Rastreabilidade & Contabilidade – Paralelos

Por em 23 de agosto de 2010

A pecuária e a indústria frigorífica brasileiras avançaram muito nos últimos anos. Diversas tecnologias de produção foram incorporadas com sucesso ao processo produtivo. Hoje temos uma pecuária competitiva e uma participação de destaque no mercado mundial.

Agora uma nova fase da pecuária brasileira se inicia, focada em melhorias gerenciais. Só que não há gestão sem controles. E um dos pontos de controle mais difíceis para a pecuária é justamente dos animais do rebanho.

Em larga escala ter segurança real sobre as compras, nascimentos, transferências de / para outros rebanhos do próprio produtor, mortes, roubos e/ou perdas e vendas de animais não é fácil. Principalmente se o dono não está sempre na propriedade. Para piorar nem sempre a realidade bate com o que consta na documentação disponível.

Quem já tentou fazer o inventário de um rebanho com milhares de animais sabe as dificuldades envolvidas. Muitas vezes após um imenso trabalho de passar todos os animais da propriedade no curral continuamos com muitas dúvidas. Os saldos encontrados não batem com os apontados pelos controles existentes e não sabemos exatamente a razão das divergências.

Como garantir que cada animal inventariado seja considerado uma única vez? E como saber se um animal da propriedade ficou sem ser contado, por ter ficado para trás no pasto? Lembrem-se que, mesmo sem qualquer tipo de fraude, o tempo necessário para realizar os trabalhos e os inevitáveis entreveros de animais complicam bastante o processo. Certamente é bem mais fácil fazer o inventário de um almoxarifado.

E não podemos esquecer os riscos de "substituição" de animais mais valiosos do rebanho por outros menos valiosos, que infelizmente muitas vezes são maiores do que gostaríamos.

Isto para não mencionar a questão da precisão, acurácia e veracidade dos dados de campo que recebemos.

E sem todos os pontos acima resolvidos como podemos auditar as informações fornecidas pelos responsáveis? Em caso de divergências como identificar corretamente os motivos / causas?

Um caminho para enfrentar estas dificuldades é identificando individualmente todos os animais existentes na propriedade e fazendo o mesmo com todos os novos animais que ingressarem no rebanho, por compra, nascimento ou transferência. E apontando e registrando todas as baixas e saídas de animais da propriedade.

Mas não basta identificar os animais do rebanho. Na verdade sem certos cuidados a identificação individual serve apenas para aumentar o trabalho / custo sem solucionar os problemas.

Para superar este impasse e evitar a frustração precisamos adotar uma série de procedimentos amarrados e que exigem softwares e hardwares de apoio. Como na contabilidade precisamos de um método de trabalho.

Garantir a precisão de leitura dos códigos individuais é fundamental e possível com identificadores adequados e leitores de códigos de barra e/ou de radio-frequência.

A correta identificação dos responsáveis pela leitura e local da coleta podem ser feitas com auxílio de um bom software, acoplado a um GPS e a um leitor biométrico. E um banco de dados bem protegido e estruturado pode garantir que não hajam fraudes posteriores a coleta dos dados.

Mas apesar de um bom software controlar a contagem uma única vez de cada animal do rebanho não resolve o caso dos animais que não foram contados por não terem vindo ao curral. Uma solução, por exemplo, é marcar o lombo dos animais que foram inventariados com tinta atóxica para poder identificar na "malhada" os animais que eventualmente ainda não foram inventariados.

E para gerenciar a inevitável perda de identificadores auriculares a solução é adotar a dupla identificação, com subsituição imediata por um novo par sempre que detectada a perda de um dos identificadores originais, desde que feita à amarração de maneira prática e segura do novo e do antigo códigos de identificação utilizados.

E sem controles adequados de pesagens (manutenção do histórico) e de alteração de dados de caracterização dos animais no sistema (quem e quando) continuaremos expostos ao risco de “substituição” de animais. Não podemos permitir que ajustes necessários de erros operacionais sejam brechas para fraudes contra o produtor.

Mas se tomados todos os cuidados necessários há como mantermos uma sistema de controle operacional, preciso, seguro, econômico e “auditável”.

As exigências da UE de identificação de todos os animais da propriedade, com controle de entradas, saídas e estoque do rebanho são justamente o que garantem a “auditabilidade” do SISBOV.

Concordo com críticas de intolerância a erros do SISBOV. Eles são inevitáveis em qualquer operação. O que precisamos são métodos para detectar eventuais erros, regras claras de quais as ações corretivas adequadas para os erros cometidos e, caso necessário, quais as penalidades. E concordo que há burocracia (papel) em excesso. Alguns formulários não tem nada a ver com o processo de rastreabilidade (Ex.: Protocolo Declaratório de Produção) e muitos controles necessários poderiam ser digitais. reduzindo a papelada.

Mas não há logicamente como garantir a auditabilidade do processo se não existirem amarrações mínimas. E não podemos culpar um sistema por apontar eventuais erros e/ou divergências.

A lógica simples de estoque inicial + entradas – saídas = estoque final é extremamente poderosa. O comércio e a indústria a utilizam a muito tempo no controle de suas produções, vendas e estoques. Mas para implanta-la adequadamente na pecuária precisamos tomar alguns cuidados. O que precisamos é de um método de trabalho, como a partida dobrada da contabilidade.

E, justamente focando nas necessidades do setor e na utilização da rastreabilidade como ferramenta gerencial, a Softway (http://www.sfw.com.br) desenvolveu dois softwares especificos, Trace Sys e Data Collection, para auxiliar  os pecuaristas justamente nos controles do rebanho. Estas ferramentas além de atender as exigências do SISBOV certamente permitem um melhor controle e gestão do negócio. E gradualmente mais e mais produtores começam a entender os benefícios que um maior controle agrega.

0 Comments

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *