2016: o ano que começou antes do carnaval

Por em 1 de fevereiro de 2016

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

(Edição NF2R #201, de 31/jan a 06/fev/16)

Aos que carregam o “pó da viagem”,

O ditado de domínio popular diz que o ano começa somente depois do carnaval. Mas as coisas estão mesmo mudando, de modo que o pecuarista já está “no batido” faz dias. Algo está tirando o sono do produtor, fazendo-o, ainda em janeiro, procurar os seus pares e os seus fornecedores/clientes…

A explicação é a presença de uma dupla terrível, que está eliminando a zona de conforto dos invernistas e que está fazendo os criadores colocarem as “barbas de molho”. Esta dupla está agindo em conluio. Vamos ver quem é esta dupla terrível?

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

A semana passada foi para pôr no quadro… O indicador Esalq/BVMF, que partira de R$ 150,49/@ a vista (variando de R$ 148 a R$ 153), terminou a semana cravando o novo recorde nominal da história da @ no Brasil: R$ 152,21/@ a vista (variando de R$ 148,25 a R$ 155,50).

O BeefRadar identificou como intervalo de negociação mais frequente o preço de R$ 152 a 153/@ dos frigoríficos menores, até R$ 154/@ no “personalitè”, tendo negócios em boi EU cerca de um real ou um pouco mais acima disto. Abaixo de R$ 150/@ a vista, ou mesmo o R$ 150/@ a prazo dos grandes, “não pega nem resfriado”. Enquanto isto, na “Terra do tuiuiú”, o pesadelo do diferencial recorde permanece, sendo comuns os preços de R$ 138/@ (grandes) até R$ 140/@ (pequenos).

De modo geral, permanecem as tendências das escalas: em SP, o “DIA D” segue na próxima quarta (03) / quinta(04) e o placar cravado em 3 a 4d úteis. O norte do MS está com a próxima semana completa, bem mais folgado que SP, enquanto que o sul do Estado, precisa bois para quinta em diante. Por fim, o STATUS DO BEEFRADAR, mantém os mesmos percentis:

15% queda : 45% estabilidade : 40% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

O vagão do boi goiano segue a tendência da locomotiva paulista: o preço mais comum no final da última semana passou a ser o R$ 143/@ a prazo, com premiação EU de +R$2/@ e “personalitè” ainda presente.

Nada de alteração nas escalas que estão entre meados da próxima semana e a sexta de carnaval, portanto, com conforto pequeno para a compra de boi. De modo geral a oferta segue restrita, com vários relatos deste fato.

Inalterados, a semanas, seguem o diferencial de base com SP (em -R$ 10/@) e o deságio da @ de vaca em relação ao macho (4,5 a 5%).

 

3) HORA DO QUILO: este link muito interessante da National Geographic mostra de maneira muito didática como é a dieta dos vários países do mundo. Infelizmente está em inglês: http://www.nationalgeographic.com/what-the-world-eats/

 

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: um brasileiro publicou recentemente um estudo numa das mais importantes revistas internacionais sobre mudanças climáticas, retratando um modelo matemático que mostra a relação entre demanda por carne bovina no Brasil e a variação nos estoques de carbono no solo. O raciocínio é: em situação de demanda por carne aumentada, os produtores são incentivados a recuperar as suas pastagens, trazendo ganhos em sequestro de carbono e redução das emissões dos gases de efeito estufa. Isto tem que ser alardeado aos quatro cantos por nós. Quem quiser ler mais: http://www.assessoriaagropecuaria.com.br/noticia/2016/01/25/pesquisa-consumo-de-carne-bovina-reduz-emissoes-de-gases-do-efeito-estufa

 

5) FOTOS DA SEMANA:

 

5.1) A cidade de Palmas-TO, nas lentes de Rafael Pereira Lima. Uma visão “fora do normal”.

20160131 - Palmas

 

5.2) A capital nacional do boi 777, foi visitada pelo governador de SP neste último domingo, dia 31/jan/2016 (foto do Prof. Gustavo Resende Siqueira): parabéns pelo reconhecimento deste trabalho árduo de toda a equipe Apta, capitaneadas pelos Professores Flavio e Gustavo. Oxalá possamos ver o Apta com mais investimentos em pesquisa!

20160131 - Apta

 

6) RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

6.1) O milho parece que achou um teto: depois do incrível “rally de alta” como dizem os analistas, parece que o milho encontro um teto em termos de preço. Nada que nos faça pensar que as coisas serão fáceis para quem demanda o cereal, mas apareceu uma resistência. Depois de chegar a quase R$ 43,50/sc, esta semana fechou em R$ 42,27/sc, base Campinas-SP, à vista.

6.2) A propaganda de patrão: esta semana escutei dois produtores conversarem algo interessante e muito importante, que representa uma inversão de valores com o nosso passado. Antigamente, o empregador era quem perguntava para um candidato a uma vaga de emprego na sua fazenda: “você mexe com bebida, mulherada, farra?”. Hoje este diálogo é mais ou menos assim: “Olha, pode vir trabalhar aqui. Eu não bebo, não te incomodo, tenho sinal de internet, aqui pega celular, não mexo com mulherada na Fazenda, não faço farra e nem bebo. Pago em dia e sou muito educado”. Sinal dos tempos…

6.3) A “lava-jato”, aqui? Na semana em que a operação Lava-Jato da Polícia Federal se aproximou de importantes empresas do nosso setor e também daquele “molusco”, o governo resolveu “chutar o balde” do ajuste e anunciou mais alguns bilhões de crédito para provavelmente criar um “vôo de galinha” na nossa economia. Bom para quem? Para a inflação. Isto acaba sendo positivo para o boi, que adora “um cheirinho de inflação”, como muito bem pontuou o Rogério Goulart, estes dias.

6.4) E quem vai ganhar o IronMan da pecuária? Em 09/nov/15, escrevi: “Demanda e oferta estão numa competição sem fim, tipo IronMan, para ver quem fica em pior nível. E creio que está competição continua no T1 2016”. E está sendo assim mesmo… Nesta semana, batemos o recorde nominal da história da @ no Brasil, como foi dito no início deste NF2R. O grande motivador deste feito, é a oferta reduzida, fato recorrente há meses. Particularmente agora, estamos vivenciando um verdadeiro vácuo de oferta, pois praticamente não temos bois de confinamento e as boiadas de pasto estão raleadas por vários motivos: há regiões que sofreram com o atraso das chuvas (ex.: sul do Pará) e as pastagens ainda estão em recuperação; há outras regiões, em que as pastagens estão em pleno vigor, o que encoraja o pecuarista a reter o gado gordo; a fase de retenção de fêmeas e a fase do ciclo de reprodução anual, impede o envio de vacas ao abate. Os compradores de boi gordo estão chamando pecuarista de “doutor” (como disse esta semana o Silvio Busnardo) e até agora, nem isto tem melhorado a oferta. Note que tanto a ausência de chuva (início da safra), quanto a sua abundância (agora) motivam o represamento de bois. Portanto, os pecuaristas estão enviando para abate somente o “boi da despesa” (para pagar as contas) e o resto (que é pouco) está sendo represado. Este padrão deve prevalecer por mais algumas semanas, afinal de contas, quando “derrama no pasto e pinga na escala”, quem transborda é o preço.

6.5) O atacado mudou o tom… O mês de janeiro até me surpreendeu, pois, apesar de ser um dos piores meses para a venda de carne, até o dia 15/jan o preço se sustentou em elevação. De lá para cá o dianteiro caiu muito pouco, mas o traseiro recuou consistentemente, mostrando que o consumidor está sob pressão. Agora, estamos no final de mês e, além disto, a carne bovina tem perdido competitividade para a de frango e de suínos (redução de 9% e 11% para o produtor, respectivamente, em apenas uma semana). Com isto, a margem dos frigoríficos recuou de maneira importante neste final de janeiro. É importante salientar, que até o dia 15, o estoque limitado foi o real fator de sustentação do atacado. Mas, do meio do mês para cá, as vendas em queda “pesaram”, principalmente porque o varejo está trabalhando neste ano com muita cautela, com o seu estoque bem ajustado. Neste ambiente comercial “sem muito laceio”, a precificação fica mais sensível, principalmente no caso de um aumento de oferta… Muito cuidado com o final de safra, portanto. No curto, ansiamos que a volta às aulas traga algum alento para a comercialização de carne.

6.6) A volta do “TED boi Marino”: em Goiás, os frigoríficos de menor porte estão fazendo com muito sucesso a compra de boi à vista, com TED na conta do vendedor antes da boiada ser liberada da Fazenda e com rendimento de carcaça combinado. É o que chamamos de “boi TED”, uma alusão ao acrônimo bancário que na pecuária significaria: Transferência + Embarque + Dormida tranquila. Por isto, surgiu um novo herói local: o “TED boi Marino”.

7) O ANO QUE COMEÇOU ANTES DO CARNAVAL

Durante 2015, a “porteira de entrada” da recria-engorda havia ficado mais estreita, pois o ágio das @ compradas do bezerro desmamado teve aumento de 75% na sua média anual (base GO). Isto fica ainda mais impressionante, quando lembramos que o ágio de 2014 já tinha aumentado 56% frente à média de 2013… Chamamos este ágio de o “novo sócio” da engorda, parafraseando o Alaor Ávila, que também nos “cedeu” este raciocínio da porteira estreita.

Está sendo difícil “tratar deste novo sócio”, mesmo para as fazendas que trabalham com altas produtividades. Por isto, a maioria das Fazendas que eu conheço estão “bambas igual a cinturão de soldado”. Ou seja: estão com menos animais para abater no giro deste ano, o que é, sem dúvida, um enorme fator de sustentação do mercado (por manter a oferta curta), principalmente no ambiente de negócios “sem laceio” que a carne vive atualmente.

Mas, houve uma novidade inesperada: o “novo sócio” ganhou uma nova companhia, mais um “sócio” para o invernista: o milho, como dito aqui no NF2R da semana passada. E com isto, a “porteira de saída” da recria-engorda também passou a ficar mais estreita.

Era justamente esta “porteira de saída” que estava sendo usada “com gosto”, ao sabor dos protocolos nutricionais arrojados e que produziram carcaças com pesos muito acima do histórico recente em 2015. O “arrocho” estava dificultando a entrada, agora restringe a saída também…

Esta “dupla de novos sócios” é que fez o ano de 2016 começar bem antes do carnaval e, por isto, quem está sofrendo são as calculadoras que agora estão trabalhando “em turno dobrado”. De fato, a calculadora é “uma das melhores tecnologias da pecuária”, como restou bem definido no Encontro de Analistas da Scot Consultoria do final de 2015.

Esta semana, “queimamos fosfato” e fizemos os 5 núcleos do processador do nosso notebook trabalharem acelerados, ajudando na elaboração da estratégia comercial de duas fazendas do sudoeste goiano.

Em redes sociais, eu li, por mais de uma vez, produtores que estão estocados de cereal energético (e, portanto, imunes à esta alta), dizerem: “este ano vou vender o milho e os bezerros que eu tenho, vou deixar de confinar”. Será mesmo?

A sinuca de bico está montada, pois o primeiro “sócio extra” nos trouxe um estoque de arrobas caro. O mercado futuro não traz alívio nas margens de engorda, tão pouco o custo das arrobas colocadas em confinamento mostra tendência de queda com a provável exportação aquecida do farelo de soja e do milho.

Se está complicado pensar em 2016, que dirá pensar em deixar este boi para 2017, pois além do cenário mais incerto ainda, o tempo inviabiliza a operação pela correção do capital investido (devido a inflação).

O que temos visto por ora é que uma saída eficaz para esta “sinuca de bico” tem sido trabalhar com altos ganhos na recria, privilegiando o ganho de peso e o lucro por cabeça (diluindo o ágio da recria) e abandonando um pouco a maximização do lucro por hectare. Como a suplementação está mais cara, para tanto, é necessário um enorme esforço de eficiência quanto ao uso desta tecnologia em 2016 (avaliação com suporte da ciência e checagem do custo-benefício é mandatório).

Finalizamos dizendo que o ano começou antes do Carnaval e deve continuar acontecendo durante a festa. Como o estoque de carne está ajustado, os frigoríficos vão trabalhar com pouca parada neste feriado, que promete melhoria nas vendas, principalmente dos cortes grill (churrasco).

A novidade maior deste ano fica por conta de Sorriso-MT, que vai representar a pujança do agro na Sapucaí. Certamente não vão faltar “Sorrisos” na avenida e esperamos que o mesmo ocorra conosco, ano afora!

Por fim, desejo que você desfile nos “Unidos da Picanha”, na matinê e à noite também. Até a próxima semana, se assim o Pai Celestial nos permitir.

 

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

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