Carne na lata e comida de alma

Por em 13 de maio de 2015

Olá, tudo bem?

Há algumas semanas, conversava com alguns amigos sobre carne na lata, uma tradição em fazendas de gado de corte, onde até pouco tempo não existia luz elétrica. A carne era frita e conservada em banha de porco. Uma rara delícia para quem já provou.

E mais do que uma comida deliciosa, hoje se tornou uma “comida de alma”, ou seja, uma comida que faz bem para a alma, pois você se lembra e revive bons momentos da sua vida.

Ontem fiz um bate-e-volta a São Paulo para levar minha esposa no médico. Faltam apenas 3 semanas para o nascimento do meu terceiro filho e aproveitamos para comer em um dos meus restaurantes favoritos, o Dalva e Dito, do mais famoso chef brasileiro, Alex Atala. Nesse restaurante, ele serve apenas comida brasileira. E eu aproveitei… :-)

Comi carne seca com cebola e manteiga de garrafa na entrada, porco na lata com pure de pequi de prato principal, e pudim de leite de sobremesa.

Carne seca e manteiga de garrafa me fez relembrar a parte da minha família que é do nordeste.

A carne na lata me relembrou minha vivência na fazenda do meu pai em Goiás, na década de 80, onde não tinha energia e sempre tinha carne na lata. Como eu gostava disso. E como foi bom relembrar o sabor e reviver as histórias.

E pudim de leite pois me lembrou da minha avó materna, que está bem velhinha hoje e fazia o melhor pudim de leite que já provei na vida.

Você também deve ter suas “comidas de alma”. Aproveite para relembrar e reviver quais comidas te trazem boas lembranças, boas experiências, com sabores e com pessoas. Você vai ver como tem coisa boa associada a comida… :-)

Eu acredito que comida pode ser muito mais do que apenas alimentar o corpo. Temos experiências, histórias, tradições, emoções e pessoas queridas na nossa vida, e que muito provavelmente passamos um tempo bom em volta de uma mesa.

E acredito também que podemos e devemos celebrar, valorizar e resgatar as tradições, histórias e valores da antiga culinária brasileira. E isso pode significar muito para o Brasil e para a pecuária. Muito interessante ver um chef famoso dedicar um restaurante inteiro a celebrar a boa comida simples brasileira.

Te pergunto, quais são suas “comida de alma”?

Desejo a você um excelente dia de trabalho… :-)

Gostaria de destacar um artigo sobre um tema muito importante e pouco discutido. Os desafios da segunda geração da empresa rural. Gostei muito da abordagem do Ciloter da Safras e Cifras, consultoria sediada no RS.

Sucessão nas empresas rurais – desafios para a segunda geração

Na mesma linha, Francisco Vila lança um alerta sobre tema, e como isso pode ameaçar os negócios no futuro. Vale a pena ler e refletir sobre a sua situação e pensar nun cenário de 10 anos a frente.

Sucessão ameaça pecuaristas no futuro

Em relação a março desse ano, as exportações cresceram 23% em abril. Notícia muito boa para a pecuária e para o mercado.

Volume de carne bovina exportado em abril cresce 23%

E por último, te convido a assistir um vídeo com Márcio Pedreira, sobre o AgroTalento.

Muito obrigado pela companhia. Um grande abraço, Miguel

PS: Você já enviou sua foto para o projeto #HumanosDaPecuaria? Queremos te convidar a publicar fotos que contem histórias de pessoas ligadas a pecuária, pelo Brasil, de norte a sul. Hoje temos umas fotos bem legais (e já são mais de 500…).

Miguel Cavalcanti
BeefPoint: Para quem faz hoje a pecuária do futuro. E para quem quer fazer.
AgroTalento: Desenvolvimento pessoal e profissional para os novos líderes da pecuária.

19 Comments

  1. Janaína Casanova

    14/05/2015 at 09:49

    Miguel, ficamos felizes com o destaque do artigo “Sucessão nas empresas rurais – desafios para a segunda geração”. Bom saber que a Safras & Cifras ajuda neste tema tão importante para o agronegócio. Parabéns pelo trabalho.

  2. marina

    14/05/2015 at 15:40

    Sempre fiz carne de porco na lata,era o preferido de meu marido.

  3. Ronaldo

    15/05/2015 at 06:16

    Nossa! Carne na lata relembra bem quando reunimos toda a família no sítio para abater aquele porco de estava na ceva… Bons tempos que não volta mais…

  4. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:53

    Seguem comentários recebidos por email.
    Abraços, Miguel

  5. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:53

    BOM DIA MIGUEL
    CARA ESTAVA EM SANTA ROSA, RS
    DOMINGO PASSADO NUM RESTAURANTE MUITO BOM, PROVEI UM PERNIL DE OVELHA NA BRASA COM MUITO SABOR,
    RELEMBROU MINHA INFÂNCIA DE 2003 QUANDO MORAVA EM BAGE RS
    NAO TEM COISA MELHOR QUE ALMOÇAR COM MINHA MAE E MEU PAI

  6. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:53

    Boa essa.

    Lembro de várias comidas de alma.

    Pão recheado da minha avó. Couve gratinada da minha mãe.
    E aproveitando a sua lembrança, a costela de porco na lata da minha tia. TOP..

    Abraço

  7. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:53

    Meu caro Miguel, senti inveja de sua carne de lata que aqui em Minas chamamos carne de panela. Quanto às comidas da alma, das que mais me orgulho são sinceridade, produzir boas amizades e a sensação de meu dever cumprido. Deito e durmo tranquilo. Um forte abraço, Júlio

  8. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:53

    Bom dia Miguel,
    Na Expozebu tinha carne na lata…vc perdeu..
    Abração e sucesso.

  9. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:53

    Como sempre, de forma natural, aborda temas do nosso universo cotidiano e valoriza as riquezas de nossa tradição. Aliado a informações pertinentes e relevantes para o gestor rural. Parabéns mais uma vez.

  10. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:54

    Muito bom, Miguel!

    Comer com mais qualidade e sentimento, ao invés de tanta quantidade e rapidamente, é muito melhor, talvez nos faça mais saudáveis e satisfeitos. E menos gordos, talvez.

    Muitas felicidades para vocês com a chegada do novo bebê!

    Abraço,

  11. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:54

    Caro Professor,

    “A melhor memória do homem, está no céu da boca.”

    Céu da Boca
    Carlos Drummond de Andrade

    Uma das sedes da nostalgia da infância, e das mais profundas, é o céu da boca.

    A memória do paladar recompõe com precisão instantânea, através daquilo que comemos quando meninos, o menino que fomos.

    O cronista, se fosse escrever um livro de memórias, daria nele a maior importância à mesa da família, na cidade de interior onde nasceu e passou a meninice.

    A mesa funcionaria como personagem ativa, pessoa da casa, dotada do poder de reunir todas as outras,

    e também de separá-las, pelo jogo de preferências e idiossincrasias do paladar – que digo?

    da alma, pois é no fundo da alma que devemos pesquisar o mistério de nossas inclinações culinárias.

    Parabéns pelo texto!

    Obrigado,

  12. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:54

    ALÔ MIGUEL;

    EXCELENTE SEU TEXTO DAS ” COMIDAS DA ALMA”,

    CADA GARFADA UM MUNDO DE LEMBRANÇAS…

    FORTE ABRAÇO ESALQUEANO,

  13. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:54

    minha comida de alma é uma costela de boi assada, temperada com salmoura, que me Pai tão bem fazia, ao mesmo tempo que me ensinava o “pulo do gato” dela. O mais impressionante foi que cerca de 20 anos depois fiz uma (a primeira) que ficou exatamente igual a dele. Naquele momento, senti ele vivo, ali comigo. Uma sensação inigualável e inesquecível. Obviamente, repito com o meu filho a mesma coisa…

  14. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:55

    Miguel, Bom dia.

    Fico muito feliz em obter suas informações e até mesmo dentro do que o Sr. compartilha, o seu relato neste email fez eu lembrar uma boa parte da minha infância, onde a minha mãe fazia com muito carinho as suas guloseimas das suas origens nordestino.

    Um forte abraço e que continue sempre divulgando informações construtivas e boas como essas.

  15. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:55

    Boa tarde Miguel!
    Com certeza carne na lata está entre umas das monhas comidas de alma, no meu caso era a carne cheia, conhece? Matávamos a vaca e dedicávamos uma parte da carne para esse preparo, tempera uma carne moída ( fresca e moída na hora) com bastante alho e pimenta do reino, reserva e com alguns cortes de segunda é feito uma espécie de sacola, que é recheado com a carne moída (crua), depois de “cheia” a bola era costurada com agulha de costurar caso e cordão. Essa carne cheia então era frita no tacho na gordura quente, e depôs conservada na lata na banha de porco.
    É com certeza uma comida de alma, pois desde o abate da vaca até a que a carne estivesse pronta era envolvido muita gente da família, tios, avós, primos e amigos, era uma festa e até hoje fazemos. Te convido para experimentar, é em Inocência MS.
    Muito boa sua perguntar, faz nos atentarmos a coisas pequenas mas que mexem muito com nossa emoção.
    Poderia citar inúmeras comidas de alma: arroz com açúcar (o arroz que sobrava do almoço e misturávamos com açúcar na volta do dia para matar vontade de doce), leite com farinha ( farinha de mandioca que noz mesmo preparávamos), etc…
    Até mais!

  16. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:55

    Olá Miguel
    Eu também adorava carne na lata!! Pena que esse costume está bem perdido… tenho fazenda em Goiás e até uns 20 anos atrás não tínhamos energia e sempre se comia carne na lata… hoje minha cozinheira mal sabe fazer…. uma pena!!!!
    Tenho lembrança também de raspar o tacho da goiabada… na fazenda da minha avó em Jaguariúna na época da goiaba juntava todas as tias e cada dia era de uma para fazer o doce.. tinha um tacho que cabia 60 kilos de doce e um empregado só para mexer o tacho de tão grade que era… Goiabada como a da minha avó também não existe mais!!
    Abraços

  17. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:55

    Meu amigo

    Se tão jovem já tens tantas lembranças (boas)
    Imagina o velho aqui, que assistiu TV pela primeira vez
    Na copa de 70.
    Mas realmente é muito bom relembrar coisas
    boas
    Que Santa’Ana do Livramento esteja ao lado
    de sua esposa e o parto ocorra da melhor maneira

    Fraterno abraço

  18. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:55

    Boa Noite Miguel!

    Primeiramente passando para desejar um ótimo final de gestação à sua esposa, e que seu 3º filho venha com muita saúde e traga muitas alegrias novas à sua família. São meus sinceros votos!
    No campo das comidas de alma, acho que tenho até demais, haja visto meu sobrepeso..rsrs
    Mas se tivesse de eleger as principais, seriam as seguintes:
    – Um bom bife a milanesa que só minha mãe sabe fazer;
    – O melhor arroz doce que já comi da minha finada avó paterna, que não tem vez que não coma um que não me faça lembrar dela,
    – E da minha avó materna, diria que um belo “boi ralado” que igual o dela não acho em lugar algum.

    São muitas boas lembranças e memórias envolvidas ao redor de uma mesa, não é mesmo?!
    Muito bom isso!!!

    Forte abraço,

  19. Miguel da Rocha Cavalcanti

    15/05/2015 at 10:56

    Bom dia Miguel, tudo bem por ai ?

    Por aqui muita correria, mas não poderia deixar de responder seu e-mail, que encheu meus olhos….hehehe..

    Só de ler o texto já comecei a reviver mina infância e juventude na minha terra natal, Aquidauana – MS. Minha avó materna, era uma doceira de mão cheia, sua queijadinha, pudim de leite, doce de mamão, furrundum, eram afamados na cidade, porém ela não os fazia em larga escala, era somente para a família e alguns parentes.
    Já com a comida, até hoje minguem fez um Cuscuz parecido, sem falar no Bobó de galinha, e outros pratos que ela fazia.
    E falando na minha preferência, o churrasco, o nosso do MS tem suas particularidades, como nunca faltar uma boa mandioca acompanhando. Cabeça de boi assada então, lembra muito as festas de casamento, aniversários, que eram realizadas nas fazendas da região de Aquidauana, e duravam 3 dias, com muita polca e chamamé. Matavam-se 3, 4 até 7 vacas, dependendo da quantidade de convidados, e se aproveitava todo o animal no churrasco.

    Que saudade daquele tempo e tudo girava em torno da comida, e todos se mobilizavam fazendo alguma coisa. Era a união da família e amigos, em torno da comida.

    Forte Abraço.

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