Continuando a conversa sobre preço do bezerro

Por em 30 de setembro de 2014

Bom dia, tudo bem?

Recebi muitos emails e muitos comentários sobre o texto de ontem. Muito obrigado a todos que responderam e comentaram. É impressionante poder aprender com todos vocês, mesmo estando a distância.

Hoje, durante nossa viagem aqui na Califórnia visitamos uma fazenda que produz carne especial exclusivamente a pasto e também uma das melhores universidades do estado – California State University na cidade de Chico, onde dormimos essa noite.

Nas duas visitas, eles nos contaram sobre o preço do bezerro aqui nos EUA. O preço atual é de US$2,50 por libra de peso vivo, ou seja, um bezerro de 270kg (peso padrão para cá), vale US$ 1.500. Há um ano, esse preço era de “apenas” US$ 900. Ou seja, o bezerro nos EUA está muito, mas muito mais caro do que no Brasil. E além disso, teve uma valorização de mais de 60% em um ano. Incrível para os preços atuais.

Ao visitar a universidade, pedi ao professor para fazer simulações com desempenho e custo de engorda para avaliarmos possíveis perdas e ganhos. Um bezerro de 600 libras (270kg) é recriado a pasto para ganhar mais 200 libras (90kg) e depois confinado, até chegar a 1300-1400 libras (590-630kg) de peso vivo.

Nas simulações, se abater com 1300 libras, o confinamento tem um prejuízo de 33 dólares por cabeça e se chegar a 1400 libras tem um lucro de US$ 26 / cab. Ou seja, é um negócio apertado, muito diferente do que estamos acostumados no Brasil e com muita variação.

Se você fizer a famosa conta da relação de troca, vai se assustar. Um boi de 1400 libras (630kg) de peso vivo compra apenas 1,484 bezerros de 600 libras de peso vivo (270kg). O ágio do preço do bezerro sobre o preço do boi gordo aqui é de 57% (US$ 2,50 X US$ 1,59).

Nesse mesmo ano, em junho, quando fomos ao Texas, os confinadores estavam ganhando US$ 150 por cabeça. E no ano passado, no mesmo confinamento no Texas, o prejuízo era de mais de US$ 100/cab.

É uma boa reflexão sobre o que é um preço alto. Essa mesma carne dos EUA compete por alguns mercados com o Brasil, como Rússia e China (maiores compradores do Brasil atualmente).

Voltando ao Brasil, e aos excelentes comentários que recebi. Gostaria de dar destaque a alguns temas muito relevantes.

O primeiro é a questão de que animais de alta genética precisam de sistema de produção adequados. Geralmente a melhor performance vem acompanhada de maior requerimento. Ou seja, é preciso alinhar a tecnologia em todas as pontas do seu sistema.

Outro ponto é que animais de melhor genética, bem manejados, vão girar mais rápido, o que te dá mais tranquilidade por exemplo no mercado futuro e também diminui seu custo financeiro. Essa conta é muito importante de se incluir na equação. Recebi diversos emails e comentários falando sobre as implicações da genética de qualidade e concordo muito com elas.

Mais de uma pessoa comentou que o mais importante é ter gado na sua fazenda de recria-engorda. A safra de capim 2014-2015 já está começando e você precisa de gado para colher, ou senão vai perder o pasto. Muitas vezes é mais importante comprar o que você encontra, num preço que caiba no seu bolso, na sua conta e no seu sistema de produção.

A terceira questão é a valorização do bezerro de qualidade. O Ulisses passou um relato de Santa Vitória do Palmar, no RS, que criou um prêmio de R$1.000 para o lote de melhores terneiros na feira do município e isso foi um dos catalisadores para que todos produtores quisessem ganhar o prêmio (provavelmente mais pela questão social do que pelo valor financeiro) e com isso aumentou a qualidade dos terneiros ofertados na feira.

Eu venho me interessando por esse tema há tempos e uma das coisas que quero perguntar na visita de hoje a um leilão aqui nos EUA é como eles estão fazendo para facilitar a vida de quem vende bezerros de alta qualidade. Se o produto está escasso e é preciso ter qualidade, precisamos estudar as maneiras de se estimular a produção de bezerros melhores, e uma dessas maneiras é criar formas melhores de se vender/comprar esses melhores bezerros.

Muito obrigado pela sua participação, companhia, leitura e principalmente comentários. Eu aprendo muito com você.

Bom trabalho. Um grande abraço, Miguel

PS: Espero que sua semana esteja sendo muito boa e que você possa comer carne de qualidade. Uma frase que aprendi com meu amigo Roberto Barcellos, da Beef&Veal, é que a vida é muito curta para se comer carne ruim. Estamos fazendo nossa parte aqui na Califórnia… :-)

2 Comments

  1. Pingback: Produção realmente integrada de carne bovina - Miguel da Rocha Cavalcanti

  2. jjose mauro w wiemann

    26/11/2014 at 22:55

    Patabebs coidas simples mad muyto profundas para fazer calculo
    Edtas coberto de razso.
    Im carcaca maior o ganho e msior
    Economizando frete reposocao comissso alem de aninais ja adaptados.
    Parabens sucesso

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *