A primeira voz da dupla “Pasto & Suplemento” irá mudar em 2016?

Por em 10 de janeiro de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #198, de 10 a 16/jan/16)

 

Aos que carregam o “pó da viagem”,

 

De volta ao nosso espaço, meus amigos, com as Graças do Pai! Que o Natal e o “redespertar” (Reveillón) tenham lhe trazido novo ânimo!

Espero que o convívio em família tenha lhe trazido aquela “conversaiada”, “comilança”, “fofocaiada das tias”, prosa ”dos tios mala e dos primos íngua” (tudo bem característico, presente e importante na passagem de final de ano), mas que sobretudo este tempo também tenha lhe trazido de volta ao que lhe agregará valor no final da sua vida: sua família!

E o que aconteceu neste período de recesso do NF2R em relação ao bovino brasileiro? Nada muito diferente de um roteiro que vem sendo comum para os finais de ano. Mas já dá para dizer, por ora, que ecoa no ar um novo estilo musical e nesse novo estilo, a dupla “Pasto & Suplemento” parece ensaiar uma troca de primeira voz… Vamos “espicular” estas novas notas musicais do lucro pecuário a seguir!

 

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

No início da semana do Natal, o indicador Esalq/BVMF oscilava próximo de R$ 146,50/@ a vista e de lá para cá subiu e acabou fechando o ano em R$ 149,12/@. Na última sexta-feira, atingiu o valor de R$ 147,38/@ a vista (variando de R$ 146 a R$ 150/@, a vista).

Ano novo e prosa velha: a ideia não é simplesmente criticar, mas temos que relatar o que vimos no mercado. O fato é que o indicador desta sexta não refletiu o que o mercado praticava no físico, na visão da esmagadora maioria dos seus agentes. Seria necessário entender o porquê disto, visto que temos pessoas da mais absoluta competência na elaboração deste referencial, que é a alma do “mercado nosso de cada dia”.

No mercado físico paulista, a “chapa esquentou” e vimos preços de R$ 148/@ a vista (grandes indústrias) até R$ 152 a 153/@ a vista das indústrias menores, todos pressionados por escala curta (a BVMF refletiu este otimismo no último pregão). No MS, inacreditavelmente, temos preços entre R$ 136 a R$ 140/@ a prazo, exibindo um diferencial de base inédito e até difícil de acreditar que poderia existir um dia. O tuiuiú está de “asa caída”… O “dilúvio” que vem caindo no MS há semanas deve ter alguma responsabilidade nisto. Há relatos de mais de 600mm em dez/15 no sul do estado.

As escalas paulistas seguem no estilo “manga de colete”: curtíssimas! A maioria das indústrias está entre a próxima terça/quarta, situando o nosso “DIA D” na terça, dia 12/jan e o placar cravado em 2d úteis (entre o acordo da venda e o dia do abate). No MS, vemos agendamentos mais folgados (18 e 19/jan). Assim, o STATUS DO BEEFRADAR fica em:

20% queda : 45% estabilidade : 35% alta

 

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

A turma que aprecia o “caroço amarelo” também tem motivos para estar mais “uriçada”: o preço balcão goiano mais comum é o R$ 140/@ a prazo, com “personalitè” presente de R$1 até R$3/@ (fora a questão do prêmio EU). No estado também não está fácil colocar boi em escala (esta, em geral, está para a próxima terça e quarta-feira).

Fechamos o ano de 2015 com a média de –R$9,95/@ de diferencial de base Go x SP, valor que seguiu na mesma linha na primeira semana do ano. Da mesma forma, nada de novidade no diferencial vaca x boi, que permanece entre 4.5 a 5% de deságio.

 

3) HORA DO QUILO: dez definições interessantes para começar o ano com o pé direito:

  1. Faça o que é certo, não o que é fácil. O nome disso é Ética.
  2. Para realizar coisas grandes, comece pequeno. O nome disso é Planejamento.
  3. Aprenda a dizer ‘não’. O nome disso é Foco.
  4. Parou de ventar? Comece a remar. O nome disso é Garra.
  5. Não tenha medo de errar, nem de rir dos seus erros. O nome disso é Criatividade.
  6. Sua melhor desculpa não pode ser mais forte que seu desejo. O nome disso é Vontade.
  7. Não basta iniciativa. Também é preciso ter ‘acabativa’. O nome disso é Efetividade.
  8. Se você acha que o tempo voa, trate de ser o piloto. O nome disso é Produtividade.
  9. Desafie-se um pouco mais a cada dia. O nome disso é Superação.
  10. Para todo ‘game over’, existe um ‘play again’. O nome disso é Vida.

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: só Boeing 777 decola das Pistas da Fazenda Panorâmica do Turvo. É o grande sucesso, o grande HIT do momento. Ao Alaor, nossos parabéns, extensivos também aos Prof. Gustavo e Flávio do APTA! Veja o link da matéria:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1727820-boi-777-que-engorda-mais-rapido-cresce-em-oito-estados-do-brasil.shtml

5) FOTO DA SEMANA:

Touros e matrizes Brangus de geração avançada, foto de Maurício Garcia, em Chapadão do Céu – GO (brangus_saga@hotmail.com)

 

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6) QUAL SERÁ A PRIMEIRA VOZ DA DUPLA “PASTO & SUPLEMENTO” EM 2016?

Voltando a ficar “ativo no serviço”, em resumo, nas últimas duas semanas do ano ocorreu menor oferta de gado para abate durante os feriados de final de ano (fato já esperado) e, como consequência, houve aumento de preço na maioria das praças pecuárias (de R$ 2 a R$ 6/@), mesmo com os grandes frigoríficos tendo ficado menos ativos na compra de gado. Quem permaneceu abatendo, teve que pagar mais.

Além disto, um fato fundamental: apesar da crise econômica, o gosto do brasileiro falou mais alto e (quase irresponsavelmente) ele comprou carne grill acima das expectativas. Eu mesmo vi isto num pequeno supermercado da periferia da grande SP. A maior fila era no açougue no dia 31/dez pela manhã e a moça do caixa não hesitou em dizer que “a carne de vaca era o que mais estava saindo”. Obs.: as carnes presentes naquele pequeno varejo eram argentinas e paraguaias, em sua maioria, um sinal interessante. No final das contas, o varejo ficou desabastecido e com os grandes “menos ativos” a oferta de carne raleou e o atacado (boi casado) acabou anotando o recorde do ano no último dia de negociação (30/dez).

Ou seja, além do “driver” oferta restrita, presente de modo geral há tempos no mercado, apareceu a valorização do atacado para ajudar (na maior parte do tempo, durante 2015, o boi foi “para cima” por conta da sua escassez). A carne tem ficado “igual a cremalheira”: quando ela vai para cima, ergue o boi, mas quando vem para baixo, a oferta escassa não deixa o boi cair. Mas, neste final de ano, ambos fatores apareceram e aí o “bicho pegou”.

Esta pressão continuou na “primeira semana útil” do ano, pois as escalas ainda não se equacionaram com o atual nível de oferta (ainda existe menor presença de pecuaristas vendedores), assim como a demanda ainda está “impregnada” pelo espírito consumidor das festas (apenas o dianteiro caiu um pouco neste início de ano). A festa dos preços altos no atacado continua e nesta última sexta o mercado atingiu o recorde nominal histórico do índice CEPEA e da Scot Consultoria (R$ 10,28 e R$ 10,06/kg, respectivamente), índices que monitoramos. Um belo começo de ano para a indústria e produtores! Só o equivalente físico da carne, dá uma @ entre R$ 154 e 159 (base SP), fora os miúdos, couros, sebo, derivados, berro, etc, etc…

A consequência é que a margem de comercialização das indústrias atingiu um nível excelente, cerca de 25% acima do patamar do início do ano passado. O mercado futuro reage positivamente a estes acontecimentos, apontando uma safra (maio/16) com alta de mais de R$ 6/@ daqui até lá.

É óbvio que não se pode desconsiderar que após a recomposição da posição vendedora haja um arrefecimento deste cenário, mas isto não está fácil. As escalas estão com dificuldades de serem alongadas neste momento e seguem com padrão mais curto que nos últimos 60 dias. De fato, elas estão no estilo “manga de colete”, como dissemos. Também não devemos esquecer o horizonte sombrio para o consumo do mercado interno, com a pressão inflacionária e a pressão do dólar mais alto, que “encarecem a vida do povão”… Fechamos com 10,67% de IPCA e o boletim Focus projeta quase 7% de inflação para 2016… Mas, deixa para lá, por ora a farra continua, independentemente de janeiro ser um mês tradicionalmente fraco demais para a venda de carne.

Fico aqui pensando e imaginando se o País estivesse crescendo… O quanto a @ poderia ter ido mais alto???

Um fato que limita uma arrancada mais pujante da nossa locomotiva (@ paulista) é termos atualmente diferenciais de base muito abertos, exemplos são os estados do MT e MS.

Portanto, companheiros, tudo dentro do “script” de um bom final de ano para o bovino. Mas, algo saiu do “ritmo” neste final de dezembro/início de janeiro e não foi a BOMBA de H2 da Coréia do Norte… Foi o milho!!! O cereal dourado está igual a “cerveja em navio de cruzeiro”, pode pedir o preço que for para cima, que não tem jeito, vai vender! Chegou a subir 5% em menos de uma semana…

O “culpado” é o dólar, que vem possibilitando o aumento da relevância do Brasil no cenário exportador do mercado mundial. O mês de dez/15 foi o recorde histórico de volume exportado e para se ter uma ideia, tem agente de mercado pensando em importar o grão de países vizinhos, pois não está havendo milho disponível em grandes quantidades no físico. A exportação enxugou o excesso de produção e o cenário virou, a “carroça empinou”. O mercado futuro mostra que a tendência deve continuar…

O que sobra para o boi então: um aumento de mais de 20% nas estimativas das diárias para confinamento em 2016 e também um aumento considerável dos suplementos de alto consumo à pasto, os quais viraram moda nos últimos dois ciclos de engorda. Isto tem o impacto de uma verdadeira bomba de hidrogênio na já combalida margem que a pecuária de corte de engorda terá em 2016.

Então, “supita prá riba” uma grande reflexão: teríamos maximizado o uso dos suplementos com a mesma contrapartida na maximização do uso dos pastos??? A resposta para mim é NÃO!!! A maioria dos produtores adotaram mais rapidamente protocolos de suplementação arrojados antes de intensificar por completo a utilização do recurso “pasto”. Obviamente que há honrosas exceções…

Mas porque o pecuarista, que nada mais é que um AGRICULTOR DE PASTO, enveredou-se por estas bandas? Para nós, os principais motivos são:

– falta crédito em quantidade para formação de pastagens;

– falta conhecimento técnico uniforme sobre o assunto;

– falta capacidade para se realizar uma análise da rentabilidade desta operação (enfraquece a tomada de decisão);

– cultura de pouco planejamento e muito imediatismo;

– a adoção de pesados protocolos de fornecimento de suplementos nutricionais é mais rápida e há mais empresas atuantes disseminadas nas bacias de produção;

– manejar pastos de maneira intensiva e maximizada é mais difícil e complexo que suplementar de maneira arrojada;

É claro que não somos contra a elevada suplementação/tecnologia, muito pelo contrário! Somente ela nos catapulta para os máximos lucros por hectare, que levam a pecuária otimizada para um nível de rentabilidade superior à média da agricultura.

Apenas chamamos a atenção para o fato: se a opção de caminho for “enveredar para o rumo” da suplementação pesada, antes da maximização do uso dos pastos, “queimando etapas”, uma das consequências desta atitude será a perda de parte do potencial da lucratividade do produtor. E este fato, num ano de margens mais apertadas como 2016, se traduz numa péssima escolha.

Em nossa concepção, quem determina o lucro é o pasto, enquanto o suplemento seria a ferramenta (a melhor delas) que potencializa este lucro. Vejamos o exemplo da recria, que normalmente é feita a pasto e é, em nossa concepção, a chave para o acesso ao lucro da engorda, diluindo o ágio da desmama, desde que bem conduzida. Mas é justamente nesta fase, recria à pasto, em que os maiores erros são cometidos. É muito comum encontrarmos fazendas que não recriam, apenas “guardam” os animais desmamados, esperando-os erar. Mas, na pecuária moderna, que apenas espera erar, acaba errando…

Voltando à nossa dupla “Pasto & Suplemento”, em nossa visão, o melhor seria termos o casamento das duas “vozes” desta parceria: o uso do pasto possibilita o aumento da lotação, enquanto que o uso do suplemento potencializa (e assegura) o ganho de peso individual.

Não podemos deixar de lembrar, apenas de passagem, que a intensificação de pasto e do uso do suplemento jamais deve preceder a uma elevação do nível de gestão da propriedade, sob o risco de fazê-la afundar em termos de seu resultado financeiro.

Finalizamos ressaltando que em nossa opinião, em 2016, precisamos que a primeira voz da dupla “Pasto & Suplemento” volte a ser o pasto, o pasto bem manejado e tratado como lavoura. Talvez o “Suplemento” tenha assumido a 1ª voz da turnê pecuária antes da hora…

Obviamente, o arranjo da música tocada é sempre uma escolha do empresário da dupla, neste caso, o pecuarista.

Há vários tipos de dupla, de ritmos e músicas. Cabe ao empresário (pecuarista) identificar o ritmo (sistemas de produção) mais adequado ao seu estilo de voz (suas habilidades como produtor/propriedade) e ao público ouvinte (mercado consumidor da carne).

Importante notar também, que a gravadora (frigorífico) não pode melhorar a qualidade da música (carne) que chega até ela. Ela é só o canal de distribuição desta música.

Tem empresários fazendo dinheiro com vários ritmos (sistemas de produção), e tem os que desafinam e tomam prejuízo. Neste estilo musical (pecuária), a dupla “Milionário & Zé Pobre” tem se destacado negativamente devido ao desapego que tem em relação ao hit “Gestão de Risco”.

O sucesso musical (lucro pecuário) estará mais “minguado” em 2016… Mas a dupla “Lucrinho & Lucrão”, deverá fazer sucesso (lucro) cantando o hit “Gestão de Risco”, numa parceria muito harmônica com os Companheiros “Pasto & Suplemento”.

Vamos seguindo e cantando a canção pois o show 2016 está apenas começando e esta turnê nos trará muito pó na viagem que faremos JUNTOS nesta longa estrada da vida boiadeira. Até a próxima semana, se assim Deus nos permitir! Abraços…

 

Obs.: agradecimento especial aos colegas do BeefRadar que nos propiciaram uma boa conversa sobre “a dupla” em foco aqui, algumas semanas atrás. Esta prosa nos serviu de inspiração.

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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