O que muda no ciclo de preços do boi gordo?

Por em 28 de outubro de 2014

Bom dia, como vai?

Ontem recebi a visita de um consultor da Gira Food, aqui no nosso escritório do BeefPoint, em Piracicaba, SP. A Gira é uma consultoria européia especialziada em estratégia para proteínas animais. Realizam estudos e relatórios com as tendências das carnes (e leite) no mundo.

Eu conheço o trabalho deles há mais de 10 anos, e gosto muito. Acabei ficando amigo de um dos sócios, depois de encontrá-lo em diversos eventos mundo afora e sempre ter conversas muito boas. A última foi no congresso mundial da carne na China, em junho agora.

A visita ontem foi muito boa. Passamos quase 2 horas conversando sobre o mercado do boi gordo no Brasil, suas tendências e perspectivas.

Falamos sobre o preço do bezerro. Está caro ou barato?

Se você olhar para o mundo, o bezerro no Brasil ainda está barato… Nos EUA, por exemplo, vale US$ 1.500/cabeça. Se você analisar o histórico brasileiro, está caro, um dos maiores preços da história. Se você analisar qual é o sobrepreço do bezerro em relação ao boi gordo, para que a cria tenha a mesma rentabilidade da recria-engorda, não está caro, nem barato: está no preço, ou seja, 40% acima do preço do boi gordo.

Mas, nos últimos 10 anos, em apenas um mês o bezerro esteve 40% acima do boi gordo…

Será que isso vai ser tornar uma referência real (média) ou vai se manter como um pico de sobrepreço? Eu ainda não sei, mas o meu palpite é que a relação preço do bezero X preço do boi vai mudar, favorecendo o criador.

Também falamos sobre o ciclo de produção. O abate de fêmeas está recuando, como era de se esperar, com esse patamar de preços do bezerro. Mas há um outro fenômeno ainda mais interessante em relação ao ciclo de preços.

Nos últimos 30 anos (ou mais), a área de pecuária no Brasil aumentou. O rebanho aumentou. O rebanho de vacas de cria aumentou. E isso favoreceu a existência de ciclos de produção (e preços) com picos mais altos e vales mais baixos.

A tendência agora é contrária. É provável que vamos ter uma diminuição da área de pecuária de corte no Brasil, pois a abertura de novas áreas diminuiu, e a pecuária cede área para a agricultura. Também é provável que o rebanho (e o rebanho de vacas de cria) recuem no Brasil. E mesmo assim, a produção de carne bovina deve aumentar. É a produtividade e eficiência se sobressaindo a redução do rebanho/área.

Essa mudança de tendência, com a estabilização do rebanho, deve trazer uma outra tendência muito interessante. Os ciclos da pecuária continuam a existir, mas com picos e vales mais amenos. Com variações menos bruscas. Essa é minha leitura, com inferência do que vemos no mercado, mas sem uma certeza absoluta que só dados atualizados e confiáveis de rebanho nos dariam.

A primeira vez que ouvi falar disso foi com meu amigo José Roberto Puoli, mais conhecido como Limão, que apresentou isso num artigo e depois numa palestra em um dos workshops do BeefPoint. Fez muito sentido para mim, em especial quando você ve a curva de abate de fêmeas do Brasil perto da curva dos EUA e da Austrália.

Outro desafio para entender o mercado de 2015, são os novos picos de preço, alcançados pelo boi gordo na semana passada. Rompemos o valor máximo, ficamos sem referência. Você já leu o artigo do Rodrigo e do Ricardo sobre isso? Vale a pena.

Você concorda com essa visão de que os ciclos de preços e de produção do boi gordo no Brasil vão se tornar menos agudos? Por favor, deixe seu comentário aqui.

Entender para onde vai o mercado do boi gordo em 2015 é uma das perguntas que desejamos responder no BeefSummit Brasil, dias 2 e 3 de dezembro em Ribeirão Preto, SP. Estamos reunindo os melhores nomes do mercado e vamos fazer uma série de palestras e um grande debate para destrinhcar e entender a fundo para onde vamos.

Muito obrigado pela sua participação. Um grande abraço, Miguel

Miguel Cavalcanti

BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
AgroTalento: desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

9 Comments

  1. Daniel Rizzo Vicente

    28/10/2014 at 10:39

    Esta preocupação da recria e muito importante pois vamos ter consumo, menos area para o gado de corte e o que fazer..Um cuidado maior no abate das femeas para manter o equilibrio da demando da reposição ai sim teremos um equilibrio no preço da reposição, muito boa materia pois sempre fui a favor de não abater femea mas sim somente os descartes porque num futuro bem proximo precisaremos delas como maes de aluguel, para compensarmos as perdas de matrizes. Um forte abraço Ricardo

  2. Mario Bastos

    28/10/2014 at 14:44

    Caro Miguel
    Concordo que a tendência seja que a diferença no preço da arroba do bezerro continue a crescer. Produzir uma arroba de bezerro de boa qualidade custa e demora muito mais que produzir uma arroba na engorda. Além de ser bem mais trabalhoso. A margem de lucro hoje é muito diferente nas atividades de cria e engorda, o que é ruim para a cadeia como um todo, gerando esses ciclos na pecuária. Vamos ver como ficará em 2015…

  3. Luiz Rios

    29/10/2014 at 08:10

    Infelizmente discordo de todos vocês.
    Eu particularmente fui iludido pela conversa dos técnicos que deveria incrementar minha produtividade na cria de bezerros. Quase “quebrei”.
    Hoje vejo que o que vale mesmo é incrementar a LUCRATIVIDADE, que é o que nos impede de abandonar qualquer atividade.
    Não vejo vocês abordando o assunto. No fundo sou levado a pensar, como criador, que todo mundo do setor técnico está sendo subsidiado mesmo é pelos frigoríficos.

  4. gilberto figieiredo

    29/10/2014 at 12:07

    É complicado o preço do bezerro equivalente a 40% do boi gordo,quando isto vai acontecer? Na Bahia/BR preço é em torno de 1.08 da @ do boi gordo, sendo bezerro de boa procedência. Mas 40% da @?. temos a @ a 127 e o bezerro a 135 a @= 137.

  5. JACSON BORGES

    31/10/2014 at 09:45

    Buenas parceiros, este assunto merece maiores reflexões, o terneiro realmente vem valendo mais que o boi gordo, proporcional a sua qualidade, por outro lado a mantença nos preços do boi gordo em alta tem relação direta com o consumo de carne interna. Levando-se a retração na economia do pais e a falta de dinheiro circulante pode sim haver redução nos preços, entretanto, o abastecimento de carne pelos produtores tem sido deficitária o que pode levar ao equilíbrio e não diretamente a aumento nos preços, uma analise de balança comercial e abastecimento pelos produtores.

  6. Eudair Francisco Martins

    31/10/2014 at 11:35

    Se o preço de uma bezerro e 1500 dólares, qual o valor da arroba nos Estado Unidos?

  7. João Carlos

    31/10/2014 at 16:56

    Se compararmos ao passado, vejo que já é um fato a diferença menor de preço do boi gordo entre safra e entressafra, seguindo uma tendência do mercado agropecuário em geral (sementes, grãos, etc.). Quanto à @ do bezerro, 40% a mais que a @ do boi gordo, a meu ver, é um tanto de especulação e não condiz com a realidade da pecuária brasileira.

  8. Elineu Portugal

    04/11/2014 at 11:28

    Concordo com o Luiz Rios e com o Gilberto Figieiredo.
    Não sei onde são praticados tais preços? Estou no Paraná e nossa realidade é muito diferente do que se observa nos índices cepea/esalq ou qualquer outro indicador. Tenho sempre tido cuidado e preocupação na produção de bezerros de melhor qualidade, mas a comercialização nem sempre é uma maravilha. Tenho lutado por preços mais justos, juntamente com alguns colegas que produzem da mesma forma que eu. Entretanto, quase sempre ficamos nas mãos de atravessadores, que levam uma grande fatia do lucro de nossos produtos, por isso tenho tentado evitar esse tipo de comércio. Na maioria das vezes o preço anunciado é muito diferente do que realmente é praticado. Cito apenas como exemplo, o atual valor que gira em torno de R$ 6,20 por kg no Mato Grosso do Sul, nosso valor de comércio atual em minha região está em torno de R$ 5,35 isso para venda direta ao recriador, quando tem comissão no meio o valor se reduz ainda mais.
    Portanto, valores bem diferentes dos anunciados na mídia, pois quase sempre a realidade do produtor é diferente da realidade dos analistas de mercado.

  9. Iuri Saraçol

    04/11/2014 at 12:15

    Acho que com o preço do terneiro deve se manter nos 40% em relação ao boi gordo. E assim como a pecuaria tende aumentar vejo que um outro fator ajude a aumentar ou manter ele em auta que é com o aumento das áreas de lavoura, pois, aqui no sul a espectativa é de aumentar as areas de soja em 30 a 40%…assim calorisando mais o gado de reposição pra entrar nas áreas nas entre safras (pastagens de inverno). Pois nos últimos anos sobram pastagens e falta gado.
    Abraço

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