Declarando meu voto para presidente (e os motivos)

Por em 23 de outubro de 2014

Bom dia, tudo bem?

Gostaria de pedir licença a você para tratar de um tema que nunca tratei aqui no BeefPoint. Você talvez não espere ler sobre esse tema nesse email do BeefPoint e talvez não concorde com meu ponto de vista.

Gostaria de deixar claro que esse é meu ponto de vista pessoal, apesar da ligação quase que instântanea do BeefPoint com meu nome, em especial desde 2011, quando deixei de ser sócio da AgriPoint, e o BeefPoint se tornou uma empresa independente.

Estou te escrevendo essa mensagem para declarar meu voto e também uma série de princípios que eu acredito.

Vou votar no Aécio Neves e gostaria de expor meu ponto de vista. Eu tenho restrições ao candidato do PSDB, mas achei que valia a pena expor minha visão por conta dos acontecimentos recentes. Não voto no Aécio por considerá-lo um candidato excelente. Não ignoro o histórico do PSDB e do próprio candidato.

Como disse um amigo, meu voto é muito mais estratégico.

Eu acredito que o maior problema do Brasil, o maior peso que carregamos é o da corrupção. Do mensalão ao escândalo recente  da Petrobras, ficou claro para mim que a corrupção está institucionalizada no PT. Além do fato de ser um escândalo atrás do outro, e de cada um ter proporções maiores, o que mais me assusta e me incomoda é como o tema é tratado. A resposta é vaga – “eu não sabia”. Os acusados e mais do que isso, os condenados e até mesmo os réus confessos são considerados heróis. Não podemos ser levianos com a corrupção. Não podemos tapar o sol com a peneira, independente de qualquer partido. E o PT tem se superado nessa questão, pois não tem nenhuma vergonha em expulsar ou esconder os criminosos de suas fileiras. Parece que agora é bonito ser feio.

A sensação é de que existe um projeto de poder, de se manter no poder, custe o que custar. A corrupção é um meio que se justifica pelo objetivo buscado. As mentiras e calúnias contra todos os adversários (primeiro Eduardo Campos, depois Marina e agora Aécio) se justificam pois é para atender o projeto principal de poder. Como um amigo me lembrou ontem no Facebook: o PT fez uma festa para comemorar os 10 anos no poder. Estar no poder deveria ser uma ferramenta de transformação e não um fim por si só.

Li esse trecho ontem:

“Um projeto de poder que se sobrepõe à democracia e ao estado fazendo alianças estapafúrdias com o pior da política brasileira, criando mecanismos nada republicanos para financiar partidos e manter seu apoio incondicional no congresso. Nessa eleição ficou clara que a intolerância brutal com que tratam todos que discordam desse seu projeto de poder é incompatível com uma democracia madura.”

Os projetos sociais também parecem ser mais uma ferramenta para o objetivo principal – se manter no poder. Quem ainda não viu o vídeo do Lula criticando duramente o bolsa família, quando o programa ainda tinha outro nome, lá atrás no governo FHC? O programa que é a menina dos olhos do atual governo não servia quando era de outro partido/governo. Será que isso não é uma indicação forte do que eles consideram essencial e o que não?

Em tempo, eu sou a favor do Bolsa Família. O custo desse programa para o Brasil é muito baixo e trouxe benefícios generalizados para a sociedade. Melhorou a vida de muita gente. Aumentou o consumo de todos os produtos. Se está difícil se contratar gente para se trabalhar, é preciso encontrar uma solução de mercado. Com esse benefício, obviamente será preciso pagar mais. Mas é preciso ter um olhar mais amplo nos efeitos. Não acredito que o problema é o Bolsa Família, mas a NR 31 e outras tantas medidas.

Acredito que devemos pensar em dois pontos em relação ao bolsa família. Primeiro, é preciso se atentar a fraudes. E segundo é preciso comemorar quando uma família, quando uma pessoa sai do bolsa família, e não quando entra. O sucesso desse programa não é ter pessoas eternamente participando, mas pessoas que sobem de vida, que melhoram, e que não mais precisam desse subsídio. Eu já conheci pessoas fantásticas que saíram do bolsa família e hoje moram no exterior, estudam, fazem pós-graduação e estão alcançando patamares de sucesso e realização inimagináveis para sua família até então.

Os problemas do atual governo são outros. Criticar o bolsa família é criar uma cortina de fumaça e esquecer do mais importante.

O aparelhamento do estado, das estatais, das agências reguladoras, é impressionante. Há cada vez mais gente sendo contratada e tendo destaque dentro das instituições por questões de partido e não por competência. Se o Estado não é dos melhores em prover serviços, a tendência é ficar cada dia pior. Não me incomoda tanto o tamanho da máquina estatal, mas a forma como é feito.

E a quantidade de cargos de confiança criados nesses últimos 12 anos? Mais custos, mais problemas, menos eficiência, mais chance de corrupção. Não existe nenhum exemplo, em nenhum lugar do mundo, que essa estratégia deu certo para o país, para a população em geral.

E a economia? Todo o trabalho que se iniciou há 20 anos, está correndo o risco de ir por água abaixo. O Brasil está brincando com a inflação de novo. Está usando técnicas da Argentina e Venezuela, que levaram esses dois países para o buraco. Jantei ontem com um empresário da Venezuela. Foi triste escutá-lo contando os problemas que o país passa. Na Argentina, a mesma coisa, é incrível como um país com tanto potencial está penando tanto.

Investimentos em porto em Cuba? Parece até brincadeira de mal gosto, quando infraestrutura é um dos maiores gargalos do país. Qual seria o objetivo? Desvio de dinheiro? Não pode ser prioridade para o Brasil construir um porto em Cuba quando há uma carência enorme no Brasil, de forma óbvia.

E a Petrobras? Uma destruição de valor enorme tentando maquiar a inflação controlando o preço dos combustíveis… Foram R$ 180 bilhões de perda de valor de mercado de 2010 para 2014… Muito pior que privatizar é destruir uma empresa. Hoje a estatal do petróleo vale menos da metade do que valia há 4 anos atrás… Agora, pergunte o que aconteceu com outras empresas de petróleo no mundo… E agora escândalos e mais escândalos de desvio de dinheiro…

Quando as pessoas me perguntam de onde eu sou, gosto de responder que sou brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro, criado em Goiás, morando em Piracicaba, SP. Filho de pernambucano e carioca. Casado com uma paulista, filha de paulista e gaúcha, criada em Rondônia… Sou brasileiro, sem divisões, sem restrições, sem diferenças. Tenho orgulho disso. Tenho orgulho de ter tantos lugares para chamar de casa.

E me incomoda, me aborrece e me entristece ver uma tentativa constante de criar uma briga de pobres contra ricos. Uma briga de nordestinos contra o sudeste. É um absurdo, um crime estimular esse tipo de pensamento tão pequeno.

Muito feio difundir mentiras sobre o fim do Minha Casa Minha Vida, fim do bolsa família, privatizações, etc. Todas essas mentiras e esse terrorismo deixam aquele infeliz filme publicitário da campanha de 2002 com a Regina Duarte no chinelo. Minha impressão é que tudo que o PT criticou, agora faz, sem a menor vergonha ou receio. De terrorismo a mentiras lavadas. A única explicação é a falta de ética alinhada ao projeto de poder.

Eu fui criado numa família classe média. Nunca me faltou nada, mas soube desde pequeno que era preciso trabalhar para se conquistar as coisas. Nunca tive nada contra quem é rico, mais rico que eu, ou muito mais rico do que eu.

Muito pelo contrário.

Sonho com o dia em que vamos ver alguém com muito dinheiro e pensar: nossa, essa pessoa deve trabalhar muito, deve ser muito competente, deve gerar muito valor para a sociedade.

Eu quero ser rico, quero ter uma família rica. Quero ter uma vida rica. No sentido muito mais amplo de palavra. Incluindo bens materiais, conquistados pelo trabalho.

Não acredito e não gosto da expressão ganhar dinheiro. Ganhar é presente ou sorteio. O americano fala em fazer dinheiro. Eu acredito que dinheiro é uma consequência de você gerar valor para a sociedade. Quero fazer muito dinheiro, por ter gerado muito valor para os outros.

Quanto mais essa crença for construída em nossa sociedade, mais teremos pessoas trabalhando de forma digna para conquistar seu espaço. E eu não vejo isso em nada que o governo atual faz, infelizmente.

Eu quero um país para mim e para meus filhos em que os valores da verdade, da honestidade, do trabalho duro sejam conjugados todos os dias. Eu não acredito, nem quero acreditar que é preciso ser malandro, é preciso fazer tramóias para conquistar, para vencer na vida, na política, nos negócios.

Eu ando por todo o Brasil e tenho o privilégio de conhecer muita gente e de encontrar muita gente boa, trabalhadeira, honesta. É essa gente que faz o Brasil. Precisamos de mais gente assim, e não de menos. Precisamos celebrar essa gente.

Não podemos dar desculpas e tentar nos convencer que a única maneira é pela caminho da malandragem. Eu não acredito nisso e não quero acreditar. Não é assim que quero criar meus filhos. Não é assim que quero o país onde nasci e onde escolhi morar.

Eu acredito na livre iniciativa e no empreendedorismo como maneira de avançar. E não criando esquemas, campeões nacionais e amigos do rei.

Cada dia que passa, o governo do PT se parece mais com o livro sátira escrito por George Orwell em 1945, entitulado “Revolução dos Bichos”. Um livro que li ainda adolescente, por acaso – achei que ia aprender alguma coisa sobre fazendas, pelo título…

A história é uma sátira ao governo de Stalin na União Soviética, na década de 1910, mas se passa numa fazenda, onde os bichos fazem uma revolução, liderados pelos porcos. Só que em pouco tempo, os porcos no poder se transformam em agressores muito piores do que os humanos, copiando e piorando todas as práticas que antes abominavam. O slogan dos porcos é “Todos iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”…

Tenho pensado muito sobre um maior envolvimento na política. Eu até hoje tenho me envolvido muito pouco, quase nada. Tenho estado distante. E tenho certeza agora que é preciso estar mais próximo. E o primeiro passo que posso e quero fazer é ir atrás de conhecer, aprender e me aproximar de alguns poucos bons políticos. Preciso e quero entender mais como funciona, como posso participar, como posso ajudar. Não tenho a pretensão de me candidatar a nada, mas é fundamental estar mais próximo.

Queria te lembrar de três coisas que estão na minha cabeça o tempo todo nesse processo eleitoral, que tem me ajudado a refletir.

– “Não vamos desistir do Brasil!”, frase que ouvi do Jorge Gerdau num evento sobre Capitalismo Consciente. Não vamos desistir de que é capaz de se construir um país melhor, para nós, para nossos filhos, para nossos netos.

– “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.” Martin Luther King.

– “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam.” Arnold Toynbee.

A cada dia que passa, vejo o Brasil se tornar menos parecido com o que desejo e com o que acredito. Mais corrupto, mais conivente, menos movido pelo mérito, com problemas cada vez mais graves na economia. Uma crise de valores, somada a uma crise econômica. Um retrocesso em muitos sentidos.

Por tudo isso, vou votar no Aécio Neves para presidente do Brasil.

Uma das coisas que me falaram quando contei que ia escrever esse texto, foi que eu não ganho nada com isso, e ainda posso perder. Minha resposta: eu faço um monte de coisas que eu não ganho nada com isso, e até perco. Mas é o meu jeito, meu propósito e minha crença.

Obrigado pela sua leitura. Gostaria de ler seus comentários e opiniões. Novamente agradeço sua confiança.

Boa votação no domingo. Um forte abraço, Miguel

Miguel Cavalcanti
BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
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Atualização em 23-10-2015 (um ano depois): Impressionante como a Dilma conseguiu decepcionar num nível muito mais alto em todos os sentidos… E também é impressionante como o Aécio conseguiu decepcionar como oposição e como liderança nesse momento.

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