Produção realmente integrada de carne bovina

Por em 3 de outubro de 2014

Bom dia, como vai?

Ontem tivemos mais um dia excelente na nossa viagem técnica conhecendo o melhor da pecuária de corte da Califórnia.

Visitamos o maior confinamento do estado e um dos 10 maiores dos EUA, o Harris Ranch, com capacidade estática de 120.000 cabeças e engorda anual de 250.000 animais.

Eles têm um sistema integrado de produção, e operam um frigorífico próprio que abate exclusivamente animais do confinamento da empresa. O confinamento só envia animais para o frigorífico da empresa. Ou seja, são totalmente integrados.

O gerente geral da empresa nos contou alguns detalhes sobre como funcionam e como estão dedicados a qualidade e segurança.

Fazem algumas coisas diferentes de outros confinamentos e frigoríficos dos EUA, pois são 100% integrados com foco em qualidade superior.

São um dos únicos confinamentos dos EUA que lavam todos os caminhões de transporte de gado ao entrar e sair do confinamento. Eles têm um enorme “lavador de carros” onde lavam todos os caminhões que levam gado para abate e trazem animais de reposição. O motivo: fizeram pesquisas e descobriram que isso reduzia uma série de problemas sanitários e de segurança do alimento, como os problemas de E.Coli, que é muito sério aqui nos EUA.

Todo o gado é suplementado com vitamina E, pois é comprovado que a carne desses animais tem uma vida de prateleira (no açougue) mais longa. Ou seja, fica com uma ótima aparência (coloração) no varejo por mais tempo e com isso tem um valor mais alto para quem vende. Eles investem no confinamento para produzir uma carne que vai “durar” mais na ponta final da cadeia.

Outro ponto interessante e diferente é o uso de probióticos na alimentação. Um dos ganhos é o aumento da conversão alimentar, mas o principal motivo é que com isso, também reduzem os problemas com E.Coli no frigorífico.

É um caso único e muito interessante de se ver. Eles atuam de forma integrada com uma escala grande para apenas um confinamento. No entanto, na concorrência entre os frigoríficos, são muito pequenos. Aqui nos EUA, as 4 maiores empresas de frigoríficos representam 85% do abate nacional. E a participação da Harris Ranch no abate nacional é de apenas 0,7%. Por isso, não conseguem competir de igual para igual com os grandes frigoríficos.

A saída: serem diferentes. Escolheram uma corrida diferente, em que eles possam ganhar. São mais focados em qualidade, em segurança do alimento e atendimento ao cliente do que os grandes frigoríficos. Conseguem cobrar um preço mais alto do que os grandes frigoríficos pois entregam uma carne com mais consistência e também tem uma marca de carne forte, em especial na Califórnia.

Por último, um destaque para paixão e entusiasmo que o gerente do confinamento fala sobre a empresa e sobre o trabalho que ele desenvolve. Ele é literalmente apaixonado pelo que faz e isso ficava claro a medida que ele nos contava sobre o confinamento. Isso faz uma grande diferença em qualquer negócio.

Eu aprendi várias lições nessa visita, que foi com certeza uma das melhores da viagem:

– ser grande na produção de bovinos (250.000 animais/ano) ainda significa pouco quando se compara com os grandes frigoríficos.
– se você é menor, escolha uma “briga” de mercado que você pode vencer (diferenciação).
– qualidade de carne é algo bem complexo, com muitos fatores envolvidos, e é preciso olhar de forma mais ampla e integrada para que seja possível garantir a qualidade.
– uma equipe de profissionais comprometida com o negócio é essencial para o sucesso.

Ao escrever esse texto para você, me deparei com o texto do meu amigo Roberto Barcellos, afirmando que é preciso mais do que apenas raça para se garantir qualidade de carne. É preciso um sistema de produção integrado que possa garantir o produto final padronizado. Raça é uma das peças desse quebra-cabeça. Parece até que combinamos que ele escrevesse o texto no mesmo dia que eu visitava o Harris Ranch.

Te convido a ler o artigo dele:

Padronização: o segredo do sucesso dos programas de qualidade – por Roberto Barcellos

Essa semana, o grande assunto aqui no BeefPoint (no Brasil e na Califórnia) foi o preço da reposição. Veja os principais artigos e deixe seu comentário no site ou responda esse email:

O preço real do bezerro é o maior da série histórica do Cepea

O bezerro caro é o barato… E o barato é o caro… – Rodrigo Albuquerque

Quanto vale a mais um bezerro de alta qualidade genética?

Continuando a conversa sobre preço do bezerro – Miguel da Rocha Cavalcanti

Os 16 melhores de setembro – Miguel da Rocha Cavalcanti

Desejo a você e família um ótimo final de semana, com churrasco se possível. Eu vou fazer minha parte aqui nos EUA, comendo uma ótima carne todos os dias… :-)

Muito obrigado. Um grande abraço, Miguel

Miguel Cavalcanti

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