que pela demanda propriamente dita. E a coisa não promete folga, tomando como base a opinião da bolsa. Ela prevê alta de mais R$ 4 no mês que se inicia, mais R$ 1 para dezembro, projetando o preço de jan quase em R$ 144/@, base SP…

Por fim, falta eu dizer quem é o segundo convidado que chegou atrasado na festa do telhado da pecuária… É o seguinte: esta semana, depois de muitos dias (graças à Deus), fui a um Shopping em Goiânia. Ontem à noite, ao sair para comer uma pamonha e empada de frango com pequi (coisa de um paulistano que virou goiano) vi o mesmo que me chamou atenção no Shopping, mas desta vez na rua: o Papai Noel, com as renas e o trenó já chegou, nas lojas e até em algumas residências. Ele é o convidado… Mas o que o Noel tem a ver com o boi gordo? Explico: pelo jeito que está, “abram os olhos, renas mais gordinhas”, pois de repente o Noel pode querer “passar vocês no cobre”, considerando o preço da arroba… E se estiverem magras, correm o risco de irem para o cocho, na terceira safra de confinamento que falamos acima… Pegamos ele “dando um reforço na bóia das renas”, veja…

20141102 - NOEL

Mas, ainda resta algo sem resposta e que foi prometido no início do texto: qual é o convidado que ainda não chegou na festa? Resp.: é o bovino gordo! Ele é o único que não chegou na festa, mesmo porque, a hora que ele chegar, e dependendo de como chegar, a festa pode acabar...

Que Deus proteja nossa pátria e nossa família por toda a semana que se inicia!!!

Rodrigo Albuquerque & Ricardo Heise,

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

Contatos:

Twitter @fazendaburitis, boicom20@gmail.com

Twitter @boi_invest , r.heise@hotmail.com

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