O que mudou na sua estratégia esse ano, com bezerro mais caro, e milho mais barato?

Por em 26 de novembro de 2014

Bom dia, tudo bem?

Estou em Campo Grande, MS, onde fiz uma palestra ontem para clientes da Adames Nutrição Animal, sobre tendências do mercado do boi e da carne. Eu gosto muito de fazer palestras como essa, pela oportunidade de encontrar gente que faz a pecuária e quer trocar experiências sobre produção e mercado.

Uma das perguntas que fiz para quem estava presente foi o assunto desse email:

O que mudou na sua estratégia esse ano, com o bezerro (reposição) bem mais caro, e o milho (grãos) bem mais barato?

Minha percepção é que com o bezerro e o garrote mais caros, a estratégia é aumentar o peso de abate dos animais para conseguir diluir o ágio pago nas arrobas da reposição.

Pesquisas como as do Flavio Resende e Gustavo Rezende da APTA de Colina, SP, mostram inclusive novos dados sobre desempenho e eficiência de produção. Quando você mede ganho de peso de carcaça (que é o que será pago pelo frigorífico) e não mais ganho de peso vivo, fica claro que vale a pena aumentar o peso de abate. Muitas vezes estamos abatendo um animal mais leve e abaixo do ponto ótimo, por desconhecer esses estudos.

Nos EUA, com a redução do rebanho de vacas de corte desde os anos 70, agravado agora nos últimos 5 anos, a saída para manter e aumentar a produção de carne com menos rebanho foi melhorar uma série de oportunidades de ganhos de eficiência. Um deles foi aumentar o peso de abate. E se você avaliar hoje, os EUA abatem animais muito pesados… É muito comum encontrar carcaças de 400kg…

Outra mudança é que com os grãos mais baratos esse ano, ficou mais fácil aplicar essa estratégia de aumentar o peso de abate. O histórico do milho é uma relação de 3 sacas para uma arroba de boi. Quando chegava a 4, era considerado excelente. Esse ano, tivemos muitos momentos de relação de troca 6:1, hoje está por volta de 5:1.

Você mudou sua estratégia de suplementação esse ano por causa dos grãos mais baratos?

Na palestra, eu também mostrei um gráfico preparado pelo meu amigo Rodrigo Albuquerque, onde ele avalia diariamente a diferença de preços entre o bezerro e o garrote, e criou um sistema onde ele rapidamente sabe se está valendo a pena comprar garrote ou bezerros.

Eu gosto muito de conhecer os sistemas de avaliação e tomada de decisão das pessoas. Eu gosto muito de entender como os melhores pecuaristas avaliam cada uma das informações de mercado e tomam suas decisões.

Eu gostaria de saber, como você decidiu, diferente ou igual, esse ano com os preços mais altos do bezerro.

Eu gostaria de conhecer quais métricas, qual o painel de controle da sua pecuária. Como num painel de controle de avião, o que você mede, avalia e acompanha para te auxiliar nas suas decisões?

Vamos discutir bastante sobre isso na semana que vem, com diversos palestras que são produtores, no BeefSummit Brasil. Uma das perguntas que vou fazer a todos os palestrantes é qual é seu painel de controle.

Te convido a participar dessa discussão e troca de experiências. Responda esse email ou comente aqui.

Ou melhor, venha conversar conosco no BeefSummit Brasil, dias 2 e 3 de dezembro (terça e quarta da semana que vem), em Ribeirão Preto, SP. E de quebra ainda tomamos um Chopp do Pinguim juntos… :-)

Muito obrigado pela companhia. Grande abraço, Miguel

PS: Conheça todos os palestrantes do BeefSummit Brasil. Tem alguns dos mais renomados pecuaristas e profissionais do Brasil e também algumas surpresas… E não se esqueça, traga seu tênis de corrida… :-)

Miguel Cavalcanti

BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
AgroTalento: Desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

9 Comments

  1. emilio macedo

    26/11/2014 at 09:48

    Coisa nunca vista aqui no sul, e ontem acompanhei, boi comendo milho em grão com ganho de 1,5 e 1,8 kg dia sem outro alimento algum, mas como falastes, milho barato, vai compensar o trato pelo ganho de peso, mas até quando produtores vão aguentar frigoríficos comprando na carcaça e deixando estes apreensivos, quanto a rendimentos e enfermidades descobertas pela inspeção, que levam a desconfiança da parceria entre as partes para condenar animais para ajustar preços pagos, enquanto isso frigoríficos pequenos que compram a peso vivo, estas doenças não aparecem e eles estão crescendo.

    • Mario Wolf Filho

      26/11/2014 at 11:27

      Bom dia Miguel, eu como faço o ciclo completo vou melhorar a minha eficiencia reprodutiva das minhas matrizes. Ontem teve oportunidade de entregar para o Marfrig femeas e machos do programa angus deles com um custo baixo os machos de 13 meses pesando 327kg a uma @ de r$ 176,17 e as femeas de 13 meses @ de 131,00.
      Sendo que a @ na regiao norte do MT boi $127,00 e vaca 120.

      • Miguel da Rocha Cavalcanti

        27/11/2014 at 09:18

        Olá Mario, muito bom ter você aqui.
        Abraços, Miguel

    • rodney melo

      26/11/2014 at 22:40

      Ola
      Boa Noite Miguel

      Na minha regiao a mais o menos a 4 anos atras vendo que varios pecuarista estava saindo da cria e partindo somente para engorda comecei a me perguntar quem vai criar para esse grande numero de invernista a principio pensei em comecar a criar e comecei a 4 anos atras investi em genetica em mao de obra especializada e comecei a fabricar bezerros enseminando usando IATF e vendendo o bezerro e achei que estava no caminho errado pois ninguem valorizava o meu servicos sempre com ofertas baixa e entao tomei uma decisao de fazer o ciclo completo cria recria e engorda e estou satisfeito hoje vou tirar os primeiros bois com 24 meses com mais de 500Kilos de peso vivo

      • Miguel da Rocha Cavalcanti

        27/11/2014 at 09:17

        Olá Rodney, muito interessante!
        Abraços, Miguel

  2. leonardo D`Angelo

    26/11/2014 at 16:53

    Gostei muito da ideia, ou melhor, estudo sobre a correlação entre as variações de preços de garrotes e ponto de viabilidade de compra de bezerros. Gostaria de saber mais sobre esse estudo. Onde acho a referência?

  3. Paulo Ferreira

    26/11/2014 at 23:19

    Caro Miguel,

    Acho muito bonito realmente e concordo que aproveitarmos o potencial produtivo de nossa genética levando nossos novilhos a carcaças pesadas seria perfeito,assim como nos EUA.Mas me parece que a eficiência de conversão de nossos anomais sem a utilização de hormônios como os americanos nos torna pouco competitivos,aqui no sul o milho não está tão barato assim,qualquer eficiência de conversão que exija mais de 6-7 kgs de alimento nos tira a margem, nos obrigando a abater animais até 350 kgs ou aproveitando momentos de mercado mais propícios.Deixo aqui uma questão,quanto deveria bonificar a exportação para produzirmos economicamente carcaças maiores?

  4. Márcio Bissoli

    27/11/2014 at 07:52

    Bom dia Miguel, achei muito interessante a sua colocação sobre a situação Preço reposição e aumentar peso terminação. Desde semana passada eu e minha família estamos nesta discussão, pois trabalhamos com recria de animais em uma região pouco favorecida por insumos, eu e mais um irmão somos veterinários e temos colocado muito de nosso aprendizado em prática na nossa atividade, mais sofremos a mesma dificuldade dos nossos clientes (ser pequenos e proprietários de terras numa região adversa), mas nem por isso desistimos, estamos na luta, com tecnologia e muito trabalho estamos indo muito bem com nossa atividade aqui pelas montanhas do ES. Voltando a nossa prosa, pois com a nossa avaliação de mercado nos últimos tempos, que agora com seu artigo acima, nos mostrou que não estamos fora da realidade, estamos pensando em reduzir o plantel, suplementar aproveitando o preço do milho e pelo menos nesse momento de ágil no preço do bezerro e alta do preço da arroba, vender nossos animais mais pesados, talvez até direto para abate, se o cenário de manter.

  5. RAUL BARROS

    27/11/2014 at 18:46

    Miguel, achei muito interessante a sua solução. Eu trabalho com recria e engorda de fêmeas porque o giro é mais rápido e eu tenho espaço pequeno. Para abater com peso menor é preciso aumentar o giro e ganhar escala o que não é fácil (dificuldade de encontrar animais de reposição) e tem o custo embutido na compra e venda (impostos, taxas, comissão e transporte) 0 que acaba encarecendo mais o animal.
    Outra coisa interessante foi o gráfico que permite decidir sobre a compra do bezerro ou garrote, que você mencionou, mas não mostrou. |No meu caso sempre fico pela decisão de repor com bezerras, novilhas ou vacas magras. Gostaria de conhecer o seu raciocínio para os machos e tentar revertê-los para fêmeas
    Grande abraço]
    Raul

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