A demanda comanda

Por em 10 de julho de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #224, de 10 a 16/julho/16)

Companheiros que carregam o pó da viagem,

Nesta última semana, o mesmo enredo se repetiu: a bolsa foi espremida, o mercado físico de SP ficou sob pressão (em intensidade “beeem” menor que a BMF) e as praças permaneceram num ambiente totalmente calmo. Em resumo, após vários dias nesta mesma toada, o mercado pesou.

Quais são os dois motivadores desta baixa de preços? Qual é a maior lição que o “professor julho” nos ensina? É o que tentaremos elucidar neste NF2R.

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

A semana se encerrou com as mesmas ofertas de compra citadas no último NF2R, ou seja, R$ 152 a R$ 156/@, mas houve queda de R$ 1/@ no intervalo mais comum de negociações, o qual passou a ser de R$ 154 a R$ 155/@. Se por um lado o “personnalité” quase inexiste, o boi EU de R$ 158/@ a vista ainda se manteve presente. Em resumo: mais uma “marolinha” de baixa e um fluxo muito reduzido de negócios nas terras bandeirantes.

O indicador Esalq/BMF ficou em linha, ou seja, estável no jargão do mercado, pois está balizado pela banda de cima dos negócios: partiu de R$ 156,16/@ a vista (variando de R$ 154,50 a R$ 157,75) e terminou a semana em R$ 156,07/@ a vista (variando de R$ 154,50 a R$ 157,50). Tem espaço para um ajuste para baixo, portanto. O mercado do MS manteve-se inalterado durante a semana (R$ 141 a 143/@ a prazo), mas na sexta, houve notícia da chegada de uma “marolinha” de R$ 1/@ para baixo, principalmente na praça de Campo Grande. Todo mundo está com a semana vindoura pronta em termos de escala (dia 18, em média).

A escala paulista está “mais adiantada que leitura de guri ativo”, de modo que a terceira semana de julho (entre 19 a 21/07) é realidade para a maioria das plantas. O “dia D” das escalas evoluiu para terça (dia 19/07), com o placar de 4.15 dias (referência HAITONG). Já existe planta “bombada com bois de contrato”, com vagas preenchidas até 03/ago e espaço para boi EU só em setembro! Trataremos desta questão mais adiante, pois há um “ajuste de produção branco” em andamento, fato que inflaciona artificialmente as escalas.

O status do BeefRadar, considerando o atual balizamento do indicador, mostra nova distribuição das probabilidades, focando em redução adicional:

50% de queda | 45% de estabilidade | 5% de alta

 2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Em GO, uma “marolinha de pressão” foi anunciada no final da semana, mas não surte efeito, ao menos por ora. O preço balcão mais comum gira ao redor de R$ 142/@ a prazo (com prêmio EU de R$ 2 a 3/@ e “personnalité” pontual). As escalas no estado se alinharam entre 18 a 20/julho.

Consolidou-se o movimento de diminuição do diferencial de base, não pela alta das praças, mas sim pela pressão em SP (a média semanal ficou em – R$ 15/@). O deságio da arroba de vacas em relação à arroba dos bois segue com a mesma média semanal de aproximadamente 5%, praticada a meses.

 

3) HORA DO QUILO: “A melhor maneira de pensar em si é pensar em todos. Seja egoísta, pense nos outros” (Nizan Guanaes, no GAF16)

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: uma nova via de interação para o nosso setor nasceu recentemente. Nas palavras do Presidente da Comissão de Pecuária de Corte de Goiás, da FAEG, nosso amigo Maurício Velloso, “agora temos um canal de TV nosso”! A excelente iniciativa está disponível em: http://canaldoprodutor.tv.br

 

5) BOITOGRAFIAS DA SEMANA

 

5.1) Encontro dos Encontros: o evento da Scot Consultoria tem sido um marco para a pecuária do segundo semestre e teve a versão 2016 anunciada:

20160710 - Scot

5.2) Guia da carne bovina produzida a pasto: somos frequentemente “atacados” pelo tema ambiental. Esta foto abaixo deve ser divulgada por todos nós, bem como o artigo original, que foi traduzido com perspicácia pelo Beefpoint: http://beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/giro-do-boi/guia-da-carne-bovina-produzida-a-pasto/

20160710 - Carbono neutro

5.3) Uma tradição que se mantém viva: foto de Adriane Zart, em uma passagem por GO:

20160710 - Carro de boi

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

6.1) A volta (alta) daquele que não foi (não baixou)? Semana passada perguntamos neste espaço se o milho “tinha achado o fundo do poço”. Pois bem, nos últimos pregões da semana, o cereal operou em forte alta na bolsa, após a divulgação da CONAB, indicando produção cerca de 10% menor que a estimativa anterior. O fundo do poço tinha mola… O que vimos, a partir daí, foi uma interrupção da baixa do produto. Nem começaram os reflexos em redução de diárias de confinamentos (pois a baixa do milho havia sido aniquilada pela alta do farelo proteico) e agora fica a impressão de que a esperança de dieta mais barata poderá fica apenas na “esperança”. A baliza, em várias regiões do País, é de “R$ 25 a 30/sc onde se produz” e de “R$ 35 a 40/sc onde se consume”. Tem muita gente atrás do milho, pelo jeito:

20160710 - Tatu 20160710 - Javali

6.2) O aplicativo CEPEA BOI para IOS: agora não temos mais desculpa! A versão para iphone também foi liberada pela apple para dowload e instalação, finalmente! Entre na AppStore e faça a instalação. Maiores informações podem ser obtidas diretamente no CEPEA através do e-mail appboi@cepea.org.br ou do telefone (019) 3429 8835.

6.3) Um fato inédito quanto a cota Hilton: pela primeira vez o Brasil exportou volume bem perto da totalidade da nossa cota. Que venha agora a cota 481 (cota interessante e que permite agregar valor ao nosso produto mais fortemente, com isenção de impostos). Maiores detalhes: http://www.abiec.com.br/noticia.asp?id=1470#.V4EA0TXf_Ms

 

7) LADO “B” DO BOI: a demanda comanda

A manutenção do movimento de baixa forte na bolsa e a pressão leve/moderada no mercado físico de SP tornou a ocorrer. Aos poucos, começam os primeiros sinais de que alguma pressão também pode chegar nas praças fora de SP, mas ainda nada de efetivo.

Com isto, perdeu-se boa parte do ágio da entressafra, que estava à disposição até então, assim como também “rodou” uma pequena parte do preço do mercado físico. A consolidação do movimento, após alguns pregões, sob nossa ótica, nos permite afirmar que os dois motivadores disto são os elencados abaixo, pelos números “1” e “2”. Seguem:

  • 1) Problema de margem operacional dos frigoríficos:
    1. Afeta indústrias que operam no mercado interno, pois ele está totalmente achatado pela situação de nossa economia. Nem na virada de mês, houve melhora, até mesmo porque as férias escolares de julho ajudam a complicar o cenário. Em consequência, os estoques de carne estão lotados e com baixa saída;
    2. Afeta indústrias que operam no mercado externo, pois a exportação vem desacelerando em volume e perdendo também margem, muito em função da valorização do R$ sobre o US$. Em alguns cortes, há equivalência entre os dois mercados (ext e int), o que ajuda a potencializar a pressão no mercado interno;
    3. : como a margem está ruim, há um forte ajuste de produção em SP, que chamamos como dito anteriormente, de um “ajuste branco”, pois diferentemente de 2015, não está havendo fechamento de plantas, mas sim, redução de produção com menor nível de abates. Com isto, as escalas andam mais facilmente (mesmo que não se tenha nenhuma enxurrada de animais para abate) e pressiona-se o físico de SP. A maior consequência é a perda de sustentação da BMF e num segundo momento a redução do diferencial de base que estamos vendo, pois os bois das praças, justamente por terem diferencial mais aberto, apresentam melhor rentabilidade para as indústrias. Logo, “tira-se o pé” dos abates em SP e acelera-se o das praças, fechando um pouco a diferença entre os preços.
  • 2) Nível de oferta para julho acima do esperado: isto sim, uma grande surpresa para quase todo o mercado, possivelmente em função de vários fatores atuando em conjunto, a saber:
    1. Oferta de animais terminados provenientes do MS, onde a chuva foi abençoada para os pastos;
    2. Uma parte da safra de pasto que ficou com saída postergada (os ganhos de peso de final de março em diante foram muito baixos em função de clima). É o nosso caso, em Jussara-GO;
    3. Resiliência da suplementação: um sistema de produção que nos últimos dois anos teve uma nova dinâmica de suplementação, tem muitas dificuldades de eliminar por completo esta ferramenta de um ano para o outro, mesmo com margem reduzida (milho mais caro). É também o nosso caso, em Jussara-GO;
    4. Resiliência de oferta, que chamamos de “fator coceira de macaco”: o boi, quando menos se espera, sempre aparece, não acaba, como a “coceira de um macaco”, como nos ensinou o grande Silvão Busnardo, de Nova Crixás-GO;
    5. Oferta de animais levemente acima do esperado (mesmo que de volume não estrondoso) concomitante a um ajuste de produção, tem consequências importantes;

Se fosse para resumir em uma frase tudo o que foi explanado acima, diríamos: o co-piloto (demanda) assumiu o controle do plano de vôo do boi, deixando o piloto (oferta) em segundo plano. A oferta sempre foi o piloto que decidia os rumos dos preços, historicamente e em especial de 2014 para cá. Mas agora, a demanda comanda. O piloto (oferta restrita) não está dormindo, ele está aí, mas o co-piloto (demanda restrita) teima em ficar com o controle do manche nas mãos!

Em resumo, esta é a nossa leitura definitiva sobre o que está ocorrendo no mercado, com este movimento até certo ponto, surpreso para o mês de julho. Apesar do clima estar “feio igual a mulher de cego”, há fatores que não mudam e que mantém a oferta de gado com perspectivas muito ruins para o final do ano: seca pronunciada, custo de trato de confinamento caro (milho não deve mesmo dar trégua) e desestímulo dos preços futuros com a queda recente na bolsa (ocorrida em uma hora péssima, no início do confinamento dos animais de segundo giro). Se estes três fatores vierem acompanhados de um início de recuperação econômica no segundo semestre, em algum tempo, o clima pode virar de novo. Olho atento…

Finalmente, o que nos resta de lição? O que tem o “Prof. Julho” a nos ensinar? Mais uma vez (pois isto já foi dito aqui repetidamente): ninguém dá conta de saber das entranhas dos rumos do preço da arroba bovina! Portanto, faça suas vendas baseadas em margem e não em preço, buscando eliminar riscos comerciais através de ferramentas de fixação de preços e consequentemente de lucro!

Desejamos que até o nosso próximo encontro, o Pai maior seja o verdadeiro piloto e co-piloto de sua vida!

Rodrigo Albuquerque (boicom20@gmail.com) &

 Ricardo Heise (r.heise@hotmail.com),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

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