Responsabilidade e a liberação do uso de avermectinas LA

Por em 2 de abril de 2015

Olá, tudo bem?

Voltando ao tema avermectinas de longa ação:

Pecuaristas comemoram a liberação do uso de produtos à base de avermectinas

Eu gostei dessa notícia, mas acredito que preciso me posicionar de uma forma mais completa sobre o tema. Um amigo, leitor da newsletter, que me colocou presente para isso e eu agradeço muito quando pessoas me mostram meus possíveis pontos cegos.

A proibição do uso foi um “bode colocado na sala” por quem estava tendo prejuízos com os problemas de resíduos em produtos exportados, em especial aos EUA. Ou seja, se usou uma técnica de negociação onde se cria uma situação muito mais difícil do que a atual, para forçar uma ação do outro lado da mesa (ou dos outros lados).

Imagine uma sala pequena de uma casa, onde tem muita gente e todos reclamam do calor, da falta espaço e conforto. Imagine agora a mesma sala, com tudo isso e mais um bode… Imediatamente, a sala fica muito, mas muito pior… E isso força as pessoas se moverem… Foi isso que aconteceu…

Eu acredito que a volta da comercialização de avermectinas LA é o mais correto, mas precisamos analisar as responsabilidades de cada elo do setor.

Cada elo da pecuária tem uma dose de responsabilidade.

Existem uma série de responsabilidades:
– registrar de produtos seguros, com seu período de carência
– fiscalizar comércio de produtos falsificados e/ou contrabandeados
– medir, auditar e fiscalizar presença de resíduos no produto final
– criar sistema que permita rastreabilidade para clientes que exijam determinados procedimentos
– recomendar, informar e vender o produto correto para cada cliente
– usar o produto conforme a bula
– respeitar o período de carência e demais recomendações
– educar o mercado, os produtores e técnicos sobre como usar de forma responsável
– negociar com compradores da carne brasileira o uso de critérios baseados na ciência para determinar restrições e/ou embargos a carne brasileira (até onde eu sei, os EUA não respeitam os critérios do CODEX sobre o tema)
– (você consegue listar mais algum item aqui?)

Cada uma dessas atribuições é responsabilidade de um diferente elo da pecuária: Ministério da Agricultura, frigoríficos, revendas, empresas veterinárias, produtores individualmente e suas associações. Cada um precisa fazer sua parte.

Tem um ditado que diz que “avião não cai por apenas um erro, mas por uma sequência de erros”.

O problema das avermectinas, resíduos e exportações existe não por falha de uma peça do sistema, mas por um somatório de problemas em etapas do processo, com múltiplos responsáveis.

Eu acredito numa visão maior sobre mim, sobre minha empresa e sobre a pecuária de corte brasileira. Eu já escrevi sobre isso aqui, e acredito que devemos exercitar isso em todos os momentos, todos os dias. Nas pequenas e nas grandes coisas.

Eu acredito que devemos buscar uma maior maturidade, uma maior responsabilidade de cada um dos envolvidos. Assim vamos fazer uma pecuária mais robusta, mais segura e mais rentável hoje e no longo prazo para todos.

É preciso aumentar a responsabilidade e comprometimento de todos na pecuária.

E você, qual sua opinião? Me responda por aqui. Muito obrigado.

Um grande abraço, Miguel

PS: Veja algumas das respostas que recebi, nos comentários. Postei eu mesmo alguns que recebi por email.

Miguel Cavalcanti
BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
AgroTalento: Desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

22 Comments

  1. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:23

    Uma consequência das tarefas de controle seria necessária: valorização comercial de quem as cumpre.

    Porque o padrão vai ser cumprir “meia boca”… que se valorize quem pode provar que cumpre 100%.

    • girlene

      02/04/2015 at 18:06

      concordo plenamente com você, se todos tivessem conciencia desse fato das responsabilidades , tudo seria mais facil e correto
      parabens

  2. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:23

    Concordo em número, genêro e graú com as suas explicações.
    Somos todos responsáveis, porém, vejo que tudo tem um inicio e se este inicio começar errado toda a cadeia será penalizada para efetuar a correção.
    Isto não isenta o resto da cadeia, pelo contrário, só aumenta a responsabilidade a cada elo.
    A minha pergunta para você é:

    Onde começa esta cadeia?
    O Ministério ou o Produtor?

  3. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:25

    Sobre a parte mais importante do seu texto a respeito das avermectinas, a da responsabilidade de todos os elos, não há questionamentos, é isso mesmo.

    Só não gostei da metáfora do bode na sala. A história do bode na sala é ótima, porém se aplica a situações onde os atores só reclamam e não fazem nada. Não foi esse o caso. desde 2010 se iniciaram os trabalhos no sentido de resolver esse problema, e a indústria farmacêutica veterinária fez totalmente a sua parte: destacou na embalagem o período de carência já existente na bula (2010); acatou e divulgou que produtos com com carência superiores a 28 dias estavam proibidos em confinamento e na terminação, mesmo a pasto (2001 – 2012); apresentou ao MAPA documentos técnicos diversos sobre as avermectinas através do grupo de trabalho formado sobre o assunto (2011 a 2013); fez junto com o MAPA o manual de boas práticas orientando sobre o uso de produtos veterinários; Discutiu e orientou sobre as metodologias qualitativas e quantitativas para detecção de resíduos no Brasil e nos Estados Unidos; revisou e refez estudos de resíduo de seus produtos (cada laboratório teve que fazer do seu), cada um desses estudos custa aproximadamente 100 mil reais. Tudo isso antes da proibição. Durante toda essa discussão a indústria foi surpreendida com o “bode na sala”.

    Você escreveu: “A proibição do uso foi um “bode colocado na sala” por quem estava tendo prejuízos com os problemas de resíduos em produtos exportados” Quem teve o poder para colocar tal bode, foi o ministro da agricultura na época. Muitos técnicos do próprio MAPA, o MAPA tem excelentes técnicos, foram contrários à proibição. A própria EMBRAPA, em tese, dentro do MAPA, foi surpreendida com a decisão. Quem estava tendo o prejuízo era o frigorífico.

    Emfim, quando se coloca “o bode na sala” se causa um incômodo que faz os responsáveis se mexerem. Mas da forma irresponsável que foi feito, não causou só incômodo, causou enorme prejuízo, e de novo vou me ater à indústria de medicamentos veterinários, do elo que cumpriu 100% a sua parte. Pais de família foram demitidos em decorrência do prejuízo causado por essa canetada irresponsável.

    Após a sentença judicial, a revogação da IN 13 pela nova ministra Katia Abreu, mostra que nem tudo está perdido. Se fosse no estilo “coração valente”, o MAPA iria brigar na justiça pelo impossível e mais uma vez, a sociedade pagaria a conta da truculência e da incompetência.

  4. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:26

    Concordo com todos os tópicos colocados em referência ao uso das avermectinas LA. Cada elo da cadeia tem sua parte de responsabilidade no processo. Se um animal é abatido com resíduo de um produto químico , penso que a responsabilidade maior é da origem desse animal. Quem aplicou o produto tem conhecimento do período de carência? Por que aplicar esse produto? Temos que ter um maior controle na aplicação de medicamentos, mandar o funcionário fazer; talvez esse funcionário nem sabe ler; pode ser um folguista; vários fatores levam ao uso inadequado de uma aplicação de medicamentos . A responsabilidade é do dono; não adianta desculpas; dizer que não sabia. Tem que assumir.

  5. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:27

    Assim como você, fiquei contente com a notícia (liberação das Avermectinas) e da mesma forma fiquei preocupado com alguns aspectos.
    Gostei dos pontos de responsabilidades que você enumerou e assim como nos sugeriu, gostaria de propor algumas considerações.
    Dentre as nove responsabilidades que foram enumeradas poderíamos resumir em apenas três:

    – educar o mercado, os produtores e técnicos sobre como usar de forma responsável

    – aplicar a lei sobre comercialização de medicamentos já existente. Isso envolveria aspectos como: fiscalizar, medir, auditar, rastrear, indicar a correta e responsável forma de uso.

    – por último e tão importante quanto as demais seria PENALIZAR de forma justa, severa e individual eventuais problemas com resíduos. Na pecuária leiteira, produtores flagrados com resíduos de antibióticos no leite tem sido penalizados constantemente na nossa região. Hoje, a consciência já é outra.

  6. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:28

    Concordo plenamente que a proibição foi imposta por alguem que estava tendo prejuizos economicos, porem considero que um dos principais motivos é a falta de critérios do uso de produtos veterinários na pecuária, como superdosagem, falta de respeito aos periodos de carência, erros cometidos e motivados por todos os envolvidos na cadeia produtiva.
    Minha opinião é que restrições sempre irão ocorrer, mesmo muitas vezes sem critérios cientificos, porem podemos se adaptar a isso, como por exemplo usar abamectinas somente nos sistemas de cria e recria, são produtos excelentes e se evitariam muitos problemas de carência na carne. Para isso dar certo o nível de responsabilidade de todos os envolvidos tem que aumentar em um forma bem considerável.

  7. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:30

    gostei de seu email quando fala das responsabilidades de cada um.O MAPA tem adotado o critério de que se deve vetar o uso daquilo que não conseguem controlar. É o caso dos hormônios e agora das avermectinas. A situação é complexa.

    Quando era menino meu pai guardava um revolver na mesinha de cabeceira e todos nós sabiamos mas eramos proibidos de mexer lá. Falava que não podia e acabou a conversa. Hoje, conheço pessoas que entregaram suas armas para evitar que as crianças mexessem com elas. Onde está o problema?

    Dificilmente o MAPA teria condições de fiscalizar todos, o tempo todo, com uma cadeia produtiva tão grande. Se não houver uma consciência e responsabilidade de uso dos produtos pelos pecuaristas, dificilmente evoluiremos nossa pecuária.

    Por outro lado, um cliente recebeu duas cartas de um frigorífico para serem assinadas e retornadas. Quando me perguntou o que eu achava, disse que não aconselhava assinar as cartas, porque não havíamos como garantir as exigências do governo chileno para importar nossa carne:

    “Carta de garantia do produtor rural SIF 177
    Animais abatidos no frigorífico
    • Durante sua criação não receberam Ractopamina;
    • Quando submetidos a tratamento com medicamentos veterinários, não foram
    administrados: Cloranfenicol, Tetraciclinas, Grizina, Bacitracinas e Zilpaterol;
    • Que as instalações da propriedade, onde os animais tem acesso, não são pintadas e nem
    possuem dispositivos que contenham chumbo e/ou cádmio em sua composição;
    • Que as pastagens não são irrigadas com Lodo obtido do tratamento de águas residuais;
    • Permaneceram nesta propriedade rural por um período mínimo de 40 (quarenta) dias
    previamente ao abate.”

    Não utilizamos nenhum dos produtos acima citados, a não ser a tetraciclina (Terramicina LA) em animais que apresentaram algum problema sério (pneumonia em bezerros, infecções de umbigo, problemas de casco). No entanto, não podemos afirmar que animais comprados, independente da idade ou peso, não tenham recebido esses medicamentos e que não haja resíduos deles em suas carcaças e orgãos como rins e fígado.

    A outra carta, declaração do produtor modelo B, é uma declaração de que os animais vendidos para o frigorífico

    “são nascidos e criados no Brasil, alimentados exclusivamente com vegetais e sal mineral e atendem os seguintes requisitos:
    • Nasceram e foram criados no Brasil, nos estados …..;
    • Que são oriundos de propriedades rurais que NÃO aderiram o Serviço de Rastreabilidade da Cadeia
    produtiva de Bovinos e Bubalinos (SISBOV).
    • Não receberam alimentos que contenham derivados de organismos geneticamente modificados – OGM;
    • Foram alimentados exclusivamente a pasto, ou receberam, durante confinamento, suplementação apenas a base de vegetais e sal mineral;
    • Não foram submetidos à aplicação de hormônios, anabolizantes e/ou sintéticos;
    • Não foram alimentos com rações que continham proteínas de origem animal (farinhas de carne, ossos,
    sangue e gordura de mamíferos), à exceção de proteínas e gorduras do leite;
    • Não receberam “cama de frango” como componente de sua alimentação;
    • Não receberam antibióticos e/ou substâncias antimicrobianas, como promotores de crescimento;
    • Quando submetidos a tratamento com medicamentos (pesticidas, antiparasitários, antibióticos, vacinas,
    antiinflamatórios e outros) estes foram indicados e prescritos por Médicos Veterinários, possuem uso
    autorizado e são registrados pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA e seu
    período de carência foi rigorosamente respeitado.”

    Nessa declaração conseguimos enquadrar em quase todos os requisitos com exceção dos alimentos que contenham derivados de org. genet. modificados (OGM) porque utilizamos milho e farelo de soja nos proteinados e rações e acho dificil acreditar que tem alguem utilizando, para alimentação animal, milho e soja não transgênicos. Outro ponto que não nos enquadramos é o uso de promotores de crescimento, que auxiliam, em muito, as criações à pasto. Como saber também, o estado de origem de um bezerro, com o atual mercado?

    E aí, o que fazer? Será que os frigoríficos repassarão os bônus das vendas para mercados mais exigentes ou só a responsabilidade?

  8. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:30

    Também concordo que nesse caso as autoridades suspenderam proibição à “posse de arma”, mas, não devemos esquecer que o “porte” dela é de nossa responsabilidade. Então vamos ter que saber usá-la.

    No meu caso, mesmo antes da proibição do uso das ivermectinas de longa duração, sempre que ia vender um determinado lote de gado, na campanha anterior já deixava de vaciná-lo.

  9. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:32

    Você foi muito feliz ao elencar algumas “responsabilidades” que devem ser levadas mais à sério.
    Não me lembro de mais alguma para acrescentar na sua lista, mas destaco duas levantadas por você e acredito que cabe um “sub-tópico”:

    – medir, auditar e fiscalizar presença de resíduos no produto final;

    – educar o mercado, os produtores e técnicos sobre como usar de forma responsável

    Acredito que para educar o produtor quanto ao uso correto de medicamentos, respeitando os períodos de carência, infelizmente saída seria a punitiva.

    Ou seja, quando identificado algum resíduo nas carcaças oriundas da fazenda do produtos X, o mesmo receberia uma punição.

    Desta forma, ele passará a usar os medicamentos de forma mais consciente, respeitando as ” regras do jogo”. Para isso, seria necessário que os frigoríficos fiscalizassem mais, e melhor.

    No entanto, isso demandaria maior custo e tempo. Coisas que eles não querem abrir mão…

  10. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:32

    Parabens pelos conteudos de suas observacoes.
    Devemos todos sermos responsavell
    Pensar no coletivo e nao no individual
    Sucesso
    Viva nossa pecuária

  11. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:34

    Primeiramente, parabéns pelos trabalhos e principalmente por esta abertura para discussões de temas e assuntos tão pertinentes para nossa cadeia produtiva.

    A minha observação e meu “pitaco”… carregando a bandeira e defendendo a minha profissão que ultimamente anda tão desvalorizada, não pela sociedade, mas desvalorizada por nós mesmo os médicos veterinários, por profissionais que se vendem por uns “trocadinhos” e baixam cada vez mais nosso valor.

    Voltando ao assunto inicial, a minha sugestão seria de que todas estas avermectinas LA’s sejam vendidas sob prescrição e receita veterinária, e aplicada por pessoa certificada (vaqueiro, médico veterinário, técnico agrícola, proprietário, etc).

    Sendo assim seria criada uma rede documentada e organizada sobre quem vendeu a avermectina, quem comprou, quem aplicou e quem vendeu o boi… e no caso de apresentar algum problema tem onde ir e de quem cobrar.

    A bovinocultura no Brasil tem que amadurecer, ela já cresceu, desenvolveu e se tornou imprescindível para manter o equilíbrio e a saúde financeira do país, mas ainda patina por estes rincões na falta de maturidade, de responsabilidade dos seus executores.

    Trabalho com suíno aqui no sul de Minas Gerais, e a cada carregamento de suínos que sai para o abate segue junto das notas fiscais e da GTA um atestado sanitário, onde eu me responsabilizo e garanto que estes animais estão sadios e estão livres de resíduos de qualquer tipo de antibióticos ou substância proibida. E neste eu descrevo os tratamentos e que fiz e que drogas que utilizei e quando foi o ultimo contato destes animais com alguma substância proibida.

    No frigorífico as carcaças destes animais passam por testes que vão confrontar o que eu disse no papel e no caso de alguma divergência eles sabem ou eu sei de quem cobrar.

    Mais uma vez obrigado pela abertura de resposta e pela oportunidade de meditar sobre um assunto tão interessante.

  12. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:35

    Sou fã do seu trabalho…

    Confesso que tenho um conhecimento bem menos extenso que o seu sobre o tema ‘pecuária’. Porém, a respeito da liberação das avermectinas LA não acho que venha a ser a melhor opção e solução. Até porque como você mesmo disse há uma série de responsabilidades que devem ser consideradas para o uso das mesmas. E havemos de convir que nosso país ainda nao dispõe dessa estrutura.

    Usadas de forma indiscriminada, pecuaristas de forma geral não respeitam período de carência, abatendo animais e vendendo leite com resíduos (até mesmo em forma de queijo). Não há fiscalização suficiente e eficiente para evitar tais problemas.

    Além desse entrave, nos deparamos ainda com a resistência existente ao princípio ativo, o que leva a um uso ainda mais indiscriminado, causando uma pressão de seleção ainda maior, levando a um ciclo vicioso de resistência sem fim.

    Sem contar os manejos para aplicação que confronta o bem-estar animal, levando-os a níveis desesperadores de stress, com riscos até de ter que sacrificar animal por motivos de lesões. Defendo muito esse lado de pensar no conforto dos animais, pois creio que conseguem expressar melhor seu potencial produtivo quando se evita manejos que podem ser desnecessários.

    Sem querer fazer apologia ou propaganda, mas acredito em produtos alternativos que oferecem auto-tratamento no cocho, que uso e tenho ótimos resultados.

    Desculpe-me, mas essa é apenas minha opinião, uma vez que pediu pra responder o email.

  13. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:38

    Eu li ontem o que você escreveu sobre “a teoria do bode na sala” e discordei no mesmo instante.

    Sem entrar no mérito do nível de competência dos técnicos que participaram da normativa que proibiu o vermífugo de longa ação, penso ser a “teoria do bode na sala” um tratamento bastante desrespeitoso a quem cuidou da matéria.

    O que eu acredito que possa ter ocorrido é que algumas pessoas legislaram com base em convencimento de que a normativa poderia ser uma solução, depois tentaram resistir às pressões muito fortes de grupos organizados, aí a política mudou no ministério, as tais pessoas perderam força e quem sabe as funções que exerciam, e decidiu-se pela suspensão da medida.

  14. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:40

    A questão das Avermectinas é relativamente complexa. Veja algumas das razões:

    1- A aprovação do medicamento junto aos organismos oficiais parte do princípio de que o local de aplicação é improvável de ser consumido, todavia, para nós técnicos da carne, todas as porções musculares da carcaça sadia são prováveis de serem consumidas.

    2- Estudos científicos demostram que o local de aplicação apresenta níveis de resíduos superiores a 3.000 ppb mesmo após 28 dias de metabolismo.

    3- Embora a recomendação para local de aplicação seja a tábua do pescoço, este pode variar em mais de 30 cm, e o raio com elevado nível de resíduos gira em torno de 20 cm;

    4- A aplicação subcutânea recomendada, muitas vezes não é respeitada pelos aplicadores. Várias vezes observa-se aplicação intramuscular.

    5- A Ivermectina sempre apresentou baixa probabilidade violação na Europa, Canadá e EUA porque nestes locais a aplicação ocorre antes do envio ao confinamento de acabamento, tempo este suficiente para metabolização, dado que lá não se aplica o Longa Ação.

    6- A Ivermectina é lipossolúvel e, portanto, os produtos com elevado teor de gordura (Ex: Corned Beef), e que utilizam matérias primas do local de aplicação, têm maior propensão a apresentar violação.

  15. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:41

    O que falta, na minha opinião, é uma maior fiscalização e educação no que se refere ao uso dos concentrados e LAs. Fiscalização por parte dos órgãos de defesa e educação principalmente por parte dos produtores.

    Os laboratórios precisam vender esse produto, e a pecuária precisa sim que esse produto seja utilizado, desde que seja de maneira correta.

    Falou-se em controlar a comercialização na revenda através de receituário veterinário, seria uma boa medida, porém sem a devida fiscalização e controle dos resíduos (e punição) pelos frigoríficos de nada adiantaria.

    Por fim, não seria interessante premiar quem obedece e punir que não o faz? A questão é se teríamos condições de efetuar esse controle.

  16. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:42

    é notório que caso a proibição das avermectinas L.A. se perpetuasse, poderiam ocorrer situações em que a busca por estes produtos no mercado negro aumentariam, culminando assim com a não resolução dos nossos problemas, pelo fato de quem não obedece a carência destes fármacos, continuariam os utilizando (produtos advindos de mercado negro) indiscriminadamente; e quem os utilizavam de maneira correta, de forma alguma poderiam ser repreendidos, mas como em qualquer situação “os corretos” pagam pelos “errados”.

  17. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 11:42

    Parabens pelo seu trabalho.
    Continue assim.

  18. luiz roberto zillo

    02/04/2015 at 15:44

    Miguel boa tarde, muito boas suas colocações e concordo plenamente com elas.
    Bom, vou do lado do Pecuarista e Técnicos. quando cita:

    – usar o produto conforme a bula
    – respeitar o período de carência e demais recomendações
    – educar o mercado, os produtores e técnicos sobre como usar de forma responsável

    Durante os mais de vinte anos convivendo dia a dia em trabalhos de curral, e muitas outras fazendas em que pude conhecer a lida, e que dava assistência, vi muita coisa errada, e sei e posso sem arrepender que o Pecuarista tem muita culpa quando se trata de sanidade, aplicação de medicamentos e respeito ao outros quando se trata de por exemplo enviar bois ao frigorífico. Mais de 90% não respeitam carência, locais de aplicação, uso de produtos comprados via Bolívia ( caso onde trabalhava)e muitos outros descasos. Infelizmente nosso país não leva a coisa a sério. Com aftosa então nem se fala o que já presenciei. Enfim é muito difícil colocar responsabilidades e dar a educação certa aos que trabalham nesse ramo, logicamente hoje parece que estão mudando a mentalidade mas ainda demora. Vejo o caso do boi castrado X inteiro, a diferença na qualidade não é cumprida pelo rendimento que o frigorifico não paga, e por ai vai.
    Espero que haja mais seriedade e que as pessoas acreditem um pouco mais nos profissionais da área para mudarem antigos costumes.
    Um Abraço, até Ribeirão.
    Beto Zillo.

  19. Miguel da Rocha Cavalcanti

    02/04/2015 at 17:37

    Boa tarde Miguel
    Queria te parabenizar pelos esplendidos artigos que escreve nos deixando sempre bem informados.
    Gosto muito quando vc está viajando , aprendendo e compartilha os aprendizados conosco. Parece que estamos participando do evento também, mesmo estando tão longe.
    Por estarmos muito envolvidos no campo e longe dos grandes centros fica mais difícil participar de todos os eventos, mas o beefpoint e você torna isto mais fácil.
    Quanto as questões da avermectinas e todas outras simplesmente existe uma única forma: conscientização , educação e honestidade. Para que os elos passem a ter este sistema ganha – ganha – ganha, todas as partes tinham que se alinhar neste sentido. O “querer tirar vantagem de todas as situações a qualquer custo” para mim é a principal doença do Brasil hoje.Vemos isto em todos os níveis. É uma pena.
    Porém,acredito que vamos melhorar gradativamente com a educação ( não sei quanto tempo isto pode levar, mas sinto que estamos mudando).
    Boa Páscoa para você e família. Com certeza irei comemorar com um belo churrasco.
    abraço

  20. Bruno Manhani Correa

    04/04/2015 at 08:34

    Miguel,

    O uso de qualquer tecnologia que venha ajudar a pecuária sempre é uma notícia muito bem vinda. Acredito que isso deva beneficiar os produtores e a cadeia como um todo. Contudo acredito que confiar no bom senso e na responsabilidade das pessoas é muita inocência.
    No nosso país temos pouca cultura quanto a se preocupar com o que está distante do nosso umbigo. Não damos valor para o que não nos incomoda.
    Para citar um exemplo de como a cultura é diferente em outros países, conheço um agricultor e pecuarista aqui no Brasil de origem holandesa, que se recusa a plantar OGMs porque corre o risco de fazer mal a quem consome. Ele não recebe nada a mais por isso, e não produz a mais ou mais barato por fazer essa escolha. Apenas a faz por sua consciência. Quando já vimos algo similar vindo dos brasileiros?
    Nos comentários temos colégas preocupados com o quanto o frigorífico vai repassar aos produtores por respeitarem o tempo de carência dos medicamentos que são administrados na fazenda. Ou seja, o quanto o frigorífico vai pagar para que os pecuaristas cumpram as exigências e regulamentação do MAPA. Me parece um pouco absurda essa ideia.
    É preciso que haja sim uma fiscalização mais abrangente do MAPA em relação a comercialização dos produtos sim. Mas vai ser ser o SIF do frigorífico, que vai monitorar resíduos no produto final, penalizar no bolso os pecuaristas que descumprirem o tempo de carência. Só ai doendo no bolso de cada um é que serão cumpridas as exigências.
    A responsabilidade de cada elo existe, mas precisa existir um meio financeiro de fazer cumprir a lei. Apenas acrdeditar na boa vontade das pessoas é utópico.

  21. Luis Brasileiro

    07/04/2015 at 09:08

    Bom dia,
    Creio que a responsabilidade de analisar o resíduo de Ivermectina na carcaça animal é do frigorífico. Pois como na cadeia láctea, os laticínios avaliam Contaminantes (antibióticos, inseticidas e etc), Acidez, CCS e CBT e bonificam os produtores que estão dentro dos padrões estabelecidos. Assim, os frigoríficos deveriam agir, bonificando os produtores que sequem os padrões pré-estabelecidos, avaliando os Contaminantes (Ivermectina, Antibióticos, Inseticidas, Metais Pesados e etc), acabamento de carcaça, bem estar animal, entre outros. Mas penalizar as industrias, lojas veterinárias e todas as pessoas envolvidas na comercialização das Ivermectinas concentradas não é o caminho, sem falar na importância da molécula como controle estratégico das verminoses.

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