Arroba: agora é por sua conta e risco. Mercado sem referência

Por em 11 de outubro de 2014

NOTÍCIAS DO FRONT

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #136, de 12/OUT/14 a 18/OUT/14)

Companheiros de lida,

Mais uma semana dourada. Estamos nas alturas com relação ao preço da arroba. Dos 5 fechamentos da semana, 3 foram recordes nominais da história, fato que se repetiu pela segunda semana seguida.

O Rogério Goulart nesta semana passada definiu com maestria o momento: a pecuária está em festa e esta festa está ocorrendo no telhado. O boi, a reposição, a carne… Todo mundo dançando sobre as telhas… Mas sobre as telhas? Sim, sobre as telhas, lá no alto… hum… Confortável? Cada um que sabe. O melhor neste caso é por a botina em riba de um caibro, afinal de contas, quanto “alto” é o “alto” em que estamos? E a pergunta que se põe à nossa mesa.

O bovino está tranquilo, “tipo assim”, tomando banho de piscina… E você, está tranquilo? Agora é por sua conta e risco. Estamos sem referência. Buscando-a.

BOI X PISCINA

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Iniciamos a semana passada com o indicador Esalq/BMF, base SP à vista, em R$ 130,43 (de R$ 128,50 a R$ 133) e terminamos a sexta com R$ 131,84 (de R$ 129,50 a R$ 134). Esta alta de R$1 na mínima e na máxima jogou mais gasolina na fogueira do mercado futuro, que hoje está nos sinalizando ágio (alta) de quase R$3 de hoje até o final do mês. Com isto, completamos a 3ª semana da alta da arroba. Nos últimos 6 meses, as pernas de alta tem durado em média três semanas… Vamos ver se rompemos esta média.

O MS está com preços de até R$ 128 av, sendo que o anseio dos produtores de lá é pelo R$ 130/@. Em SP, o físico de sexta situava-se, na maioria dos negócios, entre o R$ 130 a R$ 133/@ av, com um novo recuo leve na compra de bois, pois as escalas agora apontam que estão entre quinta (16/out) e segunda (20/out), trazendo o “DIA D” para SEXTA (17), e reduzindo o PLACARpara 3 a 5 dias úteis (média de 4d entre o dia da venda e do abate).

O STATUS DO BEEFRADAR da semana passada “foi para o vinagre”, pois o curto prazo é o curto prazo, sempre misterioso. Sendo assim, agora vai para: “estabilidade (50%) / alta leve (50%)”.

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O pequi madurou, mas parece que o boi ainda não, mesmo porque você vê muito pequi na beira da estrada, mas o bovino mesmo é pouco… Sendo assim, a mesma onda de SP atingiu o GO também! O físico evoluiu e foi para R$ 122av x R$ 124ap, +R$2 para o boi EU, e sobre preço de até R$1/@ acima da referência citada (preço base Goiânia, no sudoeste, pode ter mais alguma “gracinha” no preço).

Aqui em GO estamos com a famosa “ESCALA DENTE DE CACHORRO”, umas maiores, outras menores. Bem heterogêneas em função da quantidade de bois de contrato que cada indústria tem, mas de modo geral, recuaram um pouco, estando entre quarta (15) e segunda (20).

Quanto ao diferencial de base GO x SP e diferencial  boi x vaca, nada de novo, estamos perto de –R$7/@ e –5%, respectivamente.

Da mesma forma que SP, o STATUS DO BEEFRADAR vai para: “estabilidade (50%) / alta leve (50%)”.

3)      HORA DO QUILO: “Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos.” (autor desconhecido).

4)      O LADO “B” DO BOI:

De agora em diante, na “festa do telhado* da pecuária” (*Goulart), somos todos passageiros. Quem está pilotando o nosso #airbuslotado prefixo “BGI”,  é uma mulher que atende pelo nome de “Comandante Oferta”. Mas há claras evidências de que há provavelmente mais que um copiloto na cabine, influenciando as decisões da nossa comandante.

As milhas que voaremos à frente são desconhecidas e se não optar por usar o seu paraquedas e descer agora deste avião, “a coisa” fica por sua conta e risco. Segue um resumo de nossa viagem até agora em 2014:

  • Menor oferta de animais terminados (item altista): de fato está ocorrendo, uma tônica no ano de 2014. O incremento de animais abatidos visto em 2011, 2012 e 2013, e naqueles anos absorvido pela demanda foi interrompido em 2014, cujo primeiro semestre aponta para uma estabilidade de animais abatidos, inclusive de fêmeas na participação do abate total. Na segunda quinzena deste mês pode haver uma desova da retenção de vendas de animais prontos (feita como forma de atenuar a reposição cara), retenção esta que foi turbinada pela boa relação de troca da @ com o milho. Em situações de stress de oferta, esta retenção pode trazer efeitos de correção de preços bem rápidos.
  • Reposição aquecida (item altista): com o abate de fêmeas dos últimos anos, a oferta de animais de reposição ficou menor e o alto preço alcançado por bezerros e garrotes fez se iniciar a cíclica retenção de fêmeas. Além disto, estes aumentos da reposição (cerca de 35% em 12m) levaram a uma postergação de compras por parte dos invernistas durante os últimos meses. A reposição cara deve levar ao encurtamento das margens de engorda dos próximos ciclos de produção (2014-2015 / 2015-2016). Aparentemente o preço dos animais de reposição está estabilizado, parou de subir, mas não sinaliza queda.
  • Economia em recessão (item baixista): cada vez mais claro. A economia é um dos principais focos da campanha do 2º turno. Inflação, crescimento baixo, contas públicas deficitárias, baixo investimento, indústria em recessão, confusão na matriz energética, déficit de balança comercial e de contas correntes são os problemas. A boa notícia é o baixo desemprego. Como já dissemos aqui, é impensável achar que a carne está imune a tudo isto. Um bom resumo está no link.
  • Carne pressiona o índice inflacionário, começa a incomodar o consumidor e chegar na pauta da mídia como “VILÔ (item baixista): nesta semana o secretário executivo do Ministério da Fazenda, sugeriu o consumo de ovos como alternativa à carne para o consumidor. Isto pegou mal para o governo em plena campanha e foi muito falado durante a semana. Vou fazer um churrasquinho do PT com uma picanha normal e uma superprecoce…

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O assunto ganhou destaque na mídia da TV e sinaliza que podemos estar perto do limite do consumidor, veja o link abaixo. Em setembro, a carne foi chamada de vilã, pois foi o índice que mais pressionou o IPCA.

  • Atacado acumula alta no ano, mas não acompanha a alta do boi (item baixista): o indicador da arroba de sexta está 28,45% acima da média do indicador de 2013. Já o atacado (boi casado) desta última sexta está cerca de 24% acima do valor médio de 2013. A diferença aponta para a dificuldade dos frigoríficos de repassarem o aumento do boi para o varejo e leva uma redução de margem da indústria, que com os últimos aumentos do boi, está em níveis poucas vezes vistos. Os picos de preços ocorreram nos últimos 4 anos com o atacado disparando e o boi indo atrás… Este ano “o boi foi” e o atacado além de não acompanhar, veio para baixo. Algo está ocorrendo neste mercado. Frigoríficos tem apresentado comportamento de compra muito diferente do que o costume, comprando boi caro e vendendo carne barata, um cenário perigoso. Em resumo falta sustentabilidade, ou fundamento, no jargão financeiro, neste momento de arrancada da @;
  • Varejo não consegue repassar os aumentos para consumidor (item baixista): mesmo não repassando integralmente para o consumidor os aumentos recebidos do atacado, o que é evidenciado pelo menor sobrepreço visto no item carne bovina praticado pelo varejo, na ponta consumidora, as carnes estão com alta entre 5 a 25% (dependendo do corte), portanto bem acima da inflação e dificultando o consumo;
  • Alimentação (milho) está numa relação de troca interessantíssima com a arroba (item baixista): movimento de baixa dá sinais de esgotamento para os grãos, ou pelo menos de diminuição da sua intensidade. Entretanto a boa relação de troca configura uma boa condição para engorda dos animais, incentivando-a;
  • Carnes alternativas (item baixista, apenas para o frango): o suíno está em níveis recordes de preço, cerca de 18% acima do ano passado, devido a menor oferta, tal como o boi. O frango está com aumento em 12m abaixo da inflação. Os ovos, tão falados na última semana, estão cerca de 10% acima do ano passado (base atacado). Apenas o frango apresenta um pequeno reajuste nos últimos meses e pode ser uma alternativa.
  • Mercado futuro (item altista): tem apresentado um comportamento que ignora fundamentos de oferta e demanda. Sinaliza ágio de quase R$3/@ até para o mês de outubro, mesmo perto do vencimento e coloca o mês de dezembro perto dos R$ 136/@. É fato que a oferta restrita tem colocado lenha nesta fogueira, mas a brincadeira de achar o teto pode ser arriscada. Recomendamos a compra de seguros (opções), que podem ficar bem acessíveis, e casadas com o físico, podem dar muita tranquilidade para os pecuaristas neste momento de incertezas.
  • Exportações (item altista): no momento em que a nossa economia interna fraqueja, brindamos que nos 9 primeiros meses do ano, tenhamos exportado (em comparação a 2013) +6.3% em volume e + 12.6% em faturamento, o que ajuda a escoar a produção. Entretanto, setembro, isoladamente fechou com queda de 19,4%. Sinal amarelo.
  • Expectativa de preços: fiz uma rápida pesquisa com uns amigos via ZapZap (produtores e técnicos de alto nível). Pedi para mensurar a expectativa da @ de agora para o final de nov. Sem apego aos números, a votação era de: alta forte, alta leve, estabilidade, baixa leve ou baixa forte. Quase 75% votaram entre baixa leve, estabilidade ou alta leve,  portanto, a expectativa da maioria é de que o preço está perto da máxima e que não deve variar muito até o final de novembro. Porém, cerca de 30% ainda acredita em alta forte. E 0% em baixa forte. O ânimo continua forte, portanto.

Acima pontuamos algumas características da nossa viagem até agora, no estilo da nossa coluna sazonal O BOI EM 60 SEGUNDOS, identificando os itens em “baixistas” ou “altistas”. A decisão sobre continuar a viagem é sua, da mesma forma que as consequências.

Um mercado que procura seu teto e que está “sem referência” fica muito suscetível a fortes movimentos, tanto para cima, quanto para baixo (tomara que esta não seja a opção do mercado). Sua margem de lucro eu não sei, mas a sua emoção está garantida! Que Deus nos proteja nesta semana que se inicia!

Rodrigo Albuquerque & Ricardo Heise,

Num trabalho feito a 4 mãos…

 

Contatos:

Twitter @fazendaburitis, boicom20@gmail.com

Twitter @boi_invest , r.heise@hotmail.com

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