Para morrer basta estar vivo

Por em 10 de julho de 2014

Na estrada, na sexta-feira passada, passei por uma situação que me fez repensar a vida.

Estava na Rodovia Dom Pedro, perto de Atibaia, indo para o Rio de Janeiro visitar minha família, quando de repente um pedaço de pneu de caminhão “aparece” no meu para-brisa. O carro da frente, que não deve ter visto o pneu na estrada, passou por cima dele e com isso o pneu “voou” em nossa direção e atingiu o vidro da frente, que se quebrou, além de causar alguns amassados na frente e lateral esquerda do carro. Foi um grande susto. Segurei a direção, freei e mantive o controle da situação,

Tinha viajado pouco mais de 150 km de uma viagem total de quase 600 km, eram 3 da tarde. A melhor opção foi voltar para Piracicaba. Chegamos a tempo de assistir ao jogo do Brasil, todos sãos e salvos. Este episódio me fez pensar sobre a vida.

Um segundo antes do acidente, eu estava tranquilo dentro do carro, com minha mulher e meus dois filhos. Tudo numa boa. Andava na velocidade certa, prestando atenção na estrada, duas mãos no volante, celular ligado como GPS preso em posição adequada. Estava descansado e era cedo. Ou seja, tudo indicava uma viagem tranquila, com pista dupla durante todo o percurso. Um segundo depois, eu estava assustado e com uma sensação de que por pouco não tínhamos passado por um acidente sério.

Lembrei-me desta frase que é o título desse texto. E não podemos fazer nada em relação a isto. Há um risco inerente em viver. Não estou falando de fazer loucuras como se não houvesse amanhã, viver de forma irresponsável. Estou falando do risco essencial de viver. Quem diria que pegar uma estrada numa sexta à tarde seria um risco, com tudo sob controle, como estava?

Minha conclusão: reforcei minha crença de que desejo, cada dia que passa, viver uma vida de que eu possa me orgulhar ao final dela. Que a vida tenha valido a pena, mesmo que seja curta. Até porque já disse o poeta: “A vida é muito curta para ser pequena”.

Outo fato que pode ser relacionado a este episódio é que, ano passado, li um livro de que gostei muito, cujo o autor recomendava um exercício em que você deveria se ver no leito de morte e olhar para você hoje e perguntar (ou cobrar) se você estava mesmo fazendo as coisas que gostaria de fazer, o que realmente acreditava. Era o exercício máximo do senso de urgência para o que é importante de verdade. E em 2012, fiz uma palestra num evento sobre empreendedorismo com um título parecido: Quando estiver morrendo, será que você vai se arrepender da vida que viveu?

Parece-me que o tema “vida curta” me acompanha bastante. É verdade, tenho pensado muito sobre isso ao fazer decisões de trabalho e pessoais nos últimos 3-4 anos. Tenho usado um modelo de decisão que aprendi num vídeo com o fundador da Amazon, Jeff Bezos, chamado “redutor de arrependimento”. A pergunta para analisar uma situação é: “Dentre as opções, qual você não vai se arrepender daqui uns 20 anos?”. Isso tem me ajudado a pensar mais no longo prazo, e a focar no que é realmente mais significativo para mim.

O acidente foi reforço para pensar de novo sobre isso. Eu me lembrei das coisas em que acredito. Lembrei-me que quero ser uma pessoa de quem eu mesmo possa me orgulhar todos os dias (como é difícil). Lembrei-me que eu quero fazer um trabalho que tenha significado e propósito. Lembrei-me que tem muita coisa que quero e posso melhorar. Lembrei-me que quero ser um exemplo para meus filhos, hoje e amanhã.

E você, já passou por uma situação que fez você repensar o que é realmente importante na vida? O que você fez dessa situação? Conte-me que modelos você usa para tomar as decisões mais importantes da sua vida.

Um abraço, Miguel

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