A solução para a engorda da safra 15/16: estratégia de adição de valor

Por em 1 de novembro de 2015

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

 

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #189, de 01 a 07/nov/15)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

 

Tem frases que a gente escuta e esquece, mas tem algumas que nos marcam. A frase que está na minha cabeça agora, eu escutei pela derradeira vez dentro de um curral. O capataz, que era um sujeito bem eficiente, em tom professoral e altivo disparou aos berros para um “peão do pé pesado”: “fica ativo no serviço”!!! Ele disse isto, pois tinha um boi quase esfregando o tal “peão do pé pesado” (mais moroso) nas cordoalhas do curral e ainda assim o desavisado nem percebera o perigo.

Pois bem, o “fica ativo no serviço” também é o terceiro benchmark que o setor imobiliário empresta ao pecuário e que é noticiado no NF2R nas últimas semanas.

Para relembrar: já falamos aqui do ajuste via redução de oferta (feito pelas incorporadoras e frigoríficos frente à crise), já falamos da coexistência de um negócio imobiliário e um produtivo (como no caso do McDonald´s e das Fazendas) e agora o “fica ativo no serviço”, que é a versão sertaneja para a gestão ativa de imóveis ou gestão de adição de valor, nomes das estratégias que devem capitanear as ações dos melhores investidores de imóveis frente ao cenário dos próximos anos (que é um cenário de redução drástica de margens de lucro).

Em tempo, a descrição das últimas linhas do parágrafo anterior (cenário do futuro próximo do setor imobiliário), revela um cenário idêntico para o qual também será exposta a pecuária de engorda. Mas uma similaridade entre os dois setores, explorada aqui pelo NF2R.

Vamos “esmiuçar” isto adiante, ao mesmo tempo que os nossos Flamboyants exibem cores espetaculares no cerrado do Brasil, a chuva começa a dar o “ar da graça” (viabilizando o plantio, o início das IATFs, da safra de capim e quem sabe aquecendo a reposição) e por fim, concomitante ao início dos preparativos do comércio para o Natal 2015! Vamos que vamos…

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

A nossa locomotiva de preços, deixou o valor de R$ 148,64/@ (variando de R$ 147 a R$ 149,50) do início da semana passada e na última sexta-feira pousou no R$ 148,25/@ (variando de R$ 146,75 a R$ 150,50). Numericamente foi uma queda de alguns centavos, mas seguimos (indefinidamente) com a tendência macro de estabilidade com leva viés positivo.

Praticamente nenhuma alteração no mercado físico paulista, que segue no intervalo de R$ 146 a R$ 149/@ à vista. A terra da guavira, o MS, também manteve o R$ 140/@ a prazo, com escala para 09/nov, em geral.

Em geral, as vagas para agendamento de bois estão entre 10 a 11/nov, porém tem empresas que tem bois agendados “muito dentro da cultura do novembro”. Atenção, portanto!!! O “DIA D” ficou em 10/nov, reduzindo o placar das escalas para 5 dias (entre o acordo da venda e o dia do abate). O STATUS DO BEEFRADAR não sofreu alterações:

25% queda (leve) : 50% estabilidade : 25% para alta (leve)

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Estabilidade no boi goiano, mas no final da semana, o balcão mais comum voltou a ser o R$ 138/@ a prazo, com prêmio EU de +R$2/@ e personalitè ainda presente.

As escalas seguem com folga, estando entre o dia 09 (seg) e o dia 16/nov (seg). Seguimos congelados no diferencial de base SP x GO de R$ 10/@ para os bois e com deságio das fêmeas de 5% em relação ao machos. Atenção ao aumento do deságio das fêmeas…

 

3) HORA DO QUILO: muito se falou de câncer x carne esta semana… Veja a opinião de alguém que entende do assunto realmente: “Se quiser reduzir o risco de câncer e de outras doenças, não fume de jeito nenhum, beba pouco, faça exercícios, não engorde, coma quatro ou cinco porções de frutas e vegetais todos dias e não fuja dos prazeres da carne, sem exageros”. Veja:

http://m.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2015/10/1700583-os-suplicios-da-carne.shtml?mobile

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: seguem dois pedidos especiais que eu faço para a comunidade NF2R. O primeiro é, em especial, para quem negocia bois com frigoríficos: cadastrar-se no CEPEA e acima de tudo, informar as negociações feitas. Para tanto, basta enviar via e-mail (boicepea@cepea.org.br) o seu nome, telefone e e-mail preferencial para contato. Com tais informações, o CEPEA poderá entrar em contato com cada um de vocês e convidá-los para participar do levantamento de preços da arroba diário. Um cadastro simples será preenchido pelo próprio telefone e então você, pecuarista, passará a ser consultado diariamente sobre as efetivações, sejam elas de reposição ou de animais para abate. Esse cadastro é necessário também para que as informações do agente sejam consideradas pelo sistema CEPEA. O Cepea se compromete em manter sigilo das informações fornecidas pelos participantes do levantamento. Ressalto que é muito importante o cadastro e o fornecimento de tais informações, para que os indicadores de preços da arroba sejam fidedignos. Só para se ter uma ideia, de como isto é difícil de ser feito, vejam, nas palavras do Coordenador do Projeto, o Prof. Sergio De Zen, a situação de SP: “Temos 120 mil produtores de boi, segundo o Ibge. Destes, 73 mil vendem menos de 20 cabeças ano e representam menos de 3 % do mercado, 45 mil vendem entre 20 e 350 animais ano, com uma média de 2 negócios, representam 60 % do volume de abate e o restante do abate tem origem em 1800 produtores. Então para obter um negócio quando um pesquisador pega o telefone tem menos de 0,5% de acertar. Por isso a colaboração dos produtores é fundamental”. Conto com a comunidade NF2R!!!

O segundo pedido é para a comunidade do nosso querido MS, em especial, mas também para todos os demais estados do Brasil. Há muitos anos existe, como todos sabem, o Programa do Novilho Precoce do MS. Este programa tem incentivado muito a melhoria da pecuária e sobretudo da qualidade da carne produzida pelo MS. Mas, existem informações de fontes seguras que haverá um edital na próxima quarta-feira suspendendo o programa, em função da alegação de fraudes. Entendemos que isto é um medida descabida e de visão míope de curto prazo, pois existe uma infinidade de atitudes que podem ser tomadas antes da suspensão do programa. A cadeia pecuária do nosso País e o próprio governo do MS sairão perdedores, em nossa visão. Pedimos que os produtores do MS fiquem atentos à mobilização entre a próxima segunda e terça-feira, procurando orientação na própria Associação do Novilho Precoce do MS além das mídias sociais. A mobilização neste momento é vital para impedir uma severa perda para a pecuária do MS e pecuária nacional. Estas poucas linhas deste humilde blog de mercado não fazem jús à importância deste programa. Fica aqui o nosso alerta máximo. Vamos à luta!!!

 

5) FOTO DA SEMANA:

5.1) Foto de Sergio Arantes, no MS, começo da safra de capim:

20151030 - Sergio Arantes

5.2) Foto de Ricardo Heise, Fazenda Panorâmica do Turvo, em Indiara-GO, idem acima:

20151030 - Alaor

6) O LADO “B” DO BOI:

 

6.1.) WE BUY UGLY FARMS

 

Afinal de contas, o que tem a ver o “fica ativo no serviço” com o setor imobiliário? Explico: nos últimos anos, entre 2005 e 2014, o setor imobiliário urbano experimentou alguns fatos que fizeram com que os preços aumentassem muito, mesmo com aumento das ofertas. O que sustentou esta aparente contradição econômica foram alguns fatores que coexistiram neste intervalo de anos, à saber: aumento da quantidade de parcelas dos financiamentos, diminuição das exigências dos financiamentos, diminuição dos juros e aumento de renda da população. Assim, o valor da parcela começou a caber no bolso das pessoas e elas começaram a comprar mais imóveis, absorvendo com folga o aumento da oferta. Assim, o mercado decolou em termos de preços.

As incorporadoras souberam explorar bem o AFFORDABILITY do setor. A tradução desta palavra inglesa é mais ou menos assim: quanto o cliente pode pagar. As incorporadoras souberam identificar muito bem o quando o cliente podia pagar e capturaram este momento com maestria.

Mas, agora a coisa mudou, pois hoje não temos recursos para financiamentos sustentáveis, a renda está caindo, há endividamento alto da população e a crise econômica não poupa no cenário nebuloso. Estamos vendo o final de um ciclo muito pujante de valorização dos imóveis. Entretanto, ao contrário do que possa se pensar, o “derretimento” de preços pode não ser tão forte assim, pois como foi dito no NF2R, as incorporadoras decidiram diminuir os negócios, a diminuir preços. Entretanto, é fato que a coisa mudou de figura!

Os investidores estavam mal acostumados pois bastava ter um imóvel para que houvesse lucro. Era só “muntar” num apartamento na planta e depois de pronto vendê-lo. Era o tempo que a estratégia passiva bastava para se obter altos lucros com imóveis. Mas e agora? Agora, há que se ter estratégia ativa ou gestão ativa na administração de investimentos imobiliários para que seja possível a obtenção de lucro. Em resumo, ao invés de simplesmente esperar a valorização por fatores externos, o empreendedor vai ter que criar a valorização, fazendo mudanças no imóvel. Em outras palavras, o eixo de criação de valor passou de fatores externos (sob os quais não há domínio) para fatores internos (sob os quais o responsável é o próprio investidor).

Um exemplo é a estratégia de adição de valor, no qual você compra um imóvel com algum problema (p.ex.: conservação geral, fachada, etc), mas inserido numa região de bom potencial. Após a aquisição, você faz uma reforma, resolve este problema e o vende com altas taxas de retorno. Nos EUA, há empresas que declaradamente realizam este tipo de negócio, veja o outdoor:

20151030 - Ugly Houses

                As informações acima foram compiladas de relatórios da Empiricus (consultoria financeira que trabalha muito bem estes conceitos). Muito do que foi descrito acima para o setor imobiliário, vale 100% para a pecuária, vejamos alguns exemplos…

A estratégia de adição de valor em imóveis, citada acima, já é feita por muitos “pecuaristas” há muito tempo. As aspas da palavra pecuarista, devem-se ao fato que existem verdadeiros investidores imobiliários trajando vestes de pecuaristas, os quais vivem de fazer dinheiro comprando fazendas “caídas” (mal conservadas), melhorando-as e em seguida as vendendo. Daí o “we buy ugly farms”, ou no português: “nós compramos fazendas feias”, parafraseando os investidores americanos citados acima.

Outro exemplo: quem comprou bezerros ou garrotes no primeiro semestre de 2014, fez um investimento no estilo “bicicleta de rodinha na descida”. Era fácil, nenhuma chance de dar errado. O caboclo estava 100% na estratégia passiva, pois só de estar “muntado” no bezerro/garrote, ele já pôde experimentar uma valorização de até 45% na média Brasil naquele ano (alguns estados até 70%). Bastava ter o bezerro, pouco importava o produtivo (o ganho de peso). Não precisa recriar, bastava “guardar” o bezerro.

Concomitantemente ao setor imobiliário, que viu uma era de lucros gordos e fáceis ser exaurida entre 2014/2015, o setor de engorda da pecuária vive esta mesma experiência. Em 2014, os pecuaristas de engorda viram o ágio da arroba do bezerro subir mais de 50% e novamente em 2015, outro salto: mais 75% de alta no ágio da arroba do bezerro de reposição (números base GO, p.ex.). E agora? Qual a saída para o ciclo de engorda 2015/2016 (ano em que provavelmente veremos poucos problemas em preços, mas muitos desafios na margem de lucro da engorda)?

A resposta a esta inquietante questão vem tirando o sono de muita gente que engorda, pois tem cada vez mais pecuarista que sabe fazer conta… E, em nossa opinião, a resposta para esta “sinuca de bico” é a estratégia ativa ou gestão ativa, ou ainda, estratégia de adição de valor, que sertanejamente falando são traduzidas no “fica ativo no serviço”. Em outras palavras, há que se incrementar os resultados produtivos e o nível de gestão do seu negócio.

Em nossa opinião, uma série de fatores levou a este estrondoso salto no ágio da reposição, além do óbvio, que é o momento do atual ciclo pecuário (alto abate de fêmeas, com pico em 2013). Foram fortes e importantes motivadores também o advento da ILP (com a entrada na pecuária por parte dos agricultores com as suas palhadas e subprodutos baratos), a tendência crescente do ciclo completo, a disputa de terras com agricultura, dentre outros. E está tudo certo, pois a cria, depois de muitas décadas, tem que ganhar dinheiro também!!!

Independente do motivador, as únicas saídas para o invernista são as citadas acima: incremento dos resultados produtivos e do nível de gestão da propriedade, sempre pensando no incremento do resultado financeiro na métrica de R$/há (que advém da intensificação da produção de @/há, tirando o foco da produção de @/cab)!

E é exatamente isto que temos feito, vide o estrondoso aumento do peso das carcaças nas norias. Criamos o “monstro da noria”, um figura de 23@ acima, que tem sido cada vez mais frequente nas linhas de abate, e que começa a causar um desafio extra para os frigoríficos (desafio operacional e comercial). Até as caixas de papelão para abrigar as peças começam a apresentar algum nível de problema, pois nossas plantas foram feitas para abater animais com peso máximo de 18@.

Esta semana, eu recebi uma ligação de um frigorífico me perguntando qual o peso do próximo abate, pois vai receber uma missão americana e não “ficaria bom” a missão estar presente num dia que estivesse sendo abatido um “monstro da noria”.

Portanto, parte da estratégia de adição de valor, que deve ser usada no imobiliário, também já está sendo praticada na pecuária, através do aumento do peso de abate (frigoríficos relatam aumentos de peso de carcaças consistentes de 2013 para cá, com aumento médio de 1.5@/boi abatido neste ano, em comparação a 2014).

Mas, e o nível de gestão das Fazendas??? Estamos mesmo o aumentando, quando pensamos na média Brasil??? Sinto dizer que não! Ao menos não na mesma proporção e abrangência do aumento do peso de carcaças (melhoria do produtivo). E este desequilíbrio torna a coisa mais perigosa ainda…

Para melhorar o nível de gestão, precisamos muito mais do que uma SIMPLES MUDANÇA do gestor, precisamos de uma PROFUNDA TRANSFORMAÇÃO dele. Sim, “mudança” e “transformação” são coisas bem diferentes. Mas isto fica para o próximo NF2R!!!

Que você tenha uma semana abençoada e repleta de boas energias na sua família e no seu negócio. Nos encontramos aqui na próxima semana, se assim Deus nos permitir. Abraços…

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

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