Pastos degradados e preços recordes do boi gordo – como pode?

Por em 3 de fevereiro de 2015

Bom dia, tudo bem?

Na semana passada, participei de uma discussão sobre como andam os investimentos na pecuária.

Um amigo comentava que tinha andado bastante de carro por uma região tradicional de pecuária, e visto muitas e muitas fazendas com pasto degradado. E ele se perguntava: “Se agora que os preços estão recordes, as pessoas não estão investindo, quando irão?”.

Esse é um debate interessante e que mostra que a pecuária ainda tem variações muito grande de profissionalismo, produtividade, investimento e visão de mundo.

Há quem está investindo, melhorando, aprimorando, aprendendo. E há quem está andando de lado, ou apenas reclamando. E o mercado é o mesmo para os dois. O que muda é o modelo mental.

Eu gosto de observar as conversas sobre pecuária.

Em algumas rodas, o tema é produtividade, eficiência, melhorias no sistema de produção da fazenda. Também falam sobre estratégia de comercialização e sobre como usar o mercado futuro e outras ferramentas de proteção de preços.

Em outras rodas, o tema geralmente é preço do boi e quantidade de chuvas. Esses dois assuntos são incontroláveis, você não consegue influenciar. Ou seja, está fora do seu alcance. Mesmo sobre esses dois temas, você pode perceber dois perfis de conversa.

Na primeira, se fala sobre maneiras de adaptar ao cenário atual de preços ou de chuva. Na segunda, é mais uma contemplação, e as vezes, uma lamentação…

Te convido a observar a próxima conversa sobre pecuária que você participar. Preste atenção se estão falando sobre o que se pode fazer, e como fazer, ou se estão apenas contemplando e até reclamando de fatores incontroláveis…

Muito obrigado pela companhia. Um grande abraço, Miguel

PS: Recebi alguns emails comentando novamente meu artigo com a “infame” comparação vaca X galinha. Lembro aqui uma parte da minha conclusão:

Mas fica aqui nosso dever de casa, de focar no que realmente importa, em medidas que realmente tragam resultados econômicos. E que possamos gastar menos tempo discutindo qual a melhor raça, e mais tempo trabalhando para tornar a pecuária mais competitiva, e mais eficiente em relação a outras proteínas de origem animal. Esses são nossos reais concorrentes.

Uma galinha pode produzir mais carne que uma vaca? – Miguel da Rocha Cavalcanti

Miguel Cavalcanti
BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
AgroTalento: Desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

36 Comments

  1. Salvador Andrade de Magalhães

    03/02/2015 at 07:41

    Na minha região houve muita reforma de pastagem. A maioria dos produtores foi obrigada, em razão da falta de chuvas, a abrir os pastos reformados, mesmo antes de se soltarem as sementes. A imagem que fica é a de degradação.

  2. Luciana

    03/02/2015 at 08:12

    Bom dia Miguel! Estamos praticamente(vai ficar um pouco) saindo da pecuária e iniciando a agricultura.Os pastos degradados e sem investimento, apenas cuidando da sanidade e da raça e na agricultura como você sabe o investimento é enorme.A minha resposta para essa enorme diferença de investimentos é o resultado, na pecuária a arroba quando sobe um pouco não se mantém por muito tempo e mal cobre os custos, já a soja, por mais baixa que estiver, o resultado está dentro do esperado, conseguindo pagar os custos. A anos não conseguimos fazer reforma de pastos na nossa propriedade.

  3. Jackson Martins

    03/02/2015 at 08:42

    Bom dia Miguel,

    Ótimo texto.

    Att,

  4. Rui gutierrez Almeida

    03/02/2015 at 08:54

    Bom dia , estou no Mato Grosso em Rondonópolis , aqui também temos estas variáveis , em algumas rodas de amigos ou grupos alguns poucos falam sobre como melhorar , investir e produzir com mais eficiência na pecuária de corte e muitos outros estão preocupados com o clima , preços atuais se vão se manter e se vão investir na propriedade ou não , na realidade são visoes e focos diferentes , alguns só pensam em tirar da propriedade usando – a como da e outros investem como empresa , geralmente os que te lavoura integrada à pecuaria , enfim os investimentos são lentos a produtividade baixa e o profissionalismo está longe principalmente com os que investem em outros negócios . Abs

  5. homero de assumpcao fernandes silva

    03/02/2015 at 09:09

    Miguel; ai esta a importancia de termos uma transformacao de mente; da maneira de pensarmos; procurando a melhorarmos onde temos condicoes de termos resultado.
    Parabens; mudanca de mente; ja.

    Abraco

  6. Gerardo

    03/02/2015 at 09:20

    Oi Miguel, para comecar (nao tenho cedilha neste pc) vou te dizer que escrevo desde o Uruguai, e segundo vamos comprobar se voce lee todas os emails hehehe.
    Faz tempo que lei teus emails, mesmo tipo por novembro em uma reuniao com uma pesquisadora de renome de meu pais, a gente estaba junto para comecar a trocar ideias sobre un projeto de Pecuaria Sustentável que pretendo desenvolver, e nos olhamos tu primer video sobre o AgroTalento……eu tratava de imaginar tua ideia e teu caminho na formacao de pessoas en nosso pais, e te falo q veia longe nossa gente inserido na tua idea…..aqui tem muito produtor com modelos de criacao de gado anos 50, com pouca mente empresarial, eu chamo eles nao de empresarios se nao de “gente que tem terra, e joga bichos adentro” mais o menos esa seria a traducao. É claro q tambem tem dos outros q investem até demais. Nosso pais agora está climaticamente en un mommento muito bom, está chovendo a cada 2 semanas, faz 3 años que estamos com esse “viento de cola”, entao a primeira pergunta que tu faz é a siguiente: todo produtor ta com boa pastagem no campo, né?” pois NAO….basta voce pegar a estrada e ver campo nativo (70% do nossos campos é nativo) quase rapado.
    Comparto plenamente contigo essas conversas de que voce fala no email, aqui eu acho que so basta baixar 2 centavos o dolar, e tem muita gente chorando haha…..mais alem disso, a conversa é sempre igual, voce dificilmente escuta conversas para melhorar, para innovar, o trocar de rumbo como meta no comeco do ano…..continuamos fazendo a mesmas coisa e sempre nos queixamos.
    Mando un abrazo para ti, gosto do que voce faz e como diz uma musica “vamo pra frente que tudo é forte e nada é meu”

  7. Mauro Driessen da Rocha

    03/02/2015 at 09:30

    Bom dia á todos !
    Fácil falar em super produção de grãos pois nossos agricultores cuidam e tratam como seu bem mais precioso o que lhes dá o maior retorno, ou seja, a TERRA !
    O que nós pecuarista cuidamos e tratamos como nosso bem mais precioso?
    O BOI.
    Mas esquecemos que na verdade o bem mais precioso continua sendo a TERRA pois sem ela nunca nos equipararemos aos índices produtivos da Agricultura e olha que geneticamente falando não devemos nada a ninguém, EUA, Austrália, Uruguai, Argentina…
    Lembrem-se:
    Genética e resultados entram pela boca.

  8. Acélio Fontoura Júnior

    03/02/2015 at 09:35

    Perfeito Miguel,

    A uma semana atrás terminei uma palestra com duas fotos, uma com pecuária no Canadá, com animais na neve, e outra com pecuária no nordeste brasileiro, com baixíssima precipitação e sem nada de pasto, só a tradicional caatinga. A essas fotos sobrepus uma outra da pecuária no pampa gaúcho e deixei a pergunta: Será que temos que reclamar da geada e da seca?

    Um abraço

  9. antonio valdir ubeda lamera

    03/02/2015 at 09:38

    Miguel,
    Sou leitor assíduo de sua coluna diária, o que tem contribuído muito para melhorar os meus conhecimentos, pois estou na atividade há menos de 4 anos.
    A sua observação foi perfeita; tenho constatado exatamente isso (pastagens degradadas e gado magro na época das chuvas).
    Comecei no negócio agora (menos de 4 anos), mas a minha preocupação foi no início a de piquetear, diminuir a distância dos bebedouros, formar talhões de cana/napie, plantar pedaço de milho e de reformar as pastagens. Por questão de altos custos, a decisão foi a de reformar 4 piquetes por ano e, com isso, penso em melhorar a quantidade de gado de engorda no nível desejado. Na estiagem uso a cana/napiê e milho e coloco nos coxos.
    Ou seja, o pecuarista precisa olhar para frente, enxergar a floresta e não a árvore, deixar de lamentar e procurar melhorar a sua produtividade.
    A pecuária será o que fizermos dela.
    Abraço e parabéns pelo seu trabalho.
    Antonio Valdir Ubeda Lamera

  10. Filipe

    03/02/2015 at 09:48

    Olá Miguel,

    Os dois modelos mentais exemplificados para a pecuária, que você coloca neste artigo, serve para todo nosso comportamento na vida. Quanto mais próximos do modelo mental Propositivo e mais distante do Negativo, melhor será no vivência sob todos os aspectos.

    Abraços.

  11. José Vanderlei Gonçalves

    03/02/2015 at 10:36

    Miguel, muito interessante as conversas nas rodas, mas o pecuarista tem que aprimorar, investir, ou melhor deixar as lamentações de lado e por a mão na massa, procurar aumentar a produtividade com as melhorias nos sistemas de produção.

  12. mylene

    03/02/2015 at 10:37

    Prezado,
    Fiz investimentos de recuperação de áreas degradadas e formação de pasto. perdi boa parte do valor pela ausência de chuva. Minha propriedade fica no sul do Mato Grosso do Sul. Alguma sugestão?
    Grata

  13. Edilson Abrão

    03/02/2015 at 10:41

    Olá Miguel, trabalho com assistência técnica e venda de herbicidas e demais defensivos químicos específicos para pastagens, mas já estou migrando fortemente para o segmento agrícola, pois este segmento no Mato Grosso vem crescendo verticalmente principalmente em áreas de pastagens degradadas. Você deve ter mais informações catalogadas do eu. Mas posso apontar sem medo errar que mais de 1.500.000ha de pastagens no MT migraram para lavoura sem a minima chance de retorno.
    Afirmo que 70% desta áreas foram vendidas para grupos ou agricultores capitalizados após alguns anos de preços confortáveis dos grãos, e outros 30% estimo que foram arrendadas.E no caso do arrendamento o conforto de receber um recurso anual sem problemas principalmente em áreas acima de 1000ha desestimula o pecuarista a voltar a atividade.
    Outro motivo são as linhas de crédito voltadas ao setor agrícola, sem apontar a falta de conhecimento do pecuarista tradicional para implantar definitivamente um programa de recuperação de pastagens em sua propriedade, e não podemos crucifica-lo por isto.
    A falta de técnicos especializados no setor, e a política mal direcionada por parte do governo em todos os níveis deixaram o pecuarista em desvantagem com o setor agrícola.
    Ai então o “Grande PORCO brada” é preciso fazer o sistema de integração Lavoura X Pecuária. Ai aponto sem medo de erra o agriculto entra neste sistema facilmente mas o pecuarista tradicional quebra. Os motivos seriam a falta de uma assistência competente, e o volume de investimentos em máquinas e estrutura operacional colocariam em cheque este sistema.
    Concluindo, as pastagens degradadas vão avançando mesmo com o bom momento do produto boi.

  14. João Ricardo

    03/02/2015 at 11:00

    Ainda bem que têm os reclamõnao se não a arroba estaria uns R$ 90,00

  15. Carlos Afonso Franco

    03/02/2015 at 11:09

    Prezado Miguel:
    A degradação observada,é o retrato de como nós brasileiros,tratamos essa terra brasileira.Assistindo Globo Rural,não raro,passa reportagem sobre a desumanidade com que tratamos a natureza.É destruição por todo lado.São rios,ecossistemas,mananciais,assoreamentos,etc.etc.Mantivemos a mentalidade colonial extrativista herdada dos pioneiros.Tudo abundava tanto,que parecia que quanto mais tirava,mais tinha.Veja o ocaso da água desde S.Paulo até o Nordeste.Veja a morte do rio S.Francisco e tantos outros.Nosso produtor não tem a menor ideia sobre conservação do solo,exceto meritosas exceções.Aqui no RS 90%da lavoura de soja é feita por descendentes italianos,que ainda tem em seu cérebro,a mensagem do navio que os trouxe:”Fazer a América”.Então estão envenenando tudo.Tudo perde sua identidade.Se não fosse o abençoado plantio direto,estaríamos no fundo do poço mais rapidamente.
    Sds.
    Franco.

  16. luiz fernando Torres

    03/02/2015 at 11:13

    Ha duas categorias de produtor:
    1- Que espera as coisas acontecerem, pra ver o que vai fazer….
    2- E, o que faz acontecer pra pra continuar fazendo….
    Com o advento da tecnologia, e o nivel de exigencia do consumidor, o mercado da carne passou a ser exigido na mesma proporcao que as coisas aconteceram, sendo assim, quem nao se profissionalizar, e continuar esperando que as coisas acontecam a seu favor, como ha muito tempo atras, perdera espaco nesse mundo cada vez mais competitivo.

  17. Sibele Tomazela

    03/02/2015 at 11:40

    Basicamente no mundo ocidental existem esses dois tipos de pessoas. No cenario do agronegocio e mais especificamente, no mercado do boi, nao seria diferente. Mas é bom voce alertar pra isso. Porque, sou pequena produtora, troquei a venda de boi gordo pra venda de bezerros, tenho feito melhorias na pastagem, no manejo e na genetica, mas como quase todos os que me cercam sao “viciados” em “reclamar”, tem dias que me pego tambem lamentando as poucas chuvas…Por isso, que como voce ja disse num dos seus textos, cerquemo-nos de pessoas com mais energia e visão do que nós. Assim, o espaço pra reclamar fica exiguo. Abs.

  18. Mauroni Alves cangussu

    03/02/2015 at 11:52

    Neste tema de maior importância para a pecuária nacional eu tenho uma visão muito clara do atual momento, ocorre uma mudança de comportamento do pecuarista, que necessariamente tem de deixar de ser extrator (tradicional) ou fazendeiro e passar a ser empresário Rural.
    Aí entra as ferramentas que está faltando ao produtor rural: a-conhecimento da realidade da degradação.
    B-pesquisa regionalizada para definição de tecnologias.
    C-recilagem dos técnicos extensionistas.
    D-conscientização aos produtores rurais da gravidade do problema.
    E- gestão em todas as fases do negócio .
    Para finalizar é necessário a transformação do produtor rural em empresário rural.

  19. Gustavo D Bernardes

    03/02/2015 at 14:31

    Boa tarde Miguel. Observou bem que existem dois grupos distintos de pecuaristas. Na adversidade, seja no clima (seca) ou no mercado (oferta x procura) praticamente não temos poder algum. Um grupo lamenta e no prejuízo culpa a adversidade. O outro grupo procura melhorar a eficiência (manejo, nutrição e genética) para minimizar prejuízos. Na procura da eficiência e especialização (lucro) é que se conseguiu sustentar de comida sete bilhões de pessoas. O mundo sem caminha pra frente e não de lado! Abraços.

  20. Rogério Rodrigues de Lima

    03/02/2015 at 16:16

    Boa tarde Miguel! Realmente muito oportuna esta discussão levantada. É estarrecedor ver ainda no país o predomínio de uma pecuária ainda nos moldes extrativistas como existia há décadas atrás… O mundo evoluiu, todas atividades econômicas também evoluíram, e não por falta de informação ou conhecimento, esta evolução teima em não ocorrer em nossa atividade. Veja nosso exemplo, como referência. De todos nossos vizinhos de fazenda que eram originais da época q adquirimos a atual propriedade há 23 anos atrás, remanesce nenhum deles com suas propriedades. Todas trocaram de mão por 1 ou mais vezes. E dentre os atuais proprietários me parece q apenas um, além da gente, está na busca de uma evolução como atividade empresarial como qq outra. Os demais vemos seus pastos se degradando, seu rebanho muitas vezes diminuindo e não conseguem atinar para o fato q ali na sua vizinhança de cerca tem um molde de pecuária sustentável, que gere renda/rentabilidade em níveis compatíveis com o investimento aplicado. Me parece que aqueles que não se profissionalizam, e procuram conduzir a propriedade de forma eficaz na maior amplitude desta palavra, estão fadados a dois caminhos, sendo o primeiro de serem alijados do processo como já vemos ocorrendo há tempos, ou estagnação total em casos de produtores com outra atividade econômica extra fazenda. Por fim, finalizo o comentário acrescentando q nós como técnicos, produtores, enfim, profissionais da área temos que buscar cada vez mais difundir esta visão empresarial da atividade, não simplesmente adotando tecnologias e processos produtivos por modismo ou mesmo pq viram outros fazendo, mas principalmente por planejamento, retorno sobre investimento adicional, incremento da rentabilidade geral do negócio q são as molas propulsoras para perpetuação do negócio de maneira rentável atraves de décadas pela família detentora do empreendimento.
    Forte abraço e bom trabalho a todos.
    Rogério Rodrigues de Lima

  21. Emilio Almeida

    03/02/2015 at 16:39

    Concordo com vc que na maioria das vezes a lamentação é a melhor forma para se justificar a baixa produtividade. E quando o regime de chuvas seguia sua curva normal? Ai o problema era o frigorifico, preço… Enfim, mais fácil lamentar do que trabalhar.
    Em relação aos investimentos, vejo um outro grande problema. O pecuarista fica um bom tempo sem investir e quando o fluxo de caixa melhora não se consegue eleger de forma clara e realmente funcional os níveis de prioridade.
    Se coloca grana boa em lugares onde o retorno é inferior. Prego a política do retorno. Temos que atacar o que primeiro ira nos trazer benefício. O que já esta ruim, já esta.
    Nao podemos deixar o que esta produzindo chegar a mesma situação. E este caso é clássico no conceito de reforma de pastagens. Atacamos as áreas degradas e deixamos de lado as que estão em razoável nível produtivo. Ai, quando “resolvemos” de forma superficial o que esta degradado, as demais áreas chegam ao mesmo nível.
    É o cachorro correndo atrás do rabo. Até quando?
    Abs.
    Emilio Almeida

  22. jaifmelo@hotmail.com

    03/02/2015 at 16:52

    Boa tarde.
    Gostaria de parabenizar pela dedicação ao tema da pecuária.E como é gratificante lê seus artigos.
    Sou baiano e nossas pastagens estão degradadas como a maior parte do Brasil. O grande problema da pecuária aqui , é que, normalmente ela é a segunda atividade econômica
    sendo a primeira (Medicina, advocacia a engenharia etc.)Com isso o proprietário fazendeiro normalmente não encara o negocio como se deve ser. Achando qualquer investimento em adubo , calagem seja um gasto e não investimento.Digo mais , normalmente a maioria dos fazendeiros só leva pra fazenda utensílios como móveis e eletrodomésticos usados que normalmente não “prestam ” para casa de praia ou apartamento. Ficou velho
    a mulher fala : leva pra fazenda.
    Sendo assim , como pessoas com essa mentalidade vão investir de maneira planejada para fazer uma pecuária do futuro . É melhor fala do clima.

  23. Marcio de Castro Porto

    03/02/2015 at 16:56

    Boa tarde Miguel , vc tem razão , as coisas que dependem de nós , como a melhoria dos pastos , estamos nos esquecendo de fazer , só quando eles acabam , então vamos parar de reclamar , melhorar as pastagens , a qualidade do gado , aumentar quantidade por ha e quem sabe não haverá tempo para reclamar , rsrsrs….seria bom ….

  24. Bruno

    03/02/2015 at 17:10

    Olá Miguel,

    Minha observação é que a pecuária vem recebendo constantes e sistemáticos investimentos, essencialmente nos últimos 6 a 8 anos.
    Após a estabilidade da moeda em 1.994, houve um tempo de ajustes para entendimento por parte do produtor e mercado, para onde o negócio dele iria, já que os tempos de inflação e “ganhar na pecuária com a desvalorização da moeda” tinha passado… A partir dos anos 2.000 mais ou menos, esse processo ganhou força com novos patamares de preços da @ e advento crescente da exportação de nossa carne, mas tomou um grande baque com a desaventurada febre aftosa em 2005 no município de Eldourado no MS!
    Anos difíceis se sucederam e a partir de 2009… 2010 a pecuária retomou seu caminho e com mais foco e profissionalismo entendeu que para ganhar dinheiro precisa aumentar rentabilidade por ha, como é qualquer atividade agrícola… E é isso que vejo ocorrer cada vez mais, pelo menos na região que conheço um pouco que é o Mato Grosso do Sul. Adequação ambiental, gestão de pessoas com menos paternalismo, plano de investimentos estruturais, relacionamento mais profissional com frigoríficos, busca de tecnologias consagradas como: ILP, suplementação estratégica, confinamento convencional ou a pasto, IATF entre outras… Tudo com controladoria ativa, informações sistematizadas e tomadas de decisão sem paixão. Já vinham ocorrendo com boi de R$100,00 / @ e continuará ocorrendo com boi de R$ 140,00. Pecuária não dá para empolgar e desanimar ano a ano… É médio – longo prazo então quem traça cenário positivo e age com segurança e profissionalismo.. Acredita e Vai…!
    Agora, existe uma parcela de donos do capital terra para pecuária, que se manterão da mesma forma, independente do momento… É uma questão de perfil do dono, de objetivos que possui com o imobilizado na pecuária e realmente não vai mudar… A não ser quando resolver vender ou for “forçado” a vender e esse novo dono visualizar a atividade como grande negócio empresarial.

    Preço do boi gordo e regime de chuvas são pontos de grande impacto no resultado do negócio… É claro… e devem ser estudados (histórico e tendências) para traçar cenários, mas não podem ser explicações isoladas para o sucesso ou fracasso da atividade. Fazenda não pode ser como um campeonato de futebol para aturamos como “torcedor” ou “comentarista”.

    É assim que observo as coisas caminharem por onde ando Miguel…

    Sempre antenado no Beefpoint, despeço-me desejando sucesso e felicidades.

    Abraço!

  25. Danielle

    04/02/2015 at 10:54

    Miguel,
    Já o Acompanho a algum tempo, e só tenho a agradecer todos seus email”s. Nosso segmento precisava de pessoas pró ativas, inteligentes e dedicadas!
    Quanto a mentalidade de só retirar da terra, não investir no pasto acho que caberia um ditado: como vc quer um resultado diferente se sempre faz da mesma forma.
    #ficaadica#.

    Abraço

  26. Martinho Mello de Oliveira

    04/02/2015 at 11:13

    Se todo ano acontecem as mesmas situações, nada mais natural que focarmos mais ainda no sentido de enfrenta-las. Assim estaremos mais preparados para almejar patamares mais elevados de produtividade.

  27. Silvio Moura

    04/02/2015 at 12:10

    Bem interessante a questão, aprendemos um padrão de comportamento, a lamentação, e vamos seguindo como se fosse normal. Nessa época, estamos sorrindo, em outra, apenas lamentamos.

  28. Fábio Romeiro

    04/02/2015 at 17:08

    Boa tarde!
    Miguel, tenho 45 anos e somente 3 anos atrás virei pecuarista.
    Nas rodas de conversa com outros pecuaristas considerados mais arraigados, fica claro que a discussão é de quem sabe mais e que os novos conceitos que tento absorver com cursos, palestras e outros conhecimentos gerados fora do conhecimento comum são, no mínimo, conversas fantasiosas.
    O pouco que já aprendi estou aplicando e gostando do resultado. Principalmente quando comparo com modelos que são baseados apenas no censo comum.
    Abraço

    • Janete Zerwes

      07/02/2015 at 20:27

      Caro Miguel,
      Uma vida inteira dependente da agricultura, e há 30 anos na pecuária aqui no Mato Grosso, sem contar alguns anos na pecuária em Pelotas, no Rio Grande do Sul, desenvolvendo experimentos relativos a desmame precoce e sistemas diferenciados de pastoreio, destinados à implantação em propriedades de pecuária extensiva, primeiramente no norte de Minas Gerais e a posteriori aqui no Mato Grosso. Sempre busquei conciliar a ciência com a prática e a dinâmica de campo.

      Por experiência própria, posso afirmar que a questão da degradação das pastagens, tem menos a ver com perdas de fertilidade de solos (e demandas de investimentos pesados em adubações, reformas e aberturas de novas áreas), ou estresses hídricos periódicos. A degradação de pastagens tem mais a ver com erros de manejo decorrentes do desconhecimento a respeito da fisiologia do capim, somados a dificuldade de um planejamento efetivo do uso das pastagens.

      As discussões sobre a pecuária tem sempre como foco índices consolidados relativos às diversas fases de produção, cria, recria, engorda, confinamentos e por aí vai. Custos de insumos e preços de venda. Tudo isso, sem contar as questões climáticas, que estão fora de nosso controle, mas que obedecem a um padrão relativamente previsível e que fazem parte das condições previstas para aquisição de terras de agricultura e pecuária.

      O que devemos questionar é a eficiência gerencial de nossas propriedades. Será que somos realmente eficientes no aspecto gerencial? Conseguimos avaliar criteriosamente e com precisão numérica e técnica, se estamos realmente garantindo a melhor renda para nossos investimentos? Será que temos noção das perdas agronômicas relativas ao potencial de produção de nossas pastagens, ou das perdas genéticas determinadas pela baixa qualidade alimentar que impomos ao nosso gado?

      O planejamento do uso das pastagens impõe um controle efetivo sobre o rebanho, suas categorias e necessidades alimentares. Vale ressaltar que todos os animais tem necessidade de alimentação de boa digestibilidade e bom balanceamento proteico e/ou energético, e essa qualidade alimentar é definida pelo momento correto do corte das forrageiras. O que difere é o volume consumido por cada categoria, de acordo com o peso e a fase de desenvolvimento.

      Posso afirmar baseada na experiência de recuperação de uma propriedade com pastos degradados, com restrição de aporte financeiro, que o manejo correto dos animais e dos pastos; que a informatização do sistema e a possibilidade de elaborar um bom planejamento, conjuntamente com uma equipe de campo motivada, garantem melhoria da capacidade de suporte das pastagens, da produtividade animal e consequentemente da renda do projeto.

      Afirmo principalmente que a busca incessante do conhecimento é dever de um bom produtor rural, cabe a nós proprietários rurais a liderança maior de nossas empresas.

      Abraço,
      Janete Zerwes

    • Janete Zerwes

      07/02/2015 at 20:35

      Fábio Romero, vc esta no caminho certo. É de produtores como você que depende a eficiência da nossa pecuária.
      Conheço bem a resistência sobre novos conhecimentos no nosso meio. Já fui muito questionada nesse meio, principalmente pelo fato de ser mulher.
      O que me motiva, é o reconhecimento in loco, de parte de vizinhos de propriedade e de pessoas que entendem a fundo da economia de produção e da importância de métodos científicos.
      Sucesso!
      Abraço,
      Janete Zerwes

  29. Sidnei Martini Junior

    05/02/2015 at 10:47

    Bom dia!
    Miguel, tenho 33 anos e há cinco anos administro uma pequena propriedade familiar. Busco conhecimento e atualizações em cursos, palestras e internet, e já cheguei a seguinte conclusão. Não adianta lamentar (estiagem, oscilações de mercado, altos custos de produção, endividamento, etc). Acredito que o sucesso de qualquer negócio está no planejamento de crescimento futuro bem como na eficiência da administração no presente. Abraço.

  30. Maria Emilia Coimbra

    05/02/2015 at 14:38

    Olá Miguel
    Sempre escuto pecuaristas, ou pessoas ligadas ao ramo , comentando felizes o valor da arroba. A primeira pergunta, deveria ser quanto custa produzir uma @. Acho oportuno que se lance um curso sobre este tema, pois ao meu ver os insumos, o diesel , peças de reposição de maquinário, frete, salario mínimo, seguem firme aumentando, mas será que o valor da @ está acompanhando? Na hora da venda dos animais, cobre os custos? Outro dia, um funcionário meu comentou que logo , logo, tudo vai virar cana, ou soja, será?
    Att. Maria Emilia

  31. Marcos José Silva

    06/02/2015 at 10:43

    O problema dos brasileiros é que somos muitos atrasados do restante do mundo e só ficamos ponhando a culpa no governo em ver de nos culpar por nosso erros. Sera que alguém faz um planejamento antes de investir, procura traçar metas de produção, procura ter um total conhecimento de tudo que esta fazendo ou seja passar tudo no papel ou num computador será que alguém sabe realmente o que essa ferramenta pode fazer.
    Fica aqui a minha questão! E desafio alguém que me prove o contrario.
    Obs: Um grande abraso a todos que procuram inovar sempre, Marcos José Silva…

  32. luiz roberto zillo

    09/02/2015 at 15:42

    Boa tarde a todos. Outro tema que o Miguel trás a tona que divide opiniões e polemiza.
    Sabemos que o pecuarista reclama muito, vive insatisfeito, anda desmotivado, mas não cria rotinas de trabalho e costumes em anotar e fazer contas. Então o mais fácil é reclamar. Quantas vezes ouvimos dizer que os agricultores levam a sério a atividade, se instruem, melhorar e procuram ações de melhoria em seus negócios. Quantas vezes ouvimos que o pecuarista tem que cuidar das pastagens como se fosse uma agricultura e assim por diante.
    Quantas pessoas enchem auditórios para participar de simpósios, workshops, palestras, etc, dom meio pecuário, levam pra casa anotações compêndios, periódicos, livros e o comprovante de participação com o crachá e na hora de por em prática o que aprendeu fica mais desconfiado do que nunca. e pensa SERÀ?????.
    Portanto é um problema crônico de difícil assimilação por parte dos envolvidos.
    Um exemplo interessante quando tinha o Encontro de Confinamento Scot-Coan iam 400 pessoas, hoje separados levam 400 cada um deles, e será que estas tantas pessoas que aumentam a cada dia não conseguem por em prática o que aprendem?? porque estamos com esse numero de hectares de pastos degradados ainda ? O que falta pra nós pecuaristas pra melhorar as propriedades, suas atividades?
    Abs,
    Beto Zillo

  33. Roberto Risolia

    13/02/2015 at 08:30

    Muito boa reflexão Miguel. E vale sim aprofundarmos essa discussão. As pastagens são a base da produção, o pecuarista tem várias ferramentas e pessoas interessadas em apoiá-los. Nós técnicos podemos ajudar é no convencimento real da adoção tecnológia, com números e dados convincentes, reais.
    A pecuária merece isso e obrigado por provocar

    • Miguel da Rocha Cavalcanti

      13/02/2015 at 21:17

      Olá Roberto, muito obrigado pela participação.
      Abraços, Miguel

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