Uma galinha pode produzir mais carne que uma vaca?

Por em 12 de novembro de 2014

Bom dia, como vai? Tudo bem com você?

Uma galinha pode produzir mais carne que uma vaca?

Me fizeram essa pergunta alguns dias atrás… :-)

Fui fazer uma palestra em Foz do Iguaçu, PR, num seminário de altíssimo nível, organizado pela COBB, empresa líder mundial em genética avícola de corte. Era o encontro que acontece a cada dois anos, com os principais clientes e parceiros da empresa.

Gente de todo o Brasil, e também do exterior. Donos e executivos de empresas de ponta na área de aves de corte. E como de costume, muita gente também tinha gado de corte como um segundo negócio… Gente que diversifica seus investimentos com pecuária de corte. Ou seja, minha palestra era interessante para o público por dois motivos: entender uma proteína concorrente e também para melhorar o negócio secundário de muitos dos presentes.

No jantar, após a palestra, muita gente veio conversar comigo, e aproveitei para aprender mais sobre esse mercado, que é muito importante. O consumo de frango cresce no mundo de forma mais forte que a carne bovina – por conta de preço.

Conversando com um proprietário de uma empresa de produtora de frangos de corte, e que também tinha gado de corte, ele me perguntou, com uma cara de brincadeira: Você sabia que uma galinha produz mais carne que uma vaca?

Eu olhei com uma cara de curioso, sorri, e perguntei:

Como assim? :-)

Ele me respondeu: uma galinha coloca 150 ovos por ano, e cada ovo desse vai produzir um frango de 3kg. Ou seja, uma galinha vai produzir em apenas um ano, 450kg… Coisa que uma vaca não vai conseguir, lembrando que a gestação é de 9 meses… Fiquei encucado com aquela conversa…

Nesse mesmo evento, pude assistir palestras e conversas sobre genética de aves. Impressionante como estão avançados, impressionante as métricas, os avanços anuais e como conversam sobre genética. Em nenhum momento falaram sobre um determinado animal, determinada raça, etc.

Falavam sobre características genéticas de real interesse econômico, de medidas que realmente influenciavam o negócio. Produção de carne, conversão, mortalidade, tudo de uma forma muito aplicada a produção final, a última linha, que é o resultado financeiro.

Na viagem de volta, fiquei lembrando dessas duas coisas: que uma galinha pode produzir mais carne que uma vaca, e que a genética de aves está mais “profissionalizda”, no sentido de falarem 100% do tempo sobre variáveis que vão trazer real valor econômico para o negócio.

Eu fiquei impressionado… E fiquei preocupado com a carne bovina no médio-longo prazo… Se somos menos eficientes para produzir proteína animal, e além disso estamos andando mais devagar que eles, e ainda, estamos “gastando” nosso tempo tratando de temas “acessórios” a produção de carne, a tendência é que nossa competitividade comparada se reduza com o tempo…

E aí, o que vamos fazer?

É claro que eu acredito no potencial da carne bovina. É claro que eu acredito no futuro da carne bovina.

Carne é um produto “centro de prato”, é a primeira opção, é a carne da celebração. É a carne da festa, do churrasco, do jantar romântico. É escolhido, é comprado porque é mais saborosa, não porque é a mais barata (há muitos e muitos anos que a carne bovina é mais cara que o frango).

Outro ponto, que foi destacado há alguns anos pelo Leonardo Alencar, um dos analistas de mercado que eu mais respeito: no Brasil, ainda existe um enorme gap de produtividade, podemos aumentar muito a eficiência do setor e com isso ter custos ainda mais competitivos, como setor. Uma observação que não se aplica a todos os países produtores de boi gordo, mas que se aplica muito ao Brasil.

Mas fica aqui nosso dever de casa, de focar no que realmente importa, em medidas que realmente tragam resultados econômicos. E que possamos gastar menos tempo discutindo qual a melhor raça, e mais tempo trabalhando para tornar a pecuária mais competitiva, e mais eficiente em relação a outras proteínas de origem animal. Esses são nossos reais concorrentes.

Vamos nessa?

Te convido a comentar, deixando sua opnião, acrescentando informações e detalhes, nesse artigo aqui nesse link.

Muito obrigado. Uma excelente quarta-feira para você.

Um forte abraço, Miguel

PS: Impressionado demais com a repercussão do primeiro vídeo do AgroTalento (se você não viu, veja aqui, agora). Mais de 300 comentários até o momento. E muito mais do que a quantidade, é a qualidade, a profundidade dos comentários. Cheguei a me emocionar em alguns… Incrível ver essa comunidade se formando em torno de um objetivo comum – crescimento pessoal e profissional… Muito obrigado, mesmo…

Miguel Cavalcanti

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54 Comments

  1. Gustavo Laureano

    12/11/2014 at 06:48

    Bom dia Miguel

    Ótimo teu artigo, concordo, devemos conduzir nossa pecuária como uma empresa. Não há espaço para “perfumarias” para sermos eficientes.

    • Gabriel Sales

      13/11/2014 at 13:22

      Bom dia a todos.
      Miguel interessante o ponto que sabidamente você trouxe para discussão.
      Penso que a melhor forma de aprendermos e a forma como você trata o assunto. Se deixarmos de lado um pouco a peculiares fisiológicas e de ciclo de produção o que nos sobrará é o sistema de tomada de decisões.
      Penso que devemos olhar mais atentamente para todos os tipos de empreendimentos para podermos trazer oque há de bom em cada um.
      abraço!

    • jardel lopes

      02/02/2015 at 19:20

      De fato é um tema extraordinário para ser abordado. A pecuária do futuro. Quanto a carne, proteína animal, também concordo com as afirmações sobre a carne bovina. É o produto mais gostoso entre as carnes.
      As preocupações são o manejo de produção, a genética aplicada, as condições de pastagens, as chuvas que estão escasseando, o consumo de 50 litros de água por dia/animal, etc. E além do mais, por uma questão meramente econômica o excesso de abate de novilhas e mesmo matrizes produtivas é preocupante. A vaca é mais barata para sua aquisição. E na hora da venda ao consumidor alcatra é alcatra.
      Quanto ao frango, este tema merece um seminário envolvendo escolas, produtores, indústrias e consumidores. É muito interessante esta observação: “uma galinha produz mais carne que uma vaca”.

  2. marcos Philippe

    12/11/2014 at 06:54

    Gostei da evolução do vosso pensamento. Penso que a discussão deve ser direcionada para produção de arrobas e desempenho financeiro. O curso 6/6/6 foi um grande pasdo nessa direção. Não conseguiremos, jamais , adivinhar ou definir preço de boi ou bezerro. Mas, podemos influenciar nas variaveis peso, idade de abate, rendimento e etc.

  3. Eduardo Rabelo

    12/11/2014 at 07:06

    Não precisamos nos preocupar:em 2o34 ja estaremos praticando o qud a avicultura pratica em 2014.
    O problema é que a galinha voa e ela ja estará em 2034 virando pra 2035.

  4. Osvaldo Esteves de Lucena

    12/11/2014 at 07:17

    Caro Miguel, o brasileiro tem uma característica de não acreditar em outras linhas de de fazer proteína . A nossa cultura sempre foi pecuária de corte ou leite passando de geração para geração , mesmo sabendo que as vezes trabalha no vermelho. Isto tem causado um mau está dentro da classe com menores lucros no final de cada produção . Acredito em outras atividades mais lucrativas com um menor custo. A classe precisa de uma renovação de empreendimentos.

  5. bruno

    12/11/2014 at 07:32

    a galinha pode ate produzir mais carne mas nao e tao simple assim 150 ovos por 3 kg.
    o problema e que a carne de gado vai sim ficar com o consume mais elitista e de qualidade, vejo que carne todo dia no prato vai ser frango ou peixe.
    simplesmente pela area ocupada e tempo de cria, recria, engorda.

    bruno

    • cristina bartmeyer

      03/02/2015 at 12:46

      Gostaria de poder saber de onde é cada pessoa, pois no Brasil, as realidades são muito diversificadas. Precisamos sempre pensar em ternos de região. Peixe, prato diário??? Gosto demais de peixe, mas em minha região é mais caro do que carne de gado.. Só compro para eventos festivos. Temos uma diversidade geográfica e climática. Sou do Paraná, e em minha região vejo que se come de tudo um pouco. Em SC, come-se muita carne suina…. lógico, áreas pequenas, produtores pequenos, vai se produzir carne em granjas, pois é o que é possível.
      Mas independentemente da possibilidade, ou viabilidade regional, sempre é possivel melhorar em genética e eficiencia produtiva. Mais carne por área. Não esquecendo que é preciso computar a área que foi usada para produzir a ração, seja de milho ou outra.
      Maior produtividade por área.

  6. Oswaldo Ribeiro

    12/11/2014 at 07:36

    Sou do tempo que carne de frango era raridade, só se comia por dois motivos: ou a galinha estava doente ou o consumidor. O comentário geral sobre uma coisa simples, trivial era que se tratava de “carne de vaca”. Fica claro que temos muito a aprender sobre os produtores de frango e seus métodos. Talvez pela facilidade, até na periferia das grandes cidades, se criava frangos. Com o advento do profissionalismo, a carne de frango tornou-se muito mais barata que era, recebeu um rol de propaganda sobre a sua sanidade, muitos investimentos para encontrar um frango que tivesse mais peito e assim por diante. É uma realidade. Os produtores de carne devem mirar nesse pessoal, eles passaram de coadjuvantes no processo de produção de proteína animal para astros, isso num pequeno período. Eles são os maiores exportadores de proteína animal, a pecuária bovina leva a fama. Os pesquisadores bovinos tem que pensar na produção de um boi voltado ao churrasco, um boi que tenha mais carne nobre. Um boi com mais picanhas, com mais filé mignon e por aí a fora. Os produtores de carne de frango devem ser mirados, devem ser invejados, devem ser copiados.

  7. Rodrigo Maronezzi

    12/11/2014 at 07:41

    Um dos temas que foco minhas abordagens técnicas e o rastro de carbono. Apesar de levar a mensagem como pano de fundo ela tem uma lógica. Quanto melhor for a conversão alimentar a carne, mais econômica tende a ser sua produção. A questão e que em um mundo em que a população tem crescido ano a ano a demanda por sistemas de produção sustentavel será cada vez maior. Hoje ainda não está descrito na embalagem quanto de recurso a carne a ou b consumiu, acredito que não demorará muito a acontecer e o mercado ditará sua preferência. O importantes antecipar-mos estas tendências pois os sistemas mais adaptados levarão vantagens. Já temos seleção por conversão pena que a participação do total de touros no Brasil ainda é pequena. A mensagem final é que vaca é boi pode também ser produzido por alimento que o ser humano não come, porém este alimento também compete por solo, água e recursos que poderiam produzir alimentos para o homem…. Dorge Dart Charge R/T é coisa de colecionador e passeio de final de semana. Para ir trabalhar precisamos de 15 a 20 km/l até mesmo híbrido com mais desempenho. Acredito ser esta a tendência futura! Carne deverá ser mais que proteína animal será fonte de algo a mais…. Abraco é ótima esta janela!!!!!

  8. Aliomar Gabriel da Silva

    12/11/2014 at 07:56

    Miguel, gostei do seu comentário. Realmente existe uma distância bastante grande entre o que conversam entre si os avicultores e o que conversam os bovinocultores. Na realidade o conhecimento é muito maior na área de avicultura. E não é só na genética, mas também na nutrição, na sanidade, no manejo, etc. e até na comercialização e mercado. Temos que crescer em todos os campos como fizeram os avicultores. Temos que dar muita ênfase ao estudo, à pesquisa, às novas tecnologias, ao desenvolvimento. Temos que apoiar a pesquisa e a difusão dos conhecimentos gerados. Tenha um bom dia. Abraço.

  9. Fábio Fatori

    12/11/2014 at 08:07

    Tudo bem Miguel, o resultado econômico é muito importante, mas o
    que seria do cruzamento industrial sem as raças puras?
    Nos leva a reflexão como todos seus artigos.
    Abraços,
    Fábio Fatori – FatoRural

  10. Paulo Campos

    12/11/2014 at 08:11

    Como em todo processo produtivo, quanto mais controle você tem sobre o processo, melhor sua produtividade e menos perdas podem ser atingidas. Os produtores de aves estão muito à frente neste quesito em relação à pecuária de corte, especialmente para aqueles que terminam a pasto. Os aumentos de produtividade são normalmente conseguidos retirando-se as incertezas e variabilidades do processo para que cada fator possa ser isolado e estudado separadamente para comprovação de seu real impacto no processo. É isto que é feito nos EUA, onde o gado de corte é tratado de modo análogo ao das aves. Assim sendo, o caminho a trilhar é este, nunca, é claro, deixando-se o aspecto custo de lado. O binômio custo x benefício é o que conta.

  11. Antonio Simões Moita

    12/11/2014 at 08:50

    Miguel, O setor de aves é mais organizado que o de bovinos há tempos. Compreendem que os desafios são enfrentados com mais facilidade se houver sinergia entre a porteira e a indústria, coisa que poucos na cadeia produtiva de bovinos compreendem. A dissociação entre frigoríficos e pecuaristas na hora de buscar ganhos de escala, competitividade e transferência de novas técnicas na área de genética e produção tem sido uma marca do setor. É preciso cada vez mais encarar o negócio como faz o BeefPoint, inspirar o trabalho e a união de toda uma cadeia produtiva para que todos possam encontrar soluções e adquirir conhecimento e competitividade em conjunto. Como faz tão bem e há tanto de tempo a cadeia produtiva de aves.

  12. Paulo Roberto Silva

    12/11/2014 at 08:52

    Caro Miguel,a genética aplicada na produção de aves também deixa a desejar quando se trata de uniformidade nos produtos apresentados ao abate. Este é um grande problema para o setor, pois o ideal para toda a cadeia seria a apresentação de produtos uniformes, melhorando a eficiência na produção industrial. Como conheci bem a indústria da carne bovina e agora envolvido com a indústria de aves, fiquei surpreso ao verificar que também aqui não existe uniformidade apesar do propalado avanço em melhoramento genético na indústria do frango. Parece que cuidaram muito da conversão alimentar, e só.
    Grande abraço.

  13. Thiago Zago

    12/11/2014 at 08:52

    Miguel, nesse ponto de vista realmente o frango produziria mais carne, mas se levarmos em conta valores agregados e fizermos o custo x benefício em regiões como aqui em Rondônia, não há nada que de mais resultado que a carne bovina, desde que o produtor se conscientize em trabalhar de maneira adequada com manejo de pastagem, suplemento de boa qualidade e automaticamente um boi de pelo menos meia genética. Isso sem levar em consideração que a carne bovina você come todo dia, agora vai comer frango 365 dias por ano…
    Thiago Zago
    AGROPAMPA
    Triunfo – RO
    Bigsal Nutrição Animal

  14. Luciano Fernandes

    12/11/2014 at 08:56

    Nao podemos esquecer que o frango compete conosco pelos grãos. Enquanto o boi pode ter, na maior parte do tempo, recria e engorda à pasto.

  15. Daniel Biluca

    12/11/2014 at 09:00

    Miguel, alguns comentários acima mostram como estamos atrasados no pensamento. Uma pena pois a concorrência é forte e muito mais eficiente. O princípio do fim é achar que estamos em berço esplendido. É só mudar a geração que a preferencia muda. Meus sobrinhos mesmo (mais longe da minha influencia pessoal) exigem, no churrasco da família,frango pois é o que comem mais no dia a dia. Acham a carne de boi dura e gordurosa.
    E não esqueçamos da suinocultura no mesmo patamar da avicultura, na genética e no profissionalismo.
    Temos que buscar produtividade e selecionar características de impacto econômico além das alinhadas com as exigências do consumidor, mas para isso temos que mudar o jeito de coletar dados e selecionar. A dificuldade é que nossa vaca continua demorando 9 meses para gestar. Contamos com essa preferencia atual do consumidor para ele esperar.
    Raça é ferramenta, não é a solução. Ou alguém questiona a eficiência da vaca Nelore e do cruzamento industrial?
    Mas insisto, o risco é grande de, num longo prazo, deixarmos de ser importantes por nossa própria incompetência.

  16. Silvio Okuno

    12/11/2014 at 09:04

    Caro Miguel, acho oportuno a analogia da pecuária de corte com a avicultura de corte. Realmente o pessoal da avicultura não fala em raças, tipos de cruzamento. Da mesma forma, a agricultura trabalha de forma idêntica. O cafeicultor normalmente diz que resolveu experimentar uma variedade (por exemplo) XYZ123 desenvolvida pelo IAPAR, CAT, etc. Da mesma forma, fala-se em variedade de milho (de novo exemplo) EMBRAPA 33, etc. Enfim, se fala em números, pois são híbridos. Ninguém se apega a raças. Entretanto, como citou o Fábio Fatori, o que seria do cruzamento se não fossem as raças puras? Sempre há espaço para tudo, seja a SELEÇÃO (importante destacar isso) de raças puras, e também o cruzamento, objetivando a busca de animais com bom rendimento de carcaça, buscando animais com maior desenvolvimento de carnes nobres (aves com mais peito e coxa, suínos com maior área de lombo e pernil, soja mais resistente a ferrugem, milho com grãos maiores e macios, leite com alto teor de proteína para produção de derivados, carne bovina com maior volume de contra filé, etc.). Talvez no caso da pecuária o caminho seja destinar melhor nosso produto para o consumidor certo. A dona de casa, não quer saber se o bife que ela vai fazer para o almoço é de Nelore, Angus ou cruzado, se é de macho ou fêmea. Mas na cadeia há (e sempre será necessário) ter pessoas que busquem e consigam ter acesso a um bom reprodutor/a Nelore, Holandês, Limousin, Simental, etc. A natureza disponibiliza diversas ferramentas. Cabe a nós usarmos a ferramenta correta, e refletirmos bastante sobre isso. Abraços.

  17. João Marcelo Junqueira

    12/11/2014 at 09:10

    Miguel, sem dúvida a pecuária de corte precisa olhar para as outras fontes de proteína seja aves ou suínos e ver a evolução da produtividade, cada qual com suas particularidades mas de maneira geral no caso da pecuária de corte equacionar genética, nutrição e custo de arroba produzida, acredito que desta forma a carne bovina terá qualidade e preço competitivos. Abraço.

  18. nevio primon de siqueira

    12/11/2014 at 09:29

    Caro Miguel, não é de hoje que o setor do “frango” esta muito na frente da bovinocultura. Quando fiz faculdade de veterinária ( me formei em 1983), os frangos de corte eram abatidos com 54 dias, nem mais nem menos, pois era este o dia em que a conversão alimentar das aves se invertia, ou seja, o valor da ração consumida era igual ao valor do peso adquirido. Atualmente tenho ouvido falar em 45 dias; veja o progresso. Isso só se descobre fazendo muita conta e estudando muito. Na época eu ficava revoltado com pecuaristas que se gabavam de entregar bois gordos com mais de 20 @ achando que estavam abafando entregando “BOI BÃO”. Com certeza não faziam conta. Ainda hoje, na minha opinião, não se faz muitas contas até pela diversidade de “tipos” de animais ( não existe um padrão mesmo nos confinamentos ) que permita padronizar um peso ou uma idade em que a conversão se tornaria prejudicial ao bolso, mas ainda tenho comigo que quanto antes negociarmos um animal que tenha alcançado os padrões de qualidade de carcaça melhor o resultado financeiro pois além de ser verídico o fato de que a cada dia que passa o consumo de alimento fica maior e o ganho de peso menor, livramos espaço para colocar um outro animal, mais leve, que tenha uma conversão mais favorável otimizando assim os investimentos (rações, mão de obra, espaço, maquinário, etc) e o giro do capital ganha velocidade, necessitando menor capital de giro no negócio. Apenas lembrando, o setor de suínos também tem seus parâmetros muito ajustados para identificar o ponto ideal para abate dos animais visando a conversão alimentar positiva financeiramente. Até concordo que a pecuária de corte evoluiu bastante de lá para cá, mas ainda existem muitos paradigmas a serem quebrados na cadeia da carne bovina. Essa é a minha opinião sobre o assunto. Grande abraço.

  19. André Luiz Cokely Ribeiro

    12/11/2014 at 09:33

    Naturalmente que na avicultura os avanços em genética, sanidade, conforto animal e nutrição são dignos de aplausos (a necessidade de viabilizar economicamente a atividade forçou o setor a tudo isso). O que ainda não consegue-se é submeter uma ave comercial ao ar livre, durante os 40 dias de vida, ingerindo alimento in natura (gramíneas) para produzir proteína animal de alto valor nutricional para nós humanos. Lembremos que os monogástricos só transformam proteínas nobres vegetais/animais ingeridas em proteína animal; ruminantes geram proteína animal a partir da ingestão de alimentos pobres nutricionalmente. Não podemos usar jamais dois pesos e duas medidas…comparar qualquer outra espécie animal aos ruminantes requer muita cautela, que inclusive juntamente com Canja de Galinha não faz mal a ninguém. Portanto, devemos aproveitar o que cada setor tem de melhor e aplicar guardando as devidas proporções nas demais atividades.

  20. Rodrigo Swain

    12/11/2014 at 09:47

    Miguel, a produção de aves, passou por uma concentração muito forte! E a bovinocultura ainda não.
    Hoje existem muitas granjas vazias, inclusive adaptada para confinamento.
    Os produtores ou são integrados com a indústria ou estão saindo da atividade. Recebem os pintinhos, a ração e já tem a venda combinada, trabalham para as empresas. Não vejo tanta vantagem nem como comparar duas coisas tão diferentes. Talvez se o frigorífico começar a participar da porteira p dentro, investindo e ajudando, talvez conseguiremos trilhar alguma coisa parecida na bovinocultura.

  21. vivian timpani

    12/11/2014 at 09:58

    Caro miguel,
    trabalhei alguns anos com genetica de aves e agora trabalho com bovinos…..quando vc fez a pergunta eu ja pensei logo em rendimento de carcaça…..concordo sim a galinha produz mais que uma vaca……tenho visto que pequenas mudanças na forma de criação do vaca podem fazer a diferença aqui na minha regiao sudeste do Pará estamos iniciando um trabalho em conjunto com a Emater e Sebrae para chegarmos a nossa “galinha dos ovos de ouro” ou melhor na nossa vaca de leite de ouro

    um abraço

  22. Rodrigo Bombig

    12/11/2014 at 10:03

    Miguel (Ribamar),
    Quanto tempo meu amigo! Parabéns pelo sucesso constante e crescente do Beefpoint!
    Ótima reflexão e bastante interessante o artigo.
    Pensando sobre isso, diria que uma fazenda de gado é uma transição entre a granja e um haras. Há foco na produção, mas há um apelo afetivo também. Não devem existir exposições de frango de elite PO, com os proprietários babando na beleza do animal!…rs. Mas com certeza, lembrar o produtor sobre a última linha do balanço é sempre necessário. Acho que todos os setores sofrem com a perda de foco em alguns momentos. Bom saber que o pessoal da avicultura são exemplos e devem ser seguidos. Grande abraço!

  23. luiz roberto zillo

    12/11/2014 at 10:03

    Bom dia !!!!!
    Não há duvida que pelo intervalo de geração do frango ou suíno possibilita essa produtividade.
    São muito mais avançados em pesquisas, nutrição (micro e aditivos etc), também por um fator de tamanho, velocidade de reprodução e outros fatores que não limitam seus estudo.
    O que temos que fazer é uma coisa que ouço participo e não vejo mudanças, que é a interação da cadeia para um bem comum. Atitudes que realmente além de ficar na conversa (que saia do papel, da sala de reunião, do auditório),e possa sim trazer um benefício a classe e que paremos de esconder ou sair do achismo.
    Mobilizar, e não ter medo de mostrar o que é bom. Se é bom pra todos e pode melhorar toda a cadeia porque querem ser sempre o melhor e guardar consigo pra poder um dia estufar o peito e dizer por exemplo, consegui um preço melhor na @ que todos, minha média de ganho no confinamento é a maior que já vi, o custo dos insumos que uso consegui o melhor preço do Brasil enfim, vamos realmente unir, e com a troca de informações e acompanhando por exemplo as palestras do BeefPoint, fazer virar realidade.
    Desabafo talvez, mas pra quem durante 15 anos tentou fazer isso em um sindicato rural, e não ver reação, me preocupa, mas nunca desistir, o país vive um bom momento na pecuária, é fazer entender toda a cadeia de forma coordenada e acreditar que um dia possam estar falando do Boi da mesma forma.

    Abraços,
    Beto Zillo.

  24. Gilberto

    12/11/2014 at 10:43

    Prezado Miguel,

    Muito interessante a sua inquietacao, acredito que o setor de producao avicola pode inspirar muitas boas ideias para a producao de carne bovina. Se observarmos os avancos na area de conversao alimentar na area de avicultura vamos ficar ainda mais impactados. Um tema relevante que nao deve ser deixado de lado ao discutir a eficiencia dessa ou daquela proteina é a utilizacao dos recursos naturais como por exemplo a água. Toda melhoria em eficiencia em producao nao deve ser ressaltada apenas nos fatores economicos diretamente relacionados a producao, mas tambem a contribuicao a sustentabilidade. Ha um caminho a percorrer nessa area. Felicitacoes pela iniciativa de estimular a sair fora do quadrado. Abracos.

  25. Walter Magalhães Jr

    12/11/2014 at 11:56

    Miguel, me lembro que, quando surgiram estas avaliações de DEP no Brasil, elas foram acompanhadas de um conceito denominado de acurácia (ACC). Os trabalhos todos apresentavam este novo conceito como “o grau de consistência” apresentado pelo valor ao qual encontrava-se relacionado. Como forma de entender melhor parâmetro de avaliação, entrei na Associação Americana de Criadores da Raça Angus e para minha surpresa, os níveis de acurácia possuíam uma utilização de caráter totalmente econômico.
    Não me recordo da equação utilizada, pela distância do tempo em que fiz esta constatação, apesar de ter certeza de que a metodologia ainda encontra-se lá apresentada, mas o grau de acurácia de uma determinada variável entrava na composição de uma fórmula de ganho econômico, demonstrando a contribuição desta variável para o resultado econômico final daquele animal ao qual estava relacionado.
    Tive esse material em minhas mãos durante algum tempo, tentei trazê-lo à discussão, mas não encontrei ninguém, na ocasião, com interesse sobre o assunto.
    Mas, creio, que esse é mesmo o caminho correto. A contribuição de um animal ou mesmo de uma raça deve ser alicerçada sobre conceitos voltados totalmente para resultados econômicos. De outra forma estaremos falando somente de beleza e sob o ponto de vista prático, isso interessa muito pouco.

  26. Rogério Stein

    12/11/2014 at 11:57

    Prezado Miguel Cavalcanti, para quem como eu vive na região Oeste do Paraná responsável por 10% da produção de frango do estado, que por sua vez produz 31% dos 13 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil, “enxergamos” diariamente a força e evolução desta atividade. Realmente, como você, acredito também que para a pecuária podemos “emprestar” muitas ações da avicultura, focando mais em aprimorar as ações durante a cadeia produtiva que provoquem efetivamente mudanças na rentabilidade do setor. Há muitos mitos a derrubar, mas também algumas lições de casa a serem feitas e outras a serem aprendidas.

  27. Genilda

    12/11/2014 at 12:10

    Bom Dia!!
    A Avicultura desempenha um importante papel socioeconômico no Estado do Espirito Santo. Nos últimos anos a atividade tem se desenvolvido de forma significativa através de investimentos em pesquisas genéticas, além de melhorias no manejo e nutrição das aves.
    Mesmo apostando em tecnologia, a indústria avícola depende da genética para novo passo no ganho de escala. A Genética determina resultado da indústria, desde a produção dos ovos até o abate, não há como elevar a capacidade do frango em ganhar peso, tem que se criar condições para expressão da genética. Aliás o material genético vem pronto nas matrizes.
    O resultado exige, sim, atenção a detalhes, principalmente em elos sensíveis como os incubatórios e máquinas que reduzem o contato humano com os ovos, tudo é analisado. O produto é medido lá na frente, com o resultado do frango na hora do abate.
    A postura comercial no ES vem se destacando no cenário nacional, sendo hoje Santa Maria de Jetibá o segundo município em produção de ovos no Brasil, ficando atrás apenas do volume produzido em Bastos (SP).
    Venham conhecer nosso Estado!
    Grande abraço.

  28. Ulisses Caio

    12/11/2014 at 13:21

    Embora a carne de frango seja a mais barata, a bovina como disse é a carne. Segundo Haddad USP e palestrante Vetbrands, que por mais tecnologia que se jogue na vaca de corte, ela sempre só vai dar um bezerro,ao contrário de outras espécies. Vaca leite, aves suinos. Portanto aproveitem os de média e baixa renda, que num futuro bem próxima, carne bovina será comida só de rico.

  29. Fernando Santos

    12/11/2014 at 14:13

    Bom dia Miguel
    Olha eu aí novamente dando um pitaco, faço isso porque tenho te acompanhado e aprendi à admira-lo em sua luta incansável em unir o setor e buscar as melhores ações e caminhos para todos.
    Se a questão sobre o frango te fez pensar, acredito que vou colocar mais lenha nessa fogueira.
    Sou um apaixonado pelo agronegócio e isso inclui tudo, tudo mesmo. Gosto da terra, gosto dos animais e quando digo os animais são “todos” do papagaio ao touro.
    Meu segmento é outro,estou no trade aeronáutico desde 1973 embora sempre tenha tido negócios paralelos, foi aí que me especializei, passando por praticamente todos os segmentos, capitaneado sempre pela atividade de piloto, lidei com manutenção,aeroagrícola, operação de táxi aéreo, aviação comercial, carga aérea e ultimamente com indústria aeronáutica, confeccionando partes e componentes para grandes indústrias do trade . Estive e viajei por muitos lugares no mundo, vi e vivi muitas coisas, posso dizer que sou um “aculturado” bem diversificado.
    Esse mercado é muito complexo, exige investimento altíssimo, especialização e treinamento constante. Dito isso, gostaria de comentar que a mesma aeronave fabricada em Seattle pela Boeing, voa da mesma maneira, com o mesmo desempenho, segurança e eficiência no mundo inteiro, com todas as diferenças culturais, clima, mercado, valor de combustível e toda uma sorte de métricas e variantes. Como todas as empresas buscam e tem como premissa o Lucro para continuarem existindo, some-se aí que, de alguma maneira, todas acabam concorrentes entre si disputando o mesmo mercado. Muito diferente do mercado pecuário?, sim, com um ingrediente que é a resposta rápida tanto na operação técnica como na comercial, por que uma decisão técnica errada põe a aeronave literalmente no chão e uma vez que, uma aeronave que decole com 1 passageiro ou 1 kg à menos de carga firmou aí uma perda irrecuperável. Decisões que não permitem um telefonema, muito menos a consulta a uma especialista. O tempo é: agora, já.
    Tudo isso acontece a custa de muito treinamento e um criterioso manual de operações e check list para tudo. Tem check list para, perda de potência, fogo no motor, travamento de comandos….resumindo não há uma situação que não foi estudada e exaustivamente treinada.
    Em um paralelo, o fim da linha para o pecuarista, o cliente final, não é a dona de casa, como para nós é o passageiro, e sim o frigorífico, aí termina o negócio do pecuarista passando o bastão para o frigorifico.
    Na avicultura como em alguns casos na suinicultura, existe uma integração muito forte com os frigoríficos, de parceria mesmo e isso faz diferença.
    Vejo ainda, de uma forma geral o pecuarista no Brasil muito isolado, fazendo negócios localmente e reduzindo seu desempenho ao que sua micro região lhe oferece. Quando muito tem um plus de alguns frigoríficos pelo acabamento de carcaça, etc.
    Vi, através do beef point uma palestra de um grupo pecuário propondo parcerias, ainda limitadas geograficamente e no estágio de criação, mas interessantes por se tratar de uma iniciativa, que, com os resultados e com o tempo, poderão progredir em formato e se espalhar pelo país.
    Vejo como uma necessidade uma aproximação mais forte ao cliente final, que é o frigorifico, uma participação maior através das diversas associações e organismos que já trabalham nessa direção mas tem ainda muitos paradigmas a serem vencidos. Por que não parcerias para a cria, recria e engorda?, onde o pecuarista faça tão somente sua parte dentro de sua especialização sem se preocupar com tantas outras coisas que podem ser consideradas “perfumarias”?.
    Para você que gosta de desafios, aí vai um:
    É possível usar exemplos, paralelos e experiências de segmentos tão diferentes na pecuária? “ou” Quem esta fora do jogo pode enxergar melhor as jogadas?
    Grande abraço e siga em frente
    Fernando

  30. José Ricardo Filho

    12/11/2014 at 14:53

    Miguel,
    Seus artigos sempre nos levam à reflexão e ao aprendizado. Realmente devemos refletir sobre os concorrentes e substitutos da proteína bovina. Devemos ficar atentos e analisar os cenários. Devemos ficar atentos na evolução das carnes de frango, porco e peixe no Brasil e no mundo, assim como na dos grãos, em especial do milho, que são a base da alimentação desses substitutos.
    Acredito que ainda há uma grande margem de crescimento no consumo de todo o tipo de proteína animal, tanto no Brasil, como no exterior. O que precisamos é melhorar nossa qualidade e eficiência na produção de proteína bovina.
    E temos campo pra isso.

  31. APARECIDO PIRES

    12/11/2014 at 15:57

    MIGUEL BOA TARDE, MUITO BOA ESTÁ COLOCAÇÃO, NÃO TINHA OBSERVADO ESSE TETALHE DE PRODUÇÃO QUE UMA GALINHA PRODUZ MAIS CARNE QUE UMA VACA, VC ESTÁ DE PARABÉNS PELAS SUAS MATÉRIA, PROCURO ACOMPANHAR SEMPRE, TE DESEJO UMA BOA SORTE.

  32. José Carlos de Moraes Filho

    12/11/2014 at 17:33

    Boa tarde! Acredito que temos muito a aprender com a avicultura e, por que não, a suinocultura no Brasil. A cadeia bovina está muito atrasada quando comparada à essas duas cadeias. Na minha opinião, o que acontece na avicultura e suinocultura é resultado de um alinhamento entre produtores e mercado consumidor (interno e externo), onde a indústria dita as regras de produção de acordo com aquilo que o mercado exige. Tudo é padronizado, com metas estabelecidas para atingir os resultados esperados. E essa evolução da cadeia, em todos os setores, advém disso. Na cadeia bovina não há esse alinhamento, a indústria não assumiu esse papel ainda, bem como, acredito que nem os pecuaristas estão dispostos aceitar. É uma longa discussão, mas é somente assim que vejo uma evolução para o setor, com a indústria ditando as regras de como produzir mais e melhor, de acordo com as exigências dos consumidores por eles perseguidos. Quem paga a conta, no final de tudo, é esse consumidor final.

  33. Pedro Gilberto Silva de Morais

    12/11/2014 at 18:29

    Enquanto alguns bovinocultores discutem a curva da orelha do animal, que nada vai alterar em peso/leite, os avicultores e suinocultores estão trabalhando para o melhoramento dos animais e buscam produtividade, acho que sua matéria mostra que precisa-se abandonar a perfumaria e trabalhar na no cerne do melhoramento, já que a gestação não há muita opção para se mexer.

  34. Domingos Batistella

    12/11/2014 at 18:52

    Miguel , não se assuste com as contas dos avicultores , 150×3=450kg. , porque são produtos muito diferentes , frango simples transformação rápida de ração/grãos em alimento tipo comodities e bovino como ruminante usina o capim em alimento diferenciado , ” carne de bovino deve ser considerada iguaria , ainda não é mas vai ser “. Att. Batistella / Mingo

  35. José Roberto Barbosa Braz

    12/11/2014 at 21:24

    Olá PESSOAL!
    POR ESTE ÂNGULO, REALMENTE A GALINHA PRODUZ ESTE TANTO DE CARNE, MAS PRECISAMOS VER PELO LADO DA RAÇÃO,POIS A GALINHA CONSOME CONCENTRADO QUE É ALIMENTO DE HUMANO, ENTÃO COMPETE COM A PRODUÇÃO DE ALIMENTO HUMANO, JÁ A VACA CONSOME FIBRA VEGETAL E A TRANSFORMA EM PROTEÍNA ANIMAL DE ALTO VALOR BIOLÓGICO, ENTÃO TEMOS O BOI DE FOTOSSÍNTESE QUE É A CARNE DE MENOR VALOR COMERCIAL DO MUNDO

  36. Guilheme Magalhães

    12/11/2014 at 21:32

    Parabéns pela reflexão que você nos trouxe.
    Primeiramente, o ciclo reprodutivo das aves é mais rápido quando comparado fisiologicamente ao dos bovinos, por isso o progresso genético das aves, suínos está tão avançado.
    Concordo plenamente, que as demais atividades do setor agropecuário estão de certa forma mais eficiente em produção e economicamente também, quando se analisa os dados dos sistemas produtivos de bovino, seja leite e\ou corte. Portanto, és um nicho de mercado para que nós profissionais técnicos que estão prestes á formar ou já formado, atue auxiliando o pecuarista, produtor, fazendeiro, agricultor a organizar sua atividade, alavancando principalmente a produtividade… para que se mantenha estável na atividade.
    1 @ de abraços

  37. Pedro Magalhães

    13/11/2014 at 23:33

    Assunto de extrema importância. Vejo muitas discussões sobre luxo genético que ao meu ver parece ter uma objetividade mas no final apresenta baixo ou quase nem uma adesão para quem produz. Genética é um assunto interessante mas não ultrapassa o planejamento bem conduzido.

  38. Adilson da Matta Andrade

    16/11/2014 at 23:02

    Caro Miguel, não me assusta o fato de uma galinha produzir mais carne que uma vaca, pois isto é conta que tem várias facetas, pois uma vaca pode produzir um bezerro mas pode também produzir uns 700kg de leite em pó a pasto, com mais a tonelada e meia de concentrado gastos para fazer os 450kg de frango. O que me impressiona na avicultura e também na suinocultura é o foco dos produtores, todos já sabem qual o potencial de cada raça e cada cruzamento e qual usar em cada microclima e relativo a cada mercado comprador.A pecuária bovina de corte e leite ainda fica trabalhando as vaidades das raças, discutindo nutrições empíricas e medicamentos milagrosos que acabam com parasitas em piscar de olhos e com direito a propaganda em TV.Esta falta de profissionalismo que leva consequentemente a desvalorização dos técnicos realmente me preocupa, pois a competitividade vai ficando cada vez pior.

  39. David Miranda das Neves

    17/11/2014 at 09:17

    Caro Miguel,bom dia!
    O tema discutido aqui é bastante interessante! Fiquei curioso sobre o custo de produção dos 450 kg de frango. É verdade quando você diz que a carne bovina é a preferida do mundo. Mas, sabemos que o gargalho da produção está nos custos e especialização do setor(todos os sentidos). Tenho a convicção de que o Brasil é único país com potencial de aumento da produção, principalmente de “boi verde”. Mas temos de concordar que o setor avícola também tem se tornado competitivo, apesar do ser mais altos e baixos do que a bovinocultura.
    Abraço!
    David Miranda das Neves
    União – Piauí.

  40. Eduardo Ramalho

    17/11/2014 at 10:48

    Quanto a duvida produtiva gostaria de ponderar o seguinte;

    Como voce próprio citou, uma grande parte do produtor de bovino nacional exerce a atividade pecuária como segunda opção, portanto não se profissionalizando e trazendo números de produtividade bem inferiores a países como EUA ,Nova Zelândia e outros.Acho que um primeiro passo seja o máximo de profissionalização do setor para trazermos números de produtividade melhores.

    Outro ponto que gostaria de destacar por conhecimento de causa, pois trabalho na industria frigorifica bovina , sou produtor bovino e também conheço e trabalhei na industria avícola , é uma vantagem competitiva em relação ao bovino muito importante , que ninguém tem coragem de abordar ou escondem esses dados , que é importante para a formação desse indice de produtividade . A questão da umidade não natural no produto, uma vez que muitas industrias frigorificas de aves conseguem zerar a perda de penas e víceras no abate de aves, adicionando artificialmente de 9% a numeros exorbitantes e ilegais de umidade ao produto final , autorizados pelo MAPA até esse numero minimo, salvo engano.
    Portanto sendo assim o consumidor tem pago um preço um pouco maior do que imagina na carne de aves, o que se torna uma desvantagem competitiva para a carne bovina.
    Ainda gostaria de ressaltar que pelo fato do habito de consumo da carne de aves ser em sua maioria em cortes congelados , esse fato favorece esse acréscimo de umidade desfavorável a carne bovina.
    Sendo assim pra concluir alem de termos baixos índices de produtividade pela falta de profissionalização do setor de pecuária bovina, ainda temos no meu ponto de vista uma concorrencia ilegal nesse sentido de umidade no produto, muito importante, que tem que ser colocado na contabilidade a favor das aves e contra os bovinos .
    Sendo assim eu tentaria dialogar com esse produtor de carne de ave tambem com esse argumento que penso , sem ele mudaria sensivelmente a realidade dessa diferença.

  41. Enaldo Carvalho

    19/11/2014 at 12:13

    Parabéns Miguel.
    Realmente é um tema muito importante para discussão. Vejo que a tendência será de contínua evolução em ambas as criações. Mas existem limitações que são impostas pela própria natureza, como período de gestação, época de reprodução, sistema digestivo e fonte de alimentos. Assim sendo, vejo de forma bastante salutar a preocupação de todos que estão envolvidos na cadeia produtiva da carne bovina em busca de eficiência e competitividade.
    Quero lembrar também que a pecuária de corte não é feita apenas com bovinos de corte. Temos um grande contigente de animais oriundos de rebanhos leiteiros (vacas de descarte e machos mestiços) que no abate são considerados todos como animais de corte. Daí a importância de um sistema sério de rastreabilidade e classificação para origem e qualidade.
    Obrigado,
    Enaldo Carvalho

  42. RENATA

    20/11/2014 at 11:36

    Miguel parabéns pelo artigo. Como zootecnista atuante no mercado de produção, também tenho essa preocupação. As raças evoluíram, porém, as análises e testes feitos, diga-se por sinal, bem conduzidos, se perdem quando paramos para pensar na viabilidade econômica. O que fazemos é pouco. Há propriedades trabalhando com cruzamento industrial, e sabemos que num mesmo espaço de tempo o cruzado ganha mais peso. Mas será que ele come mais ou menos para isso? Há alguma análise que confirma maior conversão alimentar? Só para isso não! Pois quando procuramos por trabalhos sobre o assunto, além da conversão analisaram dietas com composição diferente para lotes diferentes, e ai concluo que a análise foi sobre o alimento, e não sobre a conversão animal especificamente.
    Enfim, temos muito por fazer.

  43. Breno Vasconcellos

    21/11/2014 at 18:19

    Prezado Miguel,

    quero, antes de tudo, te cumprimentar pelo site e pelas reportagens.

    Sou professor de Melhoramento na PUC de Goiás e, há tempos, venho comentando com meus alunos sobre o estrago que os objetivos mal traçados podem fazer em um programa de melhoramento, e uso sempre o exemplo da cadeia produtiva do frango.
    Ví alguns defenderem as seleção dentro da raça, e concordo que grupos genéticos homogêneos são a base para os cruzamentos, mas enfatizo: seja para a seleção dentro de um grupo genético, ou para o cruzamento, devemos manter o foco nas características que realmente interessam para a cadeia produtiva. Todos ganham com isto.

    Obrigado.

    Breno Vasoncellos

  44. sillas

    26/12/2014 at 08:43

    Interessante este artigo.
    Creio que o produtor de frango leva vantagem na questão de estudo de genética até pela questão da celeridade do ciclo de produção do frango em relação ao do boi. Todavia o mercado de certa forma é diferente. Eu não visualizo um churrasco com carne de frango, além do mais para consumo diário a carne bovina não enjoa o consumidor. Tenta comer frango uma semana, e carne bovina uma semana.
    Por estas razões penso que a carne de frango é mais uma proteína suplementar que concorrente.
    Todavia ao produtor rural que quer diversificar sua produção, o frango é mais uma fonte de renda…

  45. elcione

    02/02/2015 at 11:38

    Caro Miguel,
    Você tocou no ponto certo: Foco e não discussões acessórias. Um discurso que falta no setor é sobre a métrica de produção líquida de carne/hectare. Seria uma mudança de paradigma, um tanto difícil até mesmo no meio acadêmico. Mas necessária.

  46. Marlos Oliveira Porto

    02/02/2015 at 12:05

    Bom dia, na produção de aves e acredito que tem os mesmos problemas que na bovinocultura. Criar galinha todo mundo cria e tem alguma em casa, na chácara, na fazenda. Agora produzir de forma intensiva são poucos na avicultura. Criar bovino todo mundo cria, tem na chácara, no sítio, na fazenda. Agora fazer um manejo de pasto adequado e suplementar estes animais o ano inteiro ou utilizar o confinamento são poucos. Precisamos modificar essa mentalidade na bovinocultura. O diferencial da avicultura é o ciclo curto de produção, e quantidade de animais que apenas um incubatório consegue produzir (Pintainhos de um dia). Precisamos ter regiões especializadas na Cria, produção de bezerros, onde o governo dê mais aporte finacneiro para os criadores.

  47. Marcelo Cerutti de Castro

    02/02/2015 at 13:28

    Boa tarde, Miguel!
    Este teu artigo aborda o profissionalismo, acima de tudo.
    Sou veterinário, formado pela UFSM em 1996, e trabalhei até 2012 na indústria avícola, apesar da minha família ser de pecuaristas aqui no centro do Rio Grande do Sul.
    Iniciei trabalhando em granjas de matrizes (galinhas reprodutoras de corte) e percorri as diversas áreas de atuação (incubatório, fábrica de rações, laboratório, abatedouro e controle de qualidade), dentro de duas empresas tradicionais aqui no Brasil e em outra na Argentina. Terminei a minha carreira na área avícola como gerente de sanidade de uma empresa mundial de genética de galinhas poedeiras aí na região de São José do Rio Preto.
    Sempre tive meu foco em retornar ao negócio da família e dar a mesma ênfase em produção animal que eu vivia na indústria avícola. Por isso jamais me afastei da pecuária de corte e a perseguição por conhecer outros sistemas de produção, outras realidades distintas do que se fazia no Rio Grande do Sul, entender, melhorar e adaptar o processo produtivo avícola à realidade da pecuária de corte. Posso te garantir que tudo o que vivenciei na avicultura foi uma escola maravilhosa e que lamentavelmente pouquíssimos pecuaristas imaginam que seja possível de se fazer na sua atividade. E sem sacrifício, apenas adaptando o que já temos.
    Quando decidi retornar ao Rio Grande do Sul na metade de 2012 não hesitei em trabalhar com a pecuária e dar seguimento aos negócios da família, mas redirecionei totalmente o foco para a ovinocultura de corte justamente para adotar o conceito de se trabalhar com rebanho e não com indivíduos, ademais de facilitar a adoção de várias das ferramentas que eu aplicava na indústria avícola e possuir um ciclo bem mais curto que o gado, sem falar que a OVELHA TAMBÉM PRODUZ MAIS CARNE QUE A VACA EM UMA MESMA ÁREA DE PASTO.
    Excelente teu artigo, continue sempre nos mostrando novos horizontes.
    Abraço

  48. Pingback: Pastos degradados e preços recordes do boi gordo – como pode? - Miguel da Rocha Cavalcanti

  49. António Luiz Gomes

    04/02/2015 at 10:07

    Excelentes artigo e comentários. Realmente faz pensar. Em fecundidade e crescimento relativo, a galinha é muito melhor. Ainda mais se pensarmos em kg de galinha produzidos por kg de galinha, vs. kg de vaca por kg de vaca. Mas a vaca não tem por que ficar com complexos em relação à galinha: a bactéria faz astronomicamente mais proteína do que a galinha. Se o intervalo entre gerações for 2 horas, ao fim de 24 horas a bactéria tem 2^12=4096 décimas primeiras netas. Se substituirmos bactérias por kg, 1 kg de bactérias produz mais de 4 toneladas (peso vivo bactéria gorda) por dia. Ao fim de um ano, quantas? Entre a galinha e as bactérias, ainda temos os insetos: a FAO publicou em 2013 uma coletânea de duzentas páginas sobre insetos comestíveis. Mas num mundo habitado por humanos a vaca faz sempre falta.

  50. Iuri Saraçol Da Conceição

    05/02/2015 at 11:03

    Bom dia a todos!
    Bah Miguel muito boa tua colocação, também penso que hoje em dia no é tão importante em perder tempo em procurar a raça perfeita e sim buscar meio de produção.
    Bastantes comentários agregando muitos valores
    abraço a todo

  51. Felipe Silva Mangueira

    18/02/2015 at 22:35

    Boa noite,
    Primeiramente gostaria de agradecer ao sr. Miguel Cavalcanti por estar sempre nos enviando emails sobre tudo que anda acontecendo na nossa área! O artigo é muito bom e essa é uma realidade que temos que aceitar: precisamos trabalhar diariamente no melhoramento genético dos nossos animais para podermos aproveitar bem aquilo que é muito invejado por muitos países e que nós temos de sobra- pasto!!!! É necessário que os nossos rebanhos estejam em níveis muitos melhores de produção e produtividade. Abraço a todos.

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