Boi: tirando o pé da espora e colocando a mão na rédea

Por em 8 de dezembro de 2014

NOTÍCIAS DO FRONT

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #144, de 07/DEZ/14 a 13/DEZ/14)

 

Para os que sustentam o PIB nas costas,

Após não ter restado pedra sobre pedra na semana passada, ou melhor, após o último recorde relacionado ao preço do boi ter sido derrubado (como nos sugeriu o título do último texto), esta semana a sequência mágica da alta do boi gordo deu uma pausa. Vamos ver se descobrimos abaixo o porque e qual a sua intensidade.

 

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Foram 10 semanas de alta, que começaram em um nível de preço já bem razoável e com um ritmo impressionante. Fazer isto novamente não será tarefa fácil para o mercado.

Entre as duas últimas sextas-feiras, saímos de R$ 145,22/@ (de R$ 143,50 a R$ 148) e caímos para R$ 143,74/@ (de R$ 142,50 a R$ 145), com relação ao indicador Esalq/BMF. Houve uma considerável perda da máxima, mas não da mínima do mercado, o que evidencia que “derretimento” é um destino pouco provável para o boi gordo no curto prazo. Inauguramos assim, uma perna de baixa da @, que está, portanto, com uma semana.

É uma queda com cara de estabilidade. De toda a forma, apontávamos, no novo formato do BeefRadar apenas 15% de chance de alta. E “alta” foi o que não ocorreu mesmo.

No físico, pouca mudança, estamos entre R$ 143 a R$ 144/@ à vista, em concordância com o indicador (negócios pontuais menos frequentes até R$ 2/@ acima da referência). Na “terra do tereré”, o MS, a arroba também se moveu para baixo ficando agora no R$ 138ap.

Os preços cederam levemente, mais pela perda da máxima, mas as escalas ficaram intactas estando entre a próxima quinta (11/dez) e a outra segunda (15/dez), mantendo o “DIA D” para SEXTA (12/dez) e o PLACARde 3 a 5 dias úteis (média de 4d úteis entre o dia da venda e do abate).

O STATUS DO BEEFRADAR fica em:

35% queda (leve) : 55% estabilidade : 10% para alta (leve)

 

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O viés para cima visto na semana passada ergueu mais R$1 a referência da semana que foi para R$ 136av x R$ 138ap, com +R$2 para o boi EU e negócios até R$1/@ acima, no esquema “personalité”. A escala, de modo geral, está para o final da semana, mas com mais dificuldade de preenchimento que em SP e sobre tudo do que a do MS.

Com isto, o nosso termômetro, que é o diferencial de base do preço da @ em GO x SP, inesperadamente fechou, estando agora a @ goiana valendo quase menos R$7,50 que a paulista. O deságio de aproximadamente 5% para a vaca em relação ao boi goiano permanece bem estável. Sinal claro de pouca oferta de animais terminados a pasto.

 

3)      HORA DO QUILO: já ouviu falar em produção de energia elétrica a partir das ondas do mar, a chamada energia ondomotriz? Muito interessante. Veja o link: https://www.youtube.com/watch?v=EEmM6Qxnd_w

 

4)      TO BEEF OR NOT TO BEEF: o texto tem impacto, veja: “o bife suculento de hoje é o desastre climático de amanhã”. Ainda mais em tempos de escassez de água numa cidade como SP. Veja o link a seguir. O que a cadeia da carne, junta, vai fazer para responder à altura? Segue: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/quer-melhorar-o-clima-controle-o-prazer-da-carne

 

5)      O LADO “B” DO BOI:

5.1. O SUMO DO SUMMIT

Não foi no evento da semana passada? Uma pena. Assim como o “Encontro de Analistas”, foi uma mescla perfeita de conteúdo e comunidade juntos. Quem optou por entrar nas palestras, foi bem atendido. E igualmente, os minutos passados do lado de fora, foram compensadores. Vão algumas frases do evento:

  • “Para ganhar $, tem que tirar as nádegas da cadeira”, István Wessel
  • “A cada 5 anos, mantenha o CNPJ e a marca. Mas feche a empresa (mentalmente) e comece tudo de novo”, István Wessel
  • “A campanha vitoriosa é aquela que faz o consumidor pegar um entre dois produtos possíveis”, István Wessel, citando W. Olivetto
  • “Este é o primeiro ano da história do McDonald´s que ele vai vender mais frango do que boi nos seus produtos”, István Wessel
  • “Sorte em inglês = W O R K”, István Wessel
  • “Raramente vejo o comprador de gado na sala de abate e nem o vendedor de carne na sala da desossa. Frigorífico não sabe o que compra e nem o que vende. Resultado: produzimos carne commodity”, Roberto Barcellos
  • “Estamos produzindo carne magra e treinando nosso consumidor de churrasco para comer gordura entremeada e carne bem acabada”, Roberto Barcellos
  • “Produzir qualidade é caro. 90% dos programas de qualidade não remuneram o aumento de custo do produtor dos EUA. É caro para a indústria também pois uma carne gorda faz o rendimento industrial cair. E no final das contas, o consumidor manda cortar a gordura fora”, István Wessel
  • “As pessoas precisam entender que seus produtos são menos importantes que a sua história”, István Wessel
  • “Espero uma redução de 5 a 10% da quantidade de bezerros para 2015. Já o número de produtores está consistentemente diminuindo”, Maurício Tonhá
  • “Motivação = desafio + recompensa”, Antonio Chaker
  • “EUA tem o menor rebanho em 60 anos, a menor quantidade de bezerros em 60 anos e  a menor quantidade de fêmeas em 70 anos”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “Há aumento de peso da carcaça americana, mas nos últimos 3 anos, a produção de carne caiu, um fato inédito nos últimos 100 anos”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “Além da seca, a exportação de gado em pé e o abate crescente está fazendo o rebanho da Austrália cair”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “Pela primeira vez na história o Brasil, EUA e Austrália estão concomitantemente num ciclo de retenção de fêmeas. São 3 dos 4 maiores exportadores”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “o Brasil está retendo fêmeas (redução da oferta de vacas para abate e aumento gradual da quantidade de bezerros), o que deve durar até 2016”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “A amplitude dos ciclos de alta ou baixa são menores”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “O abate de 2014 não será muito diferente de 2013. O frigorífico está acelerando, só que em 2014, o produtor soube segurar o boi e o preço explodiu”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “Tanto EUA, quanto Brasil, estão querendo saber se a alta é sustentável. Nos EUA, o consumo caiu 10%. Fora os EUA, caso mantenhamos preço de US$ 50-55/@, nível atual, estaremos alinhados com o mundo. Caso o dólar valorize mais, poderemos ter surpresa positiva”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “O boi de R$ 145/@ não é tranquilo para ninguém, com exceção do pecuarista”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “O preço do dianteiro está muito caro frente ao frango, que deve cair. Isto pode fazer um limite para o boi. A exportação ajuda, mas 75% da carne fica aqui. A margem de frigorífico está fora do lugar. O cenário de preços é bom, mas há margens desalinhadas com o resto da cadeia. A corda está esticada. O bezerro é a mesma coisa: pode subir mais, mas está desalinhado com o resto ”, Alexandre Mendonça de Barros
  • “Desde 1.850 para cá, todos os alimentos caíram de preço, menos o boi. No longo prazo vejo cenário bom, mas no curto prazo, estamos desalinhados”, Alexandre Mendonça de Barros

 

5.2. O SUMO DO CURTO PRAZO DO MERCADO

Está ocorrendo no mercado do boi o movimento que descrevemos por aqui nos últimos dois textos. Depois de não ficar pedra sobre pedra (recorde sobre recorde), o mercado da arroba do boi gordo está testando uma perna de baixa, que está com muito mais cara de estabilidade do que outra coisa. E os motivos são:

  • Um pouco de melhora de oferta de animais terminados proveniente do MS, fato que influenciou a praça paulista;
  • Nestes últimos dias, tivemos a virada do mês, mas sem uma maior fervura na venda de carne, fato que desestimulou a BMF;
  • Pecuarista começa a “brigar” menos pelo preço do boi, deixando transparecer um certo “desconforto” em não negociar o boi nos valores atuais;

Com os fatores acima, deu-se início do teste do preço no movimento de queda, ainda muito leve. Nada de novidade para a gente. Uma hora isto tinha que ocorrer e foi falado aqui. O cenário mais provável ainda oscila entre queda leve e estabilidade… Vamos acompanhar o resultado deste teste que está sendo feito no mercado.

Sabe aqueles tuneis das rodovias à caminho das praias do litoral paulista? Quando se entra num deles, dirigindo-se de dia, saindo do ambiente claro e entrando no escuro quando se está à mais de 100km/h… Nestes casos, por uma fração de segundos, “as vista ficam meio lusco-fusco”. Pois bem, este é o ponto onde estamos no mercado…

Neste momento é sábio tirar o foco da espora e colocar na rédea. Nem que seja para buscar um “trieiro mais limpo com menos cupim e buraco de tatú” para, quem sabe, voltar a galopar daqui a pouco… Deu para entender?

20141207 - Mão na rédea

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis)

&

 Ricardo Heise (@boi_invest), 

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

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