Capital, a nova commodity.

Por em 17 de agosto de 2011
Vocês estão familiarizados com a função de Cobb-Douglas? – A inspiração para este artigo veio dela, mais precisamente de uma discussão em torno dela, mas isso não vem ao caso. O que queria compartilhar com vocês é outra coisa, embora esteja ligado a questão fundamental desta função matemática que mede as variações e relações entre INPUTS X OUTPUTS ou, saídas em função de entradas e vice-versa.

Matemáticos conseguiram definir através desta função, o quanto são remunerados pela produção, separadamente, Capital e Trabalho e acabaram concluindo que nos Estados Unidos, ou podemos assumir que em qualquer economia desenvolvida, os valores de remuneração apontam para 30% o Capital e 70% o Trabalho. Já em economias menos desenvolvidas, pode-se incluir o Brasil e demais BRICS nesta categoria, os valores se invertem e ficam em torno de 70% o capital e 30% o trabalho. Os números, com certeza, podem estar um pouco defasados, servem de curiosidade, mas não se atenham a eles, a idéia aqui é mostrar mais as tendências e idéias em torno do conceito do que propriamente os números.

Esta semana, estava fazendo um valuation de um projeto no Brasil, na área imobiliária, me deparei com dados inusitados, a remuneração pela idéia-trabalho era muito maior do que a do capital, ou seja, o desenvolvedor e administrador do projeto seria muito melhor remunerado do que os investidores do mesmo. A pergunta que me veio à cabeça na hora foi: – Faz sentido isso na economia brasileira? Ora, temos as maiores taxas reais de juros do mundo e o capital é um fator de produção escasso, correto? Não me espantei quando terminei o raciocínio e cheguei a conclusão que remete a função descrita no início do texto. Esta claro que a função de Cobb-Douglas está mudando no Brasil, é uma evolução lenta, mas ela está ocorrendo.

Percebam que este artigo não tem intuito de explicar economia, nem modelos matemáticos, nada disso. É na verdade um alerta a investidores e sobretudo a empreendedores. O capital está se tornando mais abundante na economia brasileira, é fato, estamos crescendo, e a medida que isso acontece ele tende a ser menos remunerado, pois é mais fácil de se conseguir, ao contrário do trabalho e das idéias, que cada vez mais estão sendo reconhecidos como verdadeiros geradores de valor nos planos de negócios. Quantos de vocês, tem acesso a capital, mas faltam boas idéias, bons companheiros e pessoas capazes para tocar estes projetos, tenho certeza que muitos.

Tudo bem, podem me cobrar, os juros oficiais reais continuam altos, a remuneração pelo capital é bem fácil e polpuda. Eu concordo, sem discussão sobre isso, vocês tem razão. Mas, estamos falando de tendências aqui, nossas taxas de juros não permanecerão por muito tempo nestes patamares, pelo contrário. A medida que nossa economia cresce e torna-se cada vez mais desenvolvida é prudente crer que nossos macro indicadores se aproximem das economias mais maduras e esta questão de remuneração fácil e polpuda pelo capital talvez não seja nossa realidade daqui a 3, 5 ou 10 anos. Bom pelo menos é o que tudo indica e bem provável que aconteça.

Portanto caros leitores, se pudesse dar uma dica a respeito deste tema, diria para cuidarem muito bem de suas idéias, de seus projetos e tentem ao máximo investir em pessoas, são elas que fazem e farão a diferença. O novo normal mostra que o capital terá um papel secundário daqui para a frente, não será mais ele que fará a diferença. Nos próximos anos será ele que correrá atrás de boas idéias e pessoas e não o contrário. Pensem nisso quando forem avaliar seus projetos, suas idéias e refletir sobre seus investimentos. O novo gargalo nos negócios não é mais quantitativo, mas sim qualitativo.

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