A expansão sustentável da produção de carne bovina no Brasil

Por em 20 de fevereiro de 2010
A expansão sustentavel da produção de carne bovina no Brasil é possível, mas precisa superar desafios estruturais.

Temos tecnologidas consolidadas para acelerar a terminação dos animais, que vem sendo cada vez mais utilizadas, mas a expansão da produção de bezerros é bem mais complicada.

Existem tecnologias disponíveis para expandir a cria de maneira economicamente viável mas exigem proporcionalmente mais terras – e a incorporação de novas áreas tem limitações cada vez maiores, mais tempo ou mais dinheiro que as tecnologias de terminação. Portanto estas tecnologias contam com menos adeptos.

Como temos um estoque muito grande de animais (rebanho nacional) e um "desfrute" moderado ainda podemos por alguns anos acelerar a terminação e "avançar" um pouco a cada "safra" a "reposição" em animais mais jovens.

Mas no limite este processo levará ao "desaparecimento" natural de uma "era" de animais destinados ao abate e complicará bastante a reposição futura, que não terá mais como avançar a reposição de forma viável para animais mais jovens. É como se os "terminadores" consumissem atualmente, por exemplo, 1,1 "safras" de bezerros ou garrotes por ano.

Resumindo precisamos estar atentos aos efeitos da implantação em larga escala de tecnologias de aceleração da terminação em ritmo muito superior ao de tecnologias de aceleração da cria.

Uma estratégia possível para os terminadores a médio e longo prazos é o estabelecimento de alianças de médio e longo prazo com criadores das suas regiões, algo novo – repleto de desafios – mas que pode fazer muito sentido.

Os principais desafios são a padronização dos bezerros (idade, peso e genética) e as garantias para as partes envolvidas de que os contratos celebrados, rezando o numero de animais, padrão dos mesmos, data e praça de entrega e condições de pagamento, sejam efetivamente cumpridos.

Na padronização do peso, item mais fácil de ser auferido, bastaria definirmos o tempo de jejum antes da pesagem. Um noite parece suficiente para homogenizar razoavelmente esta variável.

Mas a idade e principalmente a genética são variáveis mais dificeis de serem auferidas em larga escala e a baixo custo.

Um caminho seria utilizarmos as medidas de altura e comprimento dos animais associadas a sexo, raça e idade dos mesmos. Para isto teríamos que contar com processo de mensuração automática e eficiente (confiável, ágil e econômica) das principais medidas dos animais. O desenvolvimento / integração de softwares / hardwares para cumprir este papel é o que a nossa empresa, Softway, esta pesquisando no momento.

Há ainda outros caminhos possíveis de aferição da padronização dos animais e todos, ao remunerarem diferenciadamente os animais segundo suas características, levarão a uma melhora na qualidade média dos bezerros produzidos.

O importante é que cheguemos a definição de alguns poucos padrões de bezerros típicos (três ou quatro no máximo) aos quais as partes possam atribuir valores. Quem compra precisa saber o que esta adquirindo. E ao contratar uma "compra futura" com liquidação com entrega física dos animais é preciso contar com padrões bem definidos do que se esta se adquirindo / vendendo e com uma maneira eficiente de aferição / classificação  dos animais. Naturalmente os animais excepcionais (superiores ou inferiores) não se enquadram em padrões. 

Para oferecer as garantias necessárias as partes envolvidas, uma vez resolvida a questão da aferição do padrão dos animais negociados, podemos utilizar o mesmo tipo de ferramentas empregadas pela BM&F.

Há aspectos jurídicos e operacionais que precisarão serem enfrentados, mas uma vez fechado um pacote similar ao de um contrato futuro de boi gordo, que seja conhecido e aceito pelo mercado, poderemos avançar mais rapidamente no fechamento de alianças / parcerias permanentes. 

E para o preço , caso os prazos esperados dos contratos sejam um complicador a adoção de valores fixos, um hedge natural seria a adoção do preço do kilo do boi gordo da praça de entrega no momento da liquidação.

Uma integração em larga escala nestes moldes pode reduzir riscos, compensar parcialmente o ciclo pecuário e aumentar a competitividade de nossa pecuária.

Apesar das alianças verticais ainda não serem, por conta das dificuldades apontadas , uma realidade da atividade pecuária devem ser cada vez mais importantes para expansão sustentável da produção.

E com alianças criadores / terminadores / frigoríficos teremos condições de dirigir a produção para explorar cada vez mais nichos de mercado que remuneram melhor.

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