Quem planta tâmaras não colhe tâmaras

Por em 8 de outubro de 2014

Bom dia, como está andando sua semana? Produzindo muito?

Eu sigo minha viagem aqui pelo Texas, EUA, com um grupo de quase 50 pessoas do 5 Nations Beef Alliance, lideranças da pecuária dos EUA, Canadá, México, Austrália, Nova Zelândia, Paraguai e Brasil.

Estou aprendendo muito e também satisfeito em ver que as viagens técnicas do BeefPoint estão no mesmo nível de excelência dessa que estou participando agora – em algumas coisas, até melhor, na minha modesta opinião… :-)

Ontem visitamos um museu de pecuária, na cidade de Cuero. Aqui nos EUA, existem vários museus dedicados a pecuária.Idealizados, criados e mantidos por pessoas ligadas a pecuária de corte. Eu já fui em três diferentes e sempre a experiência é muito boa.

Aprendi algumas coisas muito importantes ontem, nessa visita ao museu. O aprendizado está mais em prestar atenção e refletir, do que efetivamente você viu ou ouviu. Ouvi ontem de um leitor do BeefPoint: você pode aprender com toda e qualquer pessoa que encontrar pela frente. Basta prestar atenção e não julgar.

O primeiro aprendizado, dito pelo idealizador e diretor do museu, é que os vaqueiros, as pessoas que trabalham com pecuária por toda a América são muito semelhantes. São parecidos no estilo de vida, nas crenças, nas atitudes. São trabalhadores, são confiantes, são independentes. Eu fui conversar com ele em seguida e disse: “fui criado usando arreios, esporas e botas diferentes dessas daqui do museu, mas me sinto em casa, pois a essência é a mesma”.

O segundo aprendizado é que a “História pertence a quem conta melhor a própria história”. É verdade, e muitas vezes reclamamos que a história da nossa pecuária não está sendo bem contada pela mídia, por outros grupos, mas nós mesmos não estamos contando bem nossa história. Podemos e precisamos ficar melhor nisso.

Esse aprendizado de contar melhor nossa história me levou a várias reflexões sobre nosso negócio pecuária de corte no Brasil. Estamos preocupados com a imagem do setor. Estamos preocupados com a nova geração de pecuaristas. Estamos preocupados com a nova geração de vaqueiros.

Me lembrei do texto recente sobre o que de melhor seu sindicato rural faz e poderia fazer. E me veio uma série de ideias… Uma série de ideias que esse sindicato rural que meu amigo é o novo presidente pode fazer…

Nós temos muito orgulho da nossa pecuária, não é mesmo?

Precisamos então, expressar mais esse orgulho. Contar mais nossos feitos, nossas façanhas (como dizem meus amigos gaúchos), precisamos celebrar mais nossas conquistas, nossas tradições, nossa cultura e nossa história. Por isso, eu quero que sempre tenha música caipira de alta qualidade em todos nossos eventos, como o BeefSummit Brasil, que vamos realizar em dezembro desse ano.

Além de contar e celebrar nossas façanhas, podemos, por exemplo:

– pensar em cursos para os atuais pecuaristas,
– pensar em cursos, eventos, reuniões e pontos de encontro para os filhos dos pecuaristas (nova geração)
– pensar em cursos e treinamentos para as esposas/maridos dos produtores (ótima sugestão que recebi por email)
– pensar em cursos para os vaqueiros das fazendas
– pensar em cursos, eventos e atividades para as mulheres dos vaqueiros
– pensar em cursos, eventos e atividades para os filhos dos vaqueiros, que muitas vezes moram na cidade (não estamos pensando na nova geração?)

Recebi um email ontem, de uma pessoa que gosta muito de pecuária, que vive e pulsa a pecuária todos os dias, mas que me pareceu um pouco desanimado com a questão de pessoas na pecuária. Me perguntava: O que vai ser da atual e futura geração de vaqueiros?

Ao ler seu email, me lembrei dessa frase e fui buscar na internet:

“O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos atrás, o segundo melhor momento é agora”, provérbio chinês.

Seria ótimo ter começado há 20 anos uma série de atividades, de treinamentos, de ações para valorizar o vaqueiro, para pensar nas novas gerações de vaqueiros. Se não plantamos essa árvore há 20 anos, o segundo melhor momento é agora…

Podemos fazer mais, agir mais, e reclamar menos, se colocar menos no papel de vítima (que não traz resultados), e se colocar mais no papel de protagonista.

Vamos plantar essa árvore hoje? :-)

Em tempo, soube de um amigo, que existem sindicatos rurais que realizam 250 treinamentos por ano (cerca de 5 por semana, ou um por dia útil)… Tudo isso com recursos do Senar. E que o grande desafio é reunir um número mínimo de 12 participantes em cada curso.

Quantos cursos por ano seu sindicato rural está organizando? De quantos você ou alguém da sua fazenda participaram? Quais temas de cursos você sugeriu/pediu para seu sindicato realizar em 2013 e 2014?

Um outro amigo me disse que uma tamareira demora uns 80 anos para produzir frutos. Ou seja, quem planta, geralmente não colhe… Eu pensei na hora, deve ser muito legal conhecer alguém que plantou uma tamareira… Deve ser uma medida boa de uma pessoa que quer o bem da sociedade, dos outros, das próximas gerações da sua família. Com certeza é uma pessoa otimista, positiva e que acredita no futuro.

Pecuária é de longo prazo… Em quase tudo que fazemos, o retorno demora bastante para aparecer…

Vamos pensar em como plantar nossa árvore hoje, mesmo que demore 20 anos para dar frutos?

Resolução de problemas, motivação e como fazer acontecer serão alguns dos temas do AgroTalento… :-)

Vamos juntos. Muito obrigado pela companhia nessa jornada. Um forte abraço, Miguel

PS: Preparamos um post com uma série de várias fotos da viagem técnica BeefPoint à Califórnia. Confira e deixe seu comentário. Em novembro, teremos uma viagem técnica só para aprender sobre carne de qualidade e marcas de carne.

Miguel Cavalcanti

BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
AgroTalento: desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

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