Responsabilidade e a liberação do uso de avermectinas LA

Por em 2 de abril de 2015

Olá, tudo bem?

Voltando ao tema avermectinas de longa ação:

Pecuaristas comemoram a liberação do uso de produtos à base de avermectinas

Eu gostei dessa notícia, mas acredito que preciso me posicionar de uma forma mais completa sobre o tema. Um amigo, leitor da newsletter, que me colocou presente para isso e eu agradeço muito quando pessoas me mostram meus possíveis pontos cegos.

A proibição do uso foi um “bode colocado na sala” por quem estava tendo prejuízos com os problemas de resíduos em produtos exportados, em especial aos EUA. Ou seja, se usou uma técnica de negociação onde se cria uma situação muito mais difícil do que a atual, para forçar uma ação do outro lado da mesa (ou dos outros lados).

Imagine uma sala pequena de uma casa, onde tem muita gente e todos reclamam do calor, da falta espaço e conforto. Imagine agora a mesma sala, com tudo isso e mais um bode… Imediatamente, a sala fica muito, mas muito pior… E isso força as pessoas se moverem… Foi isso que aconteceu…

Eu acredito que a volta da comercialização de avermectinas LA é o mais correto, mas precisamos analisar as responsabilidades de cada elo do setor.

Cada elo da pecuária tem uma dose de responsabilidade.

Existem uma série de responsabilidades:
– registrar de produtos seguros, com seu período de carência
– fiscalizar comércio de produtos falsificados e/ou contrabandeados
– medir, auditar e fiscalizar presença de resíduos no produto final
– criar sistema que permita rastreabilidade para clientes que exijam determinados procedimentos
– recomendar, informar e vender o produto correto para cada cliente
– usar o produto conforme a bula
– respeitar o período de carência e demais recomendações
– educar o mercado, os produtores e técnicos sobre como usar de forma responsável
– negociar com compradores da carne brasileira o uso de critérios baseados na ciência para determinar restrições e/ou embargos a carne brasileira (até onde eu sei, os EUA não respeitam os critérios do CODEX sobre o tema)
– (você consegue listar mais algum item aqui?)

Cada uma dessas atribuições é responsabilidade de um diferente elo da pecuária: Ministério da Agricultura, frigoríficos, revendas, empresas veterinárias, produtores individualmente e suas associações. Cada um precisa fazer sua parte.

Tem um ditado que diz que “avião não cai por apenas um erro, mas por uma sequência de erros”.

O problema das avermectinas, resíduos e exportações existe não por falha de uma peça do sistema, mas por um somatório de problemas em etapas do processo, com múltiplos responsáveis.

Eu acredito numa visão maior sobre mim, sobre minha empresa e sobre a pecuária de corte brasileira. Eu já escrevi sobre isso aqui, e acredito que devemos exercitar isso em todos os momentos, todos os dias. Nas pequenas e nas grandes coisas.

Eu acredito que devemos buscar uma maior maturidade, uma maior responsabilidade de cada um dos envolvidos. Assim vamos fazer uma pecuária mais robusta, mais segura e mais rentável hoje e no longo prazo para todos.

É preciso aumentar a responsabilidade e comprometimento de todos na pecuária.

E você, qual sua opinião? Me responda por aqui. Muito obrigado.

Um grande abraço, Miguel

PS: Veja algumas das respostas que recebi, nos comentários. Postei eu mesmo alguns que recebi por email.

Miguel Cavalcanti
BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
AgroTalento: Desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

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