A hora da verdade do boi está chegando…

Por em 7 de abril de 2014

NOTÍCIAS DO FRONT

A pecuária Goiana e Brasileira em uma visão de curto, médio e longo prazo, escrita

por quem a vive e “carrega o pó da viagem” (Edição #109, de 06/ABR/14 a 12/ABR/14)

Ao “exército de iguais”,

É muito bom quando a gente fala que o boi vai cair e a gente erra. Digo que é bom errar, pois como temos bois para vender, neste caso, o erro seria benéfico. Mas infelizmente o sinal amarelo realmente acendeu no bovino, tal qual o título do texto anterior.

Nada de pânico! Mas abaixo vamos ver se o quanto “o amarelo é amarelo” mesmo…

1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Este boi está caindo, mas “numa preguiça danada”. Quanto ao preço, saímos de R$ 125,42 av (variando de R$ 123,75 a R$ 129) e voltamos para R$ 125,31 av (variando de R$ 123,50 a R$ 127), fechando a segunda semana de queda.

Os negócios no físico perderam a máxima, mas quanto a mínima quase nada se alterou. Isto reflete a queda de braço que ocorre no mercado agora. Existe ainda muita relutância por parte do produtor em entregar boi a preços mais baixos, e de fato, a mínima do mercado praticamente se manteve.

Apesar de a maioria dos frigoríficos grandes terem fechado a semana, existem indústrias de menor porte precisando de bois para dentro da semana que se inicia. Desta forma, o “DIA D DAS ESCALAS”, retrocedeu de SEGUNDA para SÁBADO.

No MS, tudo mesma, pois ainda vemos preços de R$ 119av x R$ 120ap e com o mesmo padrão de escalas que SP, como habitual.

Nesta semana o BEEFRADAR, fica em: “estabilidade(40%)/queda leve a moderada (60%)”.

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Igualmente a SP, parece que o bovino amoleceu pouco por aqui também, ao menos por ora. Nesta semana passada foram vistos negócios R$ 115av x R$ 117ap, com negócios até R$ 1/@ acima desta referência e ágio EU adicional de +R$ 1 a 2/@.

Deste modo, o melhor preço apontado pelo levantamento do CEPEA é de R$ 119 ap, configurando a perda da máxima, como em SP (lá a máxima pelo relatório é R$ 128/@).

Talvez em função de um recuo mais tímido proposto ao mercado as compras evoluíram de modo geral um pouco melhor que SP, e o “DIA D DAS ESCALAS”, caminhou para frente, deixando o SÁBADO e alcançando a SEGUNDA.

Isto abre a possibilidade de indústria “testar” novos recuos em GO nesta próxima semana, o que não quer dizer necessariamente que o teste vai dar certo. Mas devem “testar”. Algo nos aponta para o fato de haver um pouco mais de boi represado por aqui.

O estreitamento da diferença de preço com SP foi só “fogo de palha”, e a média semanal voltou para –R$ 9,50/@.

Também não há enxurrada de vacas em escala como no ano passado. E assim, o deságio de -7,70% em relação ao boi vai se mantendo.

O BEEFRADAR, fica em: “estabilidade(35%)/queda leve a moderada (65%)”.

 

3)      HORA DO QUILO: vai hoje uma frase que adorei. Vi na telinha de um avião: “O talento define-se na solidão, o caráter na convivência”…

4)      O LADO “B” DO BOI:

4.1. A exportação escorregou

Tudo bem que o volume e a receita atingiram marcas importantes para o primeiro trimestre do ano, 20% e 40% acima de 2013 e 2012, respectivamente. Mas houve um forte recuo de 24% em volumes embarcados de março, comparando com fevereiro deste ano.

Atenção para a perda de competitividade da carne com estes preços altos. Isto é de suma importância para que se enxugue a carne no mercado interno, dando sustentação de preços aqui.

Com relação ao mercado interno, a carne continua em queda, mas com menor intensidade… Farol amarelo total para as vendas do frigorífico. Imagina a vontade de dar um “tombo” na arroba…

4.2. A reposição decolou

Inacreditável. Bezerro nelore de R$ 150/@ já deixou de ser novidade. Bezerro de cruzamento industrial a R$ 180/@ idem. Nem me chama mais a atenção. Agora, boi magro de 12 a 14@, ao preço de R$ 130 e até R$ 150/@, para ser colocado no cocho e ser abatido dentro de 60d no centro-oeste do Brasileiro, eu não consigo entender.

Podem fazer as contas. Se acontecer só 50% da euforia que este comprador tem neste momento, eu já vou ficar muito feliz. A única explicação destes preços para mim é EUFORIA.

4.3. Que preguiça… O bovino caindo com o paraquedas aberto…

Nosso sistema é “frio”… Foram apenas R$ 0,11/@ de queda na semana, mas é uma queda, a segunda semana. Mesmo porque, o marcante não foram mesmo os R$ 0,11, mas sim a perda das máximas.

De toda forma, nada de ver recorde nominal de preço por ora. Já estamos com saudade disto! Ele vai ficando cravado em 24/março passado.

Nos últimos 4 ciclos anteriores de queda, a duração do movimento foi de 3,75 semanas, o que daria na semana de 14 a 18 de abril…

Será? Vai saber… Se for para apostar no curto prazo, pensamos que o mercado tem muito mais uma tendência FLAT (estável) com viés para uma queda leve do que para derretimento. Portanto, não é difícil esta sequência de quedas até se interromper momentaneamente antes das quase 4 semanas dos últimos movimentos.

Porém, pensamos que a tendência de maior probabilidade é que haja um padrão de oferta crescente até maio. E até lá, falar em alta, em retorno dos recordes de preço, ao nosso ver, está um tanto difícil.

O que vemos agora é um mercado com ofertas em ascenção e uma enorme queda de braço entre frigorífico e pecuarista, que ainda reluta muito em não entregar bois no recuo (a quase manutenção das mínimas reflete isto com muita propriedade). Esta relutância está alicerçada sobre tudo no fato da chuva ter dado uma ajuda boa nestas últimas semanas e as pastagens terem ganhado uma sobrevida neste início de abril.

Já havíamos chamado a atenção para um possível efeito importante das chuvas do 2º trimestre no comportamento da arroba.

O fato é que esta resistência do produtor tem data de validade, pois estamos às portas do final do ciclo chuvoso.

E isto é o fato mais importante. A hora que a “coisa secar”, vamos ter um bom indício do que pode ocorrer no segundo semestre.

Até agora, o que vemos é que a BMF coloca o mês de outubro no máximo em linha, mas na verdade um pouco abaixo do mercado físico atual. Será que a BMF já precifica que até os “cachorros vão ser confinados” este ano, tal qual me disse um produtor recentemente?

O fato é que se na hora da verdade, ou seja, na hora em que o pasto seca mesmo (dentro de 50 a 60d), não aparecer boi… A coisa pode complicar de vez pelos lados da oferta mais para frente.

O clima do 2º semestre vai dar o tom para qual dos 2 discursos abaixo irão virar realidade. Ambos são, ainda, FACTÍVEIS. São eles:

1. A arroba vai explodir na entressafra, afinal de contas safra firme leva a uma entressafra firme;

2. A arroba vai decepcionar na entressafra com um possível excesso de oferta em função de uma euforia do setor produtivo;

Estamos num ano em que há um cenário de preços extremamente positivos para o agronegócio como um todo, exceção para o açúcar e álcool. A única nuvem negra no nosso horizonte, advinhe, de onde vem? Vem da política econômica, vem do Planalto. Façam as suas apostas. Algo me diz que, a despeito dos políticos, a despeito da nossa fraca político econômica, a despeito da nossa péssima infraestrutura, o nosso horizonte tende a ser límpido. Se tirarmos o governo, viraria um “céu de brigadeiro”.

Mas, um último alerta: tire a euforia de sua vida e da condução de sua Fazenda. Otimismo e perspectivas boas são frequentemente condensadas em euforia pelos desavisados. E para estes, a euforia deverá jogar fora o ano da colheita, que é o 2014.

Afinal de contas, a hora da verdade está chegando para o bovino em 2014 e “a conta vem em 2015”!!

Rodrigo Albuquerque

(@fazendaburitis / boicom20@gmail.com),

Trabalho feito a 4 mãos, com Ricardo Heise

(@boi_invest / r.heise@hotmail.com)

23 Comments

  1. José Guedes

    7 de abril de 2014 at 23:38

    Como sempre seus comentários são brilhantes!!
    Eu não serei tão polido e educado como você para dar o recado aos afoitos que estão repondo gado magro em preços altíssimos: Você vai perder dinheiro se comprar gado magro pesado acima de R$ 130,00/@ seu mané!! Num sabe fazer conta não? Pode ser branco, preto, amarelo, com cupim, sem cupim…. Vai tomar ré!!!

    • Rodrigo Albuquerque

      8 de abril de 2014 at 17:34

      Zé, vai tomar, ré! Rimou…

  2. Kleber A. Gastaldi

    8 de abril de 2014 at 13:41

    Excelente análise feita pelos autores. Parabéns pela forma clara, objetiva e, ao mesmo tempo, muito técnica e profissional que redigiram sobre o assunto! É de encher os olhos e exercitar a imaginação……
    Ainda me preocupa a questão sanitária. Observamos nos últimos anos a “coincidência” de ocorrências de problemas sanitários (especialmente surtos de febre aftosa) associado às últimas tendências expressivas de altas, derrubando o mercado! Estranho estes “surtos” ocorrerem sempre em momento de alta e nunca em momento de baixa….. vamos abrir os olhos…..
    Votos de sucesso a todos e sempre “pé no chão”!

    • Rodrigo Albuquerque

      8 de abril de 2014 at 17:34

      Obrigado pelas palavras. O risco sanitário nunca deve ser deixado de lado, realmente. Fazer negócios a termo inclui o risco. A única forma de não tê-lo é negociando na BMF.

  3. Alcides

    8 de abril de 2014 at 14:15

    ótima matéria!!!

    • Rodrigo Albuquerque

      8 de abril de 2014 at 17:33

      OBRIGADO.

  4. Frederico Arantes

    8 de abril de 2014 at 18:28

    Muito boa analise do colega conterrâneo. Precisamos respeitar acima de tudo nossas convicções,pois cada um tem sua conta, lembrando porém que o dinheiro acaba mais o boi não. Queimando um pouquinho de diesel a mais e com boas informações se consegue repor com qualidade. O que mais me preocupa é a relação de troca, não estamos conseguindo repetir a mesma relação de troca dos anos anteriores. Em março 2013 vendemos um boi gordo por R$ 1.840,00 (20@ a R$ 92,00), o garrote de 11@ valia 1.100, o que da uma relação de 1,67. Em março 2014 vendemos o boi gordo de 20@ aqui em Goiás a R$ 2.300,00 (20@ a R$ 115,00), mas o garrote de 11@ vale R$ 1.450,00, o que da uma relação de 1,58, ou seja estamos descapitalizando…Mais do que nunca, precisamos cuidar melhor da gestão dos nosso custos de produção, principalmente o custo de aquisição do animal. Um erro cometido agora, não tem dieta que livra o prejuízo.

  5. Tiago Leal

    8 de abril de 2014 at 20:15

    Sempre vale muito a pena “escutar” de quem conhece as entrâncias do mercado do boi. Nos faz pensar e até reanalisar o planejamento da fazenda. Parabéns… muito bom!

  6. roberto garcia obino

    8 de abril de 2014 at 21:10

    excelente informação …

  7. Sílvio Lacerda

    8 de abril de 2014 at 21:31

    Olá, Rodrigo.
    Em seu artigo “A hora da verdade …” você escreve: “Bezerro nelore de R$ 150/@ já deixou de ser novidade. Bezerro de cruzamento industrial a R$ 180/@ idem. Nem me chama mais a atenção. Agora, boi magro de 12 a 14@, ao preço de R$ 130 e até R$ 150/@, para ser colocado no cocho e ser abatido dentro de 60d no centro-oeste do Brasileiro,”.
    Sou criador no sudoeste goiano, e entrego bois para confinadores ou Boitel, onde você tirou essa referência de preço da arroba do boi magro? Aqui na região está é com deságio, em torno de R$ 112,00 a arroba do boi magro.
    Confere sua informação?

  8. GLAUCIUS

    10 de abril de 2014 at 16:23

    BOA TARDE RODRIGO .

    EXELENTE MATERIA DO MOMENTO DA CARNE , SOU PROPRIETARIO DE UMA CASA DE CARNES EM LONDRINA,
    SÓ ACRESCENTARIA UMA OPINAO PROPRIA. O MERCADO CONSUMIDOR INTERNO FREOU BRUSCAMENTE A DEMANDA E O BOI DEVE CAIR MAIS EM FUNÇAO DO FRANGO E DO SUINO QUE ESTAO SOBRANDO NO MERCADO A PREÇOS BEM MAIS ACESSIVEIS . OBRIGADO PELA ATENÇAO.

    • Rodrigo Albuquerque

      14 de abril de 2014 at 13:53

      Muito boa a sua ponderação. Você é uma ponta muito importante, que tem que ser ouvida sempre.

  9. João Victor Cordeiro

    11 de abril de 2014 at 13:05

    Ótimos comentários! Parabéns pela clareza de visão mercadológica! Pelo fato d minha região ter um caráter micro quando comparada às praças principais, essa análise servirá de orientação também!

  10. claudio

    11 de abril de 2014 at 13:21

    Tenho minhas desconfianças com essa questão sanitária, como colocou o Kléber só nas altas que ela aparece. Recentemente acharam ivermectina demais na carne enlatada exportada para américa e anabolizantes para Austrália. O produtor está ligado. Abraços e bons negócios.

  11. jadiel cardoso de alcantara

    11 de abril de 2014 at 15:00

    Que matéria interessante e divertida ao mesmo tempo: demonstra o quanto o talento, a inteligencia e o conhecimento técnico podem (e devem) andar juntos. Parabéns pela obra!!!

  12. Rudsen

    11 de abril de 2014 at 15:16

    Boa análise, melhor ainda é seu e-mail!! Gostei do boi com 22 @.

  13. antonio xavier moraes

    11 de abril de 2014 at 17:23

    Parabéns pelos comentários, acho que são a síntese do momento, concordo que colegas estão repondo os bois magros por preços que não fecham, parece que pararam de fazer conta, 2+2 ainda são 4.
    O José Guedes abriu os olhos desses japoneses.
    Sds. Antonio.

  14. Enrico

    12 de abril de 2014 at 16:53

    Artigo brilhante! Como bosta em dia de sol forte.
    Vai te catar, caipira!

  15. mauro terracini

    22 de abril de 2014 at 22:47

    Parabens. Pelo numero de comentarios, seus artigos são exatamente o que o pecuarista quer ouvir no dia a dia independente de projeções analititicas e estatisticas

    • Enrico

      28 de abril de 2014 at 15:35

      “projeções analiTITICAS”????

      • Rodrigo Albuquerque

        29 de abril de 2014 at 2:38

        Desculpe-me, caso queira discutir sobre o boi de maneira cordial, estarei sempre à vontade.

  16. Bruno

    1 de maio de 2014 at 15:40

    Não estou entendendo! Alguém pode me explicar o que está acontecendo?
    É sobre a eleição?

    • Rodrigo Albuquerque

      9 de maio de 2014 at 0:48

      Se a sua pergunta refere-se ao título deste, digo que não. Mencionamos política, pois isto influencia a economia e obviamente o setor de carnes… Eu é que não entendi a sua pergunta…

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