BenchBeef: incorporadoras X frigoríficos

Por em 27 de setembro de 2015

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #184, de 28/set a 03/out/15)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

Quando a gente era criança, “a regra era clara” para o futebol, por exemplo: “estourada é da defesa”; “o perna de pau é sempre escolhido por último”; “os craque escolhem o time”; “o lateral é de quem pega a bola primeiro”; “chutou longe, vai buscar”; “independente do resultado da partida em curso, com a chamada das Mães, no último minuto, quem fizesse o gol, saia vencedor, era o quem fizer ganha”; “o perna de pau, na ausência de um bom goleiro, tornava-se o próprio”… Bons tempos!

Especial atenção merecia aquele menino que trazia a bola para a turma. O “dono da bola” sempre jogava no time do melhor jogador e mesmo que fosse pior que um zagueiro de fazenda, o seu lugar estava sempre garantido. Porém, se algo ocorresse de errado com ele (uma falta violenta, por ex.), havia o sério risco de a brincadeira acabar. Neste caso, ele colocava a bola debaixo do braço e “já era”. Fim de jogo.

No mercado pecuário e imobiliário, está ocorrendo algo parecido ao futebol das crianças de antigamente…

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Seguimos com o nosso “emocionante” surfe nas águas revoltas de um lago pacato. O indicador Esalq/BMF começou a semana passada em R$ 144,11/@ (variando de R$ 140,50 a R$ 147) e a encerrou anotando R$ 144,87/@ (variando de R$ 144,50 a R$ 146). Houve uma consistente recuperação dos preços mínimos, graças a algum desvio na amostra do indicador.

A variação numérica foi positiva, mas totalmente dentro da tendência flat com leve viés positivo. No físico do encerramento da semana, o intervalo de R$ 143 até R$ 145 à vista, foi o mais frequente. Já na “terra dos comedores de guavira”, o MS, seguimos com o valor de R$ 135/@ a prazo e escalas para o meio da semana de 05 a 09/out.

Quem deu uma folgadinha a mais foram as escalas de SP, que agora estão entre a segunda (05/10) e a sexta (09/10), com o “DIA D” na quarta, dia 07/out e o placar em 7 dias (entre o acordo da venda e o dia do abate). Já tem frigo para o dia 13/out, o que pode levar a pressão na segunda quinzena do mês que se tornará presente agora.

O STATUS DO BEEFRADAR muda bem e vai para:

40% queda (leve) : 50% estabilidade : 10% para alta (leve)

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Dicotomia com SP: bastou o boi goiano ameaçar romper a casa dos R$10/@ de deságio que os frigoríficos iniciaram uma pressão no físico. Mas uma pressão na compra que por sua vez coloca pressão também nas escalas, pois não há oferta para quedas. E aí se instalou uma grande sinuca de bico ou uma estratégia “kamikaze” das indústrias. O preço balcão mais comum agora é o de R$ 134 ap (boi comum), com ágio EU variando de R$ 0 a 2/@ (há uma indústria no estado que tem balcão R$1 acima da referência). O “personalitè” raleou.

Quanto as escalas, elas estão bem mais curtas do que as semanas anteriores, agora entre quarta (30/09) e a sexta (02/10). Vamos ver como acaba esta história…

O longo namoro que o boi goiano está tendo com o diferencial de base de R$ 10/@ frente a praça paulista, ficou estremecido esta semana passada. Dos 5 dias, em 3 deles este indicador foi menor, mas ainda não há rompimento deste suporte. Quanto às fêmeas, a história parece que vai se estabelecer em 5% de deságio, até que as chuvas e as pastagens melhores aumentem a oferta de fêmeas ao abate, o que fará o deságio cair. Mas não como nos anos anteriores (estamos em retenção de fêmeas).

3) HORA DO QUILO: gostaria de ver um vídeo “deste tipo” com foco na pecuária. Um vídeo que transmita emoção, transmita a informação para a sociedade que aqui, do lado de cá, tem valor, tem família, tem tradição. Veja, vale a pena:

https://vimeo.com/117179891

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: granja de boi. Sim, chegamos neste ponto de tecnologia. Olha o que o nosso amigo Rogério Goulart está testando: http://www.sba1.com/noticias/59337/pecuarista-adota-modelo-intensivo-de-engorda-usado-na-criacao-de-aves-e-suinos#.Vem6W2Y4-nN

 

5) FOTO DA SEMANA:

Maurício Velloso, Porangatu-GO, Grupo Otávio Lage (amanhecer no excelente Shopping de touros):

 20150926 - Shopp Touros

Mateus Arantes, MS, integração lavoura-pecuária (finalização da colheita):

20150926 - Mateus

Rafael Pereira Lima, Porto Nacional-TO, integração lavoura-pecuária:

 20150926 - ILP TO

 

6) O LADO “B” DO BOI:

 

6.1.) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

6.1.1) Melhora no atacado de carne: tocamos neste ponto na semana passada, notadamente a valorização do traseiro, o que nos deixava intrigado em função do cenário econômico adverso. E, nesta semana, assistindo a um economista na TV, tivemos uma possível resposta: a inflação pela oferta. Sim, sempre ligamos a inflação à demanda, mas é certo que ela também pode ocorrer pela oferta, no caso, devido ao aumento do custo de produção (custo de aquisição de bois). Nada como recorrer aos “universitários”…

6.1.2) BMF “no estilo do Sergião Berranteiro”: no final da semana, a BMF teve pregões com queda forte no boi. Tínhamos alertado na semana passada o fato do descolamento de preços entre o físico e os próximos dois meses, mesmo com proximidade de tempo. Não deu outra…

6.1.3) Sem crédito, sem…: tem muita gente “penando” para plantar e repor gado com esta escassez de crédito. Pois bem… Sem crédito, sem milho, sem boi… Mais um fator para deixar a oferta restrita continuar com a sua teimosia em não melhorar em 2016.

6.1.4) E o seu orçamento? Enquanto a peonada das fazendas de cria escutam a bezerrada berrar para valer com a estação de nascimentos a todo vapor, é hora de você, que recria e engorda elaborar o seu orçamento de 2016, colocando os valores de reposição, venda, as manutenções programadas (benfeitorias, máquinas e equipamentos), os seus investimentos. Por consequência, você terá o cronograma de trabalho do próximo ano.

6.1.5) O relato de uma crise séria: a matéria resume muito bem o nosso momento. Deu pena do Sr. que aparece na reportagem a seguir. O agosto que deveria aquecer as turbinas da economia, agora se depara com uma fraquíssima atividade: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/edicoes/2015/09/23.html

6.1.6) O relato de uma crise séria (2): é a crise do emprego. Cerca de 1 milhão de trabalhadores demitidos nos últimos 12 meses, veja: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/09/1686479-mercado-de-trabalho-formal-corta-quase-1-milhao-de-vagas-em-12-meses.shtml?cmpid=newsfolha. O relatório Focus mais recente afundou a expectativa de PIB para 2015 de -2.55% para -2.70% (com inflação de 9.34%), enquanto que para 2016 saiu de -0.6% para -0.8%.

6.1.7) O relato de uma crise séria (3): a consequência da economia em queda fica estampada nesta reportagem de sábado no JN, que tem como foco a cadeia pecuária e uma possível mudança no cardápio do brasileiro: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/09/menos-carne-e-mais-frango-precos-estao-mudando-cardapio-do-brasileiro.html

Ai, eu vou no supermercado no sábado à tarde e vejo a gôndolas de carne assim… (não terá sido mera coincidência com a reportagem acima):

20150926 - gondola

 

6.2.) BENCHBEEF: INCORPORADORAS X FRIGORÍFICOS

“Nunca na história deste País” (como diria o molusco), vimos cotação de mais de R$ 4.20 para cada dólar. No final da semana a moeda voltou ao redor de R$ 4, mas foi uma semana quente, literalmente, onde a “referência se perdeu”, como dizem os economistas. A cotação subiu tanto que a bolsa brasileira nunca esteva tão barata em dólares, o que fez algumas importantes consultorias recomendarem a “virada de mão” (sair comprando). E o boi? Vai ocorrer o mesmo? De agora em diante é “para cima”?

Já tratamos do assunto aqui (veja o NF2R #181), dizendo que no caso da cadeia da carne a correlação dólar em alta > boi em alta, não é na “base do 1:1”, apesar que realmente nos chama muito a atenção o fato de a nossa arroba estar cotada em cerca de USD 37. Naquele texto nos referimos ao porquê de a relação não ser direta, como por exemplo o fato de economias de importantes importadores estarem afetadas pelo baixo preço do petróleo, além do fato de o nosso principal mercado comprador (o nosso próprio mercado interno) estar afetado pela atual crise econômica. Até a greve dos fiscais agropecuários federais está atrapalhando bastante a exportação neste momento e preocupa (os importadores fizeram o pagamento da parte à vista e não tem os embarques confirmados, mais um grande problema, esperamos que seja apenas pontal).

A relação instantânea e imediata para dólar mais caro é aumento de preço dos produtos importados, que aliás tiveram em 2014 participação recorde no consumo brasileiro (22%). Esta alta, reflete no reajuste sequencial da maior parte dos preços do País e com isto o cidadão perde poder de compra.

A expectativa de melhoria de competitividade para quem exporta não tem se convertido em êxito real, pois não tem sido fácil vender nossos produtos no exterior, apesar do câmbio favorável, como dito no texto NF2R #181. Uma exceção tem sido o milho, que está disparando realmente, cravando dia a dia, uma redução da relação de troca @ x sacas milho.

Isto é consequência de alguns fatores, como revisão para baixo da safra norte americana 15/16, expectativa de menor área plantada para a nossa primeira safra 15/16 (safra de verão vem perdendo espaço para a soja) e aqui, sim, exportação.

No caso do boi, sem querer ser repetitivo com o texto anteriormente publicado e citado acima, além de termos o nosso principal mercado consumidor “baleado” (mercado interno nacional), os frigoríficos tomaram a mesma atitude que as grandes incorporadoras de imóveis assumiram, o que tem mudado o equilíbrio de preços da arroba. Vamos explicar…

Temendo por uma grade queda de preços no mercado nacional de imóveis, em função de termos crédito restrito e mais caro para financiamentos, as incorporadoras resolveram atuar no lado da oferta para equilibrar os preços, reduzindo fortemente o nível de lançamentos imobiliários (a cidade de São Paulo teve redução de mais de 40% na oferta de imóveis no primeiro semestre do ano). Assim, mesmo com menos crédito e com este crédito mais caro, não está havendo relação direta entre queda de crédito para financiamento e queda de preços de imóveis, como era de esperado pelo mercado.

Em outras palavras, as incorporadoras, estão preferindo reduzir seu nível de negócios a reduzir seu preço, ou seja: se não há margem suficiente, vamos negociar menos e sustentar preços pela redução de oferta, adequando a oferta à demanda atual (mais fraca). É como se o menino que é o dono da bola falasse: “bom, como a probabilidade de eu tomar uma goleada é grande, não quero jogar muito tempo”. Simples assim.

Isto é o que está acontecendo em GO, no momento. A frase da compra de boi “se não comprar, não tem problema, a gente pula abate” sempre teve 0% de verdade. Mas agora a coisa não é bem assim… Os frigoríficos coadunam a mesma decisão das incorporadoras. Estão dispostos a “jogar menos”.

Isto é um forte limitante potencial para a arrancada da arroba de hoje até novembro, prevista pela bolsa (alta de R$ 5 a 6/@). Definitivamente estamos sem qualquer espaço para quedas de preço, mas vemos uma diminuta tendência desta nova decolagem da arroba… Há ausência evidência desta decolagem prevista pela BMF, daí enxergamos os valores de novembro mais como uma oportunidade do que qualquer outra coisa.

Importante: há ausência de evidência da decolagem, pelos motivos explicados acima. Entretanto, temos que deixar claro que não há evidência da sua ausência… Talvez, o que os frigoríficos queiram fazer é pressionar o boi enquanto há animais de confinamento para sair, pois, se a arrancada vier, ela partirá de um nível mais baixo. Pode ser…

Faça suas apostas. Você é o dono da bola (dono do boi), você também tem o direito de tomar a mesma atitude das incorporadoras e dos frigoríficos: jogue até onde se sentir confortável, afinal de contas, você já tomou esta decisão quando era a criança dona da bola!

Que tenhamos nosso caminho guiado pelas mãos do criador, sempre!

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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